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Chegando na Reserva Serra Bonita
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Olho-falso (Hemitriccus diops)
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O Fernando clicando a paisagem
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Pelé (Alouatta guariba guariba)
Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius) - Camacan - BA 030 - 09.10.14
Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius)
Macuru-de-barriga-castanha (Notharchus swainsoni) - Camacan 003 - 10.10.14_2
Macuru-de-barriga-castanha (Notharchus swainsoni)
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Tangará-rajado (Machaeropterus regulus)
Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus) - Camacan 004 - 10.10.14_2
Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus)
Araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari) - Camacan 009 - 10.10.14_2
Araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari)
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No Portinha, eu, Rosemarí, Ciro, Fernando e Cláudia
!Ciro 4_1
Clicando a "Crejoana" - por Ciro Albano
9b Preguiça - Santa Cruz Cabrália - BA 012 - 12.10.14_2
Preguiça-comum (Bradypus variegatus)
9c Cabeça-branca (Dixiphia pipra) - Santa Cruz Cabrália - BA 013 - 12.10.14_2
Fernando, Claudia (só no suquinho), Rosemarí, Ciro e eu
meu colete - Silvia Linhares 001 - 27.12.14_2
Meu colete e as 17 bandeiras dos Estados - faltam 10...

 

Serra Bonita – Camacan e Veracel

08/10/2014 (quarta-feira) Boa Nova/BA para Camacan/BA

Foram quase 250 km e perto de quatro horas de viagem de Boa Nova/BA para Camacan/BA. O mais engraçado foi um local em frente aonde paramos para almoçar em Camacan: uma Pousada chamada Beverlly Rios… muito criativo.

Camacan é um município pequeno. Foi considerado na década de 70 um dos maiores produtores de cacau, mas, no entanto, a praga da vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa) devastou e destruiu sua lavoura no ano de 1989.

Nosso destino era Serra Bonita, localizada nos municípios de Camacan e Pau-Brasil, um dos últimos fragmentos remanescentes de Mata Atlântica de Altitude do Corredor Central da Mata Atlântica, também conhecida como “Mata de Neblina” ou “Floresta Submontana Úmida”. Abrange uma área de 7.500 hectares, localizada no coração da região cacaueira, a 130 km de Ilhéus e 526 km da capital da Bahia, Salvador.

Serra Bonita é também extremamente rica em diversidade animal. É uma área de reconhecida importância para os pássaros, segundo avaliação do programa Important Bird Areas (IBA) da organização Birdlife/SAVE Brasil.

O Instituto Uiraçu mais conhecido como Reserva Serra Bonita ou Serra das Torres, é uma organização não governamental, de caráter sócio-ambiental. Possui alojamento com oito apartamentos e capacidade para 32 pessoas e mais de 10 km de trilhas. O casal Vitor e Clemira são extremamente simpáticos e não medem esforços para que a gente se sinta em casa.

É um local muito bonito, verde, úmido e recheado de passarinhos, que nem sempre facilitam a nossa vida de fotógrafo. São poucos os que aparecem no baixo ou num galho limpo. Dificilmente há fartura de luz, isso quando a neblina ou a chuva não tomam conta. Mas isso faz parte e é apenas uma questão de preferência. Apesar da mata atlântica ter aves lindas, não é o meu lugar preferido para fotografar, mas aí ressalto dificuldades pessoais e nem discuto.

Assim que chegamos fomos direto para o comedouro. Estava bem colorido e cheio de aves, algumas bem fáceis de encontrar no Sudeste, mas que sempre nos encantam com suas cores, graça e beleza, como a saíra-sete-cores (Tangara seledon), gaturamo-verdadeiro (Euphonia violácea), beija-flor-preto (Florisuga fusca), saíra-militar (Tangara cyanocephala), sanhaçu-de-encontro-azul (Tangara cyanoptera), tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), saí-verde (Chlorophanes spiza) e ferro-velho (Euphonia pectoralis).

A novidade para mim veio com o temperamental tempera-viola (Saltator maximus), desculpa o trocadilho, mas o bichinho é mesmo temperamental, é desconfiado que só e não dá muita chance para uma boa foto mais perto como as outras espécies que frequentam o comedouro.

O encanto final para fechar o dia, veio com o fim-fim-grande (Euphonia xanthogaster), que aos poucos ganhou confiança e não saiu mais do comedouro, muito parecido com o fim-fim e com o gaturamo-verdadeiro, tem suas peculiaridades, principalmente a vocalização. E, como todos da família, é muito gracioso.

