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Entrando no Igarapé Macapá - Duti, eu e Ricardo - imagem produzida por Marco Guedes
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Eu posando no primeiro pit-stop - imagem produzida por Marco Guedes
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Tomaz imitando algumas aves...
Acre
Porto de Manoel Urbano/AC
Rio Purus - Manoel Urbano - AC
Porto de Manoel Urbano/AC
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Selfie em pleno voo... rs rs rs
Acre
Presente recebido com muito carinho...só uma degustação do que me espera no Amazonas
Ramal Jarinal - Rio Branco
Uirapuru-azul (Thamnomanes schistogynus) - Ramal Jarinal - Rio Branco
Ramal Jarinal - Rio Branco
Maria-sebinha-do-acre (Hemitriccus cohnhafti)
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Ramal Jarinal - Rio Branco/Ac por Silvia Faustino Linhares
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Reserva Florestal Humaitá - Universidade Federal do Acre – UFAC – Porto Acre

 

“Explorando as densas florestas de tabocas da amazônia sul ocidental. Procurando por raridades especializadas em viver no bambu.” (texto by Tomaz Nascimento de Melo)

Em cada Estado do Brasil que eu fotografo pelo menos uma ave, eu me permito costurar a respectiva bandeira no meu colete fotográfico. Já posso colocar a bandeira do Acre. E o faço com honras, pois fotografei aves muito difíceis, tanto de encontrar como do próprio ato de fotografar. Depois explico isso melhor adiante.

O Acre sempre me pareceu mais distante do que ele realmente é. Mas após convite dos meus primos que moram lá, das fotos lindas do amigo Tomaz, que faz mestrado em Rio Branco e depois de tudo que pesquisei e confirmei durante a palestra do amigo Emerson Kaseker no Avistar Brasil 2014, tive a certeza de que o Acre seria o meu próximo destino e uma caixinha de surpresas.

É uma terra com muita floresta ainda, com gente trabalhadeira e simpática. Possui boa estrutura hoteleira (para todos os bolsos) e bons restaurantes na capital. E nos pequenos municípios que visitei, embora a infraestrutura seja inferior à capital, é lugar de gente muito hospitaleira. As flores e insetos são de outro mundo. Bonito demais de se olhar.

E as aves? Nossa!! Como tem ave diferente por lá. A maior parte vive no meio dos tabocais (taboca é o nome popular, oriundo do tupi, do bambu Guadua weberbaueri). É muito difícil fotografar dentro dos tabocais. São escuros, cheio de espinhos, folhas, ramificações diversas, cipós, o que gera pouco espaço livre para clicar a ave lindamente. Usar o flash é complicado, pois além de assustar as aves, a luz acaba por refletir em um galhinho abusado e cria um borrão. O jeito é usar ISO alto, muito alto e a minha câmera peca ao utilizar ISO acima de 1000.

Em geral as aves desses locais são muito irrequietas e poucas sossegam um milésimo de segundo para um clique. Ou quando não estão nos meios dos milhares de galhinhos intrometidos, estão no alto, mu-u-u-u-i-to no alto. Resultado? Um pouco por falta de habilidade da fotógrafa, outro pelo equipamento um tanto quanto insuficiente, aliados a luzes quase nunca satisfatórias ou, ainda, por estar o objeto muito distante, confesso que minhas fotos deixaram um pouco a desejar, pelo menos do meu ponto de vista. Normal! Já enfrentei dificuldade similar em Claudia/MT.

Errei em não levar o tripé ou monopé. Sei que sentiria muita dificuldade para me locomover com qualquer um deles, mas tenho certeza que melhoraria meus registros e muito. Agora já foi, que me sirva de lição.

Nessas horas eu queria ser simplesmente observadora de binóculo e anotação em caderneta, mas a fotografia é meu ponto fraco e sou apaixonada por ela. Observar aves e fotografá-las para mim são sinônimos. Foi um grande desafio e cada clique conseguido, por mais borrado e escuro, para mim era um triunfo.

Confesso que foi uma das minhas melhores viagens. A começar pelos companheiros de viagem, todos nota 10. Ricardo Gentil e Marco Guedes, vocês são super super. O nosso guia foi o amigo Tomaz Nascimento de Melo, a quem apelidamos de Hungry Bird (paródia com o Angry Bird). O Tomaz é magrinho mas é bom de garfo rs rs rs. Se bem que ele precisava acumular muita energia para nos conduzir aos lugares mais remotos do Acre, onde poderíamos encontrar as espécies mais raras do Brasil.

Mas vamos ao relato diário dessa grande aventura.

Dia 20/08/2014 – quarta-feira

Atendendo a convite do amigo Ricardo Gentil para acompanhá-lo ao Acre numa passarinhada junto com o amigo Marco Guedes, saí de São Paulo, via Cumbica em voo da Gol às 20h20s, com escala em Brasília e chegada em Rio Branco prevista para 00h10 de lá (lá o fuso horário é -2 horas). Prefira um voo assim, pois com equipamento pesado, fazer conexão é muito complicado. São quase 6 horas dentro do avião, a escala em Brasília dura 50 minutos mais ou menos. Chegando em Rio Branco, meus primos Sérgio e Nair, com dois dos netinhos, foram me buscar. Ajeitaram um quarto para eu dormir e após um lanchinho e um rápido bate-papo, cama.

