Viagem com muitos lifers, e um ótimo avistamento e fotos da águia-cinzenta. A Serra da Canastra é um lugar incrível. Não só pelas aves, mas pelo conjunto da obra. Um lugar bonito, de muita paz, com paisagens diversas.

Águia-cinzenta (Urubitinga coronata) Crowned Eagle, uma das fotos que mais gostei de fazer nesses 8 anos fotografando aves.

 

  • Texto e fotos: Jefferson Silva
  • Passeio guiado na Serra da Canastra em abril de 2012. Guia: Geiser Trivelato
  • Relato originalmente publicado em http://bbirds.net/blog/, com adaptação de formato (o relato original tem fotos inseridas no meio do texto) e menos fotos do que no relato original.
  • Câmera: Canon 50D e lente 300 f2.8 com teleconverter

Dia 19 dea bril fui para a Serra da Canastra, um lugar que fazia tempo que queria conhecer. Fui para fotografar, do dia 20 até dia 23. Para me guiar, contratei o habilidoso Geiser Trivelato, um cara muito gente boa.

Saí de Campinas pouco antes das 13h, e passei em Mogi Mirim por volta das 13:15h para encontrar o Geiser, e de lá partimos. Chegamos em São Roque de Minas perto das 18:30h. Essa cidade seria nossa base para os próximos dias. Lá, ficamos no hotel Chapadão da Canastra.

Nosso planejamento foi ficar o primeiro dia na parte baixa da serra, depois o segundo e terceiro dias passar na parte alta, e o último novamente na parte baixa.

 

Dia 20, primeiro dia

Levantamos cedo, e às 5h30 o café já estava servido. Aliás, que café! Excelente.

No primeiro dia passarinhamos pelas redondezas de São Roque de Minas, e depois fomos para a RPPN Cachoeira do Cerradão. Saímos do hotel e fomos em direção ao Parque Nacional da Serra da Canastra. O objetivo era tentar o capacetinho-do-oco-do-pau – Poospiza cinerea, e a choca-de-asa-vermelha, Thamnophilus torquatus, na subida para o parque. No caminho, um joão-de-pau, Phacellodomus rufifrons cantou próximo ao seu ninho. Tentei uma foto dele no ninho, mas ele não desceu durante o tempo que esperei.

Deixamos o joão-de-pau pra trás e um pouco mais pra cima na estrada Geiser tentou a choca-de-asa-vermelha. Ela apareceu, mas em uma área não muito boa para fotografias. Subimos mais um pouco e tentamos o capacetinho, e nada do bicho.

Mas na área dele, uma guaracava-de-topete-uniforme, Elaenia cristata, cantou próximo de nós. Fiz minha primeira foto desse bicho. Mas ainda neste dia ainda faria uma que achei melhor.

Ficamos nessa área mais algum tempo, e na descida vimos uma iraúna-grande, Molothrus oryzivorus. Foi legal ver esse bicho. Só tinha visto uma vez, em 2004 quando fui para a Amazônia.

Continuamos descendo, e do meu lado esquerdo na estrada vi uma jandaia-de-testa-vermelha, Aratinga auricapillus. Estava tranquila sobre um arbusto. Entrei no terreno e comecei a fotografar de longe. Fui me aproximando e tirando uma ou duas fotos a cada passo. Até que consegui chegar bem perto. Aí percebi que eram três, sendo que duas estavam se alimentando no chão.

Após as fotos das Aratingas, continuamos o caminho rumo a RPPN Cachoeira do Cerradão.

No caminho, um belo gavião-caboclo, Heterospizias meridionalis, observava o movimento à sua volta, provavelmente a procura de comida.

Chegamos lá por volta das 9h. Cada visitante tem que pagar uma taxa de R$10,00. Na portaria, um Sr simpático nos recebeu, o Sr Flauzino. Conversamos um pouco sobre bichos, e ele mostrou orgulhoso algumas fotos que fez do urubu-rei.

Antes de descer, o Sr Flauzino colocou quirera no comedouro. Um tico-tico-rei-cinza, Lanio pileatus, veio até a árvore e fiz a foto abaixo. Ele continuou descendo e começou a comer. Além dele, canários-da-terra e também uma fogo-apagou desceram pra comer.

