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Escrevi este artigo para a Revista Passarinhando em 2015.  Publiquei no Virtude em out/15, e atualizo com informações de mar/16.

Pra quem precisa de informações básicas sobre o que é passarinhar, vale a pena ver este link: http://virtude-ag.com/birdwatching/ (o que é, onde ir, de que você precisa, informações sobre câmeras e binóculos, guias, locais, onde encontrar outros birdwatchers).

  • Texto e fotos: Claudia Komesu. As fotos foram feitas nos respectivos parques descritos.

Para quem está começando, os parques urbanos ou um sítio de um amigo são ótimos lugares. No sítio, basta acordar cedo, mover-se devagar, manter-se atento a sons e movimento das folhas, se possível procurar plantas que estejam com flores ou frutos, e tenha certeza de que você verá muitas aves. Para os parques urbanos de São Paulo, seguem minhas indicações.

Passarinhando nos parques urbanos de São Paulo

Ainda que não me considere especialmente neurótica, andar com câmera grande em qualquer lugar de São Paulo não parecia ser a atitude mais sábia. Passei anos passarinhando só em outras cidades e sempre acompanhada. Mas aos poucos, e com mais intensidade em 2014, descobri que é possível passarinhar na cidade de São Paulo, mesmo sozinha e com uma câmera chamativa.

É seguro passarinhar em parques urbanos?

Quem me dera poder garantir que se você for pra tal lugar, nunca haverá risco. Riscos existem sempre, mas vou compartilhar algumas considerações de quem passarinhou bastante em 2014 em parques urbanos, sozinha e também na companhia de amigos.

– Nos parques urbanos, o maior cuidado é não ir para lugares isolados do fluxo de pessoas. Sempre há gente correndo ou caminhando, é mais difícil alguém querer lhe assaltar se houver outras pessoas por perto. Além disso, vários parques de São Paulo têm seguranças fazendo a ronda.

– Evito lugares isolados, mas tento não expor o equipamento se há muita gente em volta. Se estou sozinha só tiro a câmera perto das trilhas e guardo antes de voltar para perto do estacionamento ou a entrada do parque.

– Se você está sozinho e é sua primeira vez no parque, também é prudente não tirar a câmera logo que você chega, e sim dar uma volta e olhar as pessoas, sentir se há um clima seguro.

– Lugares como o Ibirapuera, o Villa-Lobos, o Jardim Botânico, o Burle-Marx até mesmo o Horto e o Parque Ecológico do Tietê me transmitiram segurança, porque são locais em que todos parecem estar lá para praticar atividades físicas ou apreciar o parque. Não tenho vontade de ir a parques próximos de grandes aglomerações urbanas, como os parques do centro ou o Trianon, esses eu considero arriscados.

Atualização: no início de 2016 houve o relato de dois incidentes horríveis no Ibirapuera e no Villa-Lobos: no Ibirapuera uma moça foi estuprada por 6 homens, e no Villa-Lobos uma moça que andava de bicicleta sofreu uma tentativa de estupro, no meio da tarde. Dois homens a derrubaram da bicicleta, rasgaram a roupa dela, mas fugiram porque ela gritou muito e outras pessoas se aproximaram. No Ibirapuera aconteceu perto de um dos melhores locais pra passarinhar, os arredores do Viveiro Manequinho Lopes. Mas já era de noite, e num domingo após um desses encontros que reúnem milhares de jovens, os rolezinhos, então pra mim esses foram os fatores de risco. Vou ao parque durante dias da semana e me sinto segurança.

– Apesar de todas as precauções, talvez você se veja numa situação de sentir que alguém está lhe seguindo, e sem gente em volta para ajudar. Nesse caso, a sugestão é você abordar a pessoa. Pergunte as horas, alguma informação sobre o local, seja simpático, puxe papo. Não sei explicar o mecanismo, mas muitas vezes isso desconcerta o assaltante e impede o crime. E se não era um assaltante, só uma má impressão, você acaba com a angústia também. (Não tenho experiência própria, só li a respeito, e tenho um amigo que me disse que já sentiu que seria assaltado e usou essa técnica).

– Em áreas rurais, parques estaduais ou nacionais o risco de assalto é menor ainda. Nos Estados Unidos, Europa, África do Sul andei sem medo, inclusive em trilhas isoladas. Mas no Brasil ajo diferente.