Já meio no escuro clicamos o papa-moscas-cinzento (Contopus cinereus). E para fechar o dia um cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) veio ver se tinha alguma sobra no comedouro.

 

09/10/2014 (quinta-feira) – Camacan/BA

Acordei bem cedo e ao olhar na varanda do meu quarto para ver como estava o tempo, dou de cara com um pequenino que depois o Ciro identificou como olho-falso (Hemitriccus diops).

O primeiro lifer do dia foi o vissiá (Rhytipterna simplex), mas com foto muito no alto e bem ruim, até já descartei. A luz estava péssima, tinha chovido durante a noite. Não parecia que ia render. Finalmente cruzamos visualmente com a borboletinha-baiana (Phylloscartes beckeri). Essa é um caso a parte, alguns conseguem foto boa dela em Camacan, outros, como eu, nem tanto. Não teve jeito de ela se aproximar para uma foto decente. E olha que insistimos. Paciência. É um daqueles registros que a gente posta com aquela frase em forma de desculpa: “Registro apenas para minha lista pessoal.” rs rs rs

Para compensar, o terceiro lifer do dia deu um show. Nada mais nada menos do que o picapauzinho-avermelhado (Veniliornis affinis).Também conhecido por pica-pau-fura-laranja, devido ao fato de eventualmente frequentar pomares e se alimentar dos frutos, recebeu o nome de fura-laranjas. Existem quatro subespécies e essa é o Ssp. Affinis que ocorre no Leste do Brasil de Pernambuco ao Espírito Santo.

Paramos um pouco para apreciar alguns ninhos, afinal estávamos na primavera, destaque para o teque-teque (Todirostrum poliocephalum), na porta de uma das casas da Reserva e de um Beija-flor-cinza (Aphantochroa cirrochloris), num galho sobre nossas cabeças na estrada de acesso.

Logo em seguida uma dupla do barulho fez uma festa para nossos ouvidos e lentes. Era o catatau (Campylorhynchus turdinus), ave que eu gosto muito da vocalização e que eu julgava que só ocorria no pantanal.

Logo mais saímos para o Morro das Torres. Numa das trilhas que levam às torres um bando de andorinha-doméstica-grande (Progne chalybea) virou a atração das nossas câmeras. Elas desciam até uma poça para apanhar barro, bem pertinho da gente numa graça típica da família.

Ainda pudemos clicar o araçari-poca (Selenidera maculirostris) e mais alguns lifers para a a minha lista: araponga-do-horto (Oxyruncus cristatus), que eu tinha tentado muito em Campos do Jordão, porém sem sucesso, e o vite-vite (Hylophilus thoracicus), de cores suaves e muito simpático.

Chegamos às torres e ficamos procurando gaviões e falcões. Chegávamos perto das 10:00h, o tempo abriu num sol de rachar, um calor danado, abafado. Em que pese nossa tentativa, nossa espera infrutífera. Não rolou nada, então voltamos para o almoço.

O pessoal foi direto para o comedouro e eu resolvi ir até o alojamento com o Ciro. No caminho o vissiá (Rhytipterna simplex) me deu uma nova chance, parando quase na cara. Agora sim!

Logo após o almoço, ficamos pelas redondezas da sede ora clicando uma flor, ora vendo o Pelé se divertir. Já íamos sair passarinhar mais um pouco, mas tivemos a maior trabalheira para tirar o Pelé de dentro do carro, pois ele queria muito ir com a gente. rs rs rs

O Pelé é uma subespécie do bugio-ruivo que ocorre ao norte do rio Jequitinhonha. É um Alouatta guariba guariba, espécie criticamente ameaçada de extinção. Essa subespécie é listada como em perigo crítico pela IUCN, pois sua distribuição geográfica está extremamente restrita e conta com apenas 250 indivíduos no total.

De acordo com o Ciro Albano: “mataram a mãe dele pra comer e enjoaram de criar o filhote que foi doado para o Instituto. Depois de muito tempo conseguiram uma fêmea, mas ele é muito novo e não deu conta, aí a fêmea se mandou pra mata.” Pronto, lá ficou o bichinho sem namorada, sem companhia, acho que por isso ficou tão travesso…não para um minuto. Com isso, ele “gruda” nas pessoas e exige toda nossa atenção.

No período da tarde, ficamos um tempão apreciando e clicando o Sabiá-castanho (Cichlopsis leucogenys). Tive que usar o flash, pois a mata onde ele estava era muito escura e estava difícil focar.

Um último clique e registrei o posudo arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius), destacando o seu belo bico, responsável pelo seu nome popular, primeiro registro para Camacan no Wikiaves, onde mantenho meus registros.

