mapa
Mapa da área Reserva Natural da Vale - Linhares - ES. Imagem do Google Earth.
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Alojamentos da Reserva
celeus torquatus
pica-pau-de-coleira (Celeus torquatus tinnunculus)
Nyctibius grandis ok
mãe-da lua-gigante (Nyctibius grandis)
filhos jacoleli
Crianças praticando a observação de aves.
Picumnus cirratus
pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus)
Untitled-1
choquinha-de-flanco-branco (Myrmotherula axillaris)
Pyrrhura cruentata
tiriba-grande (Pyrrhura cruentata)
Callithrix geoffroyi 1 Cristine Prates
saguis-de-cara-branca (Callithrix geoffroyi)
celeus flavencens
pica-pau-amarelo (Celeus flavescens)
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Fotografando o mutum-de-bico-vermelho macho (Crax blumenbachii)
Tinamus solitarius
macuco (Tinamus solitarius)
Crypturellus variegatus
inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus)
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Todo mundo registrando os psitacídeos
brotogeris tirica
periquito-rico (Brotogeris tirica)
sapajus nigr
macaco-prego (Sapajus nigritus)
Xiphorhynchus guttatus
arapaçu-de-garganta-amarela (Xiphorhynchus guttatus)
trogon viridis
Surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon viridis)
Rhynchocyclus olivaceus
bico-chato-grande (Rhynchocyclus olivaceus)
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Fotografando a maracanã-verdadeira (Primolius maracana)
penelope superciliares
jacupemba (Penelepe superciliares)
urutau
As mulheres nos canhões!
Nyctibius leucopterus
urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus)
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Da esquerda para direita, Gustavo, Letícia, Marcos, Ester, Ciro e Cristine.

 

Decidimos escrever nossos relatos de observação de aves mesmo quando não conseguimos nos reunir! Afinal, sempre que estamos na mata, em campo, ou onde quer que seja; observamos os “passarinhos” e sempre nos lembramos umas das outras. Compartilhamos fotos, contamos sobre os bichos vistos, os lifers, as histórias engraçadas da viagem, enfim, estamos de alguma maneira sempre “juntas”. Por isso sempre que alguma de nós for passarinhar, estará levando consigo todas as outras penelopes e desta forma, vale a pena ser relatado aqui no nosso blog (o http://penelopesbirding.blogspot.com.br/).

A ideia dessa viagem surgiu quando o Ciro Albano (meu namorado) terminaria uma guiada de “birdwatching” no Espirito Santo e voltaria de carro até em casa (Fortaleza), sozinho. Resolvemos que seria uma opção nos encontrarmos no fim da viagem dele, para “subirrmos” juntos, passarinhando e curtindo! Em Linhares, no último destino do seu tour como guia, ele esteve na companhia do Gustavo Magnago, colega de profissão, que atua como Guia no Estado do Espirito Santo (perfil wikiaves). Os dois combinaram uma passarinhada com as “muié”, chamando sua namorada a Letícia Belgi Bissoli. Para completar essa passarinhada de casais chamamos os mais “arretados” de todos: Marcos Holanda e a Ester Ramirez, que prontamente se animaram. Ainda de última hora também compareceram José Almir Jacomeli e sua família. Confira o relato da viagem:

1º dia: 06/02/2015

Cheguei ao aeroporto de Vitória-ES às 20h30min, estavam todos me aguardando para buscarmos a Letícia em Linhares e seguirmos em direção a Reserva Natural da Vale. Todos prontos? Do aeroporto ate lá são cerca de 150km numa estrada de ótima qualidade.

A Reserva está situada no município de Linhares – ES, abrange 23 mil hectares, sendo uma das maiores áreas protegidas de Mata Atlântica brasileira. É aberta ao público, mas para ter acesso a todas as trilhas se faz necessário a companhia de um guia. Possui um hotel muito aconchegante e fornece 3 refeições diárias! Para maiores informações: clique aqui!

 

2º dia – 07/02/2015

Acordamos às 7 para o café-da-manhã, mas antes de entrar no refeitório já comecei com meu primeiro lifer, o periquito-rico (Brotogeris tirica), é um bicho comum pelas bandas de cá, mas não por onde moro.

Após um delicioso café, o Gustavo nos guiou ate uma área onde poderíamos ver a mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis). O primeiro bicho a aparecer foi o pica-pau-de-coleira (Celeus torquatus tinnunculus). Eu já conhecia essa espécie, mas na única vez que tinha visto, me deu um trabalhão fotografá-la. Aqui ele ficou um bom tempo perto da gente, foi uma ótima oportunidade de melhorar o registro.

Estávamos no território da mãe-da-lua-gigante, olhos bem atentos voltados para as copas das árvores, tentando descobrir onde estariam empoleiradas.

