Acredito ser muito difícil descrever em poucas linhas e com algumas imagens uma aventura como esta, afinal para mim representa a concretização de mais um sonho que me acompanha desde a infância, mas tentarei relatar da forma mais objetiva possível os pontos mais significativos da mesma.

 

O Pantanal é considerado a maior planície alagada do planeta, compreendendo parte dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de parte da Bolívia e Paraguai. Sua biodiversidade é fascinante contendo mais de 650 espécies de aves, 80 de mamíferos, 50 de repteis, além de centenas de espécies de peixes e insetos.

Nossa viagem ocorreu entre os dias 1 e 5 de novembro, época de seca e se concentrou no Pantanal Norte em uma área conhecida como Transpantaneira, uma estrada de terra que sai do município de Poconé (a 114 km de Cuiabá) e segue por aproximadamente 140 km até Porto Jofre, ainda no Estado do Mato Grosso. Reservamos um dia para conhecermos a Chapada dos Guimarães, distante aproximadamente 70 km de Cuiabá e que possui uma vegetação típica de Cerrado, fato que nos permitiria observar algumas espécies tipicas desse bioma.

Os planos e preparativos para esta aventura começaram muito tempo antes, quando tive contato com um post no blog da fotógrafa Silvia Linhares, onde ela descrevia de forma empolgante a sua viagem acompanhada por mais duas amigas a esta área do Pantanal. Logo depois soube que um amigo fotógrafo e apaixonado por aves, o Luciano Monferrari, havia feito esta viagem e se valeu de muitas das informações fornecidas por ela. Com as informações fornecidas por ambos comecei a montar o meu roteiro, enviei e-mails a algumas das pousadas e locais indicados solicitando informações sobre opção de day-use ou hospedagem e infelizmente não recebi resposta da maioria.

Com algumas opções em mãos e um roteiro pré-elaborado lancei um convite aos amigos do GRIFOO e de pronto tive a resposta do meu grande parceiro de aventuras, Peterson Bachin e logo depois do jovem Marcelo Haeitmann, ainda iniciante no birdwatching mas disposto a encarar os desafios de uma jornada como esta.

Decidimos seguir até Cuiabá de avião e alugarmos um carro. Optamos pela Referencia Rent a Cars, que havia sido bem cotada pela Silvia mas que infelizmente não agradou ao Luciano, devido a uma prática não muito transparente usada por eles. Entregaram o carro a ele e só passaram a vistoria feita nas partes “visíveis” do veículo, mas na devolução disseram que fariam a vistoria na parte de baixo do carro também (?????) e vieram com uma conta extra referente a troca do tanque de combustível que estava amassado por alguma pedrada (fato quase impossível de se evitar em uma estrada como a Transpantaneira).

Bom… achamos melhor nos precaver e com uma lanterna nas mãos vasculhamos o carro em busca de qualquer coisa que pudesse ser usada contra nós, descrevendo ao atendente até as marcas de pés que haviam no carpete do carro, pois eles dizem que dependendo do estado de limpeza do veículo podem cobrar até R$ 150 pela lavagem do mesmo. Deixamos tudo registrado e no contrato havia a cláusula (grifada) de que seriam cobrados R$ 20 pela lavagem do veículo em condições normais de limpeza. Antes de sairmos de Poconé passamos em um posto para abastecer e deram aquela ducha free no carro, além de uma boa limpeza interna feita pelo Marcelo ainda na pousada. No caminho de volta pegamos chuva e o carro chegou a locadora com a parte externa suja (que novidade né?) e acabaram cobrando R$ 25 pela lavagem além de uma “taxa de contratação pela web” (????) que elevou o valor total em R$ 50,00. Por estas e mais outras não recomendo esta locadora a mais ninguém.

Partimos para Poconé e ficaríamos hospedados na pousada Pantaneira, localizada no km O da Transpantaneira. A pousada é bem simples, mas seus quartos são limpos, bem arrumados, com boas camas e internet Wi-Fi free disponível, AR CONDICIONADO e um café da manhã (fraquinho) que só começa a ser servido após as 6h30, o que para nós era muito tarde portanto no 1º dia optamos por sair bem cedo e rodar pouco, voltando umas 9h para tomarmos um café na pousada.

 

NOSSO 1º DIA NA TRANSPANTANEIRA

Por indicação do pessoal da pousada levantamos às 5h ,mas ainda estava muito escuro e tivemos que aguardar até quase às 6h para que tivéssemos alguma luz para fotografar.

Logo nos primeiros metros da estrada fomos recebidos por um carrapateiro que passou voando tranquilamente sobre nossas cabeças e já começamos a ficar empolgados. Entrávamos no carro e assim que começávamos a andar uma nova espécie era avistada, fazendo com que parássemos novamente.

Só para se ter uma ideia de como foi isto neste primeiro dia fotografamos quase 60 espécies, avistamos e ouvimos dezenas de outras. Durante uma dessas paradas acabamos conhecendo um simpático casal a bordo de um Toyota Bandeirantes todo adaptado e após alguma conversa descobrimos que já nos conhecíamos “virtualmente”. Trata-se do Renato e da Gabriela, proprietários da Reserva Rio das Furnas em Santa Catarina.