Começamos a descer a trilha que leva até a cachoeira. A trilha tem cerca de 1 km até a cachoeira. Distância curta. Mas que no final mostrou-se bem longa quando se carrega uns 4kg de equipamentos…

No início da trilha ouvimos a maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado, Myiarchus tyrannulus. Estava bem próxima da trilha, e com o playback ela veio e ficou bem perto de nós.

Logo na sequência, na mesma área, uma maria-cavaleira, Myiarchus ferox, vocalizou. Essa nem precisou de playback. Estava ao lado da trilha.

Continuamos nossa descida, e Geiser ouviu uma saíra-de-papo-preto, Hemithraupis guira. Ela estava em uma matinha próxima da trilha, e foi só fazer o playback para ela se aproximar. Eram dois indivíduos. O da foto abaixo parece ser ainda meio jovem.

Mais abaixo na trilha ouvimos o soldadinho, Antilophia galeata, e logo na sequência o tico-tico-de-bico-amarelo, Arremon flavirostris. Este, um bicho difícil de fotografar. Fica sempre escondido entre galhos e arbustos.

Chegamos em uma bifurcação, pra direita desce para o rio, e para esquerda vai-se até a cachoeira. Nesta bifurcação, vimos e ouvimos alguns bichos. A saíra-ferrugem, Hemithraupis ruficapilla, foi uma delas. A guaracava-cinzenta, Myiopagis caniceps, foi outra. Ainda vimos o tangarazinho, Ilicura militaris, mas a foto não ficou como eu queria. Procuramos o pato-mergulhão, mas nada do bicho.

Na trilha, por diversas vezes vimos aranhas. Abaixo uma delas. Também vimos uma vez um macaco, pequeno, mas não conseguimos identificar. Nephila clavipes

Começamos a subida de volta. No mesmo ponto onde havíamos visto o soldadinho e o tico-tico-de-bico-amarelo, vimos novamente o soldadinho. Desta vez a foto ficou melhor do que a primeira vez. Eu ainda não tinha uma foto assim das costas do bicho, mostrando todo o vermelho!

Continuamos o caminho da volta, e uma guaracava-de-topete-uniforme cantou bem próximo da trilha. Novamente Geiser fez o playback, e ela curiosa apareceu na trilha.

Já quase no final da trilha, um chibum, Elaenia chiriquensis, vocalizou ao lado da trilha.

Voltamos para São Roque de Minas, para almoçar. E de lá iríamos até Vargem Bonita atrás dos beija-flores do Sr Dominguinhos. Este senhor coloca garrafas com água, e as espécies beija-flor-de-peito-azul – Amazilia lactea , estrelinha-ametista – Calliphlox amethystina, besourinho-de-bico-vermelho – Chlorostilbon lucidus, beija-flor-de-orelha-violeta – Colibri serrirostris, beija-flor-tesoura – Eupetomena macroura, bico-reto-de-banda-branca – Heliomaster squamosus, rabo-branco-acanelado – Phaethornis pretrei e beija-flor-tesoura-verde – Thalurania furcata, descem para se alimentar, além do cambacica – Coereba flaveola.

No caminho até lá tentamos o cochicho, Anumbius annumbi. O bicho não estava perto de seu ninho, mas em um pasto ao lado da estrada. Entramos para tentar algumas fotos, mas o bicho estava arisco e só consegui fotos meio de longe.

Voltamos para a estrada, e seguimos para a casa do Sr Dominguinhos. Chegando lá, tivemos a notícia pelo irmão dele, de que ele havia mudado para outra casa.

Geiser ficou meio chateado, pois acha que o irmão do Sr Dominguinhos não irá continuar a colocar a água com açúcar para os beija-flores com a mesma frequência e paciência do Sr Dominguinhos. De qualquer modo, ainda tinha uma garrafinha pendurada, e ele gentilmente trocou a água e nós a colocamos em um galho improvisado no chão. Foi só esperar alguns poucos segundos para os beija-flores começarem a descer. O beija-flor-de-orelha-violeta também descia, e muito. Eram em maior número do que os outros.

O beija-flor-tesoura-verde era um dos objetivos da minha viagem. Não consegui pegar a foto que queria, com todas as cores aparecendo. Mas fiquei satisfeito com a foto abaixo.