A galera continuou na trilha enquanto eu e o Ciro voltamos para setor de hospedagem para buscar o Jacomeli que estava com sua mulher e seus dois filhos, um casal, o menino tinha por volta de uns 4 ou 5 anos e a menina uns 7 ou 8, estavam muito empolgados com as trilhas na mata e com os “passarinhos”…é muito legal ver crianças tão animadas por estarem em contato com natureza, ainda mais em uma “Era” tão tecnológica como estamos. No meio do caminho ainda tivemos tempo de parar e fotografar o pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus).

Voltamos para a mata e a choquinha-de-flanco-branco (Myrmotherula axillaris) estava sendo fotografada. Primeiramente uma fêmea e logo em seguida apareceu o macho! E nessa mesma trilha, o macho da choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus) também deu o ar da graça!

Entramos no carro e fomos até uma área aberta onde um bando de tiriba-grande (Pyrrhura cruentata) cantava. São tantas cores em um bicho só que parece ser mentira! Um bandinho de três indivíduos com direito a carinho entre eles, como os “psittas” tanto gostam! Essa tiriba é endêmica e ameaçada de extinção, seu status de conservação é considerado Vulnerável segundo a IUCN (http://www.iucnredlist.org/amazing-species).

Nesse mesmo descampado, em uma árvore na borda da mata, pousaram um bando de araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari). A manhã mal tinha começado e já havia feito seis lifers fotográficos.

Mais uma trilha e o Gustavo chamou o rabo-branco-mirim (Phaethornis idaliae), espécie endêmica do Brasil. Ocorrendo nas florestas úmidas das baixadas litorâneas, matas de tabuleiro e hiléia baiana. Depois dessa manhã incrível, voltamos para a área do hotel; almoçamos e tiramos um cochilo.

Após as energias renovadas, nos encontramos próximo ao refeitório, dois saguis-de-cara-branca (Callithrix geoffroyi) estavam curiosos nos olhando de longe! Eu particularmente adoro quando outros bichos além das aves aparecem nas passarinhadas, gosto de conhecer um pouco sobre outros grupos de animais. O sagui-de-cara-branca é endêmico do Brasil, encontrado principalmente nos estados de Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

A passarinhada da tarde foi na fazenda Cupido & Refúgio, a Letícia que estava no carro da frente, desceu para abrir o portão quando de repente, começaram a fazer gestos e mímicas cada um de um jeito, sem entender nada ela recua e vimos que era o mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii), um dos bichos mais esperados na viagem. Eu e Ester saímos rapidamente do carro atrás do bicho com muita calma para registrá-lo, era uma fêmea, ela atravessou a estrada na nossa frente, foi lindo! Esse mutum é endêmico do Brasil e amaçado de extinção, seu status de conservação é considerado Em Perigo segundo a IUCN. É extremamente sensível à caça, alteração e fragmentação do seu habitat, por isso restaram tão poucos indivíduos na natureza!

Seguimos na estrada, uma parada para conversar com pessoas da fazenda e um pica-pau-amarelo (Celeus flavescens) canta, o Ciro escuta e lembra a mim e a Ester que esse bicho foi recentemente “splitado” (uma subespécie já existente que foi elevada a espécie). Nosso registro de Celus “flavescens” era do nordeste. Que hoje é considerado espécie plena: o Celeus ochraceus, portanto mais um lifer!

Paramos em frente a uma plantação de cacau, onde o macho do mutum-de-bico-vermelho costuma aparecer, alguns minutos e ali estava ele. Eu e Ester fomos silenciosamente em sua direção, andando agachadas por entre as plantações, com passadas silenciosas para não espantá-lo…foi irado!!!

Assim que o mutum foi embora ficamos um pouco mais nos arredores, pois um bando enorme de tiriba-de-orelha-branca (Pyrrhura leucotis) pousou em uma árvore em cima de nossas cabeças! E logo em seguida, um bando de chauá (Amazona rhodocorytha) passou voando e emitindo sua vocalização que remete ao seu nome “Chauá, Chauá, Chauá”! Escutamos essa espécie com certa frequência na reserva, o que é um ótimo sinal, pois seu status de conservação é Em Perigo de acordo com a IUCN.

A luz já tinha quase ido embora e continuávamos a rodar dentro da Reserva… Um “ser” passa correndo pela estrada! Eita, um macuco (Tinamus solitarius)! Descemos do carro e fotografamos, bichinho arisco, rapidinho se escondeu no mato e as fotos não ficaram lá muito boas :/ Escurece e o Gustavo começa a nos mostrar os macucos empoleirados em árvores bem altas! Eu sou apaixonada por esses bichos de chão, já é a segunda espécie da viagem depois do mutum, eu vou enfartar de tanta felicidade rs! Fotos fantásticas, mas sem muitas delongas para não espantar o bicho do seu poleiro de dormida! E assim se encerra o dia na Vale. Faltou fazer o registro da minha cara de abestalha após um dia desse…mal sabia que mais havia por vir!