Terminamos o dia vendo uma família de Pacas (Cuniculus paca) que veio se alimentar no quintal em uma das edificações da propriedade. Eu nunca tinha visto uma e não imaginava que fosse tão pequena. Legal “pacas”! rs rs rs

 

10/10/2014 (sexta-feira) – Camacan/BA

Com as malas no carro, partimos da Reserva Serra Bonita, mas antes passamos em mais alguns lugares. Lugares muito bonitos, conforme se vê das fotos.

Nesse ínterim, fiz foto do belíssimo furriel (Caryothraustes canadensis). Ave que eu queria ter visto mais de perto, mas bicho de copa é fogo, ainda mais quando a copa é bem alta…eh eh eh … Ele não baixou do alto das copas de jeito nenhum, mas seu tom de amarelo se destacava na vegetação e consegui um boa focagem, podendo cropar bem posteriormente. Ainda deu para curtir a passagem-relâmpago do Pica-pau-anão-de-pintas-amarelas (Picumnus exilis). Ele nem deu uma chance de foto melhor…foram dois cliques meia boca, e o bicho sumiu… pena, pois é tão fofinho…

Em contrapartida, o calmo macuru-de-barriga-castanha (Notharchus swainsoni) passou um tempão se deixando fotografar. Tem a barriga bem mais clarinha do que os três que já avistei até hoje no Estado de São Paulo (Ribeirão Grande, Itanhaém e Teodoro Sampaio). Alguns passarinhos são tão temperamentais, outros não, ainda bem … rs rs rs

O ponto alto dessa manhã foi o encantador Tangará-rajado (Machaeropterus regulus). Suas listras no peito e barriga parecem um bordado em alto relevo, o que torna ele muito especial. É muito lindo. Ele deu um verdadeiro show para a gente. Fez todas as poses possíveis. O lugar era escuro e tive que colocar o ISO lá nas alturas…mesmo assim, adorei o espetáculo…

Andando mais um pouco vimos um bando de Jandaia-de-testa-vermelha (Aratinga auricapillus). São lindas de morrer, mas estavam um pouco distantes das nossas lentes, pena mesmo, ainda assim foi um grande momento. A atenção das Jandaias foi roubada por um bando de Saíra-pérola (Tangara cyanomelas). Como a maioria das saíras, ela tem cores de deixar qualquer um de queixo caído. O primeiro colar de pérola, mulher nenhuma esquece e o mesmo se aplica à Saíra-pérola, a primeira é inesquecível…o mais legal é que foi o primeiro registro no Wikiaves para Camacan.

Outra ave que eu queria muito ter visto mais de perto foi a tiriba-de-orelha-branca (Pyrrhura leucotis), só que não … o bando tomava banho uma bromélia bem no alto de uma árvore. O Ciro explicou que é muito difícil elas descerem, fazer o quê, né? “Só tem tu, vai tu mesmo!” rs rs rs

Observar os dois araçaris-de-bico-branco (Pteroglossus aracari) foi muito legal. Eles tomaram um carreirão dos bem-te-vis, o que foi muito engraçado. Pena que não deu pra registrar esse momento. Foi um belo espetáculo.

Paramos para almoçar e comemorar os lifers do dia.

Continuamos o nosso caminho por mais uns 200 km até a região de Porto Seguro. Chegamos por volta de 16 horas na Reserva Veracel, onde ficamos alojados. A Reserva fica na vizinha cidade de Santa Cruz Cabrália.

 

Reserva Veracel – Porto Seguro/BA – Santa Cruz Cabrália/BA
10/10/2014 (sexta-feira) – Porto Seguro/BA – Santa Cruz Cabrália/BA

A RPPN Estação Veracel é uma área de 6.069 hectares de mata nativa localizada entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. Localizada no bioma Mata Atlântica, a aproximadamente 15 quilômetros do centro histórico de Porto Seguro. Está inserida no Corredor Central da Mata Atlântica, o que aumenta ainda mais a importância dessa área de proteção.

Reconhecida pelo IBAMA como Reserva Particular do Patrimônio Natural, a Estação Veracel obteve ainda o reconhecimento da UNESCO, como uma das Reservas de Mata Atlântica inscritas como Sítio do Patrimônio Mundial Natural. Confirmando desta forma, seu valor universal e excepcional de uma área natural que requer proteção para benefício de toda a humanidade. Desde 1992, a empresa Veracel Celulose S.A tem viabilizado vários estudos sobre a fauna e flora na RPPN Estação Veracel, os quais são realizados em parcerias com universidades, centros de pesquisa e organizações não-governamentais.

