Se você ama a natureza, paisagens bonitas, aves lindas e diferentes, gosta de aventuras, ou de conhecer lugares novos, enfim, não importa qual ou quais desses motivos lhe atraia, visitar o Monte Roraima é uma opção imperdível. Ele é um dos muitos tepuis que fazem parte da Gran Sabana, na Venezuela, e fica na fronteira do Estado de Roraima com os países vizinhos Venezuela e Guiana. São formações rochosas muito antigas que se elevam até mais de 2.500 metros de altitude e, visualmente, lembram as formações da Chapada Diamantina, na Bahia.

 

Tive o privilégio de ir ao Monte Roraima por 3 vezes em 2003 e 2004, no tempo em morava na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, numa cidadezinha chamada Pacaraima, com cerca de 8.000 habitantes apenas.

O lugar também é conhecido localmente por BV8 devido ao marco existente na fronteira entre os dois países, por onde corta a BR 174. Neste ponto, além do marco propriamente dito, duas estátuas: uma de D.Pedro I, representante do Brasil, e outra de Simon Bolivar, El libertador, representante da Venezuela. Ao lado de cada estátua, as bandeiras dos países. Estes marcos são enumerados a partir do zero ( BV0 ), que fica na parte mais alta do Monte Roraima, acima dos 2.750 metros de altitude. É uma pirâmide de cimento, de 3 faces, em que cada face está voltada para um país: Venezuela, Guiana e Brasil. A partir de lá, vem os demais marcos, BV1, BV2 e assim por diante.

Pacaraima é, principalmente, o local onde fica um dos nossos mais importantes Pelotões de Fronteira, o 3º PEF. Um pequeno comércio cresceu próximo à rodovia, mas de uma forma geral, há pouco o que se fazer na cidadezinha, que fica a 220 quilômetros de Boa Vista, capital de Roraima. Entretanto, é um excelente lugar pra se passarinhar. O terreno é acidentado e alto (acima dos 1000 metros, em alguns trechos), com muitas pedras, e a vegetação predominante é o lavrado, que lembra o campo limpo do cerrado brasileiro. Nas áreas de encostas e nas margens dos igarapés e das nascentes há formação florestal, que se destaca das áreas de lavrado, assim como as matas de galeria se destacam na paisagem do cerrado. O principal igarapé da cidade é o Miang, que nasce ali mesmo e desce paralelo à fronteira com a Venezuela. Há uma estrada de terra que margeia esse riacho e, ao longo dela, uma densa floresta alta que guarda muitas surpresas para o observador de aves. Entre alguns tesouros, eu destacaria a araponga-da-amazônia (Procnias albus), o pássaro-boi (Perissocephalus tricolor), e o raríssimo jacu-estalo-de-asa-vermelha (Neomorphus rufipennis), que tive o privilégio de ver cara a cara pelo menos uma vez nesta estrada. A região também é rica em Thraupideos, como a saíra-velha, saíra-de-bando, sete-cores-da-amazônia, entre outras, e muitas espécies de beija-flores. São 20 espécies, algumas delas endêmicas da região. O lavrado, embora bem mais pobre em espécies que a mata, também abriga algumas aves interessantes. Eu destacaria o uru-do-campo (Colinus cristatus), o pedro-celouro (Sturnella magna), e o raro papa-moscas-canela (Polystictus pectoralis), uma ave minúscula que está ameaçada de extinção no cerrado brasileiro, e que tem uma subespécie (brevipennis) que ocorre na região dos tepuis.

A partir de Pacaraima, seguindo pela estrada que corta toda a Venezuela de norte a sul, chega-se a Santa Elena de Uairén, primeira cidade venezuelana que encontramos a partir da fronteira, 15 quilômetros à frente.

