Construa um pequeno paraíso para as aves, e as pessoas também se sentirão assim.

Beija-flor-de-orelha-violeta (Colibri serrirostris) White-vented Violetear no jardim da Reserva Guainumbi – SP

 

  • Texto: Claudia Komesu
  • Fotos: Claudia Komesu e Cristian Andrei
  • Ideias sobre como tornar os lugares mais atraentes para aves e birdwatchers
  • O texto deste post e as fotos de aves (ou seja, todas do post exceto as que têm pessoas) podem ser livremente reproduzidos para divulgação da natureza. Por favor, não deixe de citar a fonte (virtude-ag.com).
  • Veja também o post  Flores e frutos que atraem aves.

Estas sugestões são mais fáceis de serem aplicadas em pousadas ou sítios em que a pessoa tem autonomia e uma pequena verba para fazer mudanças. Mas também caberiam muito bem em restaurantes com área verde. Aliás, é um sonho antigo que algum restaurante na região da Cantareira (na cidade de São Paulo) se interessasse pela ideia, porque aí sim poderíamos fazer alguma associação com fotógrafos e guias para levar amadores a um lugar “garantido” para ver aves.

E não tenho muita esperança, mas quem sabe algum dia um gestor iluminado de um parque público também resolva criar regiões amigáveis para observadores e fotógrafos de aves, até mesmo com comedouros e facilidade para entrar cedo, caso o parque só abra às 8h.

Ver as aves de perto e conseguir fazer fotos boas é um dos maiores trunfos na educação ambiental, não há quem não se encante.

Segue a minha lista. Se você tiver outras sugestões, pode colocar na caixa de comentários.

 

Construa um pequeno paraíso para aves e as pessoas também se sentirão no paraíso

– Árvores frutíferas e flores que florescem e frutificam em épocas diversas do ano. No final do post há uma lista de plantas atraentes. Marquei com roxo as que eu já vi rodeadas de aves. Colei também as fotos que eu tinha de aves se alimentando.

– Se conseguir plantar na beira da mata frutinhas e flores silvestres que atraem as espécies que não se interessam por banana e mamão, pode ser um grande trunfo. Dizem que um dos primeiros registros fotográficos recentes do crejoá foi graças a uma  aroeira no jardim da sede da Vale, em Porto Seguro – BA. Um estrangeiro que visitava o local foi quem reparou na joia se alimetando das frutinhas vermelhas. Há várias fotos ótimas no Wikiaves, feitas graças a uma fruteira (árvore silvestre frutificando) em Porto Seguro em 2010. O Marcelo Barreiros estava no local, ouviu uma algazarra de psitacideos, e quando foi checar, viu também o crejoá. Ciro Albano fez muitas fotos boas. Tive a oportunidade de estar no local no final da frutificação, e só peguei um dia em que as cotingas ainda apareceram, mas foi uma grande emoção.

Crejoá (Cotinga maculata) Banded Cotinga

– Banheiras de água limpa e corrente, de preferência com materiais que simulem um ambiente natural (como pedras). As aves pequenas precisam de lugares rasos. O som da água pingando atrai o interesse das aves. Nos lugares muito quentes, essas banheiras são um oásis. Não deixe a água parada, cuidado com larvas de mosquitos.

– Comedouros montados para simular um ambiente natural, com troncos, rochas e vegetação típica da região. As aves adoram banana e mamão maduros. Frutas não maduras atraem menos interesse. Na verdade, uma ave pequena como uma saíra tem dificuldade para comer banana que não esteja bem madura, a ave mal consegue bicar a fruta.

Comedouro na Reserva Guainumbi, um lugar que cumpre os requisitos de paraíso para aves e para pessoas.

– Monte o comedouro em um lugar próximo de uma árvore ou de uma moita, para que as aves tenham por onde chegar, e se sintam mais seguras.

– Mesmo espécies que não comem as frutas se interessam pela movimentação das outras, e vêm olhar.

– Considere a posição do sol, para que as fotos tenham luz favorável, principalmente pela manhã, que é o horário mais movimentado.

