Comecei a fotografar recentemente em Ubatuba (terra abençoada em tudo, particularmente em aves, lugar que conheci nos idos de 1968 aos 16 anos e decidi que era aqui que eu queria viver, o que só aconteceu há 10 anos), algumas são no quintal de casa, no Itaguá (onde instalei um comedouro de frutas que está fazendo o maior sucesso), outras no caminho do meu trabalho, ao lado do Cais, onde sempre se vê muitas aves.

 

  • Texto e fotos: Roberto William von Seckendorff
  • Câmera: Nikon Coolpix P500

Moro em Ubatuba há 10 anos, mas só recentemente comecei a fotografar aves. Há um tempo, minha irmã veio nos visitar e eu quase sequestrei a Sony H50 dela. Já andava louco por uma, e agora estou com uma Nikon Coolpix P500, uma ótima câmera, recomendada pelo Carlos Rizzo, a quem sou grato.

Tenho fotografado no quintal de casa, onde além do comedouro há uma embaúba que atrai muitas aves, até um casal de canários-da-terra-verdadeiros, o macho tem uma anilha azul. Também tenho fotografado no Perequê-Açú, no canto do rio que divide com a Barra Seca, em Caraguá, bem perto de onde o rio desemboca no mar, no caminho para o Cais, no Instituto de Pesca, no mangue ao lado do rio que desemboca no mar, no lado direito da praia do Itaguá.

As fotos são todas no automático, ainda estou nos estágios iniciais do aprendizado, o manual dela é de quase 300 páginas arrepiantes e ainda não me atrevi a avançar muito. Mas estou adorando minha maquininha e não largo dela.

Há poucos dias reencontrei numa reunião de trabalho um amigo de longa data portando uma máquina igual, e ele revelou que era porque estava atacado da mania de fotografar aves. Daí em diante a reunião de trabalho ficou meio prejudicada porque só falamos de passarinhar. Passei o endereço do Virtude para ele.

Acho que nasci gostando de natureza. Quando criança moramos nos arredores de Curitiba e o programa no domingo era invariavelmente fazer o que hoje chamam de trekking. Mais tarde, no Rio de Janeiro, fomos dezenas de vezes ao Jardim Botânico e ao Parque da Gávea. Depois mudamos para São Paulo, zona norte, e aos domingos acordávamos de madrugada e na kombi do meu pai íamos esperar amanhecer no alto da Serra da Cantareira. Ver os bugios, ouvir as aves e tentar identificá-las. Eu tinha os 3 Lps do Dalgas Frisch, que toquei tanto que tiveram que ser jogados fora de tão riscados. Na facudade fui duas vezes ao Pantanal de Aquiduana, na fazenda de um amigo.

Mas depois da faculdade meu caminho estava me afastando da vida perto do mar (sou agrônomo) e me levando cada vez mais para o interior. Foi algo muito bom porque vi um bocado de mato, mas só podia ir para Ubatuba em feriados ou férias. Um belo dia, numa tensa reunião, chutei tudo e fui procurar um jeito de vir para cá. O Instituto de Pesca foi uma escolha lógica, mas só tinha vaga em Santos. Fui e fiquei por lá uns 25 ótimos anos, trabalhando boa parte do tempo embarcado no nosso então ativo barco de pesquisa, e viajei dos Abrolhos até a costa do Rio Grande de Sul. Eu tinha uma Nikonos 4 e certamente fotografei as aves marinhas que chegavam perto o suficiente.

Depois que o barco parou por falta de recursos, tinha chegado a hora de vir para Ubatuba e cá estou.