Santa Elena é parada obrigatória pra quem quer conhecer o Monte Roraima. É lá que compramos mantimentos, trocamos nossos reais por bolívares (a moeda da Venezuela) e contratamos uma das muitas empresas de turismo que nos levam ao Monte Roraima. A moeda venezuelana é bem desvalorizada em relação ao real, de forma que os bens e serviços de lá são, de uma forma geral, mais baratos que no Brasil. Não há como fugir, temos que contatar estas empresas por alguns motivos importantes. Um deles é a estrada que dá acesso ao Monte Roraima. Os quilômetros finais da estrada são terríveis, e só se chega com carro com tração nas quatro rodas. Eu disse “terrível”, que é quando a estrada está seca. Quando chove, piora bastante. Numa das vezes em que fui ao Monte Roraima, uma das pontes foi arrastada pelas chuvas e o nosso veículo atravessou o rio assim mesmo. A água subia pelo capô até o pára-brisa, e a água entrava também pelas portas, alagando o carro por dentro. Eu assistia a tudo quase não acreditando no que via, segurando forte aquele acessório que alguns chamam de PQP. Achava que seríamos arrastados pela correnteza. O motorista, ao contrário, assobiava alguma coisa, aparentando total tranqüilidade, como quem dirige no asfalto a 80 por hora. Após segundos que pareceram uma eternidade, o veículo saiu do outro lado do riacho e continuou como se nada tivesse acontecido. A água saía pelas laterais das portas, mas boa parte ficou empoçada dentro da cabine. O trecho final é uma subida, que você fica pensando se, quem a fez, tinha realmente intenção de que alguém conseguisse subir por ela. Além de íngreme, a subida é lisa e torta, com muitas valas. O carro sobe meio de lado, derrapando, tentando ainda se desviar das valas. Pra quem gosta, um prato cheio! Tem que se tirar o chapéu para os motoristas venezuelanos, quando o assunto é fora-de-estrada. Os carros envolvidos nessas empreitadas também são preparados para isso. A suspensão é levantada e reforçada, e os pneus são enormes. Tudo para conseguir superar as muitas estradas desse tipo que cortam a Gran Sabana.

Outro bom motivo para se utilizar as empresas de lá são os guias. Eles conhecem bem a região, calculam com precisão o tempo que vai levar para percorrer cada trecho conforme o ritmo de cada grupo, sabem o que levar na viagem, e fazem uma boa leitura das condições climáticas, lembrando aqui que o Monte Roraima tem clima próprio, podendo chover, fazer sol, esquentar e esfriar várias vezes por dia. Além dos guias, temos que contratar carregadores. Estes são recrutados entre os índios da etnia pemón, moradores da aldeia de Paraytepui, último lugar até onde os carros chegam. A partir daí, é tudo a pé. Da aldeia de Paraytepui (há quem escreva Paraitepuy) avistamos os majestosos tepuis Monte Roraima (à direita) e o Kukenán (à esquerda). Parecem próximos, mas é pura ilusão de ótica, devido ao tamanho deles. Ainda estão a, pelo menos, dois dias de caminhada até eles. A maior parte da trilha é no meio do lavrado, com alguns pontos de mata ciliar. Existem dois riachos para atravessar no caminho: o Tek e o Kukenán, e ambos são atravessados a pé. Conforme as chuvas, eles podem estar mais ou menos cheios, mas em qualquer situação as pedras são sempre lisas e é preciso cuidado na hora de atravessar. Próximo a cada um desses riachos existem dois acampamentos onde o visitante pode passar a noite. Logo que escurece o acampamento é visitado por cachorros do mato, parecidos com raposas e que lá são chamados de zorros. Dependendo da época, existe um borrachudo bem chato, que morde com força e deixa marcas bem visíveis na pele, além de muita coceira, conhecido lá como pure-pure (não sei se é assim que se escreve mas é assim que se pronuncia). Ataca mais de dia, e é bom levar repelente. Outra coisa recomendável pra se levar é uma manteiga de cacau pra passar nos lábios. Na primeira vez que fui ninguém havia me falado disso e eu voltei com a boca toda rachada. Quando não chove, o ar é muito seco na savana, além de ventar muito e fazer frio à noite. Tudo isso contribui pra rachar a pele.

O primeiro dia de caminhada termina, no máximo, no rio Kukenán. É um trecho basicamente plano, feito de baixo de sol, com poucos momentos acidentados. Já o segundo dia, a partir do acampamento do rio Kukenán, é uma subida, não muito pesada, mas contínua, que deve ser feita num ritmo mais lento que no primeiro dia, para não forçar a musculatura. Você sai da parte mais baixa, a cerca de 1200 metros, e sobe até a base do Monte Roraima, a quase 2000 metros. É bom lembrar que uma aventura dessas pode demorar até 10 dias, dependendo até onde se vá, e tudo a pé, sempre.