E, como não poderia deixar de ser, o cambacica também deu as caras…

Assim terminou o primeiro dia de fotografias na parte baixa da Serra da Canastra. 6 lifers fotografados, e algumas espécies melhoradas.

 

Dia 21, segundo dia

Nosso segundo dia seria na parte alta. O primeiro de dois dias lá.

Para ir para a parte alta, contratamos um guia com uma 4×4. Ronam seria nosso motorista. Um cara simpático, paciente e muito dedicado. Nos ajudou em algumas situações. Foi ele, por exemplo, quem viu o tamanduá-bandeira. Ronam passou no hotel às 18:15h, e então partimos para a parte alta. No caminho, ainda iríamos tentar novamente o capacetinho-do-oco-do-pau, a choca-de-asa-vermelha e o campainha-azul.

Chegamos na área da choca, e nada dela. Subimos então mais um pouco, e tentamos o campainha-azul. No lugar dela, apareceu esse canário-rasteiro, Sicalis citrina. Após algum tempo, o campainha-azul apareceu, mas muito longe, e não se aproximou. Fiquei sem uma foto dele. Subimos mais um pouco, e paramos no ponto do capacetinho-do-oco-do-pau. Algumas tentativas de playback e nada do bicho. Continuamos esperando mais um pouco, e então Geiser disse ter ouvido o bicho, meio longe. Entramos no pasto e então, ouvimos o bicho. Vimos de longe. Era um casal e dois filhotes. Incrível.

Fiquei um tempo por lá, tentando me aproximar mais para pegar uma foto melhor. Valeu a pena. Mais alguns metros, e ao lado da estrada uma choca-de-asa-vermelha vocalizou. Desta vez estava mais próximo, e consegui foto. Continuamos nossa subida, e chegamos na portaria do parque. Pagamos a taxa de entrada, R$6,50 por pessoa.

Seguimos subindo. Nossa primeira parada seria para tentar o papa-moscas-de-costas-cinzenta, Polystictus superciliaris. Bingo! Pouco tempo depois do Geiser chamar o bicho no playback, ele apareceu. E bem perto. Mais um lifer. Um lindo lifer. Bichinho pequeno, mas muito bonitinho!

Ainda no mesmo lugar, o tapaculo-de-colarinho, Melanopareia torquata, cantou próximo. Fiz algumas fotos e o bicho sumiu. Entramos no carro para ir embora e o bicho cantou do lado da estrada novamente. E então, vimos que eram dois indivíduos. Eu tinha tido uma experiência não muito boa com esse bicho em Itirapina. Agora eu conseguia ver o bicho bem. E mais que isso, dois. Muito legal.

Subimos mais um pouco, e novamente Geiser tentou o campainha-azul, em uma região cheia de canela-de-ema, um arbusto procurado por essa espécie. Mas nada do bicho. Porém, enquanto procurávamos por ele, algumas andorinhas-morenas, , voavam próximo da estrada e vez ou outra pousavam perto de nós.

Continuamos subindo. Seguimos em direção à nascente do Rio São Francisco, região onde tentaríamos ver a patativa, Sporophila plumbea, o papa-moscas-do-campo, Culicivora caudacuta, e o tapaculo-de-brasília, Scytalopus novacapitalis. Na nascente, enquanto procurávamos o bicho, um ônibus com turistas encostou. E aí, muita gente desceu, muito barulho foi feito, e portanto, nenhum bicho apareceu. Mas conseguimos ver o caboclinho, Sporophila bouvreuil, e joão-pobre, Serpophaga nigricans.

Continuamos na estrada, e alguns quilômetros depois, o pneu furou. No mesmo lugar, um lifer estava ao lado da estrada, dentro do campo: galito, Alectrurus tricolor. Entrei na campo enquanto Ronam e Geiser cuidavam do carro. Fui tentando me aproximar, e a cada passo, tirava uma foto. Fui aproximando até o galito me deixar aproximar cerca de 6m.

Na mesma região do galito, Geiser tentou novamente o papa-moscas-do-campo. Dessa vez deu certo. Embora o bicho tenha aparecido e não se importado muito com o playback, deu para fazer essa foto. O bicho é pequeno, muito pequeno.