Dia 21/08/2014 – quinta-feira

Logo cedo, momento família. Conheci a Bia e o Lauro, filhinha e esposo da minha priminha Bárbara Denise. Conheci a Silvana e as pitchucos Gabi e Murilo, esposa e filhos do meu primo Danilo e assim passei a manhã, deliciosamente em família. Após o almoço, meus primos me levaram para o Hotel.

Eu ia ficar no Guapindaia Centro, mas troquei para o Guapindaia Praça por dois motivos, a localização é melhor e o Tomaz que iria nos guiar nos próximos dias estava hospedado nele. Esse hotel ficava próximo do local onde o Ricardo e o Marco se hospedaram, o Holiday Express. O Guapindaia é bem mais simples que o Holiday, e por conseguinte, mais barato, portanto, depende do seu bolso. Eu recomendo um ou outro (no caso do Guapindaia dê preferência ao Bosque ou Praça, nunca o do Centro).

Após o check-in, lá vamos nós inaugurar a passarinhada. O carro alugado pela Localiza foi um Fiat Doblô. O espaço interno é muito bom, mas infelizmente essa unidade apresentou problemas elétricos para travar as portas, e como não havia outro carro para troca, acabou sendo nossa piada constante… Trancou? Não trancou? Tenta de novo…tenta assim, tenta assado … Kkkkkkkkkkkkkk só rindo mesmo…mas ele aguentou o tranco firmemente.

Chegamos ao tão falado PZ – Parque Zoobotânico da UFAC. Fomos recebidos pelo simpático chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons). E de cara um lifer para dar sabor ao dia…um aracuã-pintado (Ortalis guttata), que apesar de muito longe, ainda deu para registrar. Logo em seguida um passarinho cantador da família dos sabiás, o caraxué-de-bico-preto (Turdus ignobilis) fez nossa alegria. Vimos macaquinhos pelas matas e já fechando o dia um diminuto martinho, que inicialmente pensamos ser um martim-pescador-da-mata.

Na volta passamos num supermercado para comprar água e o café da manhã, que faríamos improvisadamente na mata no dia seguinte. Fechamos o dia com um delicioso peixe grelhado no A Princesinha.

Dia 22/08/2014 – sexta-feira. Destino: Reserva Florestal Humaitá – Universidade Federal do Acre – UFAC – Porto Acre, mais ou menos 50 km de Rio Branco

Saímos às 4 e pouco da manhã. Chegando ao local, o Tomaz nos colocou frente à frente com um casal de ariramba-da-capoeira (Galbula cyanescens). Bicho calmo e belíssimo. Em seguida, foi um desfile de aves bonitas, mas muitas e muitas andanças. As trilhas são longas, e o calor abusa do corpo, todo coberto para se proteger dos mosquitos. Só o nosso grupo aumentou em 9 os registros para a cidade no Wikiaves. Fora os bichos que a gente viu e não conseguiu registrar ou aqueles, que queríamos ver e não localizamos tipo o surucuá-pavão.

Vou citar alguns aqui: o belo e imponente gralhão (Ibycter americanus), uirapuru-azul (Thamnomanes schistogynus), surucuá-de-cauda-preta (Trogon melanurus), bacurau-ocelado (Nyctiphrynus ocellatus), ferreirinho-estriado (Todirostrum maculatum), cigarrinha-do-campo (Ammodramus aurifrons), periquito-de-asa-azul (Brotogeris cyanoptera), gavião-pedrês (Buteo nitidus), entre outros.

As estrelas do dia…não uma, foram quatro que brilharam para nossas lentes: maria-de-cauda-escura (Ramphotrigon fuscicauda), maria-topetuda (Lophotriccus eulophotes), anambé-de-cara-preta (Conioptilon mcilhennyi) e o famoso pica-pau-lindo (Celeus spectabilis). Esse último é muito, mas muito lindo mesmo, acho que por isso deram esse nome a ele. Não para um minuto quieto, fica brincando de esconde-esconde o tempo todo. É mesmo lindo como diz o seu nome popular, mas o seu científico deveria ser Celeus spevitadus.

A nossa pretensão era almoçar e jantar num posto na rodovia, próximo ao local e ficar direto e corujar ao redor da sede. Fomos surpreendidos por uma “penca” de estudantes, super simpáticos, mas nada silenciosos, o que nos fez sair para uma trilha distante da sede. Tentamos a coruja-de-crista, que respondeu muito longe e a corujinha-relógio, que nem lembro se respondeu. Mas o medo da cobra Pico-de-jaca estar entre as folhas da trilha me fizeram não querer ir adiante, mesmo atrás de um sonho, que era e continua sendo, a coruja-de-crista.

