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Praia-da-Fortaleza_Ubatuba_Snorkeling_09
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Fishwatching e snorkeling na Praia da Fortaleza

  • Texto e fotos: Claudia Komesu com Olympus TG3
  • Viagem de casal pra curtir fishwatching, sossego e cozinhar

 

Pra fazer fiswatching fora do verão

O verão acabou, mas a vontade de ir pro mar continua. A não ser que esteja muito frio, achamos que com um pouco de neoprene poderíamos continuar com o fishwatching durante a ano todo. Fomos a uma Decathlon e compramos coletes de neoprene, blusas de lycra de manga longa com proteção UV, luvas e meias de neoprene. Como a maioria das coisas da Decathlon, é bem barato. Os meus itens ficaram em R$ 250, isso porque a blusa de lycra custava RS$ 89 e nem era realmente necessária, eu podia ter pegado uma das minhas camisetas de trilha. O Cris já tinha meias e luvas, só comprou colete e blusa de manga longa. Essas camisetas são bem bonitas, queria ver estampas assim pros birdwatchers.

As roupas nos garantiram um bom conforto. Eu sou friorenta e detesto água fria, mas juntou as roupas de neoprene mais a vontade de fotografar peixinhos, foi fácil me jogar na água, que devia estar em torno de 22 graus. Se esfriar mais ainda, imagino que o capuz já fará muita diferença. Em último caso, a roupa de mergulho. Minha única certeza é que dá pra ficar na água mesmo que não esteja calor.

 

A Praia da Fortaleza em Ubatuba

Graças à colega Andrea Ferrari, eu tinha indicações de praias em Ubatuba onde fazer snorkeling. Ela havia indicado Ilha das Couves, Praia da Fortaleza, Tenório e Domingas Dias. Escolhi a da Fortaleza, alugamos uma casa no Airbnb (3 diárias com as taxas de serviço e limpeza saíram por R$ 580) com uma ótima localização: a 200 metros da praia, bem no canto direito, perto da piscina natural.

A Praia da Fortaleza fica depois da Praia Vermelha, um local famoso pra birdwatchers porque tem árvores frutíferas no condomínio que no verão atraem o apuim-de-costas-pretas. Bem em frente ao acesso pra Praia Vermelha é o acesso pra região do Corcovado, onde fica o famoso sítio Folha Seca, aquele paraíso de beija-flores.

O acesso à Praia da Fortaleza são apenas 8km, mas depois de passar pela Praia Vermelha a estrada fica esburacada, sinuosa, estreita, e às vezes você cruza com ônibus ou caminhões e precisa até dar ré. Mesmo assim vale a pena. Se não tiver carros baixos na sua frente, que precisam quase parar pra passar pelos buracos, dá pra fazer o trajeto em 15 minutos.

Há poucos restaurantes por perto, e alguns mercadinhos simples. No verão há várias barraquinhas de comida, dizem. https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g303633-d2344658-Reviews-Fortaleza_Beach-Ubatuba_State_of_Sao_Paulo.html#REVIEWS

É um lugar bom se você quer alugar uma casa e gosta de cozinhar. Se você prefere pousada com restaurante, ali do lado, na Praia do Lázaro, tem O Solar das Águas Cantantes, um local conhecido para birdwatchers. Faz uns anos que não vou lá, mas os quartos eram confortáveis, e tinha um restaurante bom, famoso, mas bem caro.

 

Como foi o fishwatching – minha primeira experiência com mar virado e com motion sickness graças a um cardume de sargentinhos

Fomos na sexta cedo, chegamos a tempo de pegar a maré baixa da hora do almoço. Dia bonito, céu azul, mas a água estava turva, o mar agitado. Muitos sargentinhos, alguns peixes-cofre, tainhas, alguns que eu não sei o nome, e um peixe estranho, escuro, com bico comprido, olhos num local estranho, e a foto ainda cortou um pedaço do “bico” dele, queria descobrir o nome.Tive a sorte de, novamente, ver uma tartaruga. Foi bem rápido, e dessa vez não consegui nem fotografar um pedaço do casco, mas me senti sortuda.

Água muito turva. Estava difícil fotografar e no sábado e no domingo só piorou.

Minhas experiências com fishwatching  tinham sido dias bons na Praia do Forte na Bahia e no Cantão de Bora Bora, perto da Praia da Juréia, litoral norte de São Paulo. Já tinha lido em fóruns que não é uma questão de chuva ou sol, céu azul ou cinza, e sim dos ventos. Nesse fim de semana vimos um pouco dessa situação. Fora nos locais muito rasos na maré baixa, protegidos por pedras, no geral a água estava tão turva que parecia algo sólido. Chegava a ser enervante nadar e não enxergar nada, perder a noção, ter que levantar a cabeça e olhar pra fora da água pra saber pra que lado você estava indo.