À medida que se vai subindo, a vegetação vai mudando, a temperatura diminuindo, e a fauna nos vai apresentando novos moradores. Lá na base do Monte Roraima, local do último acampamento antes da subida final até o topo, é um verdadeiro paraíso para os observadores de aves. Para quem não é da Amazônia, tudo é novidade. Tangara cyanicollis, Syndactyla roraimae, Thamnophilus insignis, Colibri coruscans, Diglossa major, Knipolegus poecilurus, Campylopterus hyperythrus, Mecocerculus leucophrys, Atlapetes personatus, Myioborus castaneocapilla, Turdus olivater, e mais uma lista enorme de maravilhas emplumadas. Eu recomendaria a qualquer um que fosse lá pra fotografar aves que passasse uns dois dias pelo menos circulando nessa altitude, entre 1800 e 2000 metros. Na minha opinião, é a parte mais rica em aves.

Aqui, vai uma recomendação pessoal. Ao se contratar uma empresa pra fazer tal passeio, seria interessante que todo o grupo fosse de observadores de aves. Isso evitaria desentendimentos entre aqueles que querem ficar um dia a mais fotografando no mesmo local, e aqueles que querem subir logo o monte pra ver o mundo lá de cima. Além disso, observadores de aves tem comportamento diferente dos demais quando estão no mato. Usam roupas mais discretas, não fazem barulho, falam baixo, andam devagar, e podem passar um loooongo tempo observando uma moita, à espera que algum passarinho saia de dentro dela. Ter um comportamento assim, no meio de gente que anda colorida e faz muito barulho enquanto se locomove, é certeza de atritos.

Chegando à base do Monte Roraima, no último acampamento antes da subida até o topo, finalmente começa a cair a ficha quanto à noção de onde realmente você está. Olhar pro monte à sua frente, ver um paredão de rocha pura de um quilômetro de altura por sete quilômetros de largura, ver várias cascatas que despencam de suas bordas, algumas com centenas de metros de altura, ver o movimento rápido das nuvens que alteram o clima a todo instante, o vento forte, a temperatura instável, tudo enfim, mostra ao visitante que ele está num lugar único. E esse lugar é absolutamente fantástico, de uma beleza que não dá pra descrever. Nem mesmo a foto mais bem tirada é capaz de dar a sensação que se tem quando se está frente a frente com o Monte Roraima. Numa das viagens que fiz, tinha um turista que me dizia já ter visitado lugares bonitos em todos os continentes, e que ele colocaria o Monte Roraima entre os 5 mais bonitos que ele viu. Acredito nele, mesmo nunca tendo saído da América do Sul. Não há como não ficar um bom tempo simplesmente contemplando a grandiosidade deste local.

A última etapa é a mais difícil. Sair dos 1800 metros da base e chegar até o topo, acima dos 2700 metros. Não precisa ser alpinista, mas é uma subida pesada o tempo todo. O ar começa a ficar rarefeito e prejudica a caminhada, principalmente para aqueles que moram em cidades no nível do mar, desacostumados com altitudes maiores. Devagar e sempre, vamos subindo cada vez mais, caminhando por uma trilha estreita resultante de uma fissura na rocha, o único jeito de se chegar até lá em cima, por terra. A floresta, a partir desse ponto, acaba. Apenas arbustos mais rústicos resistem às condições extremas impostas pelo clima. Mesmo nestas condições, aparecem algumas aves, quase todas elas endêmicas dos tepuis. Por via das dúvidas, deixe o equipamento sempre pronto para alguma “emergência”.

