(Atualizado em dezembro de 2013 com mais fotos.) Como parte do projeto para conversarmos sobre o Lado B da fotografia de aves, aqui vai mais um convite: mostre sua coleção de fotos que você já conseguiu fazer da janela da sua casa ou do seu trabalho.

Falcão-de-coleira, jovem (Falco femoralis) Aplomado Falcon

 

Texto e fotos: Claudia Komesu, exceto falcão-peregrino, de Cristian Andrei.

Moro na Vila Madalena, no sétimo andar de um prédio em uma rua íngreme. Não há nenhum parque grande bem perto (o mais próximo é o Villa-Lobos, a mais de 3km), e a cerca de 100 metros há uma pequena praça, com alguns eucaliptos altos e várias árvores. Não saio para passarinhar pelas praças do bairro porque tenho medo de assalto (êh tristeza de cidade grande), mas minha mesa de trabalho fica ao lado da janela, e mantenho minha câmera à mão.

Das minhas janelas vejo sempre periquitos-ricos, caracarás, sanhaçus-cinzentos, bem-te-vis, urubus, pombões, em algumas épocas do ano a maracanã-pequena, andorinha-pequena-doméstica e, uma vez, alguns canários-da-terra-verdadeiros também vieram para a antena do vizinho. O vira-bosta às vezes aparece na tal antena. O falcão-de-coleira aparece de vez em quando. Uma vez vimos um falcão peregrino pousar na torre de celular, longe, mas o suficiente para um registro. Um casal de beija-flor-tesoura passou pela varanda, olhando, mas sei que o vizinho de cima mantém bebedouros.

Uma dupla de periquitos-ricos passou alguns dias vindo inspecionar uma caixa de concreto do ar-condicionado do prédio vizinho, seria busca por um ninho? Olhavam, olhavam, e depois iam embora. Depois de um tempo não voltaram mais a inspecionar.

(Atualização em dez/13) Em 2013 tive dois momentos bem emocionantes, e um avistamento de resultado de caçada:

– pela primeira vez vi um gavião-miúdo da minha janela. Essa espécie é relativamente comum, e já foi registrada no Parque Villa-Lobos (que fica a 15 minutos do meu prédio) durante algum Avistar, mas eu nunca tinha visto em São Paulo. Tinha acabado de sentar para almoçar quando vi de canto de olho passar algo no céu que parecia diferente. Saltei da cadeira – daquele jeito desesperado que os birdwatchers fazem quando acham que viram algo interessante, correndo pegar minha câmera. Fui pra varanda, nada, fiquei uns 15 minutos esperando, e de repente ele ressurge, na verdade um casal, e consegui uma fotinho que me deixou muito contente.

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– Um bando de umas 8 a 10 maracanãs-pequenas pousou no telhado do prédio vizinho, que fica bem perto do meu, no nível da minha janela. Foi maravilhoso, nunca tinha visto um bando desse tamanho, ainda mais tão de perto. Pena que elas ficaram pouco tempo.

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– Bem longe, muito longe, no prédio do outro lado da minha rua, de repente vi algo que era como se fosse um saco plástico escuro se mexendo no topo da antena. Fui pegar o binóculo e descobri que o saco plástico eram as asas de um falcão-de-coleira quando ele as estendia, para se equilibrar no poleiro que havia escolhido para começar a depenar um periquito-rico. Fiz algumas fotos só para registrar, mas era tudo longe demais para algo ficar bom. Um periquito-rico mede 21cm. Um falcão-de-coleira de 35 a 45, dependendo se for fêmea ou macho. Pela foto, acho que era um macho de 35cm, se alimentando de uma outra ave estranhamente não tão menor do que ele.

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E você, fotografa aves da sua janela? Faça um post para a Virtude.

 

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