Vale a pena visitar a região, o potencial é muito bom, as reservas apresentam um bom índice de conservação, e uma bela fauna para ser apreciada. Algumas espécies endêmicas, e em processo de vulnerabilidade.

Saí-andorinha (F) e cardeal-do-nordeste (M)

Saí-andorinha (F) e cardeal-do-nordeste (M)

 

  • Texto e fotos: Gilberto Müller
  • Câmera: Canon Powershot SX50 HS

 

Resumo da viagem para Porto Seguro – BA

Participantes: Eu e minha esposa Jurema.

Logística: Voo de Porto Alegre até Porto Seguro. Aluguel de um carro comum (Pálio) com ar-condicionado, e base de hospedagem na Pousada Aldeia Portuguesa, em Coroa Vermelha.

Período: 12 a 25 de maio de 2013.

Tipo de viagem : de férias com algumas passarinhadas.

Locais visitados e quantidade de espécies: Para passarinhar, escolhemos como objetivo principal na região, baseado na informação de preservação da área, a Veracel, reserva particular com Mata Atlântica preservada.

Também visitamos o Monte Pascoal, conhecido dos livros de História do Brasil.

Na Pousada em que ficamos hospedados, assim como na praia, também fizemos ótimos registros.

Das 264 espécies que eu tinha registradas com foto no Wikiaves, cheguei a 282.

Nível de dificuldade: médio. Na Veracel as avistagens foram realizadas com deslocamentos por veículo normal, em estradas de terra, sem entrar em trilhas mais fechadas. A temperatura estava agradável, raramente com um pouco de chuva. Como não entrei em trilhas fechadas, a luz era boa para a fotografia.

Numa das caminhadas na estrada, fui surpreendido por uma jararaca, já com o bote armado. Recuei e ela se retirou de volta para a mata.

Havia trechos de estrada não transitáveis para o veículo Pálio devido às chuvas da estação, o que limitou um pouco os deslocamentos. Saindo da Coroa Vermelha, são 15km até a cidade de Porto Seguro, e mais quinze até a entrada da Veracel.

O Monte Pascoal fica a mais de 200km da sede de Porto Seguro, o que dificulta a chegada num horário matutino assim como a permanência, a menos que o observador se sujeite a dormir numa aldeia indígena. O cacique da aldeia, Oziel, chegou a formular um convite, que agradecemos, até porque não era nossa intenção de permanecer mais tempo naquele local, visto que já estávamos estabelecidos em Coroa Vermelha. Há também a possibilidade de dormir no município de Itamaraju, distante 30km da entrada do parque. A subida até o topo do monte, que não realizamos, é bastante íngreme, dado seus 500 metros de altitude.

Infraestrutura do local : A RPPN da Veracel é cortada por uma estrada municipal de terra e areia em certos trechos, praticamente sem nenhum tráfego, exceção feita aos veículos da própria Veracel e do Ibama que realizam patrulhas no local. Não há pessoas caminhando na estrada, e além do ruído da natureza, somente se escutam os jatos que sobrevoam o local. Não há nenhum ponto de apoio depois da portaria de entrada, portanto é necessário levar mantimentos para a estada. Na chegada, é conveniente fazer um cadastro na Portaria, que inclui uma declaração de isenção de responsabilidades sobre acidentes.

Vizinha de cerca com a entrada da Veracel, está situada a Estação Experimental Ecológica Pau-Brasil (Espab) do IBAMA, com uma reserva de mata primária, porém sem trilhas ou estrada de acesso para a mata. A parte frontal é aberta, e pode ser visitada, no local onde se encontram as sementeiras e mudas.

O Monte Pascoal, zona de conflito entre o ICMBIO e a FUNAI, somente pode ser visitado com o acompanhamento de um indígena, e também não possui nenhum apoio na área interna. Não existe cobrança de ingresso, mas os indígenas cobram uma “tarifa de acompanhamento” de acordo com a sua vontade.

Oportunidades fotográficas: Vários lifers foram obtidos, e conseguimos vários registros em fotos e/ou áudio. Conseguimos registrar algumas aves ameaçadas de extinção, como o anambé-de-asa-branca e a choquinha-de-rabo-cintado. Destaque negativo para o crejoá, que não foi avistado. Também registramos uma preguiça no Monte Pascoal e um furão na Veracel.

Observação de Claudia Komesu, editora da Virtude-AG: Teoricamente há mais chances de ver o crejoá em fevereiro, devido à frutificação de alguma espécie de planta silvestre (uma bolinha amarela) que atrai o crejoá e outras aves. As famosas fotos que o Ciro Albano fez foram em fevereiro de 2010, graças ao Marcelo Barreiros, que foi quem descobriu a fruteira. Tive a oportunidade de ver o crejoá em fevereiro de 2010, mas no final da frutificação, só uma aparição. No Wikiaves há uma foto feita em fevereiro de 2011, e ouvi falar de algumas pessoas que foram para Porto Seguro, em busca do crejoá, em fevereiro de 2012.

Alguns registros de espécies: As seguintes espécies foram registradas nesta viagem:

Na pousada: Beija-flor-tesoura, periquito-rei, saíra-amarela, fogo-apagou, sanhaço-do-coqueiro, tesourão, andorinha serradora, sabiá-laranjeira, balança-rabo-de-bico-torto, furriel, choca-de-sooretama, cambacica, ferreirinho-relógio, elaenia sp, cardeal-do-nordeste, guaracava-de-barriga-amarela, canário-da-terra-verdadeiro, rolinha-roxa, neinei, corruíra, João de barro, sabiá-da-praia,

Na praia: Maçarico-branco, trinta-réis-boreal, corrupião, saí-andorinha, garça-azul, savacu-de-coroa, lavadeira-mascarada, vira-pedras, batuíra-de-bando,

Na Veracel: Surucuá-grande-de-barriga-amarela, alma-de-gato, cabeça-branca, saí-azul, rendeira, anambé-de-asa-branca, saí-azul, surucuá-de-barriga-amarela, choquinha-de-rabo-cintado, chorozinho-de-boné, suiriri, urubuzinho, tiziu, cabeça-avermelhada, urubu-de-cabeça-preta,

No Monte Pascoal: Picapauzinho-avermelhado, cabeça-avermelhada, gavião-de-penacho, anu-preto, tico-tico-do-campo, periquito-rei.

Conclusão: Vale a pena visitar a região, o potencial é muito bom, as reservas apresentam um bom índice de conservação, e uma bela fauna para ser apreciada. Algumas espécies endêmicas, e em processo de vulnerabilidade.

 

 

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