Parque do Ibirapuera

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curicaca
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pula-pula
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corrupião. Não é do Sudeste, mas uma população que escapou das prisões agora mora na cidade
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alma-de-gato
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pardais-gigantes-dourados
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falcão-coleira
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em julho, imperdível. O parque fica lindo
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mergulhão-caçador
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sanhaçu-cinzento
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quando a ave está muito alto, dói o pescoço
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mocho-diabo
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gavião-miúdo
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beija-flor-tesoura
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cambacica

Ótimo para fotografar, diversidade de ambientes, em geral não há proibições à fotografia

O meu favorito, apesar de eu já ter sido proibida de fotografar lá em janeiro de 2015. Mas considero um caso isolado, no geral não parece haver incidentes. Em fev/2016 eu e meu marido estávamos fotografando no Viveiro, um segurança veio nos perguntar o objetivo das fotos.  De forma muito polida, e até se desculpando por ter que perguntar. Explicamos que era hobby, foi o suficiente. Não temos problema em responder perguntas do segurança, só é ruim quando o segurança não aceita nossa palavra e fica repetindo “isso é equipamento profissional e precisa de autorização”. Não se mede o objetivo das fotos pelo tamanho da câmera, e é muito fácil identificar fotógrafos amadores de natureza: http://virtude-ag.com/como-evitar-um-ataque-de-angry-birdwatchers-mar2016/

Há as aves comuns de áreas abertas e com água, e também é possível ver cardeal-do-nordeste, corrupião, papagaio-verdadeiro, maracanã-pequena, arapaçu-do-cerrado, gavião-miúdo, falcão-de-coleira, pica-pau-de-banda-branca, curicaca, mariquita, pula-pula, sabiá-laranjeira leucístico, saí-canário, e até mesmo um mocho-diabo.

O viveiro de plantas Manequinho Lopes e seus arredores é parada obrigatória. O pica-pau-de-cabeça-amarela está sempre por lá, e às vezes há pintassilgos nos margaridões. Em setembro-outubro às vezes o sabiá-ferreiro aparece nessa área. Em meio às árvores altas, fique atento para a possibilidade de ver-ouvir pica-paus. Em julho a floração dos ipês rosa dá um toque onírico ao parque. Em agosto há a floração das cerejeiras, outra beleza de se ver.

O parque é muito popular, e em fins de semana com sol pode ficar intransitável. Todas as vezes que fui passarinhar foi durante a semana, mas imagino que em finais de semana é possível aproveitar o período das 6h às 10h.

Segurança: no início de 2016 houve um triste relato de estupro coletivo no parque. Foi num domingo, num dia de rolezinho. Sempre há riscos, ainda mais em lugares de aglomerações, mas como relatei, já fui ao parque várias vezes durante a semana no período da manhã, andei sozinha e carregando a câmera, evitei andar em locais isolados do fluxo de gente ou com mata fechada, e me senti tranquila o tempo todo.

  • Parque do Ibirapuera: Av. Pedro Álvares Cabral, s/n (portões 2, 3 e 10), Av. IV Centenário – portões 6 e 7A, Av. República do Líbano – portão 7
  • Funcionamento: das 5h às 0h (aberto 24h de sábado para domingo).
  • Tem restaurante, lanchonete, quiosques, sanitários. O estacionamento precisa de zona azul a partir das 8h.
  • Mais informações: http://www.parqueibirapuera.org/parque-ibirapuera/parque-ibirapuera/

Parque Villa-Lobos

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tiê-de-topete F
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bem-te-vi
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periquito-rico
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canário-da-terra-verdadeiro M
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suiriri-cavaleiro destemido
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joão-de-barro
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primavera
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tuim
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quero-quero
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suiriri-cavaleiro (ele não é gordo, as aves às vezes inflam o peito e ficam assim)
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pombão
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tesourinha
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quero-quero filhote
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pardais F e jovens pidões
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bico-de-lacre
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perto da marginal, o melhor lugar para as aves de áreas abertas
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bem-te-vi

Exige autorização prévia se sua câmera for maior do que uma compacta (infelizmente eles ainda são do tipo que medem pelo tamanho da câmera). Tem boas oportunidades, especialmente para iniciantes, nas áreas abertas, mas infelizmente é neurótico com essa questão de autorização

Até 2014 o Villa-Lobos foi o parque do Avistar – o maior encontro de observadores de aves da América. Em 2015 o Avistar passou para o Butantan. Nos dias do encontro, os observadores experientes encontram pavó, coruja-orelhuda, gavião-miúdo. Moro a 15 minutos do parque, já fui passarinhar lá algumas vezes, mas nunca vi essas espécies. Ainda assim, sempre me diverti com as aves de áreas abertas.