Carro arrumado, seguimos viagem. Nosso destino era o distrito de São João Batista, onde passaríamos a noite. Em determinado ponto da estrada, Ronam parou o carro e apontou longe: um tamanduá-bandeira, Myrmecophaga tridactyla. O vento nos favorecia, então entramos no campo e conseguimos chegar bem perto do bicho. Que coisa linda. Segunda vez na vida que vejo. Emocionante!

De volta a estrada, continuamos viagem, e em determinado momento Ronam parou o carro: uma cascavel pequena cruzava a estrada. Fotografamos o bicho, e Geiser o colocou dentro do campo, para evitar que fosse atropelada. Depois da cascavel, ainda vimos patativa num bando de sporophilas, mas não consegui fotografar. Também vimos cigarra-do-campo, bandoleta e cochicho, mas tempo já não estava muito bom, e nenhuma foto ficou legal.

Seguimos para um ponto onde Geiser queria tentar o andarilho, mas nada do bicho. No lugar dele, vi longe na estrada algo andando. Poucos segundos depois saiu da estrada e entrou no campo. Ronam parou o carro ao lado de onde eu havia visto o bicho entrar no campo. Eu e Geiser descemos, e então vimos o que estava ali: uma perdiz saiu voando assim que começamos a caminhar na estrada.

Esperamos anoitecer, para tentar observar bacuraus. Mas nenhum deu sinal de vida. Na volta, uma preá caminhava na estrada.

Em São João Batista, ficamos na casa do Sr Vicente, um senhor dono de um bar e que construiu uma casa para alugar para turistas. Uma casa simples, mas muito boa, com três quartos sendo um deles uma suíte. Para observadores de aves, uma excelente alternativa. Assim, não podemos gastar mais tempo dentro do parque, ao contrário de quando temos que ficar em São Roque de Minas, ir para o parque, e voltar para a cidade para dormir. Geiser mandou muito bem nessa escolha!

Lá na casa, fotografei uma bela borboleta verde. Nemoria sp

Assim terminou nosso segundo dia na Serra da Canastra, o primeiro na parte alta do parque.

 

 

Dia 22, terceiro dia

Os dois primeiros dias foram muito legais, com vários lifers fotografados. Mas este terceiro dia guardava as melhores emoções. O objetivo era sair de São João Batista e ir em direção a portaria de Sacramento, assim iríamos cobrir praticamente todo o parque. No início da manhã vimos alguns bichos interessantes, como o papagaio-galego, mas bem longe.

Paramos uma ou outra vez para fotografar algumas flores. Já dentro do parque novamente, fomos atrás de algumas espécies que ainda não havíamos visto. Estavam na lista de objetivos a patativa e a corruíra-do-campo.

Vimos a patativa, mas novamente, nada de foto. Já a corruíra-do-campo me permitiu uma aproximação suficiente para fazer essa foto. Mais um lifer !

Andamos mais alguns quilômetros, e paramos para tentar a bandoleta e a cigarra-do-campo. Entramos no cerrado atrás dos bichos, e então tivemos a primeira surpresa do dia: um pica-pau-chorão, Veniliornis mixtus, vocalizou próximo de nós. Imediatamente mudamos nosso foco, e tentamos a todo custo fotografar esse bicho. Mais um lifer, e dessa vez não só pra mim, mas para o Geiser também. Que legal!

Saímos de lá sem a bandoleta, mas na volta para o carro a cigarra-do-campo apareceu próxima de nós. Um jovem ainda.

Voltamos para o carro, e seguimos. Mas não andamos muito, e Geiser resolveu parar para tentar a bandoleta. Mal havíamos descido do carro, Geiser ainda olhando para o iPod procurando a vocalização dela, eu vi algo grande em uma torre de energia, uns 300 metros na nossa frente. Meu coração disparou, e pedi ao Geiser para olhar no binóculo o que era.

“É a águia-cinzenta!”, disse Geiser.

Não acreditávamos no que estávamos vendo. Fizemos algumas fotos dali mesmo, muito longe, e decidimos tentar a sorte e nos aproximar. Entramos no carro e a cada 10 ou 15 metros, parávamos para fazer uma foto mais próxima. E fizemos isso até que chegamos perto do bicho, algo como 20 metros. E o bicho imóvel na torre, só olhando pra nós. Que coisa linda. Fizemos diversas fotos, e o bicho continuou lá.

