• Relato do Overdose Ornitológica da Reserva Guainumbi
  • Texto: Guilherme Battistuzzo, guia ornitológico do passeio
  • Fotos: Jean Bortolucci, com uma Canon Powershot SX50

Aconteceu entre os dias 10 e 12 de outubro de 2014, a II Overdose Ornitológica da Quinta Temporada que tive a oportunidade de guiar e contou com a participação de Ioná Capobianco e Jean Bortolucci. Foi um final de semana de muito calor na Guainumbi em que o sol não deu trégua durante todo o fim de semana. Durante esse período pudemos explorar a trilha do Ipiranga no núcleo Santa Virgínia do Parque Estadual da Serra do Mar, diversas trilhas dentro da Reserva e uma passada rápida no Sítio Folha Seca em Ubatuba onde Jean fotografou diversas espécies que ainda não conhecia.

Nos encontramos em Taubaté na sexta-feira à tarde e chegamos à Reserva a tempo de uma passarinhada na estrada que rendeu ótimas fotos da maria-preta-de-garganta-vermelha (Knipolegus nigerrimus) e joão-pobre (Serpophaga nigricans) e uma visita ainda com a luz do dia nos comedouros e bebedouros onde se alimentavam diversas espécies de aves. Uma caminhada breve no entorno da pousada ainda rendeu algumas boas fotos antes do pôr-do-sol, como o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) e um casal de joão-bonita-da-mata (Phacellodomus erythrophthalmus). A noite foi a vez da primeira corujada que rendeu belos encontros com um casal de murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) que cantou em dueto e trocou carícias bem próximo de onde estávamos. Ao menos 2 indivíduos de mãe-de-lua cantavam dentro da Reserva e conseguimos observá-los, mas sem chances para fotos.

A manhã seguinte foi destinada para a exploração da trilha do Ipiranga, dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. A trilha que durante boa parte do trajeto segue o leito desse rio, leva à cachoeira do Ipiranga após 7 km de caminhada. Após outros quase 30km, ao Núcleo Cunha do PESM. Nesse trajeto passa por belíssimas formações florestais em diferentes estágios de regeneração, taquarais, matas repletas de palmito-juçara e samamabaiaçu, bromélias, orquídeas, e claro, aves. A passarinhada rendeu ótimos registros para o Jean e ótimos avistamentos. Entre as cerca de 50 espécies registradas durante a trilha, os destaques ficaram para o corocochó (Carpornis cucullata), o pavó (Pyroderus scuttatus) e um matracão (Batara cinerea) que se aproximou bastante e permitiu algumas breves observações, sem chances para fotos. Antes de retornar ainda pudemos observar um belíssimo gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus) que sobrevoava a mata e pouca altura antes de se perder de vista entre os vales e montanhas.

Durante a tarde, pudemos aproveitar os movimentados comedouros da Reserva e explorar algumas trilhas que renderam alguns registros interessantes apesar do forte calor. Na corujada do sábado, foi a vez de buscarmos a coruja-listrada (Strix hylophila) nas estradas no entorno da Reserva. Não conseguimos observá-la, mas a saída não foi em vão pois rendeu boas fotos da corujinha-do-mato (Megascops choliba), de um casal que se aproximou bastante de onde estávamos.

No domingo de manhã saímos bem cedo para explorar algumas trilhas da Reserva em busca de alguns desejos especiais do Jean. Entre outras, o tangarazinho (Ilicura militaris) e a araponga (Procnias nudicollis) Ambos deram trabalho, mas ao fim de uma longa manhã, pudemos voltar pro almoço com os objetivos realizados, além de observar outras espécies também interessantes como o tangará-dançarino (Chiroxiphia caudata), o tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus). Ainda pudemos observar e fotografar um ninho de piolhinho (Pyllomyias fasciatus).

Como iríamos embora apenas na segunda de manhã e essa era a primeira visita dos dois à Serra do Mar, decidimos que valeria a pena uma visita ao Sítio Folha Seca em Ubatuba, onde poderíamos observar alguns dos mais belos habitantes das matas atlânticas do sudeste do Brasil: saíras, saís, gaturamos e beija-flores. Muitos dos quais, endêmicos das altitudes mais baixas dessa cadeia montanhosa e que não habitam, ou são mais raros nas matas de altitude em que se encontra o Núcleo Santa Virgínia e seu entorno, em torno de 1000 m.

Foi uma visita breve mais muito proveitosa. Antes mesmo de chegarmos por lá, parei bruscamente ao me deparar com um vulto branco pousado a pouca altura do solo, alguns metros a frente do carro na estrada. Jean registrou o belíssimo gavião-pombo-pequeno (Amadonastur lacernulaus), ave ameaçado de extinção, endêmica das matas litorâneas de baixada da Mata Atlântica. No Sítio Folha Seca, além da simpatia de sempre do Jonas, conseguimos registrar 18 espécies nos comedouros do sítio em menos de duas horas.

Ainda na volta, após um belo congestionamento na subida da serra por conta de um carro quebrado, nos deparamos com a surpresa que fechou a passarinhada com chave de ouro: Uma bela Anta (Tapirus terrestris) que hesitou ao se preparar para atravessar a estrada e permitiu por um momento, belas fotos. Depois de tantos belos encontros, nos despedimos da Guainumbi logo cedo rumo à Campinas. Resultado final: Registramos entre ouvidas, observadas e fotografadas, 124 espécies, das quais mais de 50 eram novos registros para o Jean que pela primeira vez visitava a Serra do Mar.

Ainda teremos mais dois Overdoses Ornitológicas até o final do ano. Prometem ser outras grandes passarinhadas, nessa que é a melhor época para a atividade no hemisfério sul:

14 a 16/ 11/2014: III Overdose Ornitológica da 5ª Temporada com Demis Bucci.
12 a 14/12/2014: IV Overdose Ornitológica da 5ª Temporada com Guilherme Battistuzzo.