No mês de outubro fizemos uma investida no litoral norte da Bahia, especificamente no município de Mata de São João na Praia do Forte. Com certeza não é um local intacto, mas tem vários locais atrativos para avistagens de aves. A especulação imobiliária talvez destrua grande parte do bioma existente nos próximos anos.

lago timeantube_Gilberto_Muller

 

  • Texto e fotos: Gilberto Müller
  • Câmera: Canon PowerShot SX50 HS

Por que vale a pena: O litoral da Bahia tem uma grande extensão e oferece diversos locais muito preservados, alguns pela ausência da especulação imobiliária, outros porque os ambientalistas já delimitaram o tamanho da destruição que será permitida.

No mês de outubro fizemos uma investida no litoral norte da Bahia, especificamente no município de Mata de São João na Praia do Forte. Com certeza não é um local intacto, mas tem vários locais atrativos para avistagens de aves. A especulação imobiliária talvez destrua grande parte do bioma existente nos próximos anos.

Fui acompanhado nesta viagem por minha esposa Jurema, e também pelo colega do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre, (http://www.coapoa.org/), Osmar Sehn.

Destaques: Entre as espécies foco de nossa viagem, estava o surucuá-de-barriga-vermelha  (que é muito semelhante ao nosso surucuá-variado), e o rapazinho-dos-velhos que não existem na região sul. Diversas outras espécies endêmicas também foram procuradas, procurando aumentar a lista de espécies registradas.

Nível de dificuldade: São locais de dificuldades variáveis, tendo zonas de fácil e rica avistagem, assim como locais mais difíceis, com aves mais raras. Eu diria que atende a diversos objetivos e públicos, dependendo do local a ser visitado.

Infraestrutura do local: A infraestrutura é ótima, com diversos hotéis, pousadas, restaurantes, agência de turismo de aventura, praia, etc. A cidade é pequena, não precisa de automóvel para circulação interna. As estradas são boas, e não há necessidade de veículos especiais para alcançar os locais alvo. As distâncias são todas pequenas.

Segurança: Não foram observadas situações de risco, o local parece ser extremamente seguro, dentro da nossa realidade.

Oportunidades fotográficas: A Praia do Forte tem diversas oportunidades para fotografar, diversos biomas com suas peculiaridades, trazendo desafios para todos os observadores. Há espécies e locais muito interessantes, como o rapazinho-dos-velhos, que foi encontrado em todas as passagens que fizemos pela Estrada do Castelo, tornando-se quase que um ícone do local. Sempre avistado nos fios da cerca, ou até mesmo nos moirões da mesma. Permite a aproximação de carro até poucos metros de distância, parecendo não se incomodar com a presença dos humanos. Damos para este destino a classificação de MUITO BOM.

Onde fotografar:  Nosso foco principal foi na Praia do Forte, onde destacamos alguns locais para avistagens em ordem de crescimento da dificuldade:

1)                      Estrada do Castelo Garcia Dávila (5km do hostel)

2)                      Parque Klaus Peters. (500m do hostel)

3)                      Reserva Sapiranga (10km do hostel)

4)                      Passeio de caiaque pelo lago Timeantube (100m do hostel)

A Estrada do Castelo, permite avistagens até de dentro do veículo, com diversos pássaros que vêm até a cerca limite da estrada, com boa iluminação e deslocamentos rápidos e eficientes. Da estrada do Castelo, em direção à reserva, tem um banhado em frente ao Camping da Sapiranga – excelente local com diversas espécies.

O parque municipal Klaus Peters, ainda novo ( havia sido inaugurado há um mês), tem uma trilha pavimentada para pedestres e bicicletas, com uma extensão de 3km, saindo do ponto de ônibus da praia. Mata de restinga na maior parte, além de banhados. Da trilha, pode-se realizar incursões na restinga, na busca das aves. É de boa iluminação, mas o melhor trecho é o final da trilha, após a segunda ponte, de acesso mais demorado. Como foi implantada essa trilha pavimentada, as aves ainda devem estar um pouco retraídas, com tendência a melhorar nos próximos meses.