Entre a primeira foto e a última, foram cerca de 15 minutos andando e parando, sempre tentando chegar mais próximo. Mais um lifer. O lifer! Seguimos na estrada, deixamos o bicho lá na torre.

Paramos um pouco depois, para tentar o caminheiro-grande, mas nada do bicho. Comemos alguma coisa. Enquanto estávamos parados, uma fêmea de galito estava próximo.

Fomos até enxergar a portaria de Sacramento, e então retornamos. Paramos novamente em outro trecho de cerrado mais fechado, e novamente vimos o pica-pau-chorão. Fiquei feliz, pois dessa vez deu tempo do Geiser ir até o carro e pegar sua câmera, pra fazer sua foto do bicho.

No mesmo lugar, um suiriri-cinzento, mais um lifer pra mim.

Continuamos voltando, e em determinado ponto da estrada Geiser falou: “Ela continua lá”.

A águia-cinzenta continuava na mesma torre que a havíamos deixado quase 2 horas atrás. E dessa fez ela estava de frente pra nós. Como já tínhamos feito nossa foto, dessa vez resolvemos tentar chegar o mais próximo possível já na primeira vez, e paramos bem ao lado da torre. Aí foi só fazer as fotos.

Após poucos minutos, o bicho começou a dar sinais que iria voar. E voou. Consegui fazer essa foto, acho que uma das que mais gosto de todos esses 8 anos fotografando aves. Como o bicho é grande. Como o bicho é lindo! Um presente, dele e da mãe natureza pra nós!

Continuamos nosso caminho de volta, e Geiser planejava procurar os caminheiros. No caminho, Geiser viu um veado-campeiro ao lado da estrada. Deu tempo de parar o carro e conseguir algumas fotos do bicho.

Ali perto um cara passou pedalando. Lugar muito bom pra pedalar. Mas tem que ter perna, pois subidas não faltam…

Tentamos os caminheiros em alguns lugares diferentes, mas os bichos não deram sinal de vida. Enquanto procurávamos, fiz algumas fotos de paisagens e borboletas.

Como não encontramos os bichos, decidimos voltar até a nascente, para tentar novamente o tapaculo-de-brasília e o papa-moscas-do-campo. Porém, em determinado trecho da estrada, Geiser pediu para Ronam parar, pois iria tentar ali o papa-moscas-do-campo. E o bicho estava lá. Não conseguimos uma aproximação boa, pois como o bicho é pequeno, fica difícil fazer foto de longe.

Dali partimos para a nascente do São Francisco, pois já eram quase 16h. Lá o grande obietivo era o tapaculo-de-brasília. E deu certo. Após Geiser colocar o playback, o bicho apareceu. Geiser havia me falado para ficar de olho em um conjunto de pedras, pois o bicho deveria passar por lá. Dito e feito. Em alguns poucos segundos que o bicho ficou em lugar visível.

Assim terminou nossa passarinhada na parte alta do parque. Simplesmente fantástica. Foram 9 lifers só na parte alta, incluindo a formidável águia-cinzenta.

 

Dia 24, dia de ir embora…

Antes de ir embora, sempre tentamos uma passarinhada de última hora. Afinal, não é todo dia que é possível ir para a Serra da Canastra. Fomos para Vargem Bonita, que era caminho, tentar novamente os beija-flores. Fomos para a casa do Sr Dominguinhos.

Os beija-flores estavam por lá, mas o beija-flor-tesoura, Eupetomena macroura, não deixou nenhuma outra espécie chegar no bebedouro. Foi uma briga intensa durante o tempo que ficamos por lá. O objetivo era fotografar o beija-flor-tesoura-verde, mas não consegui a foto que queria. Mas ainda assim, fiz uma, além do beija-flor-de-peito-azul abaixo.

Saímos da cidade para finalmente ir embora. E antes da primeira curva, vi uns sporophilas ao lado da estrada. Então, finalmente, consegui a foto que queria da patativa, Sporophila plumbea.

A Serra da Canastra é um lugar incrível. Não só pelas aves, mas pelo conjunto da obra. Um lugar bonito, de muita paz, com paisagens diversas. Um lugar que espero voltar!

Abraço, e até a próxima viagem!

Jefferson Silva