Nos gramados perto da marginal é provável encontrar os periquitos, os canários, os quero-queros, bicos-de-lacre. Os periquitos aproveitam a frutificação das paineiras no início de agosto, e as flores do jacarandá-mimoso no final de setembro. As aves se alimentando, ou essas mais comuns – se você se abaixa bastante, ou até deita de bruços na grama, sempre rendem fotos legais.

Moro a 15 minutos do parque, por isso fui várias vezes, mas tinha que seguir o ritual de ir até a administração e conseguir uma autorização para fotografar. Algumas vezes consegui convencer o diretor do parque a assinar embaixo do papel, dizendo que valia por x meses, mas a autorização é feita para durar um dia só. No Parque dos Trabalhadores, por exemplo, era isso que eles estavam fazendo: obrigando os birdwatchers a pegarem uma autorização por dia.

Um outro ponto negativo do parque é ser absurdamente popular às 6h, de ter fila de carros para entrar. Tentei passarinhar lá uma manhã, mas era gente demais correndo e caminhando, então acabava indo no início da tarde: um horário nada passarinheiro, mas pelo menos mais tranquilo.

Não sei se as coisas mudaram, mas a segurança era bem rígida com fotógrafos. Eu chegava no parque, procurava um segurança, mostrava minha autorização, pedia para ele avisar os colegas. Às vezes a comunicação falhava, e eu era abordada por uns três seguranças durante meu passeio. É uma droga se sentir uma criminosa porque você tem uma câmera grande e está fotografando natureza.

Segurança: Considerava agradável, bom para ver as aves de áreas abertas, ou seja, bom para iniciantes. Em março de 2016 houve uma tentativa de estupro a uma mulher que andava de bicicleta, às 15h, num local aberto. Estou começando a fazer a atualização deste post (jan/17), e parece que não houve mais nenhum caso, vou aguardar informações oficiais do parque.

  • Parque Villa-Lobos: Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001
  • Funcionamento: das 5h30 às 19h. No horário de verão, até às 20h
  • Lanchonete, sanitários, estacionamento, bicicletas para alugar.

Parque Ecológico do Tietê – PET

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curutié
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figuinha-de-rabo-castanho
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frango-d´água-comum jovem
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cardeal
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tuim M
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mergulhão-caçador
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ferreirinho-relógio
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gavião-belo
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Alguns anos atrás o parque tinha a fama de ser um local perigoso, mas fui com alguns amigos no ano passado e vimos que hoje é diferente: seguranças em carros e motos circulando pelo parque, muita gente caminhando, desses que olham pra você, sorriem e falam bom dia. A administração do parque é a favor da observação de aves.

As estradas principais em que circulam a maioria dos caminhantes e os carros da segurança parecem seguras. Há trilhas secundárias, que adentram na região da várzea (onde você pode ser devorado por pernilongos) e a região de reflorestamento perto da rodovia, com várias árvores atrativas para aves – mas talvez seja melhor ir sempre acompanhado nesses locais isolados do fluxo de gente.

Aves prováveis de se ver: carão, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, savacu, socozinho, biguá, garça-moura, frango-d´água-comum, biguatinga, pé-vermelho, lavadeira-mascarada, jaçanã, cardeal, curutié, sabiá-laranjeira, sabiá-poca, sabiá-barranco, tuim, periquito-rico, ferreirinho-relógio, bem-te-vi, bem-te-vi-rajado, mergulhão-caçador, martim-pescador-pequeno, coleirinho, pia-cobra, cambacica, figurinha-de-rabo-castanho, joão-de-barro, pula-pula, caracará, gavião-carijó. Durante uma época um gavião-belo morou no parque. Também há registros de tiê-sangue, pavó, marrecas e maçaricos.

O parque tem uma população grande de quatis. Não os alimente.

As três vezes que fui foi durante a semana. Em fins de semana fica bem lotado, mas provavelmente das 6h às 10h é possível passarinhar.

Instituto Butantan

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O Instituto Butantan tornou-se um dos parques mais queridos para os birdwatchers. Ele criou o primeiro Observatório de Aves do Brasil, contratou o conhecido ornitólogo Luciano Lima para liderar o projeto, lançou o #Vempassarinhar, um passeio mensal gratuito por áreas do parque que são de acesso restrito no meio da mata, que já reuniu mais de 150 pessoas. É um passeio ótimo para iniciantes, eles têm até binóculos para emprestar. Neste link do Facebook você fica a par das novidades e dos próximos passeios: https://www.facebook.com/observatoriodeavesibu

Para ver a lista de aves já registradas no Butantan, você pode ver o Ebird http://ebird.org/ebird/brasil/hotspot/L2951581?yr=all&m=&rank=mrec

O Ebird é usado por observadores de aves do mundo todo, o pessoal do Butantan usa bastante, e têm encontrado estrangeiros no parque que foram passarinhar no Butantan graças ao Ebird.