Foi um dia muito prazeroso, mas bem puxado, os meus pés doíam tanto, que passei lidocaína para ver se aliviava. Devoramos uma bela pizza na Princesinha e fomos dormir. Passei 15 minutos com os pés para o alto antes de dormir, que os fez desincharem para o dia seguinte. Eu recomendo fazer isso após longas caminhadas.

Dia 23/08/2014 – sábado. Destino: Ramal Jarinal, mais ou menos KM 70 da Estrada Transacreana, a Rodovia AC 90 – munícipio Rio Branco

Saímos bem cedo para pegar as luzes mágicas do amanhecer, além do que é bem mais fresco. Nem bem tinha amanhecido, logo na beira da estrada, fiz o primeiro lifer do dia: polícia-inglesa-do-norte (Sturnella militaris).

O Ramal Jarinal é muito bom de passarinhar. Você segue pela estradinha de chão batido, para nos points que o guia já conhece e fica aguardando os passarinhos aparecerem. Logo que chegamos, na primeira ponte havia um casaca-de-couro-amarelo no riachinho sob ela, que mais que depressa se pirulitou para dentro da mata e não nos deu chance. Safado…

Mas o local tinha muita coisa ao redor, a luz estava divina e fizemos bons cliques do surucuá-de-cauda-preta (Trogon melanurus), sabiá-gongá-da-amazônia (Saltator azarae), cigarrinha-do-campo (Ammodramus aurifrons) e do pica-pau-amarelo (Celeus flavus).

E do nada surge a agulha-de-garganta-branca (Brachygalba albogularis). Foram incontáveis cliques dessa pequenina ave. A cena-destaque-do-dia ficou por conta de um cauré (Falco rufigularis), que a princípio pensamos ser um falcão-de-peito-laranja. Ele tinha acabado de predar uma rolinha e deu um show para a gente, enquanto se alimentava vorazmente de sua presa. Foram 148 fotos só desse falcãozinho.

Duas belas araras-vermelha-grande (Ara chloropterus) rasgaram o céu azul fazendo numa tremenda algazarra. Dentro de uma das tabocas o Tomaz chamou o pica-pau-anão-vermelho (Picumnus rufiventris), que tamborilava por ali, este apresentou-se timidamente, deixou-nos fazer poucos cliques e foi embora desinteressado.

Um bando de periquito-de-cabeça-suja (Aratinga weddellii) apareceu numa bela árvore coberta de flores, mas muito alto para o alcance preciso da minha lente.

Entramos na primeira taboca em busca da tão esperada maria-sebinha-do-acre (Hemitriccus cohnhafti), doravante chamada de “Hemi”, apelido que dei a esse minúsculo Hemitriccus. Ela apareceu com seu fremir de asas e vocalização baixa e danou a pular de um lado para o outro. E o mais engraçado foi que eu achava que tinha fotografado o sapequinha, quando o Tomaz pediu para ver, ai que decepção, não era ela…e toca eu ir atrás desse passarinho “semi-invisível” de novo.

Na realidade esse que eu cliquei era um guaracavuçu (Cnemotriccus fuscatus), quem me ajudou a identificar foi o amigo Wagner Nogueira, que assim me disse: “Cnemotriccus fuscatus, Silvia. Um bicho com muitas subespécies e que precisa de uma revisão. Guarde com carinho, pois vai que esse aí “vira” uma espécie nova em um futuro próximo…”

E vai ficar guardadinho…no Wikiaves. E quanto ao “Hemi”, apenas o amigo Ricardo Gentil, havia conseguido um lindo registro. O bichinho foi-se e eu e o Marco Guedes ficamos chupando o dedo.

Procuramos em várias tabocas e nada do “Hemi”…o Tomaz tem bom ouvido para as aves de lá, é só uma piar que ele reconhece e toca o play-back para tentar atraí-la. Foi assim com o mal-educado formigueiro-de-goeldi (Akletos goeldii), que não me deixou fazer fotão dele de jeito nenhum. E tem hora que do nada surge uma novidade na taboca, como foi o papa-formiga-de-sobrancelha (Myrmoborus leucophrys), forrageando tranquilamente. Novamente tropecei no mau desempenho da minha câmera com ISO alto. A primeira no limpo, não focou direito, a segunda foto, ia ficar “da hora” quando o bico do bichinho ficou escondido atrás do bambu…”tão nem aí pra gente” … nos dão adeus e não voltam nem por decreto.

Tentamos o “Hemi” num novo point, descoberto pelo Tomaz. Desta vez um local amplo, que mais parece um grande salão de festas, e tem um pouco mais de luz do que os tabocais sufocantes de antes, que mais parecem cavernas baixas, a nos espinhar por todos os lados. De repente, ouvimos o “Hemi” vibrar suas asinhas, anunciando sua chegada. Tensão no ar. É agora ou nunca! Ele cantou, cantou, passou feito flecha de um lado para o outro e sumiu. Argh! Mas uma choca-do-bambu(Cymbilaimus sanctaemariae) se compadeceu do nosso famigerado encontro com o “Hemi” e se mostrou, embora bem no alto, dando-nos o prazer de fazer uma boa foto sua.

