Um lago na época errada, as árvores mais antigas do mundo, um loop com as cores maravilhosas do outono do hemisfério norte

June Lake foi escolha minha. Estávamos procurando algum lugar não muito longe de Yosemite, e li que Mono Lake, perto de June Lake, tinha cenários bem bonitos e muitas aves.

Esse também foi um ótimo trecho da viagem, mas não pelos motivos imaginados. Pra começar, espetáculo das aves é na primavera, no verão, e pro outono estávamos atrasados, os grandes bandos tinham passado duas semanas antes. Se você pesquisar Mono Lake na internet verá relatos dizendo que é excelente pra birdwatching, mas só na época certa. No dia 9 de outubro já estava bem vazio, ainda com aves, mas longe, no centro do lago. Numa das trilhas há esses cartazes, e você pode ver que o pico de atividade é entre abril a setembro. Em outubro a maioria das aves não está mais lá.

 

Mono Lake

Chegamos em June Lake no fim do dia, direto pra região de Mono Lake Tufa State Reserve. Interessante, mas não impressionou. American Avocet, Brewer’s Blackbird, Ruddy Duck, umas belas borboletas monarcas. Já voltando pro carro, sem luz, tive um momento especial. Alguns Savannah Sparrow e Mountain Bluebirds. Foi legal porque andando na trilha, o local parecia vazio. Mas percebi um movimento, dei alguns passos pro lado e comecei a ver esses pequenos. Ao longe, um Northern Harrier. As pessoas andavam pela trilha e vi que só eu reparava nessas aves, como se estivesse em outra dimensão. Eles não permitiram muita aproximação, e já não tinha luz, mas foi um bom momento.

June Lake é uma cidadezinha bem simpática, e nosso motel era ótimo. Quarto grande, aconchegante e com aquecimento no piso, e uma cozinha equipada por alguém que fez aquilo com amor. Tinha panelas grandes, tábuas, facas afiadas, escorredor grande de macarrão, batedor de claras.  Logo atrás do hotel ficava a June Lake Brewing, cervejas artesanais excelentes. E na frente do nosso motel tinha um outro hotel, onde estava rolando uma apresentação de blues. Adoramos o ambiente da cidade, e ainda nem tínhamos conhecido o June Lake Loop.

A cidade de Mammoth Lakes não vale a pena

Chegamos num sábado, e no caminho passamos por Mammoth Lakes. Pelo Yelp dava pra ver que Mammoth tinha mais opções de restaurantes, então resolvemos pegar meia hora de estrada e ir jantar lá. Mas era um sábado, e mesmo fora de temporada isso traz problemas. Os dois restaurantes mais bem recomendados estavam com espera. Desistimos, passamos num mercado, compramos um espaguete e jantamos um carbonara.

Mammoth Lakes é um destino pra esquiar, então tem esse ar de cidade de esquiadores. Achamos meio besta, gostamos mais de June Lake.

 

Bristlecone Pine Forest

No dia seguinte, 9 de outubro, fomos pra cidade de Bishop com dois objetivos. Conhecer algumas das árvores mais velhas do planeta e ver a galeria do saudoso Gallen Rowell.

Apesar das sequoias serem mais vistosas e famosas, elas não são as árvores mais velhas do planeta. Até 2013 a árvore não-clonada (há espécies de árvores que se clonam há quase 10 mil anos) mais velha ficava nesse parque, o Ancient Bristlecone Pine Forest. Methuselah (Matusalém) tem 4.845 anos. Ela é mais velha do que as pirâmides do Egito. Em 2013 foi anunciada a descoberta de uma outra árvore desse tipo, com 5.062 anos. A sequoia mais velha (Washington) tem mais ou menos 2.850 anos. http://www.livescience.com/29152-oldest-tree-in-world.html  e http://www.monumentaltrees.com/en/trees/giantsequoia/california/.

Matusalém é a famosa, mas pra vê-la é preciso pegar uma trilha de 7km, algo que a 3.000m de altitude estava impossível pra gente. Pegamos a menor trilha, a Discovery, com 1,5km e já foi difícil. Mas valeu a pena, as árvores são realmente incríveis. Elas não são majestosas como as sequoias, tanto que foi só no fim da década de 1950 que começaram a descobrir que essas árvores baixinhas, de tronco todo retorcido são tão especiais. As mais longevas são aquelas que crescem nos terrenos com menos recursos. Elas se tornam mais resistentes a pragas, incêndios, e vivem mais. As que crescem em terrenos com mais nutrientes vivem menos. Contei isso pra minha sogra, que falou “é igual gente”.

Apesar do parque ficar a 2h de June Lake, é um passeio que vale a pena. Dá uma sensação de reverência poder observar e fotografar essas árvores tão especiais. Ao redor do centro de visitantes (que foi destruído por um incêndio proposital em 2008, mas logo reconstruído), fotografei alguns chipmunks que acredito serem Least Chipmunk e Alpine Chipmunk, Mountain Chickadee, Clark’s Nutcracker.

Saímos do parque e fomos pra cidade de Bishop ver a galeria Gallen Rowell, um dos fotógrafos favoritos do Cris. Gallen Rowell morreu com 61 anos, num acidente de avião, quando voltava de um workshop no Alaska. Ele tem fotos muito bonitas mesmo, que não ficaram datadas.

Em Bishop destaco o Mahogany Smoked Meats. Conhecemos porque estávamos olhando o Yelp, algum lugar pra almoçar. A fila dos lanches estava imensa, então só pegamos coisas do balcão. Mas depois descobrimos que era o melhor bacon que já comemos, defumado duas vezes, e um excelente peito de frango defumado. Recomendo.

 

June Lake Loop

Na volta pra June Lake passamos por uma estradinha que o Cris tinha lido que estava com cores bonitas de outono. Muitas aspens bem amarelas, bonito mesmo.

Dia 10 saímos do June Lake Motel com as malas, e fomos rodar pelo June Lake Loop. Que lugar maravilhoso. Cenário montanhoso, as cores dos aspens e de outras árvores que iam ficando laranja, avermelhadas.

Depois paramos num local com água. Não tenho certeza, mas acho que era Silver Lake. Se não for Silver Lake, era Gull’s Lake, os dois são próximos. Da estrada, dava pra ver que estava coalhado de aves, mas quando chegamos perto, vimos que eram principalmente American Coot, alguns Mallards e algumas garças. De aves não tinha fotos especiais, mas o local era lindo demais e passamos um bom tempo por lá aproveitando o cenário.

Nos despedimos de June Lake e voltamos para Yosemite (Los Banos – June Lake fizemos por dentro do parque, pela Tioga Road). Chegamos em Yosemite West no início da noite.

Fora do Brasil