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  • Texto: Claudia Komesu
  • Fotos: Claudia Komesu e Cristian Andrei. Claudia Nikon D800 e 300 f4 VR com tele 1.4, Canon S120 e Iphone 5s. Cristian: Fuji X-T1 com lentes 18-55 e 55-200, Nikon D800 e 300 f4 com tele 1.7.
  • As fotos acima são em Point Lobos, dos dias no passeio no parque (terra), e no dia seguinte, do passeio em alto mar (água). As paisagens em que aparecem rochas e água são na parte terrestre, fotografadas da praia.
  • Originalmente publicado em: http://heart3.me/california-point-reyes-monterey-june-lake-e-yosemite-vida-marinha-e-cores-de-outono-out2016/

Viagem: Califórnia –  Marina e Monterey. Baleias, golfinhos, focas, leões-marinhos

Point Lobos, um lugar imperdível

Monterey era um destino que o Cris incluiu, por causa dos passeios para ver baleias e o aquário de Monterey. A cidade de Monterey é muito procurada, não havia nada de Airbnb e o que tinha de hotel era bastante caro. Optamos por ficar num Airbnb na cidade de Marina, que fica a 20 minutos de Monterey.

Chegamos em Marina no fim da tarde, descarregamos o carro e fomos ver o por do sol no Fort Ord Dunes State Park. É uma ex-área militar, e nos arredores da entrada do parque há muitos alojamentos abandonados, caindo aos pedaços. No parque há plaquinhas explicando que os militares contaminaram o solo com chumbo, cometeram o grande erro de trazer uma planta de outro país pra tentar conter as dunas, que depois se tornou uma praga, a Ice plant, que tentaram conter a erosão natural das encostas concretando (e falharam, é claro).

No dia seguinte, 6 de outubro, fomos conhecer Point Lobos. O Cris e o Daniel dão risada da minha cara, mas muitos passeios eu decido pesquisando “nome-da-cidade birdwatching”, e vejo o que aparece. No caso de Monterey, Point Lobos era um dos locais bem recomendados pra birding.

Chegamos lá umas 9h30 e fiquei chocada. Não esperava um lugar tão bonito, e fiquei pensando por que o post que recomendava Point Lobos pra passarinhar também não contava que o local é lindo demais. Será que o autor não liga pra aquele cenário, considera banal? O mar é de um azul incrível, há formações rochosas e, como é costume nos EUA, é tudo do lado da estrada. Na pesquisa do Google aparecem algumas fotos bonitas, mas eu ainda não consegui me livrar da associação de foto bonita = lugar difícil de chegar. Não nos EUA.

Ficamos um bom tempo só fotografando o cenário, depois seguimos em frente com o carro e chegamos no estacionamento no fim da estrada, que dá pra trilha da Bird Island. O parque é bem pequeno, os estacionamentos são pequenos e podem lotar com facilidade. Você paga uma taxa de algo como uns US$ 10 pelo estacionamento, por isso algumas pessoas preferem parar nas margens da estrada, mas essa taxa é importante pro parque.

Andando pela Bird Island Trail, olho pra baixo, uma minienseada cheia de focas dormindo. Uma mais linda do que a outra, de cores diferentes, pretas, marrom, brancas, cinza várias com umas marcas como se fosse padrão de tecido. Logo topamos com uma placa explicando que são Harbor Seal (focas comuns), e pedindo para não perturbá-las.

Elas estavam dormindo, a maré estava subindo e às vezes uma onda acordava algumas, que podiam se mexer um pouco pra se afastar das ondas. Ficamos 1h observando-as, e na esperança que houvesse alguma ação, mas por fim cansamos e seguimos a trilha.

O cenário do final da trilha era bem bonito, mas não tinha muitos bichos. No caminho da volta topamos com um falcão-peregrino pousado numa árvore de galhos secos. Não estava muito longe, mas o mormaço impediu fotos boas. Quando voltamos pro ponto das focas, ouvimos uma mulher dizendo que elas tinham acabado de ir embora. Fiquei muito triste em pensar que por alguns segundos não pude fotografá-las voltando pra água, ou que se tivesse ficado mais meia hora teria visto. O Cris quis me consolar dizendo que focas se arrastando pela areia nem davam fotos boas.

No caminho pro estacionamento, um bandinho de Pigmy Nuthatch, Snowy Egret, uns lagartinhos que talvez sejam Wertern Fence Lizard, Bewick’s Wren, Hairy Woodpecker, Brown Pelican.

