Viver em Ubatuba é ficar frente a frente com a possibilidade de, quando menos se espera, fotografar alguma ave daquelas bem interessante. Eu mudei para essa cidade há seis anos, e aqui descobri o desafio de fotografar aves – nunca tinha me interessado antes pelo tema. Entretanto, quando descobri a variedade e beleza dos nossos amiguinhos alados nesta cidade, me apaixonei pelo assunto e resolvi encarar esse desafio.

Gaturamo-verdadeiro (M) (Euphonia violacea) Violaceous Euphonia

 

  • Texto e fotos: Roberto Negraes
  • Câmera:  Canon 40D e lente Sigma 55-200

É interessante observar que até um mês atrás, eu só tinha fotografado aves em pleno centro de Ubatuba. Meus pontos de interesse para fotos eram um dos três rios que desaguam na praia da cidade, a praia em si, e o quintal de casa, além das próprias ruas da cidade em minhas caminhadas. Consegui fotografar quase cem espécies, apenas neste “habitat”. E faz um mês, resolvi me dedicar mais a fotografar aves, então fiz três excursões por trilhas e locais mais indicados para isso.

Numa dessas excursões, encontrei pela primeira vez, ao longe, um bando de tiê-galo. Consegui algumas fotos, embora meio distantes. Outra ave que apenas ouvi o canto de longe numa dessas caminhadas, foi o de um trinca-ferro verdadeiro. Pois uma semana depois de ter ouvido o trinca-ferro verdadeiro, eu estava parado na porta de minha casa, aqui entre os bairros do Itaguá e Parque Vivamar, observando as árvores próximas do muro onde coloco todos os dias bananas e mamão para os meus convidados de costume (saíra-sete-cores, sanhaçu-de-coqueiro, tiê-sangue, saíra-sapucaia, saí-verde, saíra amarela, entre outros), quando vi um pássaro de maior porte descer e ficar espreitando as bananas. Imediatamente corri para o quarto e peguei minha câmera. Voltei e fiquei escondido atrás de um lençol (que estendo sobre a porta para essas “emergências”), e observei melhor a ave, nunca tinha vista nada igual.. Comecei a fotografá-la, e logo ela foi chegando mais perto, até que, quando começou a comer a banana, estava a apenas 3 metros de distância. Era um trinca-ferro verdadeiro.

E como não poderia deixar de ser, dois dias depois de ter avistado pela primeira vez na mata aquele bando de tiê-galo, lá veio um retribuir a visita à seu habitat na Mata Atlântica e pousar sobre a minha travessa de deliciosas frutas – e eu nem estava dentro de casa, estava ali no corredor mesmo, a menos de dois metros do pássaro, e felizmente com a câmera na mão! Esse tiê-galo não se preocupou nem um pouco comigo, desceu na travessa, deu uma ou outra bicada, e só então voou sumindo entre as árvores. E no dia seguinte, quando eu estava pensando justamente em quantas surpresas aladas apareciam aqui em casa, todo um bando de sanhaçu-de-encontro-amarelo mergulhou na minha travessa de frutas (que deve estar ficando famosa no meio penoso ubatubense, tipo um restaurante que os amigos indicam para amigos)…

Sem falar de uma mãe-da-lua, que outro dia estava pousada num andaime de uma casa em reforma, em pleno centrão da cidade, junto de um dos três faróis (semáforos) que existem por aqui. Para fotografá-la, bastava a gente se posicionar a um metro dela, tendo o cuidado de recuar (pois minha lente não tem macro), embora o movimento intenso de pedestres naquela esquina atrapalhasse um pouco.

Sim, Ubatuba é inacreditável para se fotografar aves. Nem sempre é preciso entrar na mata, caminhar durante horas por trilhas, para a gente curtir as belas aves de nossa Mata Atlântica. Já cheguei a mais de cem registros no WikiAves, a grande maioria, na verdade quase a totalidade, confortavelmente sentado junto da porta que dá para o muro lateral de casa. E parece agora que a cada visita que faço à alguma trilha ou trecho de mata, as aves retribuem rapidinho, aparecendo para curtir uma bananinha ou mamão lá em casa…

 

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