Depois de toda essa alegria, voltando mais do que feliz para área de hospedagem da reserva, pensando que melhor que aquilo era impossível, o carro do Gustavo para bem em cima de um inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus), ele estava parado, dormindo no meio estrada, uma espécie dificílima de se ver…graças aos olhos atentos e bem treinados do nosso guia, o bichinho não foi atropelado! Descemos do carro com cuidado, mas mesmo assim ele entrou na mata. Para nossa sorte, ele fez uma paradinha e conseguimos o registro! Gente…depois de fotografar mutum-de-bico-vermelho, um macuco e um inhambu-anhangá já posso ir para casa cantarolando não é?! Mas ainda bem que eu não vou porque sei que amanhã será um dia daqueles com muitos lifers pela frente!

 

3º dia – 08/02/2015

Hoje amanheceu bem nublado e com algumas gotinhas de chuva… Começamos a passarinhada fotografando diferentes psitacídeos: chauás, curicas (Amazona amazonica) e um casal de maitaca-de-barriga-azul (Pionus reichenowi), eles estavam longe para minha lente, infelizmente! Consegui curtir os bichos com o binóculo e fazer alguns registros.

O povo das lentes gigantes (500mm e 600mm) ficou lá se entretendo com os “psittas” e eu sai para dar uma volta; no caminho encontro um quati (Nasua nasua) atravessando a estrada, mais uma foto para coleção de “não-aves”! Sempre que vejo um mamífero lembro-me da penelope Nathália, a nossa mastozoóloga do grupo.

Me distraindo com o quati, escuto um barulho em baixo da árvore que estava, era uma jacupemba (Penelope superciliares), preciso fotografá-la e mandar para as meninas (penelope é o gênero que dá o nome ao nosso grupo). Na hora eu não consegui uma boa foto, mas essas coisas acontecem…quem sabe ela não aparece de novo!

Voltei ao grupo, estavam fotografando o benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons) e um bando imenso de periquito-rico (Brotogeris tirica) passou voando sobre nós, acho que eram uns 100 indivíduos (se quiserem contar).

Nos encaminhamos para outro local (a Vale é enorme), e mais um lifer , desta vez o arapaçu-de-garganta-amarela (Xiphorhynchus guttatus). Em direção ao refeitório mais uma paradinha e um surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon viridis) bem “tranquilão” e um macaco-prego (Sapajus nigritus) dando uma corridinha no galho para me lembrar novamente da Nathi e mandar a foto pra ela tirando uma onda é claro :P

Depois do almoço o Gustavo nos levou ao ponto do bico-chato-grande (Rhynchocyclus olivaceus) e depois de muito trabalho conseguimos. A contabilidade dos bichos está indo muito bem, até agora foram 15 lifers fotográficos!

Já em outro ponto, um casal de maracanã-verdadeira (Primolius maracana), estava bem escondido, por um buraquinho na mata conseguimos encontra-las e fotografar!

Resolvemos jantar antes da passarinhada noturna, no caminho vimos novamente uma jacupemba (Penelepe superciliares) voando para uma árvore baixa bem perto no carro, desci determinada a fotografá-la, só pensava nas “”penelopes””, essa foto tinha que sair de qualquer jeito, cuidadosamente fui seguindo e ela se esquivando de galho em galho, passando de uma árvore para outra, e enfim no limpo! Meninas essa foto foi em homenagem a vocês.

Depois da janta, algumas cervejinhas e uma boa conversa, vamos voltar para o mato! A procura agora é por um bicho lindo, raro, ameaçado e lógico mais um lifer (Segundo o Marco Holanda tudo que se mexia na Vale era lifer pra mim :X). A estrela da noite era o urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus).

Chegamos no ponto onde ela havia sido avistada há poucos dias, bastou um pequeno assobio imitando sua vocalização para ela aparecer e ficar quase imóvel no galho, foi muito emocionante, fechamos a viagem com chave de ouro!!! Renderam fotos excelentes e até a gravação de um vídeo!

Muito obrigada ao casal Gustavo e Letícia pela maravilhosa recepção, a Vale é realmente encantadora… Ahhh a Mata Atlântica! Além dessa recepção, agradeço também a companhia incomparável do casal Marcos e Ester, quem já os conhecem sabem do que estou falando, me diverti muito! Observar passarinhos também é um ótimo programa para casais, estão vendo!

Vocês podem conferir no vídeo abaixo um pequeno resumo do que foi essa viagem!

 

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