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Caçadores andando tranquilamente na Reserva Florestal Humaita, administrada pela UFAC
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Alojamento dentro da reserva, caindo aos pedaços
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Alojamento dentro da reserva, caindo aos pedaços
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Alojamento dentro da reserva, caindo aos pedaços
Mãe-de-taoca-de-cauda-barrada (Gymnopythys salvinii)
Mãe-de-taoca-de-cauda-barrada (Gymnopythys salvinii)
Pinto-do-mato-de-cara-preta (Formicarius analis)
Pinto-do-mato-de-cara-preta (Formicarius analis)
Tovaca-patinho (Myrmothera campanisona)
Tovaca-patinho (Myrmothera campanisona)
Uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda)
Uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda)
Urubu-rei (Sarcoramphus papa)
Urubu-rei (Sarcoramphus papa) - jovem

 

O combate à caça e o apoio à pesquisa deveriam vir antes de questões estéticas

  • Texto e fotos: Tomaz Melo

Sabe o que é complicado? Você ir coletar dados para sua pesquisa de mestrado em uma reserva administrada pela UFAC (Universidade Federal do Acre) e dar de cara com caçadores andando tranquilamente bem na sede da reserva.

Encontrei um alojamento caindo aos pedaços, todo destruído e saqueado. As portas e janelas estão todas arrombadas. A reserva não tem segurança, ou melhor, tinha. Quando fui a primeira vez para a Reserva Florestal Humaita, em Porto Acre, o local tinha vigilantes que evitavam esse tipo de problema. Atualmente os seguranças foram todos transferidos para o campus da UFAC em Rio Branco. Nos 11 dias que passei fazendo minha pesquisa nesse local não foi difícil ouvir caçadores caçando com cachorros.

Para poder coletar meus dados tinha de esconder meu computador na mata, pois deixar no alojamento era pedir para ser roubado. A Fazenda Experimental Catuaba, em Senador Guiomard, está na mesma situação. É triste, pois essas reservas possuem uma biodiversidade e potencial incrível para pesquisas, com muitas espécies exclusivas do sudoeste amazônico, que teoricamente encontrariam proteção ali.

Mas podemos ficar tranquilos, pois estão sendo gastos quase 500 mil reais na construção de uma fonte e um totem no campus da UFAC, que tenho certeza muito contribuirão com a educação dos seus alunos.

UFAC, muito mais importante do que deixar o campus bonito é cuidar da natureza! Que desgosto olhar para essa fonte e totem, pensando que esse dinheiro poderia ter sido usado para proteger a mata e evitar que tantos animais fossem mortos por caçadores.

E o que é irônico nisso tudo: a UFAC está prestes a sediar a reunião anual da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Parabéns por cuidarem tão bem do seu patrimônio ambiental!

 

Ainda não tenho a lista, mas vou citar algumas das raridades amazônicas dessa região que precisa ser preservada e valorizada:

Anambé-de-cara-preta (Conioptilon mcilhennyi)
Flautim-rufo (Cnipodectes superrufus)
Freirinha-amarelada (Nonnula sclateri)
Inhambú-de-coroa-preta (Crypturellus atrocapillus)
Mãe-da-lua-parda (Nyctibius aethereus)
Uiraçu-falso (Morphnus guianensis)
Pica-pau-lindo (Celeus spectabilis)
Choca-do-bambu (Cymbilaimus sanctaemariae)
Tiriba-rupestre (Pyrrhura rupicola)
Pula-pula-de-cauda-avermelhada (Myiothlypis fulvicauda)