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Parque Nacional de Ilha Grande, no trecho da cidade de Guaíra
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Parque Nacional de Ilha Grande, no trecho da cidade de Guaíra
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anu-coroca
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martim-pescador-grande
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freirinha se livrando de um alien
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martim-pescador-verde
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gavião-belo
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fura-barreira, jovem. Valeu, Wagner Nogueira
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andorinha-do-rio
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anhuma. O Reginaldo foi o primeiro a ver
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tesourinha

 

  • Texto e fotos: Claudia Komesu, com Nikon D800, Sigma 50-500 OI, Olympus TG3
  • Continuação da viagem pra Puerto Iguazu com o Cristian Andrei, feita em janeiro de 2015

Dia 20, terça. De Puerto Iguazu a Guaíra – PR, 250km, menos de 4h. Um dos trechos mais curtos da viagem. Tínhamos pensado em subir pelo litoral, passando por Blumenau. Mas depois reconhecemos que era estrada demais pra quem queria estar em São Paulo no sábado à tarde, a tempo do Cris jogar o Campeonato Paulista de Poker.

Olhando o mapa, vimos o Parque Nacional de Ilha Grande. Uma das entradas possíveis para o parque, e a mais próxima para nós, era a cidade de Guaíra, local onde ficava a saudosa Sete Quedas. No Wikiaves não havia muitos registros, o Tripadvisor falava bem do parque, ainda que um dos comentários dizia ser muito muvucado, mas resolvemos arriscar.

Ficamos de novo num hotel da rede Deville (também na faixa de R$ 200). O Tripadvisor fala que o hotel do restaurante é um dos melhores da cidade, mas naquela noite havia uma excursão grande, era um buffet meio no final, então pedimos indicação para o hotel e fomos comer no centro. Nada de especial.

O hotel também sabia indicar quem fazia passeios de barco, e assim pegamos o contato do Reginaldo https://pt-br.facebook.com/reginaldo.barcos. O Cris ligou, combinou o passeio, e no dia seguinte ele foi nos pegar no hotel às 7h.

O local de onde saímos com o barco era próximo. Reginaldo tem grande experiência com barcos, e há alguns anos trabalha com turismo. Tem o barco pequeno (para 4 pessoas + piloto), e também um grande, para 70 pessoas, em que costuma levar excursões de escola. Nós éramos o segundo passeio de birdwatching que ele fazia.

O Rio Paraná nesse trecho da cidade de Guaíra é uma visão maravilhosa. Amplo, limpo, margeado por muitas árvores. É o último trecho em que o rio corre livre, antes do represamento.

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Estávamos curtindo o cenário, as nuvens bonitas… logo fizemos uma curva em direção a um trecho do rio que o Reginaldo disse ter mais pássaros, quando vimos o sol subindo, lançando feixes de luz dourada na água, de onde subiam brumas. Eu e o Cris começamos a fotografar o cenário, eu meio desesperada porque olhava pro visor da Nikon e da Olympus e via que elas não conseguiam captar direito o que eu estava vendo. Não bastava ver os feixes dourados: logo nós estávamos no meio de toda aquela bruma dourada, parecia magia. Peguei até o Iphone e fiz um filminho. Ele também não conseguiu captar o dourado, e podem rir do meu dedão perto da lente no lado esquerdo, mas dá pra ter uma vaga ideia de como estava bonito. Um dos amanheceres mais bonitos que eu já vi.

Parque Nacional de Ilha Grande, no trecho da cidade de Guaíra

Parque Nacional de Ilha Grande, no trecho da cidade de Guaíra

O Reginaldo foi muito gentil e atencioso. Ainda não tem experiência em guiar o barco pra fotógrafos, não sabe bem como se aproximar, mas tem boa visão, e o tempo todo tentava achar aves pra gente. Nesse momento havia muitas cantando, e movimentação nas árvores, mas ignoramos tudo, queríamos aproveitar a luz. Para fotografar não foi nada fácil. Visíveis, havia muitos suiriris, bem-te-vis, anus, alguns japacanis. Mas os pequenos de copa, e sem playback, impossível (por que eu não uso playback? Quando estou com um guia não me importo, mas quando estou sozinha ou só com o Cris, confesso que tenho uma atração irresistível pelo acaso).

Além do cenário lindo, topamos com anu-coroca, socó-boi, vários martins-pescadores-grandes, martim-pescador-verde, noivinha, uma família de freirinhas, e um momento que, com o perdão da palavra, mas me parece que o macho estava vomitando algo líquido e transparente – ou então se livrando de uma ameba gigante alienígena. Também vimos um lindo gavião-belo, que voou quando nos aproximamos e apanhou de uma tesourinha e de três suiriris.

Paramos na Ilha São Francisco. Vários sabiás, alguns sanhaçus, uns três embrenhadinhos no bambu, como limpa-folhas, mas que eu não sabia o que eram. Depois mandei a foto pro Wagner Nogueira e ele identificou como fura-barreira jovem. Olhei no Wiki, seria o segundo registro pro Estado do Paraná, o primeiro foi em setembro. Não é uma ave rara, mas é típica de mata ciliar, e a julgar pela quantidade de pernilongos na ilha, acho compreensível ter tão poucos registros.

