Uma aventura no Núcleo do Cabuçu do Parque Estadual da Serra da Cantareira, com direito a muita chuva, mas o primeiro registro fotográfico a ser postado no Wikiaves do barbudinho.

Barbudinho (Phylloscartes eximius) Southern Bristle-Tyrant

 

Texto e fotos: Demis Bucci

A Serra da Cantareira tem 4 núcleos, acredito que o mais conhecido de todos é o Núcleo da Pedra Grande, o menos conhecido é o do Cabuçu, por ser o mais recente núcleo aberto para visitação. O Núcleo do Cabuçu é um parque muito bom com uma diversidade interessante de aves. Possui quatro trilhas com níveis diferente, leve, moderado, média e média avançada que varia também com a extensão tendo trilhas com menos de 1km e a maior com 5km. No Núcleo do Cabuçu também se encontra o primeiro forte armado do Brasil (uma barragem) que foi feita com concreto vindo da Europa trazido por navios.

Todos os núcleos da Serra da Cantareira abrem às 8h da manhã e fecham às 17h. Abrem aos fins de semana, feriados e durante a semana no período das férias escolares. A entrada nos parques é até às 16h.

O custo de entrada é de (em maio de 2012) R$ 6,00 por pessoa e mais R$ 6,00 de estaciomento. Não deixe de levar algo para comer e beber, o local não possui restaurantes ou lanchonetes.

 

Vou contar para vocês uma aventura que vivi em maio de 2009. Eu estava começando a me aventurar em trilhas de mata fechada, até o momento o Zoológico de Guarulhos era meu destino carimbado de diversão para fotografar. Descobri o Núcleo do Cabuçu, um dos núcleos da Serra da Cantareira, e convenientemente próximo da minha casa.

O dia não estava tão aberto, com um pouco de nuvens no céu, mas um clima agradável. Eu ainda era bem inexperiente com relação a descobrir espécies de aves, tomava um baile atrás do outro para tentar fotografar, não conseguia fazer foco direito pois as aves eram muito rápidas pra mim (muito mais do que hoje), publiquei poucas fotos do dia pois não tive muita sorte, fiz a trilha da Jaguatirica onde consegui uma foto razoável de um tororó e no final dessa trilha, indo rumo à trilha seguinte, consegui uma foto da choquinha-lisa que é uma ave bem comum na região da Mata Atlântica. Chegando no Recanto do Bugio resolvi fazer a trilha da cachoeira, uma trilha cheia de sobe-e-desce e 5km de extensão, uma trilha de nível médio.

Fazendo uma foto aqui outra ali não percebi que o tempo foi mudando, afinal eu estava totalmente em baixo das árvores e quando tinha percorrido mais ou menos 2km de trilha começou a pingar. CHUVA! Naquele dia eu não estava com minha mochila impermeável, estava com duas cameras, uma DSLR para fotografar e outra para filmar (uma Sony H2). Na hora comecei a procurar folhas grandes para tentar cobrir o equipamento, foi quando vi no alto a mais ou menos uns 5 metros de altura uma avezinha amarelinha pousada em um galho, foi o tempo de fazer uma única foto que a chuva começou a apertar. Embrulhei meu equipamento onde consegui embrulhar, desliguei, tirei as pilhas e baterias de todo equipamento, coloquei dentro da mochila e saí correndo.

A chuva começou a apertar, de repente eu estava debaixo de uma torrente de água que me molhou por completo, fiquei desesperado, correndo, segurando a mochila sobre o corpo e água caindo para todos os lados, o final da trilha não chegava nunca!

Quando estava perto do Recanto do Bugio sai do meu lado uma Cotia também correndo como louca, (acredito que assustada com minha presença) corre um pouco na minha frente e logo em seguida entra como um raio para dentro da mata. Nesse momento eu já estava pensando: “Perdi todo meu equipamento, perdi tudo…”.

Enfim, chegando na recepção do parque, no vestiário tirei minha camiseta ensopada, torci e abrindo a mochila comecei a ficar um pouco mais esperançoso, pois o equipamento estava apenas levemente úmido.

Peguei alguns papeis de secar as mãos e fui secando todo o equipamento, fiz algo que não se deve fazer (o certo é esperar em torno de 48h, em ambiente arejado, com luz indireta do sol, para a água evaporar totalmente e não haver risco), mas no momento a gente não pensa direito e liguei o equipamento… FUNCIONOU!!! Alívio total…

Comecei a ver as fotos que havia feito e observando melhor a última foto vi que não se tratava de um pula-pula como pensava, era diferente. Voltei pra casa, descarreguei as fotos e olhei com mais calma essa última avezinha. Procurei no guia de campo que tinha em mãos e vi que se parecia com uma ave que não era muito conhecida, procurei essa espécie no WikiAves e para minha surpresa não tinha nenhuma foto publicada.

Postei a foto no WikiAves como “Não identificada”, mas com o comentário de que talvez fosse o barbudinho, para ver as opiniões das pessoas. No outro dia meu amigo Rafael Fortes veio a confirmar minha suspeita, era mesmo o barbudinho uma ave não muito estudada e na época foi a primeira foto postada no WikiAves e o primeiro registro fotográfico para a cidade de Guarulhos (de acordo com a lista de aves da prefeitura de Guarulhos). Fiquei muito contente, na semana seguinte voltei ao local e consegui melhorar minhas fotos.