Perto das rochas o mar ficava bem agitado, com ondas frequentes, parecia fácil se distrair e uma onda fazer você bater a cabeça. Perto das rochas é preciso nadar o tempo todo com os braços pra frente, não precisa ser esticados, mas de forma que suas mãos ou cotovelos batam nas rochas, e não sua cabeça.

Apesar de um dia difícil na sexta, no sábado acordei em horário passarinheiro, vesti roupa de trilha, tentei passarinhar mas não vi quase nada nos arredores, voltei pra casa, pus a roupa de fishwatching e fui pra praia às 8h, com a maré alta. Nesse dia fiquei mais de 4h na água, consegui fotografar alguns peixes, e as melhores fotos foram de um siri se alimentando.

Siris e caranguejos em geral são bem assustados, mas dessa vez dei sorte. Não sei se era o fluxo da maré subindo, mas ele parecia não perceber minha presença, não fugiu. Eu me ancorei numa pedra com a mão esquerda, me esforçava pra não fazer nenhum gesto brusco, e pude fotografá-lo durante um tempo.

Lá pelas 11h, eu pensando que tinha sido uma bobagem ir pra água com a maré alta, me sentindo meio desanimada, começando até a ficar com frio, e de repente passei por uma experiência: topei com o enorme cardume de sargentinhos que se acostumaram a ser alimentados pelos turistas. Na sexta a gente não tinha visto eles. Será que os bichos realmente sabem quando é fim de semana?

Acho que tinha mais de 100 peixes. De repente eu estava no meio do grupo, eles nadando em círculo e olhar pra eles me deu mal estar, fiquei zonza, quase com ânsia de vômito. Eu tenho esse defeito. Já li uma teoria que explica que essa motion sickness é um conflito entre seu labirinto e seu cérebro. http://www.sciencealert.com/here-s-why-you-get-car-sick-your-brain-thinks-it-s-being-poisoned. Seu labirinto diz que você está parado, mas sua visão diz que você está em movimento: a conclusão do seu cérebro é que você ingeriu algum alimento venenoso (juro que a teoria fala isso), e então ele te dá uns sintomas pra te obrigar a deitar, descansar, se possível vomitar. Em geral não consigo ler com o carro em movimento, enjoo em barco, já passei mal em alguns pousos de avião, vários jogos em primeira pessoa com essa perspectiva mais fechada podem me fazer passar mal. E descobri que um cardume de peixes nadando ao meu redor também pode acabar comigo.

Fiquei com o estômago meio embrulhado por um tempo, mas foi passando aos poucos, não precisei sair da água.

Vi salemas pela primeira vez, consegui uma foto bem ruim, e também vi pequenas anêmonas, foi bem legal.

salema. E olha a situação da água.

Além do siri, vi um caranguejo de pata azul lindo. Esse não deu muito mole, tirei umas fotos, quando tentei aproximar a câmera ele sumiu.

Um peixe-borboleta, um cinzinha desconhecido. As fotos desse dia são as que se salvaram, e você vê como estava turvo.

O sábado foi difícil. No domingo piorou.

 

Praia Domingas Dias

No domingo quisemos conhecer a Domingas Dias, outra praia recomendada pela Andrea. O pico da maré baixa seria umas 13h30, saímos de casa umas 10h30, chegamos na entrada do condomínio umas 10h50. Você precisa ficar na fila de visitantes, o segurança cadastra seu carro e o motorista (teoricamente você precisa estar com um documento. A gente tinha deixado nossas carteiras em casa, só tínhamos o nome do Cris num xerox do licenciamento do carro, ainda bem que o segurança não era daqueles chatos).

Você entra no condomínio, nova fila. Pra comprar zona azul, R$ 12, vale para o dia. Na Praia Vermelha também tem zona azul, e na Fortaleza há os estacionamentos (uns R$ 25), e pouco espaço pra estacionar nas ruas. A gente não tinha problema porque estávamos numa casa com garagem.

Entramos no condomínio e tentamos chegar o mais próximo da ponta direita, que foi o lado que o segurança nos indicou pra mergulho. Estacionamos o carro e reparei num homem carregando um caiaque, parecia alguém que entendia do assunto, pedi informação sobre snorkeling, ele explicou que era pra virar na rua á direita, passar por uma portaria, seguir o caminho em direção à praia, e estaríamos na Domingas Dias, e que o lado esquerdo era mais interessante pra snorkeling.

A Domingas Dias é uma praia pequena, família, tinha um segurança pra quem perguntamos de novo e ele confirmou que aquele era o canto certo. Pegamos máscara, câmera, meias e luvas, nadadeiras, entramos na água e… não vimos nada. Não vi nenhum peixe. Nenhum, não conseguia ver nem o fundo de areia, a água parecia sólida. Nadamos mais de 50 metros beirando as rochas, reconheci que estava impossível, falei pro Cris pra voltarmos.

De volta à areia topamos com o cara do caiaque, ele falou que realmente o mar estava bem virado, perigoso.