O parque funciona todos os dias, das 7h às 18h, o acesso é gratuito e tem estacionamento. Dentro do parque há lanchonete, sanitários, museus (de acesso pago). Mais informações aqui: http://www.butantan.gov.br/visitacao/Paginas/default.aspx

Neste ano o Avistar mudou-se para o Butantan, uma novidade muito elogiada. A administração do Butantan valoriza o birdwatching, algo que o Villa-Lobos não fazia. Os birdwatchers gostaram da mudança. Nos sentimos mais bem-vindos, e os visitantes do Butantan parecem ser pessoas mais interessadas em ciência e natureza.

Não me pergunte por que, mas ainda não passarinhei muito no Butantan. Na verdade, só fiz um rápido passeio em junho, peguei um finalzinho de um dos #Vempassarinhar. Mas deu pra ver que é uma atividade muito legal, clima de amizade, pessoas tranquilas. Se não me engano, a administração sugere que as pessoas levem bolos, pães, e no final do passeio montam uma mesa coletiva em que todos compartilham. Outro momento legal do passeio foi quando eu e a Juliana paramos para fotografar umas borboletas, e logo havia várias pessoas ao nosso redor fotografando e olhando as borboletas também. Ficamos felizes de ver esses iniciantes com olhos para tudo da natureza, não apenas bitolados em espécies raras.

Fora dos dias do Vempassarinhar não há acesso às trilhas da mata, mas nas áreas de visitação comum vimos uma boa movimentação de aves. Mariquita, pica-pau-de-cabeça-amarela, arredio-pálido, sabiás, bem-te-vi, periquito-rico. É um lugar bem agradável, sem risco de ser proibido de fotografar.

Represa de Guarapiranga – passarinhando de caiaque

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gavião-caramujeiro
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águia-pescadora
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era fácil assim
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imensidão de biguás e garças
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O amigo Vinícius Neves me apresentou um passeio que eu adorei: passarinhar de dentro de um caiaque. Antes do primeiro passeio havia aquelas dúvidas sobre o risco do caiaque virar, e se durante as remadas molha muito a câmera. Mas por fim decidi ir, e foi uma delícia. Fui passarinhar três vezes, e agora no verão de 2015 pretendo voltar.

O risco de um caiaque virar num lugar como a Guarapiranga é baixo: a não ser que o clima esteja ruim, ventando muito, e nesse caso você não deve fazer o passeio. Fui com a câmera no colo, e dependendo do ângulo do remo molhava um pouco, mas logo você aprende o movimento certo. Levamos também uma bolsa impermeável, e nuns trechos mais longos, para remar despreocupados com os respingos, guardávamos a câmera na bolsa. Entretanto, em locais de rios com corredeiras, é desaconselhável levar uma câmera que não seja à prova d´água. Em Brotas, por exemplo, me vi obrigada a só olhar com os olhos os macacos-pregos, dois machos de saí-andorinha brigando na frente de uma fêmea, martins-pescadores… uma mata muito bonita, mas respingos demais, não era seguro para a câmera.

Passarinhar de caiaque é mais intenso do que passarinhar de dentro de um barquinho. Você fica mais próximo da água, não há barulho de motor, você se move como quiser usando a força dos seus braços.

Aves do passeio: gavião-caramujeiro, pernilongos-de-costas-brancas, marreca-cricri, maria-faceira, garça-moura, jaçanã, biguatinga, biguá, bem-te-vi, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, socozinho, lavadeira-mascarada, irerê, frango- d´água-comum, quero-quero, carrapateiro. Numa das vezes vimos uma águia-pescadora, e em outra um cabeça-seca.

Todos os passeios foram feitos com o Raul Porto Serricchio, que aluga os caiaques e também lhe acompanha durante o passeio. Em fins de semana é concorrido conseguir vaga com ele. Os passeios na Guarapiranga, nesse trecho em frente ao Solo Sagrado foram tranquilos, mas ouvi falar que na Billings pode ser perigoso.

