Paisagem - Lençois - BA 022 - 05.10.14_2
Beleza de árvore no quintal da Pousada
Paisagem - Lençois - BA 030 - 05.10.14_2
O encanto histórico de Lençóis
Paisagem - Lençois - BA 031 - 05.10.14_2
Lençóis e suas estreitas e coloridas ruas
Paisagem - Lençois - BA 005 - 05.10.14_2
Flores...uma mais linda que a outra
Paisagem - Lençois - BA 012 - 05.10.14_2
. sempre surge uma florzinha diferente ...
!WP_20141005_008 - Cópia_2
O Morro do Pai Inácio, um dos atrativos do Parque
!WP_20141005_025 - Cópia_2
Olha a cara de feliz do Ciro depois que o "Augastes" apareceu
bem-te-vi - Lençois - BA 036 - 05.10.14_2
Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus)
Cardeal-do-nordeste - Lençois - BA 035 - 05.10.14_2
Cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana)
Vira-bosta (Molothrus bonariensis)
Vira-bosta (Molothrus bonariensis)
Tico-tico-do-sao-francisco (Arremon franciscanus)_2
Tico-tico-do-são-francisco (Arremon franciscanus)
!WP_20141007_003 - Cópia_2
Lajedo dos Beija-Flores
!WP_20141007_040 - Cópia_2
Lajedo dos Beija-Flores
paisagem - Boa Nova 011 - 07.10.14
Two-barred Flasher (Astraptes fulgerator)
Olho-falso (Hemitriccus diops)
Olho-falso (Hemitriccus diops)
Silvia Linhares - Caatinga 006 - 07.10.14
Marianinha-amarela (Capsiempis flaveola)
Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius) - Boa Nova 012 - 07.10.14
Arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius)

 

Chapada Diamantina – Lençóis/BA

05/10/2014 (domingo) – Lençóis/BA

Em Lençóis ficamos hospedado na Pousada Casa da Geléia – os donos, Zé Carlos e Lia, pessoas super simpáticas, são amantes das aves e mantém comedouros e muitas plantas atrativas no quintal da pousada. Dá para ficar o dia todo fotografando só ao redor da piscina, sob as árvores e até da janela do refeitório. Mais uma vez deu vontade de ficar pelo menos uma semana no local. Sem contar que a cidade é encantadora. E o que dizer da Chapada Diamantina então…afff …se prepara…

A Chapada Diamantina é uma região de serras, protegida pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, situada no centro do Estado da Bahia, onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas. A vegetação é exuberante, composta de espécies da caatinga semi-árida e da flora serrana, com destaque para as bromélias, orquídeas e sempre-vivas.

O Parque foi criado em 1985 através de Decreto Federal, com uma área de 152.000 ha distribuídos pelos municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

Levantamos cedo e fomos atrás da estrela do dia: o beija-flor-de-gravata-vermelha (Augastes lumachella). Um pouco antes uma fofurinha colorida nos deixou deslumbrados: a saíra-douradinha (Tangara cyanoventris).

Depois foi a vez do rabo-mole-da-serra (Embernagra longicauda). Este canta e encanta todo mundo com sua beleza. Pensa numa ave simpática, é ele. Conseguimos ainda fazer foto da guaracava-de-topete-uniforme (Elaenia cristata), lifer há muito desejado por mim, sem sucesso.

Aí chegou a vez do beija-flor-de-gravata-vermelha (Augastes lumachella). O Ciro tá que procura ele. Às vezes, um foguetinho passava pela gente e sumia. Era ele. O Ciro até amarrou um poleiro com o meu “paninho” de enrolar no pescoço (é echarpe, viu Ciro? kkkkk) para ver se ele pousava. Deu trabalho no início, mas depois um macho, muito lindo, deu um show para nossos olhos e foi uma festança ornito-fotográfica.

