As oito selecionadas – vencedora, segunda colocada e seis menções honrosas – têm algumas características em comum: uma imagem bonita, que gostamos de olhar por um bom tempo, com composição interessante, as aves como um elemento visual em sintonia com os outros elementos da imagem e um mínimo de distrações; uma situação que não era óbvia e demandou a sensibilidade de quem estava lá; um momento que não teria sido registrado se o fotógrafo estivesse buscando apenas penas bem definidas, proximidade da ave ou uma espécie rara.

“Tô nem aí”, por Marco Guedes. Primeiro lugar no concurso O Lado B da fotografia de aves

 

  • Resultado do concurso o Lado B da fotografia de aves. Prêmio: 1 HD portátil de 1TB
  • Período para envio das fotos: 25/06/2012 a 15/08/2012
  • Aves silvestres livres de qualquer país. O participante poderia ser de qualquer nacionalidade, mas precisaria ter um endereço no Brasil caso fosse o ganhador do prêmio
  • O concurso aceitava fotos de espécies comuns, ou de espécies menos comuns que não estivessem registradas no padrão Lado A de proximidade da ave, super-definição das penas e pose exibindo as características ornitológicas de identificação
  • O objetivo do concurso era chamar a atenção para outros estilos fotográficos, e atrair o interesse de iniciantes
  • Fotos julgadas por Cristian Andrei, marido de Claudia Komesu, organizadora do site e do concurso. Cristian tem mais de 25 anos de experiência com a fotografia de natureza como hobby, e fez vários workshops de fotografia com Araquém Alcântara.

 

Comentários de Cristian Andrei, jurado do concurso, sobre o processo de seleção e as fotos selecionadas

Fase 1 – entre as 758 fotos submetidas por 102 fotógrafos selecionei cerca de cem imagens semi-finalistas. São fotos bonitas, que conseguem captar pelo menos algum aspecto da proposta do Lado B. Destas, perto de 40 finalistas destacam-se por sua beleza, pela ação que capturam, por registrarem muito bem um momento especial, por mostrarem as aves de um jeito pessoal.

Fase 2 – para definir as menções honrosas e a vencedora procurei aplicar critérios que destacassem o máximo possível o Lado B. Não necessariamente as melhores imagens, ou as mais bem compostas ou impressionantes, mas as que revelassem com mais força o olhar fotográfico em relação aos outros fatores que nos ajudam a produzir uma imagem memorável. As finalistas que não foram contempladas na segunda fase serão publicadas nas próximas seleções da semana.

As oito selecionadas – vencedora, segunda colocada e seis menções honrosas – têm algumas características em comum: uma imagem bonita, que gostamos de olhar por um bom tempo, com composição interessante, as aves como um elemento visual em sintonia com os outros elementos da imagem e um mínimo de distrações; uma situação que não era óbvia e demandou a sensibilidade de quem estava lá; um momento que não teria sido registrado se o fotógrafo estivesse buscando apenas penas bem definidas, proximidade da ave ou uma espécie rara. As fotos foram feitas com DSLRs, mas várias poderiam ter sido captadas por compactas. Algumas estão a menos de 300mm. Belas imagens com aves que estão à nossa volta.

O mocho-dos-banhados e o mergulhão-de-orelha-branca são aves incomuns, mas entraram para o concurso por serem imagens que se destacam como uma boa foto Lado B, e não pela espécie registrada.

 

Segundo lugar: “Garça-moura à margem do Arroio Pelotas”, por Alberto Blank

A segunda colocada usa vários tons de cinza sobre um céu de cores pálidas para criar uma imagem com profundidade, formada por silhuetas interessantes, e que transmite a emoção de um clima frio, um começo de manhã promissor, em que nós nos identificamos com a ave, olhando o horizonte, se preparando para um belo dia.

 

Primeiro lugar: “Tô nem aí”, por Marco Guedes

A foto vencedora é uma imagem muito gráfica, de composição geométrica e um uso quase exclusivo de faixas e pontos de cor, mas que também conta uma história. As aves são indispensáveis para o sucesso da foto – sem elas não teria graça. Primeiro, por causa da beleza do contraste e repetição de pontos brilhantes, formando duas faixas que se harmonizam com as linhas de areia e combinando, brincando com o chapéu e as meias brancas do caminhante. Ao mesmo tempo, sabemos que são aves, e não pedrinhas, que podiam ter voado, que não foram arrumadas ali pelo fotógrafo, e ainda assim elas não voaram, ficaram tranquilas enquanto a pessoa atravessava seu espaço até chegar ao ponto perfeito para a foto.