Pausa para o almoço. Paramos num barzinho na vila. Após matar a sede, o dono nos indicou o restaurante da d. Maria, o Vila Verde, comida boa, bebida gelada, muitos risos com as imitações de passarinhos e um bom alpendre para descanso, faltou só a rede. E quem disse que precisava, né Ricardo?

No retorno, paramos novamente na ponte em busca do casaca-de-couro-amarelo e nem sinal dele, mas uma saracura-três-potes (Aramides cajanea), fez pose para minha lente. A foto da fêmea de uirapuru-azul (Thamnomanes schistogynus), feita numa taboca exemplifica bem a dificuldade de clicar nesses lugares…você acha um buraquinho minúsculo e tenta acertar o foco, mal dá tempo de ajustar e o bichinho já pula fora.

A próxima que se aproximou da gente foi uma curiosa e linda criaturinha: a freirinha-de-coroa-castanha (Nonnula ruficapilla). Estava bem escuro e eu arrisquei um ISO 6400. Mandei ver mas não gostei do resultado…Ela merecia uma foto mais bonita, pois é danada de linda.

Até o momento, “Hemi” 10, Silvia 0. No caminho entre uma taboca e outra, uma cena muito interessante, uma maracanã-guaçu (Ara severus) alimentava seu filhotão.Fizemos bons cliques dessa cena familiar.

Próxima taboca, vários arranhões nos braços, mesmo usando camisa de manga longa, eis que a tão esperada maria-sebinha-do-acre (Hemitriccus cohnhafti) deu uma chance para mim… foram três únicos cliques antes do danado desaparecer de novo, deixando, dessa vez o Marco sem fazer o registro.

E nessa mesma taboca quem deu o ar da graça foi o pinto-do-mato-de-cara-preta (Formicarius analis). Eu fiz uma senhora burrada e perdi a chance de um fotão. Ele ficou nos rodeando, e se escondia o tempo todo, é um exercício de paciência oriental aliada à velocidade supersônica e visão biônica. Você espera uma única janelinha para clicar, no escuro. E ele me deu essa chance. Eu deveria ter acionado o flash e não fiz isso, puro descuido, coloquei ISO no modo H e ele me jogou para 12800, só obtive um borrão. Mais uma para adicionar à lista de experiências a não repetir.

O cansaço acumulado me fez perder a fome para jantar, apenas lanchei, tomei um super banho, enquanto baixava as fotos, preparei tudo para o dia seguinte e fui direto para a cama.

Dia 24/08/2014 – domingo. Parte da manhã: Ramal Jarinal, mais ou menos KM 70 da Estrada Transacreana, a Rodovia AC 90 – munícipio Rio Branco

Por unanimidade escolhemos voltar ao ponto do “Hemi” para o Marco tentar a sorte. Paramos na D. Maria (restaurante Vila Verde) para o cafezinho da manhã (pão feito em casa com leite e café hummmm hummmm – delícia).

Um pouco antes de tentarmos o “Hemi”, paramos na famigerada ponte do casaca-de-couro-amarelo, e mais uma vez ele não se dignou a fazer as honras da casa. Azar o dele, vai ficar sem foto para o perfil do “facebird” dele rs rs rs rs…mas uma bonitinha veio nos saudar e tome clique né d. maria-peruviana (Hemitriccus iohannis).

Eu e o Ricardo ficamos fora da taboca para não atrapalhar. Enquanto isso eu achando que tinha fotografado uma alma-de-gato, fiz um liferzão: chincoã-pequeno (Coccycua minuta). Depois de um tempo saem o Marco e o Tomaz lá de dentro com cara de nada. E nós curiosos, na maior expectativa. “E aí como foram?” – E aí os dois abriram um sorrisão e o Tomaz disse: “10 a 0 para o Marco”. Foi só alegria. Ficamos muito felizes por ele. Se ele não conseguisse eu ficaria muito chateada, como se fosse comigo.

E como precisávamos voltar para Rio Branco, pegar um pouco de tralha para passarmos a noite em Manoel Urbano, nem esperamos mais. No caminho de volta ainda cliquei um gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii), melhorando meu borrão da espécie.

A estrada que vai de Rio Branco para Manoel Urbano, passando por Sena Madureira, está bem esburacada, foi danificada pelas fortes chuvas e apenas alguns trechos foram recuperados. Demoramos a tarde toda para chegar ao nosso destino: a casa do barqueiro Duti.

No caminho paramos para clicar um bando de gralha-violácea (Cyanocorax violaceus) e ganhamos de brinde um bando de caboclinho-de-peito-castanho (Sporophila castaneiventris). Foi uma festa para os olhos e para as lentes.