E ainda tivemos os extras, pois o local é muito rico em aves. Clicamos o papa-formiga-do-sincorá (Formicivora grantsaui); patativa (Sporophila plumbea); choca-de-asa-vermelha (Thamnophilus torquatus) e papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris), todos lifers para mim.

Retornamos à pousada perto de 11:00h. O que nos aguardava? Um dos bichos mais lindos desse país: o corrupião (Icterus jamacaii). Lindo, imponente, maravilhoso. Que presença! Eu já vinha tentando uma foto bacana dele desde o Piauí, mas só tinha conseguido alguma coisinha de longe. Essa foi para ganhar o dia junto com o Augastes lumachella.

Sentados, tomando uma geladinha, mais um brinde – uma nova espécie: asa-de-telha-pálido (Agelaioides fringillarius), e de bônus bandos de cardeal-do-nordeste (Paroaria dominicana), garibaldi (Chrysomus ruficapillus), rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei), vira-bosta (Molothrus bonariensis) azulado como eu nunca tinha visto e um um casaca-de-couro (Pseudoseisura cristata) se destacando como ninguém. E até um belo bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) se apresentou fazendo pose lindamente, para chamar a atenção das nossas lentes.)

O Ciro foi ao aeroporto apanhar o nosso quarto integrante do grupo, o Fernando Farias, que estava vindo de Florianópolis/SC. Logo em seguida nos levou a um outro lugar onde pude fazer mais dois lifers: guaracava-cinzenta (Myiopagis caniceps) e o lindo tangará-falso (Chiroxiphia pareola). Esse último de falso não tem nada, é verdadeiramente lindo como o seu parente o tangará (Chiroxiphia caudata).

Enfim, para encerrar a noite uma comidinha no belo centro da cidade sob um céu esplendoroso.

 

06/10/2014 (segunda-feira) – Palmeiras/BA para Boa Nova/BA

A previsão era passarinhar em Boa Nova no final da tarde. Porém, nossa passarinhada pela Chapada Diamantina, desta vez na cidade de Palmeiras, demorou mais do que prevíamos, mas foi por uma boa causa.

Alguns passarinhos muitos especiais roubaram nossa atenção e bastante tempo do nosso caminho. Vou citar alguns, embora nem todos fossem lifers, foi bem bacana encontrá-los: tico-tico-do-são-francisco (Arremon franciscanus), maria-corruíra (Euscarthmus rufomarginatus), campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens) e bandoleta (Cypsnagra hirundinacea).

E depois de ter dado um baile danado, finalmente o Chifre-de-ouro (Heliactin bilophus) deu-nos alguma chance de foto. O danado não parava quieto, embrenhava o tempo todo, cheguei a ficar chateada por causa do momento, mas enfim, fechamos o dia com chave de ouro, digo, com chifre-de-ouro…rs rs rs

De Lençóis para Boa Nova foram quase 400 km, mais de 6 horas de viagem. Lá chegando ficamos hospedados na Pousada dos Pássaros – e ainda deu tempo de ver a lua que estava quase cheia.

 

07/10/2014 (terça-feira) – Boa Nova/BA

Boa Nova foi um dos lugares que mais gostei. Levantamos cedo com o destino já traçado. Iríamos conhecer o PARNA Boa Nova.

O Parque Nacional de Boa Nova tem 12.065 hectares e foi criado em junho de 2010 juntamente com um Refúgio de Vida Silvestre de 15.024 hectares, objetivando proteger uma importante área na transição entre a Caatinga e a Mata Atlântica. Por ser jovem, ainda carece de estrutura. Nele, podemos ir da caatinga mais seca à floresta mais úmida, passando pela mata de cipó, num percurso de apenas 15 km.

A floresta de altitude que fica entre estes dois importantes biomas é chamada localmente mata de cipó e nela vive uma ave rara e endêmica: o gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus).