Logo que nos instalamos saímos pela estrada para fazer reconhecimento e tentar ver alguma coisa. Pude melhorar o registro de duas espécies: urubuzinho (Chelidoptera tenebrosa) e rabo-branco-rubro (Phaethornis ruber). Adorei fazer a foto desse último tão miúdo e delicadinho.

Em seguida fiz dois lifers, embora eu preferisse clicar os machos, encontramos duas fêmeas bem tranqüilas que foi muito legal: o anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea) e cabeça-branca (Dixiphia pipra).

 

11/10/2014 (sábado) – Santa Cruz Cabrália/BA – Porto Seguro/BA
Passamos o dia inteiro passarinhando na Reserva Veracel. A floresta ao redor é muito bela, as árvores são muito altas, há muito umidade e é uma profusão de cores e vida.

Saímos logo cedo e já na beira da estrada, a primeira algazarra do dia: chauá (Amazona rhodocorytha). Como todos os psitacídeos, são aves barulhentas, que andam em bandos e parecem estar sempre alegres, quando em liberdade no seu habitat.

Depois entramos num hot point conhecido do Ciro, e o que encontramos mexeu comigo pelo resto do dia. Era um bando de cabeça-encarnada (Ceratopipra rubrocapilla). Momento que teve sabor especial. Em 2013, quatro avezinhas dessa espécie pululavam na copa de uma árvore muito-muito alta, em Claúdia/MT. Não consegui avistar nenhuma delas e comecei a chorar de frustração. Naquele momento tomei uma grande decisão na minha vida: criar coragem para enfrentar uma cirurgia nos olhos e parar de usar óculos, que atrapalhavam mais do que ajudavam em algumas situações. Um mês depois estava operada.

Esse ano, ao ver a dança que os machos fizeram por vários minutos, podendo tirar mais de 400 fotos deles (sem óculos), eu chorei também, aliás, saí da mata soluçando, mas foi de alegria e emoção. E o Ciro só rindo, feliz, por eu estar feliz também…lembro bem desse momento. Aliás, nunca vou esquecer.

O que veio depois só somou às emoções do dia: cambada-de-chaves (Tangara brasiliensis), choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus), flautim-marrom (Schiffornis turdina), cricrió (Lipaugus vociferans) e chorozinho-de-boné (Herpsilochmus pileatus).

Tivemos ainda outro momento, o mais esperado pela amiga Claudia. Foi quando avistamos um bando de “piruas creamcracker” (apelido que ela deu à espécie), ou seja várias tiribas-grande (Pyrrhura cruentata), ave ameaçada de extinção, maior espécie do gênero Pyrrhura e restrita à zona litorânea, do sul da Bahia ao Rio de Janeiro. Elas pousaram na área na frente do alojamento, e por sorte estávamos lá, momento que se repetiu no dia seguinte pela manhã. Elas realmente são muito especiais.

Só um aparte: conforme vamos acumulando espécies passamos a deixar de lado, achando que é perda de tempo, as espécies que são mais comuns. Eu busco espécies novas, como a maioria dos meus amigos e colegas, mas ainda me encanto com qualquer uma que esteja ao alcance das minhas lentes. Por isso aqui postarei fotos do Suiriri (Tyrannus melancholicus) e do beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura), que saíram bem na foto.

Por fim, gosto de destacar o meu momento florzinha…sempre que os passarinhos demoram a aparecer, minha atenção se volta para o caminho e seus detalhes.

Destaque para o almoço na cidade de Porto Seguro no restaurante Portinha. A comida é muito boa. Você fica com o “bucho” cheio, realmente, não tem como…isso sem falar nas deliciosas sobremesas…rs rs rs
12/10/2014 (domingo) – Santa Cruz Cabrália/BA – Porto Seguro/BA – São Paulo/SP
Nosso último dia! Ao acordar lembrei que havia sonhado que avistaríamos o crejoá (Cotinga maculata) – ave-desejo de todos nós – naquele último dia. Falei isso para o pessoal. Será?
Antes das 5:30, na portaria da Veracel, já tínhamos registrado a colorida e muito bonita maitaca-de-barriga-azul (Pionus reichenowi), pena que não foi de pertinho como gostaríamos.

Eis que, num dia lindo de sol (geralmente o dia de ir embora amanhece com sol eh eh eh) um bando de tiriba-grande (Pyrrhura cruentata) se empoleira nas árvores do alojamento, rendendo fotos maravilhosas.