Visando não deixar os pés inchados viajei de chinelos havaianas e de camiseta de manga curta. Passei repelente nos pés mas não nos braços e mãos. E esse foi um erro doloroso. A casa do Duti é na beira do Rio e tinha um tal de pium por lá, parentes do nosso borrachudo do litoral. Aliás, na cidade inteira. Não era “pi-um”, eram “pi-muitos”… Os piuns são mosquitinhos extremamente chatos, quase imperceptíveis a olho nu, porém com picadas incômodas que coçam pra caramba. Você só percebe que algum esteve na sua pele quando é tarde demais.

Ficamos num hotel, cujo dono foi muito simpático. Ele nos indicou o restaurante da Loira, e lá fomos nós. O jeito foi pedir uma pizza. Enquanto eu comia a pizza, meus braços e dedos das mãos eram saboreados com vontade pelos piuns. A tal coceira durou até eu passar Andantol neles (dica que peguei com o Reinaldo Guedes no Wikiaves). Meu primo Sergio, lá de Rio Branco, que costuma pescar muito e conhece o micuim e o pium muito bem, indicou o parasitário Deltacid loção, vou experimentar. Se eu não encontrar o Deltacid vou comprar a Loção Escabin, pois é o mesmo princípio ativo (Deltametrina) e acho que mais fácil que usar do que sabonete.

Li isso num blog qualquer: “Acho que tem inseto que usa máscara para passar por cima dos repelentes, e outros que usam broca para picar por cima da roupa.” Bem isso mesmo!

Recomendo que usem roupas de manga o tempo todo, calças dentro das meias e coturno ou botinha com perneira. Repelente sempre. Não economize nem tenha preguiça ou descuido.

Dia 25/08/2014 – segunda-feira. Destino: Navegar pelo Rio Purus a partir de Manoel Urbano até o Igarapé Macapá

Esse é um capítulo à parte. E pensar que eu reclamava de duas a três horas de barco no Tanquã! Pense como é ficar doze horas dentro de um pequeno barco, de alumínio (lancha voadeira), sem conforto ou sombra, barulhento de doer os ouvidos. Ainda bem que o piloteiro Duti é experimentado e fazia pit-stops para o “deságue” e desenferrujamento das pernas e costas. Precavida, eu levei minha almofadinha de usar no pescoço, aquelas de avião. Amorteceu meu traseiro, mas juro que preferia uma almofada normal. E o Ricardo mais esperto, pediu um travesseiro emprestado para o dono do hotel.”Se deu bem!”

Levantamos 3 horas da manhã, às 4 já estávamos dentro do rio, iniciando a navegação com vistas a alcançar o Igarapé Macapá. Seriam necessárias mais de 4 horas para chegarmos lá. Iniciamos vagarosamente, pois estava escuro, nebuloso, e o rio bastante baixo, deixava muitos troncos perigosos à vista no meio dele, o que poderia virar o barco. Usamos lanternas o tempo todo. Só uma vez encostamos num tronco e o barco sacolejou de um lado para o outro. No mais a habilidade do Duti foi fundamental. Chegamos ao nosso destino sem outros sustos.

Assim que o dia começou a amanhecer, fomos presenteados com um céu cor de rosa deslumbrante. No nosso primeiro pit-stop, onde mal fizemos o desjejum, havia bandos de bacurau-da-praia (Chordeiles rupestris) revoando por todos os lados. Ainda estava um pouco escuro, mas foi possível registrá-los bem.

Havia muitas andorinhas, tanto serradoras, do rio como os peitoril. Bacana mesmo foi encontrar um jacu-de-spix (Penelope jacquacu) dando mole, o que me possibilitou melhorar o registro que fiz em Claudia/MT.

O primeiro presente estava por vir. Por volta de 6 e pouco da manhã, avistamos os primeiros bandos de papagaio-moleiro (Amazona farinosa), voando. Lifer para mim. Depois passaram bandos de maitaca-de-cabeça-azul (Pionus menstruus). Nas margens um Ttcano-grande-de-papo-branco (Ramphastos tucanus) observava atento com um olho na nossa passagem e outro nos psitacídeos. E não demorou muito, um bando enorme de papagaio-campeiro (Amazona ochrocephala) cortou os ares. Logo em seguida descobrimos o porque. Um grande banquete nas margens do Rio Purus estava sendo realizado. O prato principal era o barreiro das margens. Foi realmente de tirar o fôlego, pena que não filmei. A emoção foi tanta, que juro, só esse espetáculo já teria valido a viagem.

Continuando a navegar, pude melhorar meu registro do gavião-de-anta (Daptrius ater), cujo vulto eu registrei no susto em Matupá/MT, achando que eram caracarás e depois um gralhão… Desta vez esse gavião se alimentava paradinho nas margens do rio. Foi show.

Outra foto bonita foi da garça-real (Pilherodiuspileatus) com o peito estufadinho. Coisa mais linda de se apreciar… havia também muitas iraúna-grande (Molothrus oryzivorus) pelas margens. Pomposas e empinadas, pareciam andar de salto alto e serem as donas do pedaço. Até o urubu-da-mata (Cathartes melambrotus) sobrevoou nosso barco para ver o que se passava. Bandos de pequeninas maria-da-praia (Ochthornislittoralis) espreitavam a nossa passagem, curiosas como meninas.