Depois de várias horas subindo, chega-se ao topo. A primeira sensação é que você acabou de desembarcar em outro planeta. Tudo é estranho: as plantas, os pequenos animais, o formato das pedras. Logo de cara, chamou-me a atenção uma espécie de sapo (gênero Oreophrynella), comum lá em cima e endêmico do monte. Ele é todo preto, muito pequeno, e não pula como os demais. Apenas anda, bem devagar. Tem-se que tomar cuidado quando caminhar lá em cima pra não pisar nestas criaturinhas. Existem muitas plantas carnívoras, resultado dos poucos nutrientes em disponibilidade no solo. As plantas conseguem seu alimento a partir dos insetos, e não da terra. Muitas bromélias e orquídeas, também. Uma espécie em particular se adaptou a procurar alimento nestas plantas, o fura-flor (Diglossa major). Ave muito bonita e curiosa, com um formato único de bico. Há poucas aves lá em cima, e nenhuma chega a ser comum, à exceção de um tal de tico-tico (Zonotrichia capensis). Pois é, esse mesmo. O nosso velho conhecido, o tico-tico, apesar de não ser a mesma subespécie do sudeste brasileiro, mas uma subespécie endêmica do platô dos tepuis, o Zonotrichia campensis macconnelli. Com alguma atenção, dá pra perceber pequenas diferenças na plumagem das costas e no topete. Ave muitíssimo mansa, como aliás é comum na maioria das aves das grandes altitudes. Quem já visitou o pico de Itatiaia sabe o que eu estou falando. Além destas aves, podemos encontrar lá em cima a corruíra-do-tepui (Troglodytes rufulus), a guaracava-do-tepui (Elaenia dayi) uma baita de uma guaracava, do tamanho de um bentevi, a patativa-da-amazônia (Catamenia homochroa) e duas aves noturnas curiosíssimas, o bacurau-do-tepui (Hydropsalis whitelyi), e o guácharo (Steatornis caripensis). O bacurau fica dormindo sobre as pedras negras lá do topo, durante o dia, valendo-se do mimetismo da sua plumagem anegrada com pintas brancas e beges. O guácharo é uma ave noturna que se alimenta de frutas. Como lá em cima não tem nenhuma fruta, ele tem que descer toda noite pra comer lá em baixo, e depois sobe novamente pra dormir nas muitas cavernas que existem por lá. Quando eles começam suas atividades, no início da noite, costumam circular em bando, antes de descer. A maior parte do platô do Monte Roraima é pedra pura, e nas partes mais protegidas do vento, onde se acumula alguma areia ou terra, encontramos pequenos arbustos, com muitas bromélias, onde ocorre a maior parte das aves de lá. A principal concentração vegetal é encontrada no lado da Guiana, no extremo oposto ao lado por onde se sobe até o topo, cerca de 10 Km na direção nordeste. Lá, podemos ver uma espécie única, o anambé-de-whitely (Pipreola whitely), ave que até bem pouco tempo não tinha registro pro Brasil. No caminho encontramos várias nascentes, e um absolutamente fantástico lugar chamado Vale dos Cristais, onde você anda centenas de metros cercado de cristais por todos os lados. Ainda tem o poço sem fim, as várias cavernas (que os venezuelanos chamam de “hotéis”, já que são usados como acampamento dos visitantes). E pedras, muitas pedras, com os formatos mais estranhos, que chegamos a duvidar que sejam obras feitas pela erosão, apenas.

Há poucos mamíferos por lá, a maioria de pequenos roedores peludos e noturnos. Mas há um animal lá, bastante intrigante. Eu o vi apenas uma vez, de longe, e não consegui nenhum registro fotográfico. Mas imagino ser algum tipo de quati. Peludo, rabo ereto pra cima, andava da mesma forma que um quati comum, mas a coloração geral era bege clara, com as pontas da cauda e das patas escuras. Essa descrição corresponde apenas ao que eu vi, de relance, e de longe. Pode ser que nem seja um quati, apenas foi essa a sensação que tive quando o avistei. Em conversa com os guias locais, não houve uma unanimidade com relação a que animal era, mas todos confirmaram a existência de um mamífero de maior porte. Deve ser mesmo, até porque uma das cavernas chama-se “hotel Coati”. Dada a pouca disponibilidade de comida por lá, não pode ser um animal com dieta exclusiva, mas um bicho versátil que coma qualquer coisa que encontre pela frente.

Uma sensação incrível que é possível ter lá em cima é a de sentar na beira do platô, de frente para o planalto, mais de 1000 metros abaixo. Vi uma cena que me emocionou muito. Um índio Pemón sentou-se à beira do precipício e ficou lá por vários minutos, de olhos fechados, como que agradecendo e reverenciando a montanha. Para eles, Roraima significa A Mãe de Todas as Águas, e é um lugar sagrado, onde comportamentos como gritos e bagunças são considerados desrespeitosos para a divindade que habita o lugar. É bom saber disso antes de visitar o local, para se evitar desentendimentos com os índios, guardiões históricos do local.

Visualmente, o lado brasileiro é o mais bonito. Lá de cima, olhando pra baixo, vê-se o Roraiminha, o único tepui totalmente dentro do território brasileiro, e a imensa terra indígena Raposa-Serra do Sol, quase toda coberta por uma floresta compacta, ao contrário do lado venezuelano, formado basicamente por lavrado. Do outro lado, vê-se o Monte Kukenán, quase tão alto, grande e bonito quanto o Roraima. Entre os dois, uma floresta coberta por nuvens 99% do tempo. O visual selvagem e misterioso desse trecho fatalmente nos leva a imaginar as espécies que habitam esse ambiente único.