  • Raul Serricchio. Contatos: Claro 9 9257-4860 / Vivo 9 7474-7660 / Tim 9 8710-1832. O preço do aluguel do caiaque é R$ 20 / hora em fins de semana. Durante a semana, o Raul consegue dar descontos, como R$ 50 pela manhã toda, ou até mais barato se for em grupos grandes. https://www.facebook.com/raul.portoserricchio
  • O ponto de onde se sai para o passeio fica em frente ao Solo Sagrado, num condomínio particular. Pelo menos no ano passado, se avisávamos com antecedência havia água de coco gelada para comprar, (e sempre havia refrigerantes e cerveja) e saquinhos de batata frita.
  • http://virtude-ag.com/birdwatching-caiaque-guarapiranga-fev14-claudia-komesu/

Parque Linear Nove de Julho

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mergulhão-grande
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mergulhão-grande, repare no filhotinho nas costas da ave da direita
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caminheiro-zumbidor

Este é o lugar mais provável para ver o mergulhão-grande, uma ave que em geral vive no Sul, mas uma população se estabeleceu em alguns locais da cidade de São Paulo.

No dia que fui o show foi principalmente o mergulhão com um lindo filhotinho nas costas. Mas também é possível ver pernilongos-de-costas-brancas, caminheiro-zumbidor, bico-de-lacre, polícia-inglesa-do-sul, primavera, canário-da-terra, bico-de-lacre, suiriri-pequeno, marreca-cricri, mergulhão-caçador.

Há seguranças no parque, e ninguém implicou com as câmeras. As pessoas estavam curiosas com a gente, e alguns garotos de bicicleta vieram falar coisas como “Me paga um real e eu deixo tirar uma foto minha”, mas o clima era tranquilo. O parque é pequeno e as áreas são abertas, considero baixo o risco de assalto.

Fomos durante a semana em torno das 9h e pegamos muito trânsito. Se você for, recomendo programar para chegar antes das 7h, para pegar menos congestionamento. Agradeço ao Marco Silva, foi ele que entregou o ouro e contou sobre esse lugar tão legal. Obrigada também pela companhia do Luiz Kagiyama, da Ju Diniz e da Silvia Linhares.

Jardim Botânico de São Paulo

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marreca-pardinha, ilustre
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biguá

Um parque bonito, tranquilo, seguro. Palmeiras altas, restaurante e lanchonete, deck e passarela de madeira. Nos fins de semana é um local popular para piqueniques. Há bugios, e em alguns horários você pode ouvir aquele som incrível que eles fazem, que parece corrida de kart.

O Jardim Botânico de São Paulo abriga uma população de marreca-pardinha (Anas flavirostris). Outro caso de espécie que vive no Sul, mas um grupo decidiu se estabelecer em São Paulo. Também há jacupembas, tucano-de-bico-verde, pé-vermelho, irerê, frango- d´água-comum, biguá, savacu, colhereiro, alma-de-gato, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, (inclusive com uma árvore dormitório) garça-moura, pica-pau-do-campo, saracura-do-mato, pula-pula, suiriri-cavaleiro, bem-te-vi, beija-flor-de-peito-azul, lavadeira-mascarada, pica-pau-de-banda-branca.

Apesar da mata ser bem interessante, nas vezes que fui – inclusive às 6h, nunca vi muitas aves. No ano passado a administração do parque iniciou um diálogo com os birdwatchers, havia a chance de haver uma parceria com o Centro de Estudos Ornitológicos mas acho que não vingou. Neste ano aconteceu algo muito legal: um estagiário de botânica, o Matheus Bernardo, participou de um Vempassarinhar no Butantan e se inspirou a fazer algo semelhante no Botânico. Ele está começando a delinear um projeto, e parece que tem o aval do ótimo diretor Domingos Rodrigues. No dia que fui conversar com o Matheus, ouvimos arapongas, e ele contou que na semana anterior havia visto um casal de gaturamos-rei. Talvez essa história de não ver muitas aves no Botânico tenha sido só azar meu, acho que o Matheus conseguirá mostrar que há muitas.

No dia 9 de outubro Matheus e Marco Silva foram passarinhar, e registraram mais de 40 espécies em algumas horas. Quem quiser ver a lista: http://ebird.org/ebird/brasil/view/checklist?subID=S25352805

O Jardim Botânico também é ótimo para fotografia de insetos.

  • Jardim Botânico de São Paulo: Av. Miguel Estefano, 3.031
  • Funcionamento: terça a domingo, das 9h às 17h. Quem faz a carteirinha de caminhante ou de observador de aves pode entrar às 6h.
  • É possível ir até o Metrô São Judas, e de lá pegar um táxi que deve sair por menos de R$ 15.