– Os bebedouros para beija-flores devem ser mantidos limpos. A água com açúcar não faz mal às aves, mas fungos podem prejudicar. Troque a água e enxague as garrafinhas todos os dias, e uma vez por semana deixe-as de molho com água sanitária. As garrafas não devem ficar expostas muito tempo sob a luz direta do sol, o líquido fermenta. Observe as garrafas diariamente, se for preciso limpe com água sanitária com mais frequência.

– Em lugares com poucas áreas abertas ou urbanas, em que não há pombos domésticos, você pode colocar pão e grãos como alpiste, painço, girassol.

 

Todo mundo gosta de conforto e mordomias

Faça chuva ou faça sol: se possível, posicione o comedouro de uma forma que as pessoas possam observar e fotografar até sentadas, de uma área coberta. As aves aparecem mesmo em dias de chuva, aliás, é comum aparecerem mais em dias de chuva, talvez porque elas não queiram se aventurar muito em dias molhados.

Outro exemplo da Guainumbi: o comedouro fica em frente a uma área coberta, de onde é possível fotografar mesmo com chuva, enquanto você toma um café e come um pedaço de bolo.

As pessoas também podem ser fisgadas pelo estômago: se sua pousada, restaurante ou parque oferece algum tipo de mordomia, como café, pão-de-queijo, lanche, bolo, refrigerante (contanto que não seja a valores abusivos) os observadores e fotógrafos vão levar isso em conta. Nada como um bom café numa manhã fria, ou uma bebida gelada num dia quente, enquanto você observa e fotografa as belezinhas emplumadas.

Banheiros limpos. Nem preciso explicar.

 

Registre as espécies que aparecem na sua área

Mantenha registro das espécies que aparecem na sua área, de preferência com indicações de em que época elas podem ser vistas, e qual a probabilidade de avistá-las.

Sugestão dos parques africanos: os parques africanos têm quadros com imãs coloridos onde as pessoas marcam os bichos avistados no dia, e também costumavam ter livros de registros, e que os visitantes podiam escrever o que viram. Os livros têm sido menos usados, mas ainda considero um bom instrumento. Nada como chegar num lugar, folhear o livro de registros e pensar “puxa, há 1 semana eles viram tal espécie em tal lugar”.

No caso das aves brasileiras, talvez fosse o caso de ter um quadro com foto e nome das espécies avistadas naquele mês ou naquele período. Sempre fazer o material pensando em um público leigo, que não vai reconhecer a ave só pelo nome, nem mesmo o nome popular. Fotos ajudam sempre.

O beija-flor-tesoura-verde (Thalurania furcata) Fork-tailed Woodnymph, uma espécie rara no Estado de São Paulo, foi muito fotografado em Vargem Bonita – MG na época em que o s. Dominguinhos mantinha bebedouros.

 

Uma imagem vale mais do que mil… Consiga fotos boas feitas no seu espaço

Nada como fotos bonitas para chamar a atenção das pessoas. Quer turbinar o repertório de imagens associadas ao seu espaço? Você pode contratar um fotógrafo profissional, mas você também pode convidar bons amadores para conhecer seu espaço. Ofereça algum desconto, vantagem, atrativo.

O mundo ideal é você se envolver com fotografia, porque nada como alguém que está no local quase todos os dias para registrar ótimas fotos.

 

Divulgue as belezas do seu espaço

  • Tenha um site caprichado e mantenha-o atualizado
  • Convide seus visitantes e lhe enviarem as fotos feitas e poste no seu site, ou faça um mural com as fotos impressas.
  • Poste as fotos no Wikiaves
  • Considere a possibilidade de fazer anúncios, como no Wikiaves ou em sites ou revistas dedicados à fotografia
  • Se o seu espaço tem estrutura e aves, considere também associar-se a guias ornitológicos e a escolas de fotografia

 

O texto as imagens dos posts chamados “Livre divulgação” podem ser usados para divulgação do birdwatching e da natureza. Por favor, cite a fonte: www.virtude-ag.com.