Andando de volta pro carro, cruzamos com um casal com equipamento pra snorkeling, eles nos pararam e perguntaram como estava o mar. Contamos. Eles nos falaram que estiveram em Prumirim, mas que também estava muito difícil, que até foi possível ver os peixes mas que o mar estava tão agitado que dava medo. Eles pareciam mais experientes do que eu, ouvir isso deles e do cara do caiaque me fez me sentir menos mané por estar achando o fim de semana tão difícil.

 

Decidimos voltar pra Praia da Fortaleza. A água estava turva e o mar agitado, mas foi possível ver alguns peixes, inclusive os bandos grandes de sargentinhos (o Cris viu, eu nem tentei ir atrás), umas marias-da-toca, também vi algas vermelhas bem bonitas que não tinha reparado nelas nos outros dias. No meio dessas algas vi um peixe que lembrava uma maria-da-toca, mas era roxo, não consegui foto. Outro bicho que eu vi (no sábado) e não consegui foto provavelmente era uma garoupa.

 

Gostamos bastante da Praia da Fortaleza e pretendemos voltar mais vezes.

A Ilha das Couves parece ser um dos points mais famosos no Estado de São Paulo, mas a gente gosta muito dessa ideia de estar hospedado perto do local, poder sair do mar e logo estar em casa preparando o almoço, então por enquanto Bora Bora e Fortaleza estão como bons lugares pra voltar.

Piscina natural na Praia da Fortaleza, canto direito da praia. A maioria dos peixes você vê no meio dessas pedras. A maré vai baixando, e pode ficar tão raso que era frequente a gente encalhar, me sentia uma foca desajeitada tentando pular pedras.

 

Sobre cozinhar na praia

Se você quiser fazer esse esquema de Airbnb na região, comprar peixe e cozinhar, temos umas dicas e recomendações:

– há épocas pros peixes, e agora estava uma época muito fraca. Na teoria junho e agosto são os meses melhores. Não tinha quase nada no Mercado de Peixes de Ubatuba, então fomos pra Peixaria do Orlando, que parecia ter mais oferta. Compramos pargo, cambucu, lagostim, polvo congelado – ficou caro, pagamos R$ 270. Na primeira noite fizemos ceviche com o pargo, mas não conseguimos comer, o gosto era de peixe não-fresco. No sábado queríamos fazer polvo tostado com páprica e alho, mas descobrimos que tinham nos vendido polvo estragado, além de enganação, pedimos um polvo grande e quando abrimos o pacote descobrimos que eram dois pequenos: embalados à vácuo você não consegue ver. Estava cheirando muito forte, jogamos fora: ou seja, não confie na Peixaria do Orlando. Os lagostins se salvaram, mas o cambucu nos fez passar um pouco mal.

– na Praia do Lázaro tem a peixaria Água Viva, fomos lá pra ver se encontrávamos algo. Compramos tentáculos de polvo, pescada, camarões. Não estava ruim, mas é tudo congelado cru, e os frutos do mar congelados cruz encolhem drasticamente depois de cozidos.

– Na viagem em fevereiro pra São Sebastião compramos um cambucu grande, na Peixaria Arrastão. Foi caro, R$ 45 o quilo, nossa conta ficou em R$ 240, mas valeu a pena. O peixe estava delicioso, fizemos ceviche, moqueca, peixe grelhado, e ainda pudemos congelar, trazer pra São Paulo e tivemos peixe pra fazer moqueca mais duas vezes.

Concluímos que:

– da próxima vez que formos pra Praia da Fortaleza, vamos tentar achar bons mercados de peixe em Caraguatatuba, que fica no caminho, antes de chegar na entrada pra Fortaleza. Da Praia da Fortaleza até o centro de Ubatuba são 50 minutos, é muito longe.

– na peixaria, vamos sempre comprar o que for mais abundante na época (tinha bastante tainha e anchova, mas como são peixes que a gente sempre come em São Paulo, quisemos outros e nos demos mal).

– mesmo que for caro, vamos tentar comprar peixes grandes. Menos espinhas, filés mais grossos, o que sobrar você congela e leva.

– não vamos comprar mais camarões congelados crus, encolhem muito.

– se for pra comprar polvo, só tentáculos, não inteiros, e sabendo que vão encolher bastante.

– Peixaria do Orlando nunca mais. O Cris falou que deu uma olhada no Facebook, na página deles tem poucos comentários, mas um deles diz que também comprou peixe estragado.

 

Pelo o que eu saiba essa pesca não é predatória, não é como atum e meca, e parece que há um controle rigoroso. Uma moça no mercado estava até nos contando que os fiscais são sempre de outras cidades, pra não correr o risco do fiscal ter amigos e conhecidos e fazer vista grossa pra alguns. Mas se eu estiver errada, me falem. Adoramos frutos do mar, mas nada vale a pena consumir se destrói a natureza.

 

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