Estavam retornando de uma viagem de quase 2 meses pelo Amazonas, mais precisamente percorrendo a Transamazônica, fotografando a natureza e levando o Projeto Roda de Passarinhos às crianças de várias comunidades indígenas pelo caminho. Na volta resolveram dar uma esticadinha e conhecer a região de Poconé e para nossa sorte acabamos nos encontrando. Depois de quase uma hora de conversa, troca de informações, de conhecermos a sua “casa-móvel” e pousarmos para aquela foto, seguimos adiante.

Durante todo o trajeto da Transpantaneira encontramos diversas pontes de madeira que nesta época de seca passavam por sobre pequenas poças de água, com exceção da terceira ponte que se projetava sobre um alagado bem maior. Paramos para fotografar algumas aves (garças e maçaricos) mas acabamos encontrando dezenas de jacarés.

Este é um ponto que recomendo a todos conhecerem pois sempre acabava rendendo alguma surpresa. Tanto que todos os dias acabamos parando por lá para algumas fotos, em um dia foi um martim-pescador-grande, em outro uma garça-azul e em outro uma ariranha.

Mas voltando aos jacarés… acabamos vendo um animal de tamanho considerável saindo da água e não pensamos duas vezes em nos aproximar e conseguir algumas fotos incríveis deste belos repteis.

Nestas horas vale (quase) tudo para se conseguir aquela foto e deitar no chão pode ser uma boa pedida, mas sempre com a prudência necessária,afinal são animais selvagens e NÓS é que estamos invadindo o seu habitat.

Você não irá encontrar muitas opções de locais para comer ou beber na estrada e a primeira opção será no Km 32 em um pequeno bar. O local merece uma parada mesmo pois além de abastecer-se você poderá fazer fotos incríveis gralhas, cavalarias e aracuãs que disputam avidamente um lugar no pequeno bebedouro construído em frente ao bar.

No restante do percurso a paisagem vai ficando até monótono, mas as aves e outros animais sempre surgem onde você menos esperar. Permanecemos até quase 18h na estrada e voltamos para a pousada exaustos, famintos e com os cartões de memória abarrotados de imagens.

 

E agora vem uma outra parte não muito satisfatória neste local… a alimentação!

Na pousada em que ficamos não dispúnhamos de restaurante então tínhamos que ir até o centrinho do local e as opções eram escassas. A única opção de restaurante era o Tradição que servia Pizzas, Pratos a La Carte e Comercial por preços um pouco salgados para o local. A comida é boa e o atendimento cortês, além do ambiente com ar-condicionado (imprescindível). Fora isso apenas alguns trailers servindo lanches duvidosos, espetinhos e alguns salgados.

 

2º DIA – POUSO ALEGRE LOUNGE

Durante o planejamento da viagem entrei em contato com a Pouso Alegre Lounge e solicitei informações sobre day-use e recebi a resposta do Luis que administra o local, de que não trabalhavam com esta opção, mas que como estavam encerrando as suas atividades nos próximos dias, eles abririam uma exceção e nos apresentariam o local.

Saindo da estrada após a porteira do local são 7km em uma estradinha de acesso à pousada e este é um local incrível para se fotografar não apenas aves, mas também animais, plantas e insetos diversos. Tivemos a oportunidade de encontrar e fotografar cervos-do-pantanal, um bugio e um simpático tatupeba que resolveu “empacar” na estrada em frente ao nosso carro e, após uma operação de resgate, posou para uma foto ao nosso lado e seguiu viagem.

Nesse local também pudemos presenciar um espetáculo inédito para nós, dezenas de borboletas se amontoavam ao redor de pequenas poças d´agua na estrada e saiam em uma revoada belíssima quando nos aproximávamos.

Seguimos até a sede da pousada e fomos recebidos pelo Luis que acompanhava alguns hospedes estrangeiros, após algumas informações sobre espécies que costumam frequentar o local e prováveis localizações saímos a procura e logo surgiram grandes surpresas!

Enquanto tentávamos fotografar um joão-do-pantanal gravamos o seu som e tentamos atraí-lo para um local aberto, aconteceu que começou a responder ao nosso “chamado” e parecia então haver dois indivíduos no local. Logo em seguida percebi uma outra ave se aproximar de nós e achei ser uma rolinha bem pequena, mas na verdade tratava-se de um caburé!

É difícil descrever a emoção que todos sentiram pois nenhum de nós ainda havia visto este belo animal ao vivo. Sempre ouvi histórias sobre esta ave, seu comportamento agressivo, como costuma predar aves bem maiores que ele e principalmente… como é pequeno! Difícil acreditar que aquela corujinha menor que um pardal possa ser tão temida e é mesmo, pois diante de sua aparição a mata se agitou. Diversas espécies saíram de seus esconderijos, algumas fugindo e outras tentando espantar o invasor e esta foi a nossa chance de realizar fotos incríveis.

Voltamos a pousada para almoçar e saímos em busca do ninho da jacurutu que andou frequentando uma árvore próxima à sede, mas não demos sorte e resolvemos seguir viagem e tentar mais fotos na Transpantaneira. E conseguimos!!!

Faltam agora os nossos outros 2 dias no Pantanal! (continua…)

 

 

 

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