Estive com meu namorado no deserto do Atacama em junho de 2012, no feriado de Corpus Christi. Embora não tivesse ido somente passarinhar, fiquei muito impressionada com as espécies que habitam esse que é considerado o deserto mais seco do mundo.

Pôr do sol no Salar do Atacama

Pôr do sol no Salar do Atacama

 

  • Texto e fotos: Renata Biancalana
  • Câmera: Canon Rebel Xsi, lente Sigma 50-500

E, realmente, não há hidratante ou água que chegue. O problema não era o calor, mas o tempo frio e seco, bem desconfortável para quem não está acostumado.

O deserto fica na região nordeste do Chile, na fronteira com a Bolívia e cobre uma área gigantesca, com paisagens que alternam vulcões ativos, planícies e salares. Fiquei num hotel all inclusive na pequena cidade de San Pedro de Atacama, base de praticamente todos os roteiros que percorrem o Atacama. Os melhores hotéis incluem pensão completa e passeios pelos salares, lagunas, Vale da Lua, Vale da Morte e gêiser El Tatio.

A altitude andina começa a pesar nas pequenas caminhadas que fazemos logo na chegada ao Atacama e a maioria dos passeios é feita em ordem de altitude, da menor para a maior, de modo que ao longo de alguns dias conseguimos nos adaptar ao soroche, um mal estar causado pela altitude e que provoca enjôos e dores de cabeça. Logo na chegada vimos pomba-de-bando (Zenaida auriculata), tico-tico (Zonotrichia capensis) e Pacific Dove (Zenaida melorda).

Há diversos salares na região, mas o mais próximo da cidade é o Salar de Atacama. Lá é possível observar três espécies de flamingo, o flamingo-chileno (Phoenicopterus chilensis), flamingo-da-puna (Phoenicoparrus jamesi) e flamingo-grande-dos-andes (Phoenicoparrus andinus). Além deles, há inúmeras outras espécies como Crested Duck (Lophonetta specularioides), Kentish Plover (Charadrius alexandrinus) e Andean Avocet (Recurvirostra andina).

Outro passeio muito interessante e que dura um dia é para as Lagunas Miscanti e Miniques. O caminho é lindo e feito pelas pradarias e montanhas até chegar nessas duas lagunas, que estão localizadas próximas ao povoado de Socaire e acima dos 4 mil metros de altitude. As lagunas são cercadas por vulcões e venta bastante. Há uma área de proteção para ninhos de Horned Coot (Fulica cornuta) e é fácil observar bandos de mergulhão-de-orelha-amarela (Podiceps occipitalis) e Puna Tinamou (Tinamotis pentlandii).

Nossa última visita foi ao gêiser El Tatio. Saímos do hotel bem cedo, por volta das 4h da manhã e subimos a cordilheira. É muito frio! Fazia -12oC, quase congelante. Diversas poças com água borbulhante se espalham por uma área enorme, onde é servido o café da manhã ao ar livre. Lá é possível observar a gaivota-andina (Larus serranus), o zorro (raposa), vicunhas e a viscacha (que é um parente da chinchila). No caminho de volta, já numa altitude um pouco mais baixa vimos flamingo-chileno, Andean Goose (Chloephaga melanoptera), Crested Duck, carqueja gigante (Fulica gigantea), Chiguanco Trush (Turdus chiguanco) e colegial (Lessonia rufa).

Recomendo ainda fazer um passeio noturno a um observatório espacial na própria cidade de San Pedro de Atacama. Alguns lugares possuem telescópios bem potentes e o céu do Atacama é considerado um dos mais limpos para ver planetas e estrelas.