Falar do dia das mães sem ter minha mãe na Terra é meio “punk”. Fico emocionada só de começar esse texto, mas para compensar essa ausência, tenho um amor de sogra que me dá o mesmo carinho que eu receberia da minha mãe se ela estivesse aqui.

Mas falemos das aves-mães.

-Preparando-o-ninho-...-Família-Bem-te-vi

-Preparando-o-ninho-…-Família-Bem-te-vi

 

  • Texto e fotos: Silvia Linhares

Tenho muitas fotos legais de aves com seus filhotes, mas nada mais mexeu tanto comigo, como acompanhar a constituição de uma família de bem-te-vis desde o início, bem aqui na minha janela do quarto de dormir. Moro numa das regiões mais urbanas de São Paulo, perto da avenida Paulista, então poder apreciar aves da janela do prédio onde moro, é uma dádiva. Duas amigas até batizaram a família: mamãe Bem-te-sil, papai Bem-te-zito, e os filhotes Bem-te-nanazitos.

O ninho começou a ser construído em outubro de 2012. Acompanhei o frenesi do casal, trazendo material para a nova casa. Quando eu ouvia uma gritaria na janela, eu corria (câmera sempre pronta) e clic clic clic. E assim procedi durante três meses. Pronto o ninho, mamãe permaneceu lá dentro, enquanto papai vinha trazer alimentos para ela. Um belo dia, ouço uns piadinhos e lá estavam três biquinhos esfomeados aguardando a mamãe chegar com a “bóia”.

Fui acompanhando o crescimento deles e o vai e vir dos pais vindo alimentá-los. De repente, passei a ver apenas dois filhotinhos, não sei o que aconteceu com o terceiro até hoje. Acho que só os maiores sobreviveram… Um belo dia fui surpreendida com os dois pequeninos fora do ninho, saltitando pelos galhinhos, mas o “rango” ainda era servido no ninho… Mais um tempo e eis me um dia chegando em casa, surpresa de novo: e não é que os danadinhos aprenderam a voar. Já haviam até atravessado a rua e estavam sassaricando na árvore da frente.

Tal qual adolescentes humanos, nada de se virar sozinhos para comer…pulavam de galho em galho o dia todo, mas na hora do “vamovê” berravam pelos quatro ventos para mamãe vir trazer a comida. E lá vinha ela, toda zelosa, alimentar os danadinhos na boca. E demorasse prá vê…era uma gritaria só… Quando chovia muito, eles ficavam embaixo de um coberto da laje do vizinho. Uma única vez consegui fotografar os quatro juntos. Os pequeninos eu identificava pelo branco na lateral do biquinho, única diferença, já que alcançaram o tamanho dos pais rapidinho…

Aos poucos eles passaram a ir cada vez mais longe, bem como a conseguir a própria comida…até que um dia, cada qual tomou seu rumo…

Vejo bem-te-vis por aqui, mas não posso afirmar se são ou não os mesmos que acompanhei por meses seguidos, dia-a-dia, curtindo eles na única árvore do meu prédio, ou na laje da loja vizinha, depois do estacionamento.

Cheguei a conclusão mais popular do mundo: mãe é tudo igual, só muda de endereço.