Almoçamos na área de piquenique (há outras áreas, mas esta tem vista por mar), e decidimos sair do parque em direção à região de Big Sur, a famosa estrada costeira (Cabrillo Highway) que realmente tem cenários espetaculares. Tentamos conhecer o Pfeiffer Big Sur State Park que tem floresta de Red Woods, mas o parque estava fechado, não sei por que.

Outra indicação de local para passarinhar era a região de Carmel, mas não conseguimos encontrar exatamente a entrada, então decidimos passar o fim do dia em Point Lobos. Voltamos ao parque fomos olhar a Whalers Cove.

Em Whalers Cove pudemos ver as focas na água, mas bem de longe, no geral só um pedaço da cabeça pra fora. Pegamos uma trilha onde pudemos ver de perto várias Heermann’s Gulls pousadas, dois American Oystercatcher, alguns Brandt’s Cormorant, Western Gull, garça-branca-grande. Voltamos pra Cove, além das focas tivemos a sorte de ver uma águia-pescadora e um Belted Kingfisher macho, pescando.

Voltamos pra Bird Island Trail. No caminho, paramos no local de maré baixa, vimos caranguejos que talvez sejam Purple Shore Crab. Na trilha, Say’s Phoebe, Snowy Egret, garça-branca-grande, garça-azul-grande, os Brown Pelican tomando banho, Brandt’s Cormorant, Western Gull, uma foca nadando, e depois perto do estacionamento, uma foca bem de perto, descansado sobre as rochas.

Também consegui estragar a filmagem de por do sol de um senhor que estava filmando com celular, de longe. Passei na frente dele sem vê-lo, só percebi quando ouvi um “aaahhhh!!”. Sei que ele e a esposa me xingaram muito mentalmente, e fazendo gestos, mas tudo isso seria evitado se em vez de filmar de longe, ele estivesse na beira da trilha, onde ninguém poderia passar na frente dele.

E fim do dia.

Só consegui identificar os bichos com essa facilidade porque descobri este site que lista os bichos de um local, com fotos boas, então no geral você não precisa ficar investigando se é a espécie tal ou tal. Acho que vou participar. Na página de Point Lobos ainda não tem águia-pescadora e o martim-pescador :)

https://www.inaturalist.org/check_lists/5738-Point-Lobos-State-Reserve-Check-List?page=1

 

Mesmo passando mal, fotografar baleias e golfinhos é muito emocionante

7 de outubro. Fomos fazer o passeio para ver baleias. Escolhemos na noite anterior pelo TripAdvisor o Monterey Bay Whalewatch, porque eles se diziam os mais ecológicos, que mais se preocupavam em não estressar os bichos. Eles têm um site antiquado, mas onde conseguimos comprar ingressos pro dia seguinte. No TripAdvisor tem algumas fotos incríveis, gente que viu baleias saltando de corpo quase inteiro.

Pegamos o passeio das 8h30. Você deve chegar meia hora antes. Há um estacionamento coberto pago uns 400m antes da marina, e um ao aro livre na própria marina. Por ignorância paramos no mais longe, e quando chegamos na área de embarque o grupo já estava reunido recebendo instruções.

Barco grande de dois andares, bem cuidado. Sensação de equipe experiente e tranquila. Logo na saída do porto vimos uma sea otter (lontra-marinha), e depois cruzamos com uma colônia de leões-marinhos. Bonitos, preguiçosos e absurdamente fedorentos.

Com uns 20 minutos de passeio topamos com a primeira baleia, uma Humpback. Vimos outras depois, mas mais distantes. O protocolo é que o barco não pode chegar a menos de 150m da baleia. A baleia, se quiser, pode se aproximar do barco, mas ao chegar o barco tem que manter essa distância. Essa circundou nosso barco, nadou pra lá e pra cá, apareceu algumas vezes (mas principalmente dorso e um pouco da cabeça, infelizmente não era um dia de saltos), e teve uma hora que ela chegou bem perto e deu aquele borrifo. Eu estava no andar de cima, só ouvi um “ooooohhhh” do pessoal do andar de baixo.

É um bicho muito bonito de se ver, mas imagino como deve ser a sensação de ver esse bicho saltar pra fora da água, deve ser de parar o coração.

Os barcos se comunicam por rádio, fora isso nosso guia disse que tinha uma dica de um amigo que morava perto de Point Lobos sobre um bando de golfinhos na região. Tá bom, um bando de golfinhos. Imaginei que poderíamos topar com uns 20 golfinhos. O barco começou a se deslocar em alta velocidade, e tivemos momentos de sentir o frio na barriga como se fosse parque de diversão, ondas grandes. Não dava medo, mas eu estava me esforçando pra não enjoar. A mãe do Daniel tinha recomendado um remédio pra enjoo, Vonau 8mg meia hora antes do passeio, mas eu esqueci o remédio no carro e não pude fazer nada além de fixar a visão num ponto do horizonte e tentar não mover muito a cabeça.