A cidade de Boa Nova é pequena, limpa, bonita e aconchegante com um agradável clima de altitude. As opções de acomodação são simples. Apesar disso, nos últimos tempos, vem se consagrando como um importante destino do turismo de observação de aves.

Em Boa Nova um lugar extraordinário para visitar é o Lajedo dos Beija-Flores.

Fomos a um local que não recordo o nome, mas foi onde mais rapidamente vi e fotografei um monte de espécies novas, inclusive outros bichinhos com asa.

Começamos com um casal de acrobatas (Acrobatornis fonsecai), logo em seguida o anambezinho (Iodopleura pipra) desviou nossa atenção dos primeiros e deu um show para a gente. Pouco depois “o bruxo” Ciro Albano nos trouxe um rabo-amarelo (Thripophaga macroura), esse difícil de fotografar, pois era muito inquieto e um provável casal de joão-baiano (Synallaxis whitneyi), mais difícil ainda. A foto do joão-baiano serviu só como registro da espécie no Wikiaves. Vou editar esse pedaço, pois achei uma foto até bonitinha do João-baiano, bichinho **Ameaçado de extinção**.

O encanto completo veio com os pequeninos pica-pau-anão-pintado (Picumnus pygmaeus), marianinha-amarela (Capsiempis flaveola), papa-moscas-estrela (Hemitriccus furcatus) e olho-falso (Hemitriccus diops).

Embora muito rapidamente o arapaçu-de-bico-torto (Campylorhamphus falcularius) se prontificou a posar e nos deixar fotografá-lo. Mais um lifer.

Alguns, mesmo não sendo lifer, foi de encher os olhos de tanta formosura, como o beija-flor-de-peito-azul (Amazilia láctea), o diminuto caburé-miudinho (Glaucidium minutissimum) e o tangarazinho (Ilicura militaris), esse eu só tinha a fêmea e pude me esbaldar com a performance do machinho. Até um urubu-de-cabeça-amarela (Cathartes burrovianus) estufou o peito e nos deu uma encarada, tipo, ” e eu aqui, moçada?” Fiz questão de fotografá-lo.

Mas o melhor ainda estava por vir. A gente foi para o famoso lajedo dos beija-flores, que é um jardim divino. Nunca vi um lugar natural tão diferente e prazeroso. Faltou uns banquinhos e um garçom servindo uma geladinha…mas quer mais o que, né? ha ha ha…

E a caminho do lajedo, passamos para ver o não menos belo e encantador gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus), ave ameaçada de extinção. O gravatazeiro é endêmico do Brasil, ocorrendo numa área restrita de transição entre a Mata Atlântica e a Caatinga, sendo esta conhecida em alguns locais como Mata-de-Cipó (devido ao excesso de lianas em seu interior).

E quando chegamos ao lajedo, a espera foi angustiante, mas eis que que uma luzinha vermelha e amarela apareceu e não parou mais de acender – Um momento esfuziante… Olha só a alegria das “crianças”…

Que momento glorioso! Esse eu diria, foi a cerejinha do bolo…com vocês nossa estrelinha de Boa Nova, Mr. beija-flor-vermelho (Chrysolampis mosquitus) …(que rufem os tambores) …

Havia mais espécies de beija-flores como o besourinho-de-bico-vermelho (Chlorostilbon lucidus) e o beija-flor-de-peito-azul (Amazilia láctea). Tão encantadores quanto o C. mosquitus.

E para finalizar um por do sol de tirar o fôlego. Só dava para pensar em sentar no chão, respirar fundo e ficar sentindo suas energias invadirem seu corpo e sua alma. Com a lua cheia aparecendo e o sol indo embora, o céu tingiu-se de azul e rosa, sensação que só dá para explicar estando lá ao vivo.

 

Continuação: http://virtude-ag.com/vg-serra-bonita-e-veracel-ba-parte-44-out14-por-silvia-linhares/

 

 

Mais passeios no Nordeste

 

Mata Atlântica