Até mesmo as duas aves dos cantos inferior e superior esquerdos estão no lugar certo para ajudar a segurar a composição, a fazer os olhos passearem pela imagem, seguindo a linha mais brilhante de areia de volta ao caminhante.

A pessoa também tem esses dois aspectos: o gráfico, um ponto azul-forte, claramente um intruso, um elemento artificial nessa paleta de tons da terra, como que lembrando que somos invasores barulhentos. Mas, também, já está saindo, fez o seu caminho sem perturbar as aves, quase sem deixar pegadas (elas estão lá, de leve), está tranquilo e as aves também, numa boa convivência.

 

Sobre o prêmio para o segundo lugar

Observação de Claudia Komesu, organizadora do concurso: não havia previsão para o segundo lugar, era um concurso de uma foto vencedora e menções honrosas a fotos que se destacaram, mas quando o Cris analisou as fotos, destacou a foto com a garça-moura em uma classificação diferente das menções honrosas. A foto com a garça-moura era muito boa, e o álbum inteiro do Alberto Blank chama a atenção por um bom olhar fotográfico. Quando recebi as fotos dele, nas primeiras semanas do concurso, vi que tínhamos volume e qualidade de fotos para fazer um concurso em vez de sorteio. Decidimos viabilizar um prêmio para o segundo lugar, e assim o Alberto Blank receberá um HD de 500GB portátil.

 

Comentários de Marco Guedes e Alberto Blank

Os fotógrafos premiados, Marco Guedes e Alberto Blank, souberam do resultado no dia 28/08. Pedimos para falarem um pouco sobre as respectivas fotos, e colamos abaixo os comentários:

[Comentário do Marco Guedes sobre a foto]

“Marco Guedes: a foto foi feita em uma praia na Austrália, Mainy, onde morava na época a minha filha do meio. Estava posicionado no morro sobre a praia e as gaivotas estavam pousadas na areia como sempre fazem. Essa pessoa veio caminhando e varou por entre as aves que simplesmente abriram caminho para a sua passagem, o que é frequente acontecer em lugares em que as pessoas, historicamente, não são agressivas com as aves.

O resto foi enxergar a cena, sentir a emoção, regular a câmera, apontar, compor e fazer a foto.”

 

[resposta ao e-mail da Claudia com a notícia de que ele havia ganhado o segundo lugar]

“Alberto Blank:  (…) Quanto à segunda colocação no Lado B recebi a notícia, tuas palavras e comentários do Cris teu marido com uma imensa alegria, e emoção de verdade… que felicidade! Parece que meu trabalho começou a tomar corpo :) Essa foto da garça-moura foi durante minha primeira velejada e saída fotográfica com a lente nova (28-300mm) acompanhado do meu pai, grande parceiro e incentivador. http://albertoblank.blogspot.com.br/2012/01/atravessando-lagoa-dos-patos.html. A foto já foi apresentada em um evento em minha cidade, vou colocar abaixo a descrição que tinha criado para ela…

Título da fotografia: Garça-moura à margem do Arroio Pelotas

Autor: Alberto Blank Schwonke 

Antes do raiar do sol uma bruma matutina cobre o Arroio Pelotas e suas margens históricas. Esta imagem mostra a área da antiga chácara da Brigada, onde há planos para futuramente instalar o pólo naval da cidade de Pelotas.

O Virtude está me ajudando em muito a acreditar neste meu trabalho fotográfico, sem palavras…

Meus sinceros agradecimentos!”

 

 

Primeiro lugar: “To nem aí”, por Marco Guedes

Tô nem aí

 

Segundo lugar: “Garça-moura à margem do Arroio Pelotas”, por Alberto Blank

Garça-moura à margem do Arroio Pelotas

 

Menções honrosas:

Alessandro Abdala, Claudia Covolan, Everton Leonardi, Fábio Bernardino, Júlio César Silveira e Marco Guedes