Enfim, lá perto de 9 da manhã, chegamos ao Igarapé Macapá, um estreito canal, que para entrarmos, dois dos nossos tiveram que descer do barco, pois a passagem que o liga ao rio estava quase no seco e com o peso o barco empacou na areia.

Saímos procurando pela estrela do dia, mas eu queria primeiro ver uma cigana (Opisthocomus hoazin) e não é que vi, não uma, mas um bando, porém tudo escondida na copa das árvores da margem, sequer consegui um pescocinho para fora, e todas voaram para o fundo da floresta, deixando-me a ver navios. snif chuift… só na próxima agora!

Essas estão em dívida comigo. Mas voltemos a nossa busca pela nossa estrela em cima das embaúbas das margens. Primeiro avistei uma pipira-de-máscara (Ramphocelus nigrogularis). E em seguida o Tomaz deu o alarme: É ela, é ela! Enfim a sovela-vermelha (Galbalcyrhynchus purusianus) estava ao nosso alcance, digo, ao alcance das nossas lentes. Bem no alto, lá estava a pequenina. E depois mais uma e mais outra. “Festa de arromba para os olhos”…

O Ricardo resolveu arriscar, sair do barco e subir no barranco para conseguir melhorar seu ângulo. Carregando o tripé e sua potente D800 + lente 500tinhas lá foi o nosso “Underground Photobirder”, pela lama movediça, foi tenso, uma hora o tripé tombou com a câmera, e nós no barco só podíamos ficar olhando e rezando para nada se quebrar. Ainda bem que foi só um susto. Meu conselho, nunca tente isso, é radical e arriscado demais. Só espero que tenha valido a pena para ele e que sua foto tenha ficado digna de um quadro.

Passado esse glorioso momento, tudo parecia ser de menor importância, urubu-rei e gavião-de-penacho no alto ficaram sem importância nenhuma. Ainda sob o efeito endorfinante da G. purusianus, cliquei um periquito-testinha (Brotogeris sanctithomae) e o bate-pára (Attila bolivianus).

No retorno, uma falta de visão mais apurada, me fizeram perder o melhor clique do bem-te-vi-de-cabeça-cinza (Myiozetetes granadensis), acabei fazendo um meia-boca, daqueles “só para registro pessoal”. O Duti e o Tomaz diziam: “ali, nos galhos secos da árvore caída”, e eu olhava, olhava, chegava até um galho mais distante e nada! Arre!!!! A ave estava quase na minha cara, quando vi, tarde demais, ela foi “lááa” para o alto.

Aqui merece um adendo sobre as borboletas e mariposas. O Acre possui lindas espécies, confesso que não entendo nada, mas sempre que posso as fotografo. E na beira do Purus, nossa! Uma mais linda que a outra. Abaixo uma coletânea da nossa semana no Acre.

E a cigana (Opisthocomus hoazin), nada. Ainda paramos algumas vezes para clicar algum bicho mais comum. Havia talha-mar, batuíras e maçaricos pelo caminho de volta.

Porém, de repente o Tomaz pediu para o Duti parar e desligar o motor. Sim, não era a cigana, mas outro sonho meu: uma bela e majestosa anhuma (Anhima cornuta). Uau! Me senti recompensada. Anhuma, sua linda! Êxtase completo, tem três anos que tentava encontrá-la e nada.

Por volta das 15 horas nos deparamos com um bando enorme de bacurau-da-praia (Chordeiles rupestris), todos pousadinhos nas quentes areias das praias do Purus. Fiquei pensando: como é que seus pesinhos aguentam o calor escaldante.

E fim da nossa aventura no Rio Purus, às 16 horas aportamos em Manuel Urbano. Valeu toda dor no bum-bum, pernas, costas. Pergunta se eu volto? Volto, mas com uma bela almofada no traseiro, a minha de pescoço não deu muito conta do recado não.

Logo que pudemos nos colocamos na estrada para Rio Branco. Chegando, fomos buscar a chave da porteira da Fazenda Experimental Catuaba que fica em Senador Guiomard, onde era nosso plano ir no dia seguinte. Houve um desencontro e não conseguimos a chave naquele momento, então mudamos nossos planos para o dia seguinte.

Dia 26/08/2014 – terça-feira. Destino: PZ – Parque Zoobotânico da UFAC.

Resolvemos sair mais tarde, após o café dos respectivos hotéis, que começa às 6:00h. Chegamos no PZ com a luz alta. Meu primeiro clique foi às 7:08h no estacionamento do parque: um bagageiro (Phaeomyias murina), vocalizava muito e fez muitas poses para mim.