Depois de algo que parecia uma hora de tédio, com alguns poucos avistamentos de Heermann’s Gull e Common Murres, de repente nosso guia nos avisa pra olhar na direção tal e reparar no movimento da água. Um monte de pontos espirrando, borrifando. Fomos chegando mais perto, dezenas, centenas, e por fim ele calculou que deviam ter uns 2 mil golfinhos ao nosso redor, era impressionante.

Um bando enorme de Common Dolphin. Ele disse que até uns anos atrás eles não costumavam aparecer naquela região, subiam no máximo até São Francisco, mas que talvez o aquecimento global estivesse favorecendo um fluxo de alimento pra eles naquelas águas perto de Point Lobos. Eram muitos, saltando bastante, nadando bem próximos à superfície, muitos chegaram bem perto do barco, estávamos no meio deles.

Lindos. E quando apareceu a voz do guia (um típico garotão californiano, tranquilo), com o microfone, falando coisas como “vocês já viram aqueles documentários incríveis da BBC sobre vida selvagem… aproveitem, vocês estão vivendo um deles”, pensei que era uma frase marketeira mas não falsa.

Eram lindos de ver, mas difíceis de fotografar com a tele. Ainda mais porque você não sabe qual o momento que eles vão saltar pra fora da água, você podia ver os que estavam rentes à superfície e testar seus reflexos.

Outra grande dificuldade: o barco balançava muito, eu estava debruçada na amurada, ajoelhada no banco de ferro, com os cotovelos no lado de fora da grade apoiados pra eu não me desequilibrar, e tentando fotografar.

Mas aí já foi abuso demais pra minha motion sickness. Depois de uns minutos não aguentei, me senti suando frio, segui as instruções que tínhamos recebido no início do passeio. Desci as escadas e fui pro fundo barco vomitar. Ao meu redor, várias pessoas pálidas ou meio esverdeadas, como eu devia estar. Sentei no banco e antes de dormir (provando que consigo dormir em qualquer lugar), ainda pude ver aquela cena linda de tantos golfinhos saltando, eu com os olhos semicerrados pensando “como isso é lindo”. E também o tragicômico de ver uns vômitos voadores: gente que se debruçava na lateral do barco, em vez de no fundo total, e o barco já voltando em alta velocidade fazia com que aquela macha esbranquiçada flutuasse um pouco, como se estivéssemos no espaço. Um deles quase ou talvez tenha acertado uma moça, que passou um bom tempo olhando braços e pernas pra ver se tinha respingado algo, enquanto a autora do vômito pedia muitas desculpas.

Acordei quando já estávamos quase chegando, me sentindo 100% de novo.

Mesmo tendo passado mal assim, adorei o passeio e faria de novo. Custa US$ 49 por pessoa, tem quase todos os dias. Há um passeio que dura o dia todo, sai acho que uma vez por semana. O site deles é terrível, mas o serviço é bom: http://www.gowhales.com/trips.htm

 

Monterey Bay Aquarium

Por causa do horário, decidimos não almoçar na região do porto e seguir direto pro Aquário de Monterey.

Monterey Aquarium é uma atração famosa. O aquário é mesmo muito bem estruturado. As partes de que mais gostamos foram as salas escuras com águas-vivas e outras criaturas estranhas, a sala com polvos, lulas, sépias. Flamboyant cuttlefish é uma loucura, um dos bichos que mais muda de cor rapidamente, pequeno, e venenoso, dizem que pode matar uma pessoa. Também gostamos muito de ver as jovens enguias, semi-enterradas, e os tanques bem grandes, iluminados pela luz do sol, com centenas de peixinhos prateados, arraias e tubarões. Tentamos ver a alimentação das lontras-marinhas, mas era do tipo que a apresentadora é chata demais, com aquele tom de voz que dá vontade de chutar a pessoa. Abandonamos.

O aquário fecha às 17h. A entrada custa US$ 49 (é estranho pensar que é o mesmo preço do passeio das baleias), mas vários Airbnb oferecem entrada grátis, foi o que fizemos. Não se preocupe, não é nada ilegal, são pessoas que compram os passes anuais de US$ 300 que dão direito a entradas ilimitadas e entradas para dois convidados.

Saímos do aquário, fomos devolver nossos passes para o dono, depois pegamos estrada e dormimos em Los Banos, uma cidadezinha no caminho para June Lake.

 

Fora do Brasil