Mesmo com as chuvas de verão, o Guaraú – Peruíbe é sempre um paraíso para os amantes da natureza

Na semana passada tive a oportunidade de passar dois dias no Guaraú. O Cris tinha que viajar a trabalho, perguntou se eu queria ir junto pra Belo Horizonte, ou passarinhar. Escolhi passarinhar.

Um dos meus lugares favoritos de Mata Atlântica de litoral tem sido o Guaraú, na companhia do queridíssimo Fabio Barata. Como contei em outros posts, Fabio é biólogo e há vários anos mora no Guaraú. Considero um grande diferencial o fato dele ser uma pessoa que interage e é reconhecido pela comunidade local como alguém que promove e protege a natureza. Recentemente fizeram uma reportagem com o Fabio, apareceu na TV, e várias pessoas que nunca tinham ouvido falar do birdwatching entraram em contato para agendar um passeio.

Se você nunca fez um passeio passarinheiro e tem curiosidade, essa é uma ótima oportunidade: o Fabio tem um hostel, é um lugar simples, mas bem cuidado, o Mochileiros. Você pode ficar lá ou, se preferir ficar hospedado em outro lugar e só contratar os serviços dele como guia. Mas aviso que você precisa se programar bem, o Fabio está cada vez mais famoso e tem passeios agendados até setembro. Não que a agenda dele esteja totalmente lotada, mas é pra saber que se você tentar agendar em cima da hora, ou em feriados, provavelmente já não encontrará vaga. O valor não é alto. No site há os contatos, eles respondem rápido.

Selfie que o Fabio tirou. Eu, a Elen (esposa do Fabio, outra pessoa muito querida), e o Fabio.

Cheguei numa quarta à tarde sob chuva, almocei na padaria do bairro, e ainda consegui aproveitar a tarde com o Fabio. As aves não estavam receptivas ao playback para responder ao canto, mas o Fabio tem algumas gravações especiais que costumam atrair o interesse de bandos mistos, e com isso tive boas oportunidades.

Na quinta-feira choveu bem menos, tivemos alguns períodos de garoa ou chuva fina, mas nada que uma capa de chuva e capa pra câmera não resolvessem.

Como aproveitar o passeio fotográfico mesmo com chuva

Eu uso uma capa de chuva pra câmera muito simples, da Op-Tech, que é essencialmente um invólucro de plástico com um cordão na extremidade. Teoricamente você faz um furo para o visor, e a câmera ficaria totalmente coberta, com você manipulando botões por cima do plástico, mas achei inviável. O que eu faço é manter a câmera coberta nos momentos de mais chuva ou enquanto estou andando com ela pendurada pelo ombro. Quando vou fotografar, afasto o plástico pra poder mexer nos botões — molha um pouco a câmera, mas depois enxugo. Idealmente com uma pequena toalha que eu devia carregar numa mochilinha, junto com um guarda-chuva, pro caso da chuva apertar muito, ou com minha camiseta, quando esqueço da mochilinha porque aposto que a chuva será mansa, ou até mesmo só tirando o excesso de pingos com as mãos — e depois, no fim do passeio, sempre deixo secando bem em algum lugar arejado. Mas esse é o tipo de desaforo que eu sei que o meu equipamento aguenta, outros modelos de câmera podem ser mais frágeis para intempéries.

Até cheguei a comprar uma capa de chuva mais robusta, mas achei menos prática. No final, sempre uso essa manga de plástico. É esta aqui: https://www.amazon.com/OP-TECH-USA-9001132-Rainsleeve/dp/B000PTFDYO?ref_=bl_dp_s_web_7354514011

Se quiser ter mais ideias de capas pra câmeras, inclusive pra eventualmente mandar fazer uma, digite “rain cover dslr” no Google e você verá vários modelos.

 

Eu não estava atrás de nenhuma espécie em especial, fotografamos o que apareceu. Além do festival de aves coloridas da Mata Atlântica do litoral, tivemos um avistamento de um bando de macacos-prego, e também vimos um gambá juvenil no comedouro do Mochileiros.

As flores também estavam um espetáculo. Não vi tantos insetos e aranhas, provavelmente pela chuva, por ter esfriado, e por já ser fevereiro. Mas de novembro a janeiro sei que eles são muito abundantes, algumas das aranhas mais incríveis que já vi foram no Guaraú.

A parte triste do passeio foi ver cada vez mais obras no bairro. Teoricamente elas são proibidas, o bairro é zona de amortecimento, embargado para novas construções. Mas cada vez mais pessoas desmatam e constroem, e a prefeitura faz de conta que não vê. Depois de um tempo, faz a ligação de água, esgoto e luz, e começa a cobrar impostos. Simples assim. Era uma dor no coração ver várias áreas com mata derrubada, ou muradas e em processo de derrubar a mata pra dar lugar a uma casa :( É muito triste o quanto a preservação da natureza não é levada a sério no Brasil.

Apesar dessa tendência, há muito o que ver no Guaraú. Ainda por alguns anos, com certeza é um ótimo passeio.

Eu não sei dizer o quanto é seguro você andar sozinho por lá com uma câmera chamativa. Com o Fabio sempre me sinto segura porque ele conhece todo mundo, mas talvez sozinho possa ser arriscado. Se o Fabio estiver sem agenda, em geral ele também tem guias conhecidos e confiáveis para indicar, e às vezes eles podem.

Com o crescimento do birdwatching no Brasil, há cada vez mais guias, mas infelizmente nem todos são bons. Alguns têm deficiências de competência, mas há outros que têm questões de caráter mesmo — de não respeitar a natureza, tocar demais o playback, se aproximar demais de ninhos, roubar o mapeamento feito por outro guia — e há até histórias de furto e assédio.

Pra não correr o risco, de preferência procure algum dos guias que eu ou pessoas que você confia recomendam. Quando eles não puderem, peça para eles indicarem outros. Guias que já contratei ou que ouço falar bem: Adrian Rupp, Alejandro Olmos, Alessandro Abdala, Caio Brito, Cal Martins, Ciro Albano, Demis Bucci, Eduardo Franco, Elvis Japão, Fabio Barata, Fred Crema, Gabriel Leite, Geiser Trivelato, Guilherme Battisttuzzo, Guilherme Santos, Gustavo Gussoni, Gustavo Magnago, Gustavo Pinto, Hudson Martins, Jefferson Bob, Jefferson Otaviano, Pedro Vitor, Rafael Fortes, Ricardo Mendes, Rodrigo Vieira, Tatiana Pongiluppi, Tietta Pivatto, Thiago Carneiro, Vanilce Czaban, Wagner Nogueira. Com alguns desses tenho diferenças de opinião, até mesmo numa questão que considero séria, que é a discussão se guia de birdwatching tinha que ter curso obrigatório. Eu acho que não tem, algumas dessas pessoas acham que deveria ser obrigatório. Mas apesar de nossas diferenças, sei que são pessoas sérias no trabalho e que respeitam a natureza.

 

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