Estive na Reserva Guainumbi entre os dias 1 e 3 de junho ministrando um Workshop sobre Fotografia de Natureza para usuários de câmeras Canon, mas também tive a oportunidade de aplicar cursos básicos de fotografia em meu estúdio nos últimos meses. Pretendo relatar aqui um pouco dessa experiência, e também abordar rapidamente um tema que me chamou a atenção: “Qual o valor que damos ao conhecimento?”

 

É claro que me refiro ao conhecimento relativo e específico, neste caso à fotografia, mas esta análise pode se estender às demais áreas do conhecimento humano.

O workshop começou na sexta à tarde. Um final de semana com sol e temperatura agradável nos esperava na Guainumbi, onde começaríamos nosso workshop recordando aspectos básicos da fotografia, como a relação abertura x velocidade x sensibilidade, e neste ponto engana-se quem acha isso sem importância… na verdade muitas fotos são irremediavelmente perdidas por não se conhecer ou pelo menos, não se atentar a esses parâmetros iniciais. Em seguida a troca de experiencias em campo, uso correto de acessórios, flash, lentes (quando usar um tripé) e principalmente… como funciona a SUA câmera!

Munidos de informações preciosas, partimos para um banho e jantar, já marcando uma corujada, que infelizmente teve que ser adiada pela chuva fina que caiu naquela noite. O jeito foi dormir cedo e no sábado bem cedo nosso guia mateiro Josiel já nos esperava super animado, enquanto saboreávamos nosso delicioso café da manhã (aqueles pães-de-queijo assados na hora…).

O tempo havia mudado e um sol intenso nos aguardava. Faríamos a trilha dos Tangarás, a mais longa no local.

Em meio à trilha pudemos testar nossos conhecimentos de fotografia e também nossas habilidades acrobáticas, afinal a chuva que caiu durante a noite deixou o caminho escorregadio em alguns trechos, aliado ao famoso fato de carregar toneladas de equipamento. Mas também nos proporcionou surpresas agradáveis como o encontro relâmpago com o inhambú-guaçu,o tangarazinho, vira-folha e a choquinha-de-dorso-vermelho.

Fotografar a natureza é algo cheio de surpresas, afinal as condições de luz mudam a cada instante e a cada metro do caminho, portanto um conhecimento apurado de todos aqueles fatores citados anteriormente fazem toda a diferença. Ter um profissional da área acompanhando o grupo, livre da necessidade de fotografar (nesses momentos procuro estar à disposição integral dos participantes) e visualizando previamente as dificuldades e opções a serem testadas garantem um resultado positivo e um aprendizado consistente.

Terminamos a trilha cansados e famintos, mas totalmente satisfeitos com os resultados. Faltou fotografar o inhambú, e por recomendação do guia Josiel, iriamos tentar novamente no domingo, bem cedo (6h30… tá bom???).O restante do dia passamos fotografando nos comedouros, fazendo testes e experimentos com flash e velocidade alta de obturador, tendo como modelos nossos queridos beija-flores.

Logo após o almoço o jovem Thiago Carneiro de Campos do Jordão chegou na pousada e acabou juntando-se a nós na procura pela murucututu-de-barriga-amarela, que infelizmente não deu as caras naquela noite.

De volta à pousada aproveitamos para descarregar as imagens feitas e uma pequena aula, com noções básicas de Photoshop e fotografia em RAW acabou acontecendo ali. Pelas dificuldades mostradas pelos participantes definimos que este deverá ser o tema para o próximo Workshop… aguardem!

No domingo saímos bem cedo (menos o Luciano que preferiu ficar dormindo um pouco mais…) e fomos até a casa da mata, esperar o inhambú, que não demorou muito para aparecer. Não demorou muito também para desaparecer, mas todos conseguiram belas fotos dele.

De volta à pousada, após o café da manhã decidimos deixar a manhã livre para cada um se dedicar ao que mais lhe interessasse e pudemos realizar alguns testes em filmagem com DSLR, uso de slider para filmagem e até umas fotos subaquáticas com a GO Pro novinha do Luciano Guedes.

É por ocasiões como esta que vale a pena estar aqui! A oportunidade de compartilhar não apenas o conhecimento específico, mas também as nossas experiências, dividir emoções com pessoas interessantes e que ainda acreditam em valores morais, manifestados no respeito pela natureza e pelas suas criaturas, servem sempre de estímulo para novas empreitadas como esta.

Como havia prometido no início, devo fazer uma breve consideração sobre a importância do conhecimento. Parece-ce que nos dias atuais a sociedade não mais valoriza tal aspecto, pois (tomando como base a fotografia) é muito comum vermos pessoas carregando dezenas de milhares de dólares em equipamentos que não sabem usar (diria que nem 10% do oferecido) e que se negam a investir menos de R$ 300 em treinamentos. Talvez o façam iludidos pela facilidade oferecida no imediatismo da fotografia digital, ou até pelo fator do comodismo inerente ao ser humano destes nossos dias. A indústria parece já ter entendido isto e se dispõem a oferecer cada vez mais recursos automáticos em suas câmeras, colaborando com a ilusão de que quem faz uma boa foto é o equipamento e não aquele que o opera.

Uma vez que isto se mostra falso, as pessoas se decepcionam com os resultados e novamente depositam as suas expectativas em novos (e caros) equipamentos, resultando em um ciclo vicioso que alimenta uma indústria milionária ao redor do planeta.

Uma hora deveremos entender e aceitar como verdade que se pretendemos mudar algo para melhor, devemos mudar aquele que é o autor do algo em questão, ou seja o Homem!

Quero fazer um agradecimento especial ao João Marcelo da Reserva Guainumbi, por acreditar em meu trabalho e ao amigo Luciano Guedes pelas belas fotos, que registram de forma simples, porém emocionante esta nossa aventura.

 

 

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