A reserva Sapiranga, com Mata Atlântica fechada, e com diversas trilhas, é o local mais difícil, pois a iluminação em geral é mais escassa, dificultando a localização e fotos. Também, por possuir aclives e declives, e trilhas diversas entrelaçadas, é mais cansativa do que os dois primeiros locais. Dentro da reserva existe também uma torre para observação, com 15 metros de altura.

O passeio de caiaque, que exige um pouco de esforço do participante, tem acesso a diversos locais próximos ao Parque Klaus Peters, mas pelo lado da água. A observação e fotos exigem o autor estar fixo, o que num caiaque é um tanto difícil. Mas proporciona também avistagens originais.

Existem outros locais como a margem do lago pela estrada, beira da praia, etc e que também podem ser explorados com bons resultados.

Como chegar: Saindo de Porto Alegre, pegamos um voo com escala em São Paulo, e daí direto a Salvador. Em Salvador alugamos um carro, e fomos direto para Mata de São João, a uns 50km de distância.

Guia: No planejamento da viagem, foram convidados observadores da região atuando como guias, com o conhecimento dos locais mais favoráveis. Fomos acompanhados gentilmente em um dos dias pelos colaboradores do wikiaves Rafael Cerqueira e Lucas Garboggini, profundos conhecedores do bioma da região. Em outro dia fomos acompanhados por um guia mateiro na reserva Sapiranga, que nos mostrou diversos ninhos e locais onde o mesmo sabe da existência das aves. Esse guia, nos foi indicado pela agência Portomar, e seu nome é Paulo Jorge. Ele mora no limite da reserva.

Logística: Ficamos no hostel Praia do Forte (http://www.albergue.com.br/), e fomos também atendidos pela agência Portomar (http://www.portomar.com.br/), que fica ao lado do hostel. O hostel é muito bom, com preços acessíveis, bem localizado e com pessoal acostumado a atender hóspedes com atividades diferenciadas. Para não gerar dificuldades no hostel, saíamos para passarinhar as 5 horas da manhã, retornando as 9 para o café da manhã no hostel. Outras atividades de observação reiniciávamos mais para o final da tarde. Importante destacar que às 18 horas já é noite no local. Essa rotina foi repetida durante 7 dias seguidos, variando os locais a cada dia e horário, com vistas a obtenção do maior número de registros.

A agência nos proporcionou o passeio de caiaque pelo lago, além de um guia mateiro, conhecedor profundo da reserva Sapiranga.

Quando ir: O mês de outubro com certeza não é o mês mais rico em aves na região, constatado pelos colegas de Salvador, e que frequentam bastante o local. Apesar de várias espécies estarem em época de reprodução, as florações ainda eram poucas, assim como a quantidade de frutas. Em dezembro e janeiro deve haver mais movimentação, em função dos recursos vegetais mais abundantes.

Algumas espécies registradas por local de observação:

Estrada do Castelo: curica, mergulhão-pequeno, andorinha-serradora, guaracava-de-barriga-amarela, saíra-de-chapéu-preto, rapazinho-dos-velhos, acauã, caburé, carrapateiro, pipira-preta, balança-rabo-de-chapéu-preto, choro-boi, beija-flor-tesoura.

Parque municipal Klaus Peters: beija-flor-vermelho, papa-formiga-pardo, saí-azul, bico-chato-de-orelha-preta, periquito-rei, fogo-apagou

Reserva Sapiranga: choca-do-planalto, tié-sangue, tangará-falso, bico-chato-amarelo, surucuá-de-barriga-vermelha, rendeira, pica-pau-anão-pintado, jandaia-de-testa-vermelha

Lago Timeantube: arapaçu-de-bico-branco, japacanim, freirinha, andorinha-do-rio.

 

Nordeste


 

Mata Atlântica (+)