Há cerca de um ano tenho feito incursões regulares à Reserva Natural da Vale, o que me dá certo embasamento para poder falar das experiências que tive, do que vi e do que penso sobre aquele lugar.

 

A Reserva fica localizada no Espírito Santo, no município de Linhares, distante aproximadamente 176 quilômetros da capital Vitória. São 22 mil hectares de mata preservada, que se unem à Reserva Biológica de Sooretama e algumas RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) formando um bloco contínuo de mata com o dobro de seu tamanho.

Pra quem não se atinou na extensão, ela corresponde a 220 quilômetros quadrados. Grande não?!

Outro dado importante é que lá está concentrado um dos últimos grandes remanescentes de Mata de Tabuleiro, uma formação florestal de Mata Atlântica extremamente ameaçada, caracterizada por árvores altas espaçadas e trilhas com cipós e emaranhados.

Além da Mata de Tabuleiro existem na reserva áreas de mata ciliar, alagado, mussununga, brejo e campos nativos, que fazem o local explodir em biodiversidade.

Trecho de encontro de Campo Nativo e Restinga

Bom, mas como nosso foco é fotografia e aves, vamos direto ao ponto: a reserva torna-se uma incógnita surpreendente quando o assunto é avifauna, nela podemos encontrar aves tipicamente amazônicas como o vira-folha-pardo e o surucuá-de-coleira, bem como aves ameaçadas de extinção como o anambé-de-asa-branca, o sabiá-pimenta, o mutum-de-bico-vermelho, entre outras.

Sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala)

Surucuá-de-coleira (Trogon collaris)

Anambé-de-asa-branca fêmea (Xipholena atropurpurea)

Mutum-de-bico-vermelho (Crax blumenbachii)

Estima-se que existam 380 espécies de aves na reserva, o que desperta o interesse da comunidade científica, bem como dos observadores, que consideram um lugar um santuário bem protegido, guarnecido por uma eficiente equipe de guardas 24 horas por dia.

Não se pode falar na Reserva Natural da Vale sem mencionar o emblemático jacu-estalo, um fantasma da mata, raramente ouvido e praticamente não visto. A região é o único abrigo da subespécie dulcis (o nome científico da espécie é Neomorphus geoffroyi)

Outras aves interessantes são os arapaçus, abundantes em toda a reserva, cabendo destaque ao arapaçu-de-garganta-amarela e ao arapaçu-de-bico-de-cunha, ambos só ocorrem nessa área dentro de toda região sudeste.

São seguidores, como todos os arapaçus, de correições de formigas, pois essas fazem com que os insetos fujam desesperados, tornando-se presas fáceis para eles. Fiz um pequeno vídeo mostrando como as milhares de formigas reunidas fazem a correição na mata e o som que produzem ao se deslocar como um exército em marcha.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RIEbmy1rjkI

Arapaçu-de-garganta-amarela (Xiphorhynchus guttatus)

Pra finalizar quero deixar registrado meu agradecimento a Ana Carolina Srbek Araujo, responsável na reserva, e a toda equipe, que sempre mostrou profissionalismo e zelo em tudo que fez.

Vale a pena conhecer! Arrume as malas e rumo à Reserva Natural da Vale!

Bom, são muitas histórias, causos e fotos, se fosse contar e mostrar tudo aqui seria um livro e não um post! rs. Quem sabe numa próxima?

 

 

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