Após a farra das tiribas, saímos pela “bat-estrada” em busca de quem sabe, o crejoá. E não é que lá pelas tantas o crejoá (Cotinga maculata) apareceu mesmo… foi a realização de um sonho…literalmente. Só não lembro se o sonho era fêmea ou macho…eh eh eh porque nós só vimos a “D. Crejoana”, de acordo com a Cláudia, a mulher do Crejoá. Do macho nem sinal. Foi como ganhar na loteria mas não ficar milionário… (brincadeirinha). Foi bem legal apesar da distância que ela se encontrava.

Vimos de longe o anambé-de-asa-branca (Xipholena atropurpurea) macho, bicho muito lindo…pena que não deu a mesma chance que a fêmea no primeiro dia, de pousar perto e no baixo.

Depois foi uma sucessão de bichinhos… poiaeiro-de-sobrancelha (Ornithion inerme), saíra-beija-flor (Cyanerpes cyaneus) – somente fêmeas, e, finalmente uma foto decente do beija-flor-safira (Hylocharis sapphirina).

Fiz mais alguns lifers: choquinha-de-rabo-cintado (Myrmotherula urosticta), caneleiro-bordado (Pachyramphus marginatus) e choquinha-de-flanco-branco (Myrmotherula axillaris), sendo que esse último foi o primeiro registro da espécie no Wikiaves para Santa Cruz Cabrália.

De repente um gavião-ripina (Harpagus bidentatus) passa por nossas cabeças … eu sou péssima para cliques de aves em voo, mas me esforcei para não perder essa de jeito nenhum. Eu ansiava muito por ver essa espécie. O legal é que essa foto também foi o primeiro registro no Wikiaves para Santa Cruz Cabrália.

Já chegando a hora do almoço, entramos numa mata onde o Ciro ouviu o balança-rabo-canela (Glaucis dohrnii). Pimba… festa pra galera. O bichinho só não deu mais mole porque era um só…foi uma felicidade enorme.

Na volta para o alojamento vimos uma preguiça atravessando a estrada. Era uma preguiça-comum (Bradypus variegatus). Muito fofa, dá vontade de pegar no colo.

Ainda tentei, ao redor do alojamento, encontrar o beija-flor-de-garganta-azul (Chlorostilbon notatus), mas ficou para outra oportunidade. Despedindo da Veracel e agradecendo o apoio e dicas do Jailson Santos, funcionário da Reserva. Valeu Jailson.

Logo depois do almoço recebemos uma visita ilustre, nada mais nada menos do que a Cristine Prates, namorada do nosso guia Ciro Albano, foi uma passagem relâmpago, onde ela nos acompanhou no final da tarde por alguns lugares ao redor do alojamento.

E para fechar a tarde, parece que foi o dia das “muiés”, como diz, o Ciro, “uma” cabeça-branca (Dixiphia pipra) me deixou chegar bem pertinho dela. Foto abaixo redimensionada, sem crop.

Finalmente chegamos ao final da nossa viagem … parece muito, mas passa muito rápido. Você planeja um ano antes e quando vê já foi. Já estou vendo com o Ciro a possibilidade de fazer outros Estados do Nordeste em 2015.

Foi uma viagem onde correu tudo tranquilo, as estradas são boas, os hotéis/pousadas que ficamos sempre fizeram a gente desejar ficar mais tempo. A alimentação foi sempre de boa qualidade.

Da minha parte nada posso reclamar, pois saí de casa com 781 espécies fotografadas e voltei com 877. Foram 96 lifers. Sem contar a melhoria das fotos de muitos registros. E, além disso, adicionei mais 4 bandeirinhas para o meu colete.

Mas não pense que é fácil, pois a maioria das aves não estão pousadas no limpo, em lugares fáceis e paradinhas. Muitas vezes estão em lugares de difícil acesso, embrenhadas na mata escura, cheia de cipós e milhares de galhinhos na frente ou ainda, muito no alto ou muito distantes. Algumas nem dão o ar da graça. A gente enfrenta sol, chuva, calor, frio, fome, dorme pouco, anda muito, sente muito cansaço, dor nos joelhos, nos ombros, nas costas, deixa a família em casa, e mesmo assim ainda é muito divertido. É muito compensador, sempre é. E por isso que eu adoro passarinhar e valorizo cada registro que faço.

E sempre que vejo uma foto bonita de um amigo eu valorizo, pois conheço todas as dificuldades que envolvem um dia no mato passarinhando.

Demorei mais de uma semana só para organizar essa postagem dividida em 10 partes (no Virtude, agrupado em 4 posts). Se você chegou até aqui é porque ficou agradável e interessante. Então aproveite e deixe o seu comentário. Vou ficar muito contente e orgulhosa de saber que você visitou o meu bloguinho.

 

 

 

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