Ao entrarmos na trilha, o Tomaz ouviu o bico-chato-grande (Rhynchocyclus olivaceus), chamou e o bicho veio e nos deu uma chance de foto legal. Logo em seguida, o Tomaz chamou o formigueiro-chumbo (Myrmelastes hyperythrus), que veio, mas ficou dificultando o clique, num pula-pula insano…

No meio da muvuca, vai prá lá, vem prá cá, mais uma surpresa, o professor Guilherme apareceu acompanhado de um aluno e duas moças, sendo uma delas a minha querida amiga Margi Moss de Brasília, acompanhada de sua amiga Aurê. Eles se juntaram à nós em busca de uma imagem do formigueiro-chumbo. E eis que ele me deu uma chance única, inteiro no limpo. Nem acreditei.

O nosso “bando misto” passou a andar e conversar, clicando outro bando misto, suiriri-de-garganta-rajada (Tyrannopsis sulphurea), uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda), gaturamo-verde (Euphonia chrysopasta), bentevizinho-de-asa-ferrugínea (Myiozetetes cayanensis), saíra-de-bando (Tangara mexicana) e outros bichinhos pequenos na borda do laguinho foram flagrados pelas nossas lentes, apesar da contraluz, muito forte às 9 da manhã.

Foi quando a Margi avisou a gente, “tem um anambé aqui”…quando ela pronunciou a palavra “pombo”, eu saí em disparada. Outro sonho estava para ser realizado. Bem ali, paradinho no alto, um anambé-pombo (Gymnoderus foetidus) observava o mundo à sua volta. Nossa, imagina o tanto de emoção. Ainda bem que não achamos a chave da porteira no dia anterior…vai saber se esses inesquecíveis momentos iriam se repetir. Essa vai para a lista de “coisas sem explicação”.

Após as despedidas de praxe, continuamos nossa passarinhada, lá pelas tantas, os “meninos” entraram na brenha atrás de um passarinho e eu continuei andando calmamente pela frondosa trilha. Um chora-chuva-preto (Monasa nigrifrons), sempre muito fotogênico, roubou minha atenção. Fui tentando me aproximar para fazer uma foto dele no capricho.

Eis que ele voa e para numa árvore mais à frente. Caminho até lá e me deparo com algo bem colorido. Um belo capitão-de-fronte-dourada (Capito auratus) se apresentou para minha lente. Quase entrei em transe, tamanha a emoção. Só fiz lembrar da minha amiga Claudia Brasileiro que curte aves coloridas.

Antes de sairmos para o almoço deu para fazer um registro mixuruca do cantador-galego (Hypocnemis subflava). Ele não estava muito inspirado para uma sessão fotográfica e foi embora assim que chegou.

Almoçamos deliciosamente no restaurante O Paço, na Praça da Maternidade, o qual fizemos as refeições até o fim da nossa viagem. Eu recomendo.

Lá pelas 16 horas eu, Marco e Tomaz retornamos a fim de corujar. Logo no estacionamento, cliquei um sanhaçu-da-amazônia (Tangara episcopus). Já sem luzes na trilha, conseguimos ouvir, gravar e fotografar o sabiá-bicolor (Turdus hauxwelli). Como canta bonito! O Tomaz conseguiu trazer a corujinha-relógio para o Marco fotografar, não quis atrapalhar, pois tenho uma bela foto dela em Cláudia/MT. Fiquei distante e quando enfim, me aproximei, ela se foi.

Jantamos no Paço e finalmente conseguimos a tal chave para o dia seguinte.

Dia 27/08/2014 – quarta-feira. Destino manhã: Fazenda Experimental Catuaba – Senador Guiomard

O objetivo era encontrar o chora-chuva-de-bico-amarelo (Monasa flavirostris). Lá chegando, um papagaio-moleiro (Amazona farinosa) se alimentava numa goiabeira, todo faceiro. Dava para fazer fotos lindas, mas um acontecimento se não fosse trágico seria cômico nos arrefeceu os ânimos. O Marco havia esquecido a bateria da câmera no carregador (a titular e a reserva). Estávamos muito longe para retornar. Propusemos que ele usasse nossas câmeras para fazer seus registros, logo após clicarmos os nossos. E assim foi feito. Esse episódio vale mencionar por duas coisas. Uma para se ter ideia como o cansaço prega peças até nos fotógrafos mais experientes, a ponto de fazer esquecer a checagem do equipamento antes de ir à campo. E segundo pela solidariedade entre amigos, dispostos até mesmo a abrir mão de um instante fotográfico para ajudar o parceiro. Isso me emocionou muito. Ricardo, Marco, Tomaz, vocês são OS BONS COMPANHEIROS, com letras maiúsculas e negritadas.

O primeiro lifer do dia para não fugir à tradição foi uma maria…a maria-de-peito-machetado (Hemitriccus flammulatus). E o segundo, o cantador-sinaleiro (Hypocnemis peruviana), eu, mais uma vez fiz bobagem, ISO 800, velocidade 1/20 e o bicho paradinho na minha frente. Lógico que não prestou…quando liguei o flash, já era…A ansiedade matou o gato e ainda tenta acabar comigo…kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Mas para compensar, quem surge? Paradinha, num fio, com uma boa luz, daquelas que todo fotógrafo sonha… a cerejinha do bolo… chora-chuva-de-bico-amarelo (Monasa flavirostris).