Algumas recomendações importantes para quem resolver se aventurar no Monte Roraima são:

1. Leve agasalhos. A temperatura cai bastante e muito rápido, principalmente quando escurece.

2. Tenha sempre na mochila roupas quentes e secas, pra usar pra dormir. É provável que você só terá roupas úmidas para usar durante o dia, e vai precisar ter algo seco para dormir à noite.

3. Tenha no bolso alguma coisa energética como castanha ou amendoim. O consumo de calorias lá em cima é alto.

4. Leve manteiga de cacau ou algo similar pra passar na boca. O frio e o vento costumam rachar os lábios do visitante que não está acostumado com o clima local.

5. Leve repelente e cuidado com os pure-pures.

6. Importante, tenha um recipiente impermeável para manter o equipamento fotográfico seco. A umidade é alta lá em cima, ao contrário do lavrado, e pode começar a chover a qualquer momento, sem aviso prévio.

7. Se você é meio gordinho, leva vida sedentária, já passou dos 35 anos, ou um pouco de cada coisa, é recomendável passar na academia um mês antes, e malhar bastante, principalmente exercícios que fortaleçam as pernas, a parte do corpo mais exigida nessa aventura.

8. Dentre o vestuário, dê atenção especial aos sapatos. Use algo que te dê conforto e segurança ao mesmo tempo. Uma torção ou uma bolha d’água podem acabar com a aventura muito antes da metade.

9. Como já disse, a umidade é alta e pode chover a qualquer momento. Portanto, calças e camisas feitas de material que seca rápido é muito útil naquele lugar. Para quem tem pele sensível, chapéus e protetores solares também são úteis. O vento “engana” a gente, dando a sensação de frio e mascarando os raios de sol que queimam do mesmo jeito que na praia.

10. Se houver disponibilidade financeira, contrate um carregador extra (lá mesmo na vila de Paraytepui) para levar suas coisas pessoais, de forma que você fique com os braços totalmente livres para observar tudo e fotografar rapidamente o que encontrar pela frente. Carregue apenas o equipamento fotográfico e o binóculo.

 

Como já fui lá antes, acho que posso e devo dar palpite aos amigos sobre algumas coisas. O equipamento fotográfico, por exemplo. Sei que muitos ralaram bastante pra comprar uma lente porreta, de 400, 500 ou até 600mm, sempre em busca de registros de melhor qualidade.

Entretanto, lá no Roraima, depois de quase 10 dias a pé, subindo e descendo pelas trilhas de pedra, uma lente de 500mm ou mais vai estar pesando meia tonelada. Imagino o sacrifício físico imposto a quem quiser subir com algo desse tamanho. Portanto, se conselho vale alguma coisa, eu aconselho a levar algo de, no máximo, 400mm. Leve um bom flash, para fotografar as aves noturnas. E leve também uma lente pequena, tipo uma 28-50mm. Vocês ficarão diante de coisas imensas (pedras, vales, cachoeiras) e vão querer fotografar tudo isso. Nesse caso, as lentes acima de 300mm não terão utilidade alguma.

Ah, mais uma recomendação importante, a 11ª.

Lembre-se que você estará num local totalmente sem recursos, sem luz elétrica, sem sinal de celular, e não poderá pedir ajuda a ninguém de fora, não poderá descarregar as imagens que fizer, nem poderá recarregar a bateria da máquina fotográfica. Portanto, leve algumas baterias de reserva, leve muitos cartões ( com muitos GIGAS disponíveis ) e, dependendo da quantidade delas, seja econômico quando estiver revendo as fotos que fez, já que isso gasta energia das baterias.

A descida do Monte Roraima é mais tranqüila, mais rápida e exige menos esforço de uma forma geral mas, por outro lado, força mais os joelhos, que vão recebendo o impacto das pancadas nos milhares de degraus abaixo. É bom lembrar que, na volta, estamos mais cansados, debilitados, e alguns quilos mais magros (no meu caso, foram 4 quilos). Mas estaremos carregados de imagens belíssimas, tanto as gravadas no nosso equipamento quanto aquelas gravadas na nossa mente, e com a certeza de termos visitado um lugar único, que está entre os mais bonitos do mundo.