Parque da Aclimação

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coleirinho F
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coleirinho M
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frango-d- água-comum e garça-branca-grande
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Só fui uma vez, numa rápida passagem depois do almoço, mas decidi citar porque considerei um local tranquilo e agradável, com um diferencial: há um comedouro com muitos mamões e bananas, mantido por um senhor que todos os dias vai colocar frutas para as aves. Na hora que passei por lá eram principalmente sabiás, bem-te-vis e sanhaçus, não sei se pela manhã aparecem outras aves.

Vi periquito-rico, coleirinho, garça-branca-grande, frango-d´água-comum, bem-te-vi, sanhaçu-cinzento, sabiá-laranjeira, quero-quero, corruíra. O Wiki tem registros de pica-pau-de-cabeça-amarela, beija-flor-de-fronte-violeta, biguá, savacu, pombão, pica-pau-anão-de-coleira, ferreirinho-relógio, bico-de-lacre, maçarico-solitário, pica-pau-de-banda-branca, arapaçu-de-cerrado, garça-moura, garça-branca-pequena, juruviara, tiê-de-topete.

Não há lanchonete dentro do parque, mas há estabelecimentos nos arredores. Para almoçar recomendo um vegetariano em frente ao parque, no Anna Prem, na Rua Muniz de Souza 1.170.

Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Curucutu

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Quase fora do município de São Paulo. Fica a 2h da Zona Sul, uma pequena aventura para chegar, inclusive o trecho final, de estrada de terra bem esburacada. Mas se você quer um pouco de aventura off-road, vale a pena.

Não vimos muitas aves, mas em compensação foi a ocasião em que vi corocochós mais de perto. Lindos, tranquilos, sem medo. Vimos também um papa-moscas-cinzento bem de perto, tangará, choquinha-de-asa-ferrugem, bico-virado-carijó de relance.

A lista oficial do parque tem muitas espécies interessantes, mas um dos colegas ornitólogos que conhece o parque havia avisado que a diversidade é alta, mas os avistamentos são esparsos. Ainda assim, recomendo o passeio, tanto para mudar da sintonia urbana, como pelas belas paisagens.

Mais informações

Horto Florestal

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capivaras
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choca-barrada F
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chorozinho-de-asa-vermelha M
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miudinho
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O Horto fica próximo da Cantareira, mas diferente da Cantareira abre também durante a semana. Fui lá duas vezes. Na primeira vi um casal de falcões-relógio (mas sem mole para fotos). Na segunda vez tivemos um momento incrível com um casal de chorozinhos-de-asa-vermelha e o miudinho, ambos no nível dos olhos, às vezes até mais baixo, e bem próximos, eles não se importavam com nossa presença.

Também vimos arapaçu-de-garganta-branca comendo lagartixa, martim-pescador-verde, vira-folha, bico-chato-de-orelha-preta, socozinho, garça-branca-pequena, pé-vermelho, frango-d´água-comum, biguá, biguatinga, choca-da-mata, choca-barrada, bem-te-vi, tiê-de-topete, saí-canário, saíra-de-chapéu-preto, pitiguari, pica-pau-anão-escamado, picapauzinho-verde-carijó, piolhinho, fim-fim, tiriba-de-testa-vermelha. No lago há capivaras e tartarugas.

Há mais de uma entrada no parque, veja as indicações abaixo para ver o local que entramos, onde havia o casal de falcões-relógio por perto, e o bando de chorozinhos e a saíras ao redor do lago.

Acho que não há lanchonete no local. O clima é tranquilo, com muitas pessoas fazendo caminhada pela manhã durante a semana. Imagino que em fins de semana é mais lotado.

Um funcionário veio nos pedir gentilmente para irmos, quando possível, até a administração assinar o tal termo de não comercialização das imagens. Mas ele foi muito simpático, e disse “quando estiverem terminando, não precisa ser agora”.

  • Horto Florestal: Rua do Horto, 931 – Horto. Coloque esse endereço no Waze ou no GPS. Chegará um momento, logo após um post de gasolina, já na Av. Santa Inês, que você já verá o parque. Me disseram que em alguns casos o GPS lhe manda seguir para a direita, mas o certo é seguir para a esquerda, e olhar as placas. A avenida circunda o parque, e logo vai aparecer uma placa de Horto – Estacionamento. Siga essa placa. Tem um local que há uma bifurcação sem placa, mas você sabe que o parque fica para a direita, siga pra lá, logo você verá uma pequena entrada “Parque Estadual Alberto Lofgren”, essa é a entrada certa. Vale a pena ficar um pouco nos arredores do estacionamento e do pequeno lago.
  • Funcionamento: das 6h às 18h (como sempre os sites oficiais dizem que abre às 8h, mas na verdade abre às 6h).

