E sem Rocky Mountain National Park, graças ao apagão do Trump

  • Fotos: Claudia Komesu – Nikon D750, Sigma 160-600mm, Olympus TG5 e Sony RX100 III, e Cristian Andrei Sony RX100 III
  • Viagem de família, com o Daniel, em janeiro de 2019

Nossa primeira viagem de neve foi em janeiro de 2017, pra Áustria e Alemanha. A neve é maravilhosa, mas confesso que não se tornou um destino favorito. Meu espírito tropical sentiu falta dos insetos, das flores, de mais horas de luz. Se dependesse de mim, essa não teria sido outra viagem de neve, mas o Cris e o Daniel gostam e, como somos uma democracia, e no ano anterior tínhamos ido a um destino do meu agrado (Austrália), nessa viagem de fim de ano fomos pra um lugar de neve. Consideramos voltar pra Áustria, pros mesmos lugares para onde fomos em 2017, mas os Estados Unidos têm a vantagem das compras na Amazon e de peças de computador usadas, dos fóruns do Reddit, por isso fomos pro Colorado.

Gostamos da neve, mas ainda não nos demos bem nos esportes de neve. Em 2017 tentamos aprender snowboard, mas desistimos. A gente vai pra neve pra andar de trenó, fazer boneco de neve, guerra de bolinhas. As pessoas passavam pela gente sorrindo — não vimos nenhum adulto brincando com trenó, mas não era sorriso de tirar sarro, ouvimos até trechos de diálogos que diziam “são lembranças boas, foram tempos bons…” — e com certeza pessoas que vivem em lugares com neve sabem que pessoas de países sem neve querem se esbaldar.

Nossa viagem começou em Denver. Passamos alguns dias na cidade, fomos a museus, restaurantes. Infelizmente uma das coisas que eu mais queria ver, a ala dos índios da América do Norte e do Sul, no Denver Art Museum, estava fechada pra reformas, você pode ver algumas fotos neste post:

Viagem: Colorado – Denver, Garden of the Gods, Pikes Peak, Great Sand Dunes NP, Mesa Verde NP, Black Cannyon of the Gunnison NP, Rocky Mountain NP, jul/2015

De Denver fomos pra Estes Park, uma das entradas do Rocky Mountain National Park. E quebramos a cara. Por causa do apagão do Trump, o parque estava fechado para carros. O pessoal com disposição podia entrar a pé, mas com os avisos de que os serviços estavam limitados, banheiros fechados, sem equipe operacional para ajudar se você tivesse algum acidente ou problema. Tivemos que nos conformar em andar em algumas trilhas nos arredores de Estes, algumas até faziam parte oficialmente do Rocky Mountain NP, mas eram trechos pequenos.

Acabamos nos divertindo bastante com os trenós, essas pranchas de plástico. Na Áustria os trenós eram naquele formato tradicional de madeira, mas esses modernos de Estes eram bem práticos.

O que aprendemos sobre trenós:

  • Parece que esses retangulares são melhores do que os ovais. Vimos um casal jovem com os ovais, e eles pareciam bem frustrados.
  • Na foto eu apareço segurando a cordinha, que parece ser o que todo mundo faz. Mas depois descobrimos uma técnica que nos permitiu muito mais controle. A cordinha fica pra dentro da prancha (se ficar pra fora, começa a ter atrito e você para), mas pra controlar a direção, usamos as mãos.
  • Não vou ter uma foto boa aqui pra mostrar, mas era apenas isso: você sentado, a cordinha no seu colo, você com luvas, conforme vai descendo toca o chão com as pontas dos dedos ou até com a palma da mão, na direção que você quer ir. Se quer ir pra esquerda, faça isso com a mão esquerda. Se a curva é acentuada, espalme a mão toda, até mesmo pressionando contra o chão. Se é uma leve correção de rumo, às vezes só a ponta dos dedos, ou a palma da mão, de levem já eram suficiente.
  • Eu não tive problema com a minha luva, só andei nos trechos com neve lisa. Mas o Daniel estendeu o percurso pra um trecho sem neve, com terra e pedras, e com isso a luva rasgou..
  • Muita gente consegue controlar usando a cordinha, e imagino que isso é o certo. Mas a gente não aprendeu como fazer, e quando usávamos a cordinha íamos pro lado errado o tempo todo, às vezes de quase rodopiar.
  • Só brincamos em locais bem seguros, provavelmente crianças de 4 anos poderiam fazer o que a gente fez. Mas agora nos sentimos confiantes pra pegar pistas maiores. Confiamos que qualquer problema, as laterais fofas de neve amortecem o impacto. E descemos sentados a maior parte do tempo, então quando íamos pro lado errado, o impacto era pé contra árvore. Tem gente que desce de bruços, o Daniel até experimentou, mas não foi mais rápido ou emocionante do que ir sentado.