Na ilha também vimos alguns morcegos pousados, descansando, periquitões-maracanãs, e algum picapauzinho que não consegui identificar.

De volta ao rio, andorinhas-do-rio, e logo o Reginaldo viu uma anhuma pousada no topo de uma embaúba. Um pouco contra a luz, mas deu para registrá-la em voo.

Ainda fiz o favor de esquecer minha carteira no banheiro da lanchonete de uma ilhazinha em que tínhamos parado, e assim tive mais meia hora de passeio de barco em alta velocidade, na hora do almoço. Nos despedimos do Reginaldo, voltamos pro hotel pegar nossas coisas e seguimos para a cidade de Guarapuava. Mais 400 km de estrada.

Chegamos em Guarapuava à noite sob chuva intensa. Chegando na cidade, pelo Tripadvisor o Cris tinha escolhido um hotel no centro, o Küster, uma escolha bem acertada porque o restaurante do hotel é ótimo. Um bom ceviche de entrada, e o melhor capelleti que já comi: muito firme, caldo saboroso, grande. O Cris tinha pedido algo que não lembro o que era, que estava bom, mas o meu prato era melhor. Recentemente li a trilogia da Debora Harkness, The All Souls, e voltei a falar de um dos meus poderes de bruxa: em geral acertar o pedido do cardápio. Um dos meus amigos chegou a falar “o negócio é esperar a Claudia escolher, depois você pede um igual”, o Cris tinha falado que era um poder boboca, depois reconheceu que é um dos mais úteis que se pode ter.

Foi o Cris que reparou nas fotos nas paredes. “Olha que fotos boas”, Olhei, fotos em preto e branco de paisagens da região. Eram bonitas mesmo. E no cardápio havia os créditos: Valdir Cruz, fotógrafo nascido em Guarapuava, com obras no acervo permanente do MASP, Moma, Smithsonian Institute. E foi por causa da foto dele do Salto São Francisco que decidimos ir conhecer o local no dia seguinte.

Como sempre não acordamos em horário passarinheiro. Saímos às 10h. O Salto São Francisco não está no Waze, mas é fácil chegar. Você coloca para Estrada Guairacá, passa em frente ao Jardim Botânico e segue reto. Cairá numa estradinha lateral à rodovia (estava em obras, talvez o trajeto mude daqui a um tempo) e logo cairá numa estrada estreita, que leva ao Salto. Se estiver em dúvida, o aplicativo do Google Maps pra Ipad (imagino que pra celular também) ajuda muito, ele mostra onde você está no mapa.

A estrada é bem bonita. Mata Atlântica que lembra Campos do Jordão, e alguns trechos com um pouco de campos, aquelas flores silvestres lindas, paramos pra ver e fotografar. Chegamos no Salto cerca de 11h30. Várias borboletas na trilha, alguns biólogos fazendo um trabalho que eu sei que é necessário mas que me deixa com uma sensação de agonia: redes de neblina. No fim da trilha, o Salto. Quem me conhece pessoalmente sabe que sou um tipo calado, então imagina o que é preciso pra me fazer soltar um breve grito de surpresa e admiração. Uma queda d´água de 200m (é o equivalente a um prédio de 60 andares), arco-íris no local em que a água se chocava com a terra. Uma lindeza.

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Zoom na parte em que a água cai na terra, e quando bate sol, forma arco-iris

Passamos um bom tempo admirando o cenário. Um dos melhores locais para fotografar a cachoeira é esse do fim da trilha. Você pode seguir beirando a grade, uma outra trilha descendente com várias borboletas, e chegará próximo do ponto do início da queda. Caminhando um pouco mais há um desnível no rio, com algumas rochas, bonito também. E continuando pela trilha você volta para o estacionamento.

Tínhamos pensado em seguir uma estrada de terra em direção a Prudentópolis, mas, como costuma acontecer com a gente, tivemos a marmelada de ouvir um carro falar com o segurança da entrada, reclamar do quanto a estrada de Prudentópolis pro Salto estava ruim. O Cris foi falar com eles, e eles desaconselharam totalmente. “Eu gosto de pegar trilha, mas essa está muito ruim. É melhor vocês voltarem pela estrada asfaltada de onde vieram e depois pegarem a rodovia”.

E assim seguimos em direção a Curitiba, onde passamos a última noite da viagem de 4 mil quilômetros. Ficamos hospedados num hotel do centro também, e fomos jantar num restaurante Madero, um de carnes não só de hambúrgueres. Estava muito bom.

Não foi a viagem que tínhamos imaginado, mas foi excelente para vermos como é possível viajar distâncias muito maiores do que estávamos acostumados, e como é possível se divertir mesmo quando tudo parece desmoronar, ou atolar :)

 

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