Parque Burle-Marx

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garça-branca-pequena
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socozinho
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O Parque Burle-Marx é uma pequena área verde no Morumbi, com trechos de Mata Atlântica densa, às margens da Marginal Pinheiros. Não é um parque municipal, e sim administrado por uma fundação. Infelizmente, isso não o salva do risco de ter um bom pedaço destruído pela possível construção de uma nova ponte.

Fomos apenas uma vez no local, mas posso dizer que é agradável e tranquilo. Vimos abre-asa-de-cabeça-cinza, mariquita, socozinho, savacu, garça-branca-pequena, alma-de-gato, pica-pau-de-cabeça-amarela, sabiá-laranjeira, e também uma juriti-gemedeira – uma pomba de mata, arisca, que eu ainda não tinha conseguido fotografar. No Wikiaves há registro de pica-pau-de-banda-branca, pica-pau-de-cabeça-amarela, gaturamo-bandeira, tuim, periquito-rico, sabiá-barranco e até sabiá-coleira. E sei que um amigo já viu pavó por lá.

No dia que fomos um segurança veio nos falar que era preciso pagar a taxa de R$ 30 para fotografar. Expliquei que era fotografia por hobby, não comercial, e que quando a administração abrisse iríamos lá falar com eles. Foi tudo tranquilo, mas imagino que é daqueles casos em que de vez em quando há funcionários mal informados, porque um tempo depois soube de um amigo de quem tentaram cobrar taxa. Mas você pode ir sem receio, se precisar mostre que no próprio site deles, na página http://parqueburlemarx.com.br/fotos-e-filmagens/ há a informação *Não é necessário autorização para realizar fotos da natureza (sem finalidade comercial)*

Parque do Carmo

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pica-pau-de-cabeça-amarela, me parece o mais comum na cidade, já vi até na rua
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em julho
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tiê-de-topete
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saíra-amarela

Outro parque que só fui uma vez, devido à distância (fica em Itaquera). Na relação custo-benefício, o Ibirapuera é mais atrativo, mas com certeza é um local que vale a pena, especialmente em julho na floração das cerejeiras. Combinado com piquenique fica um passeio delicioso.

Pegamos um dia nublado, e na verdade não vimos muitas aves, mas tivemos a sorte de topar com um estrelinha-ametista macho e um gavião-de-cabeça-cinza. Também vimos papagaio-verdadeiro, pica-pau-de-cabeça-amarela, tiê-de-topete, pica-pau-verde-barrado, pitiguari, saíra-amarela, garça-branca-pequena, cambacica, sanhaçu-cinzento, beija-flor-tesoura. Na hora do almoço o tempo abriu e começaram a aparecer mais aves nas cerejeiras, mas tínhamos hora para ir embora.

Parque Estadual da Cantareira

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juruviara
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tangará
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saí-andorinha F
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saíra-lagarta

Para os birdwatchers mais experientes, a Cantareira costuma ser o parque favorito, porque é o local em que você pode ver aves como chocão-carijó, limpa-folha-coroado, choquinha-de-garganta-pintada, arapaçu-rajado, flautim, tiê-do-mato-grosso, surucuá-variado, araçari-banana, até mesmo macuco. É uma mata incrível mas só abre em fins de semana e feriados, o que pra mim dificulta. Se você é o tipo de gente normal, que costuma passear em fins de semana, e não tem problemas para fotografar em ambientes de mata fechada, recomendo.

Eu só fui à Cantareira em 2008, quando nem sabia que estava me tornando uma birdwatcher. Ficamos com uma impressão ruim porque os seguranças vieram nos falar que era perigoso andar lá com aquelas câmeras grandes, e que umas semanas atrás haviam roubado a câmera de uma mulher. Mas os colegas que frequentam a Cantareira hoje em dia dizem que não sentem que é perigoso assim, ainda que recomendem não ir sozinho.

Fomos umas três vezes no final de 2008. Mesmo meio inexperientes e sem playback, fotografamos saí-andorinha, saíra-sete-cores, caneleiro, arapaçu-verde, juruviara, bico-chato-de-orelha-preta, limpa-folha-de-testa-baia, tangará, choca-da-mata, tiê-de-topete, bem-te-vi-rajado, mergulhão-caçador. E vimos araçari-banana e tiês-do-mato-grosso.