Quanto às aves, sempre há oportunidades. Perto de Denver fomos passear no Barr Lake Wildlife Refuge. Destaque para as centenas de gansos canadenses, e pro American Kestrel comendo um ratinho. Em Estes Park passei alguns dias doente (talvez em consequência de um dia em Denver que fiquei bastante tempo no frio, tentando fotografar os flocos de neve), e só teve uma tarde em que me senti bem pra ficar no frio fotografando as aves que apareciam ao redor da casa.

Minhas fotos são muito amadoras, mas se você se interessa pelo tema, vale a pena ver posts como este: https://www.huffingtonpost.com/2013/12/03/alexey-kljatov_n_4373888.html

É muito fascinante como cada floco de neve (que mede em média menos de 5mm), ao ser registrado bem de perto, mostra esses desenhos incríveis. Usei a função microscópio da Olympus TG5, o fundo colorido era uma caixa preta de um monitor que o Daniel tinha comprado.

Só consegui fazer uma sessão de fotos de flocos de neve :( Nos outros dias estava doente demais pra ficar no frio e, quando melhorei, nevava mas era um dia com temperatura subindo, os flocos caíam já meio derretidos. O blog de Alexey Kljatov não está mais online, mas felizmente é possível ver as lindas fotos dele naquele link da Huffington Post.

Roupas de neve para brasileiros

Compramos nossas coisas na Decathlon. Tem uma loja nos EUA que a gente adora, a REI, e sempre vamos lá. Mas olhando pela internet, infelizmente é tudo muito caro. Por exemplo, casacos pra neve, na Decathlon um básico sai por algo como se fossem uns US$ 60. Na Rei, a média de preços é pelo menos US$ 200, alguns de US$ 500, US$ 700. Como usamos de forma tão esporádica, concluímos que não valia a pena investir em peças caras. Comprei um casaco de R$ 250, uma calça de R$ 200, segundas peles que custam em média uns R$ 70 cada peça, um gorro felpudo (na viagem pra Áustria, havíamos emprestado tudo da querida Ana, prima do Cris). Eu tinha bota de neve da outra viagem. Cris e Daniel compraram itens semelhantes, nossa compra saiu por menos de R$ 3.000. Se fosse pra comprar nos EUA, provavelmente gastaríamos isso só com os casacos.

A menor temperatura que pegamos foi de -14 C, com alguns dias em torno de zero, um pouco mais ou um pouco menos. Algumas vezes saímos só com segunda pele e uma roupa comum por cima. Nem sempre precisamos do casaco de neve, às vezes a segunda pele e mais dois tipos de blusa comuns, dessas que usamos no frio do Brasil, eram suficientes. As roupas impermeáveis pra neve foram importantes pra brincar na neve e não passar frio ou se molhar.

Achamos que o único item não muito satisfatório foram os calçados. Minha bota tinha sido comprada na Áustria, uma loja de shopping, comum. Cris e Daniel compraram na Decathlon. Nós três tivemos momentos de sentir ou frio ou calor excessivo. Mas sei que achar bons calçados é uma saga, tenho problema com minhas botas de trilhas tropicais, mesmo comprando de marcas caras.

No frio é importante manter mãos e cabeça aquecidas. Quando esfriava, gorro era algo essencial. Na REI comprei um fleece com velcro, que servia de cachecol pro pescoço, mas também podia ser usado como uma proteção para metade do rosto. Teve alguns momentos da gente pegar um frio que doía o rosto, e se você vai passar muito tempo no frio, é importante ter uma proteção assim ou até balaclava.

Sempre lembro que Vincent Munier — meu fotógrafo de natureza favorito, se distraiu fotografando por horas uma coruja-das-neves, sem ficar com o rosto protegido e, quando voltou à noite pra pousada, alguém lhe falou “seu nariz está preto” — ele teve que ir pro hospital e perdeu um pedacinho do nariz. Nas fotos não parece, imagino que foi fácil reconstituir, mas é importante levar a sério os riscos do frio.

Mais informações aqui:

Primeiro contato com a neve, Áustria e Alemanha, dez/16

Munier devia estar fazendo alguma coisa assim (nas duas fotos são ele, peguei da internet):

Vincent Munier, meu fotógrafo favorito. Provavelmente comprei meu gorro felpudo por alguma lembrança inconsciente desta foto :)

Mas o certo seria estar pelo menos assim:

Vincent Munier, meu fotógrafo favorito

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