Um pouco mais adiante, bem no alto, mas no alto mesmo, uma ariramba-do-paraíso (Galbula dea). E no meio de um bandinho misto, um lifer inesperado: caneleiro-pequeno (Pachyramphus minor).

De repente o Ricardo chamou a atenção do Tomaz, pois no meio do bando misto havia um arapaçu diferente…ao olhar a foto no visor e depois no alto da árvore com o binóculo, o Tomaz pirou…era um arapaçu-do-inambari (Lepidocolaptes fatimalimae). Minha foto ficou uma droga, mas a dos meninos ficou um show. Mas só pela emoção, já valeu o momento.

Com pena de deixar esse promissor local, retornamos a Rio Branco para o almoço.

Destino tarde: PZ – Parque Zoobotânico da UFAC

Após o almoço, eu, Marco e Tomaz retornamos ao PZ, onde pudemos ver, ouvir, sem conseguir foto, um casal de pica-pau-lindo. Mas para compensar, conseguimos foto do formigueiro-de-cauda-castanha (Sciaphylax hemimelaena), tanto do macho quanto da fêmea. Só o Ricardo tinha conseguido anteriormente.

Divertimos-nos com a performance do Bentevizinho-de-asa-ferrugínea (Myiozetetes cayanensis) num fio. E então surgiu a chance que eu queria de fazer um bom registro do Periquito-de-cabeça-suja (Aratinga weddellii).

O Acre é um destino dos sonhos, pouco divulgado ou conhecido pelos passarinheiros. Mas isso vai mudar, pois as aves de lá tem aparecido nas principais telinhas do Wikiaves devido à raridade e dificuldade, assim como nos compêndios de diversos estudiosos.

Destino noite: Comemoração antecipada do meu aniversário no O Paço. Meus primos Sérgio e Nair vieram tomar um chopinho e conhecer meus amigos. O resto dos primos não puderam comparecer. Foi uma noite muito acolhedora, bem especial. Cercada pelo carinho da família e dos amigos e com o HD lotado de fotos especiais.

Dia 28/08/2014 – quinta-feira. Destino: Guarulhos…

Duas da manhã, embarcamos, cansados e felizes. E eu com uma única certeza. Ano que vem quero voltar, repetir alguns roteiros, conhecer novos, e passar mais tempo com a minha família. Irei me programar melhor.

Dia do meu aniversário… woo woo…comemorado nas alturas, como se passarinho fosse.

E Renata Xavier, deixei os meus agradecimentos pelo mimo que recebi para o final. Adorei seu carinho, e o convite para conhecer sua Manaus e seus passarinhos. Estarei aí antes do que você imagina. Você e o Tomaz já ocupam grande parcela do meu coração. E minha casa está de portas abertas para recebê-los em São Paulo.

Presente recebido com muito carinho…só uma degustação do que me espera no Amazonas

Conclusão

Todas as dicas de passarinhada estão no corpo da postagem, mas a maior dica eu quero deixar neste finalzinho.

A gente tira uma grande lição das passarinhadas. É preciso muita, mas muita paciência para ser passarinheiro! Como eu disse acima, a paciência tem que ser oriental, a velocidade supersônica e o olhar biônico. E o guia muitoooooo competente. rs rs rs

Mas falando sério, é fundamental saber administrar o cansaço e os limites do corpo. É preciso também saber lidar com a frustração e a ansiedade. Sabe aquele passarinho que todo mundo fotografou, menos você, não chore, não emburre, você pode vivenciar o inverso ou ainda ter uma segunda chance com a ave.

E depois quando uma tentativa resulta em sucesso é só alegria. Por que ver ave não é uma ciência exata. É tentar e tentar. Aves não tem CEP nem endereço fixo. Outra coisa muito importante, temos que saber ser tolerantes com os parceiros, entender que cada um tem uma reação diferente frente às mais diversas situações. Temos que saber respeitar as limitações de cada um, sejam físicas ou mentais. Porque senão, muitos dias juntos, muito cansaço, podem acabar gerando um mal entendido qualquer. E caso isso ocorra, peça desculpas sem pestanejar e se desarme, não guarde rancor no seu coração, pois a boa sinergia atrai boas energias e, por conseguinte, isso atrai muitas aves. E ao contrário, você só vai desenvolver uma boa gastrite e ver apenas mato. rs rs rs.

Nosso grupo foi perfeito, um sempre ajudando o outro nas horas fundamentais, rimos muito o que ajudou a desanuviar o cansaço após chegarmos aos nossos limites. Enfim, uma viagem para nunca mais esquecer.

Viram só “meninos”? Até escrevendo eu “falo demais”… rs rs rs mas tenho certeza que vocês leram até aqui e adoraram meu relato da viagem…rs rs rs

 

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