Um dos melhores lugares no Estado de São Paulo para fotografar Mata Atlântica

A Trilha dos Tucanos, em Tapiraí, o Mochileiros, em Guaraú – Peruíbe, e Campos do Jordão têm sido meus locais favoritos para passarinhar na Mata Atlântica. No ano passado fui três vezes pra Trilha, mas foram passeios bem curtinhos, acabei não fazendo posts desses passeios. Neste ano eu já tinha ido de novo com a Juliana Diniz e a Maria, em junho, e depois em julho fui sozinha e fiquei dois dias e meio.

O inverno é alta temporada para a Mata Atlântica, por isso em maio já fiz a reserva para passar dois dias e meio na Trilha, dois dias e meio no Guaraú assim que voltasse das férias com a família.

Nessa viagem com a família fomos pra São Francisco. No California Academy of Sciences há uma exposição impressionante sobre florestas tropicais, eles recriaram ambientes tropicais, com várias plantas, borboletas e aves vivas e soltas. Presenciamos até o momento em que um guaxe abocanhou uma borboleta. Era engraçado andar por lá e pensar “somos tão privilegiados por ter a Mata Atlântica… daqui a uns dias poderei ver tantas belezas ao vivo”.

Os Estados Unidos têm muitas belezas e adoramos andar nos parques nacionais de lá. Mas nada como voltar pro Brasil e poder passar uns dias no meio da Mata Atlântica, que continua sendo meu bioma favorito.

Os comedouros da Trilha dos Tucanos estavam fabulosos. Muitos araçaris-banana, catirumbavas, tiribas-de-testa-vermelha, periquitos. Tietingas, benedito-de-testa-amarela, tiês-pretos. Perto da área de comedouros, um lindo casal de tucanos-de-bico-verde se alimentavam tranquilamente do cacho de bananas. Andando pela propriedade, havia umas moitas floridas, umas flores cor de rosa que formavam esferas grandes, fazendo a alegria dos beija-flores. Não fiquei no hide dessa vez, mesmo assim, topei com um filhotão de inhambuguaçu caminhando pela trilha.

Nesses dias na Trilha também tive a oportunidade de conhecer o Brian, um inglês que ia passar duas semanas na Trilha. Passamos um bom tempo papeando quando nos encontrávamos na sede pra refeições. Conceição Bianchini e família também estavam lá, muito simpática. O garoto na foto alimentando os araçaris é da família, acho que era neto da Conceição. Revi o Igor, namorado da filha do Marco e da Patrícia. Ele era o cozinheiro e estava nos deixando mal acostumados com tantas comidas boas, conheci-o em junho, no bate e volta com a Ju e a Maria.

Dessa vez decidi dar uma volta na estrada de acesso à propriedade. Pude ver e fotografar miudinho, trepador-quiete, choquinha-lisa, picapauzinho-verde-carijó. E tive um momento surreal: um beija-flor-rubi macho veio me inspecionar. Ele voou em torno do meu cabelo (que é vermelho), depois ficou olhando pro case da minha compacta (que é fúcsia) e encostou o bico, depois veio olhar os anéis da minha mão (não se assuste, são só detalhes, juro que no geral minhas roupas são tradicionais. Calça cinza, camisa de manga longa verde-escura), ele encostou o bico na minha mão. Enquanto fazia isso, ele estava com as cores brilhando muito, tanto o verde quanto a garganta. Depois que ele saiu, dei alguns passos, voltando pra sede, sorrindo muito e ele ainda voltou, circundou de novo minha cabeça, ouvia o zumbido das asas bem forte até fechei os olhos. E depois foi embora.

Ele estava mais ou menos assim, mas com o verde brilhando não só no topo da cabeça como no corpo também:

Já estive em muitos lugares cheios de beija-flores, mas nunca nenhum tinha me achado tão interessante. Foi mágico.

A Trilha dos Tucanos é sempre um lugar fabuloso. O Marco e a Patrícia cuidam de tudo com muito carinho e amor pela natureza. É um lugar que sempre dá gosto voltar.