Aproveitando os dias que passamos no Chuí, fizemos algumas incursões no país vizinho, Uruguai.

Saindo do Chuí, e entrando no Uruguai pela Ruta 9 em trechos de até 50 km, encontramos um dos primeiros “miradores de aves” que existem por todo o país vizinho.

Trata-se de uma pequena estrutura de madeira, com janelas para a observação e fotografia de aves, em regiões previamente escolhidas. Normalmente são banhados, lagoas e regiões assemelhadas. Nesses locais, o observador além de ficar protegido do sol ou da intempérie, pode montar descansadamente seu equipamento, e ficar esperando as aves se aproximarem. Isto significa que é um local de observação qualificado como fácil.

A experiência é extremamente interessante, pois tanto as aves, como outros animais, já acostumados com aquela edificação, não se importam com o movimento dentro dela, ficando completamente apáticas à presença de humanos.
Em vários folders e catálogos do Uruguai, os “miradores” são identificados como locais de turismo, o que certamente traz mais divisas ao país.

Na Inglaterra e outros países do mundo, existem empresas especializadas em construir “hides” voltados para a observação de aves. É toda uma cadeia de movimentação da economia, que como resultado principal, gera educação ambiental.

A relação de espécies visualizadas não é diferente da encontrada no Rio Grande do Sul, até pela proximidade e semelhança dos biomas dos dois locais. Algumas espécies, consideradas vulneráveis no Brasil, lá são encontradas com mais facilidade, como o veste-amarela e a noivinha-de-rabo-preto. No total, visualizamos mais de 50 espécies em poucas horas de observação.

Ficamos pensando em quantos locais no Brasil seria proveitoso ter este tipo de estrutura, com um custo baixíssimo, e criando uma consciência ecológica muito facilmente. Bem perto dali, o banhado do Taim e o Parque da Lagoa do Peixe, que têm biomas semelhantes ao da fronteira com o Uruguai, poderiam ser equipados com alguns “hides”, para facilitar a observação de nossa fauna.

Fica lançado o desafio, para aqueles que gerenciam parques no Brasil, Secretarias de turismo e meio-ambiente, e associações ligadas à preservação do meio-ambiente em geral.