  • Mais informações: http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-da-cantareira/
  • Também vale a pena usar o Wikiaves, menu Fotos à Busca Avançada, escreva Local: Cantareira, cidade São Paulo – SP, você verá os registros e em que núcleos foram feitos. Se precisar, entre em contato com o autor da foto para pedir dicas.

Zoológico de São Paulo

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Entre 2006 e 2008 fomos mais de 10 vezes ao zoológico de São Paulo, com a desculpa de que era para levar meu enteado, mas nós gostávamos de ver os bichos. Depois que começamos a ir para a África do Sul, foi ficando triste ver os bichos confinados e paramos de ir, mas é um ótimo lugar para praticar fotografia e observar um pouco os animais.

O local é seguro, ninguém se incomoda com as câmeras grandes. Se o animal estiver longe das grades, você consegue focar no bicho e as grades quase desaparecem, tornando a foto mais estética. Oportunidade para ver bem de perto bichos como gavião-pega-macaco, urubu-rei, harpia, gavião-de-penacho, araras, periquitos, onças, leões, elefante, girafas, zebras etc…

Na mata do zoo já vimos bugios e tucanos-de-bico-verde. Não sei se de manhã há chance de ver mais aves.

Sobre a restrição à fotografia de natureza no Brasil

Os parques brasileiros municipais, estaduais ou nacionais, em geral são regidos por algum tipo de portaria ou instrução normativa.

Esses regulamentos dizem que se a pessoa for fazer uso comercial da imagem precisa pagar uma taxa ao parque. Algo como uns R$ 3 mil por uma manhã, porque pressupõe gravação de comercial. É claro que os funcionários não vão tentar lhe cobrar esse valor, mas quem porta uma DSLR muitas vezes só pode fotografar se assinar um papel dizendo que não fará uso comercial das imagens. O Burle Marx cobra taxas mais reais dos pequenos fotógrafos de books (algo como R$ 30 para quem vai fazer um ensaio de uma grávida), mas é um parque regido por uma fundação, e não tenho certeza se é certo cobrar dos fotógrafos de pessoas. Um personal trainer também está fazendo uso comercial do parque, e nunca ouvi falar de tentativas de cobrança.

Em julho de 2015 (em parte por um acaso, em parte graças à visão de um gestor esclarecido, que é a favor da divulgação) iniciamos um diálogo com o ICMBio e com a Fundação Florestal sobre as restrições à fotografia de natureza.

O ICMBio rege os parques nacionais, a Fundação os estaduais e alguns municipais. Não tenho muitas informações sobre como estão as negociações com o ICMBio. É a AFNatura (uma associação de fotógrafos profissionais) que tem liderado a conversa com eles, e eles não estão me dando detalhes, só disseram que está tudo ótimo.

Eu e outros colegas amadores temos focado no diálogo com a Fundação Florestal, porque os casos de proibição de fotografia são mais comuns nos parques estaduais de São Paulo. Já tivemos uma reunião presencial, temos conversado com os representantes da Fundação, e estamos com esperança de que as coisas realmente vão mudar. Quem lida com as autarquias há anos fica descrente, porque já viu as autoridades darem pra trás nos combinados muitas vezes, mas estamos apostando que agora será diferente. Nossa expectativa é de que o birdwatching será oficializado como uma prática não só permitida como bem-vinda e que deve ser incentivada. Atualmente a divulgação da natureza brasileira está presa sob uma enorme burocracia, mas acreditamos que os gestores já entenderam que é preciso incentivar a divulgação, e que logo haverá mecanismos para incentivar as parcerias entre gestão e população.

Em março de 2016 a Fundação Florestal publicou uma portaria sobre observação de aves que deixa claro que a prática é permitida e bem-vinda. Infelizmente só vale pras unidades regidas pela Fundação Florestal. Por enquanto os parques municipais seguem outras regras. Veja o texto da portaria e as vantagens de se cadastrar: http://virtude-ag.com/biblioteca-portaria-de-observacao-de-aves-da-fundacao-florestal-mar2016/

Para se manter a par da discussão, cadastre-se no grupo do Facebook (Não) É proibido fotografar.

70% das fotos deste artigo foram feitas em 2014, com uma Nikon D800 e uma Sigma 50-500. Algumas do Botânico e do Villa-Lobos foram feitas com Canon 7D e 50D, e do Zoo e da Cantareira com Nikon D200.

Agradecimentos especiais aos amigos Juliana Diniz, Luccas Longo e Rodrigo Popiel. Graças a esses pardais-gigantes-dourados conheci a maioria dos parques citados, e também descobri que é possível passarinhar sozinha na cidade.

 

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