Araçari Banana
Araçari-banana
Arredio Pálido
Arredio-pálido
Bem te vi rajado
Bem-te-vi-rajado
Bigodinho
Bigodinho
Gavião Bombachinha 1
Gavião-bombachinha
Gavião Bombachinha 2
Gavião-bombachinha
Pica Pau de Banda Branca fêmea
pica-pau-de-banda-branca F
Tico Tico da muda
tico-tico em muda
Topetinho Vermelho fêmea 1
topetinho-vermelho F
Topetinho Vermelho fêmea 2
topetinho-vermelho F
Topetinho Vermelho fêmea 3
topetinho-vermelho F

 

Serra do Piloto e Parque Arqueológico e Ambiental São João Marcos (Mangaratiba / Rio Claro)

  • 15 de fevereiro de 2015
  • Observadores: Ivan Cesar e Hilton Filho
  • Texto e fotos: Ivan Cesar. Câmera: Nikon D7100 com Nikkor 70-300

Domingo de carnaval eu e meu amigo Hilton Filho decidimos colocar o bloco na rua indo para a Serra do Piloto, região de Mangaratiba, para fazer uma exploração do local que fica na área do Parque Estadual do Cunhambebe. Saímos do Rio às 5h30 rumo à costa verde, pegando a Rio Santos até Mangaratiba.

Nossa passarinhada começa a ficar interessante já na subida da serra, em Mangaratiba, quando pegamos a RJ-149, conhecida como Estrada Imperial. Essa é considerada a primeira estrada de rodagem do Brasil, construída em 1856 para atender ao escoamento da produção de café do Vale do Paraíba para o Porto de Mangaratiba.

Logo no início observamos as ruínas de um antigo teatro da época do império. Durante o trajeto de 12 Km até a Serra do Piloto, vamos observando pequenos trechos da estrada onde o asfalto termina e passamos sobre o piso original da antiga estrada, construída pelos escravos, com aquele calçamento de pedra muito usado na época (tipo pé-de-moleque). Até chegar na comunidade da Serra do Piloto passamos por três pequenos trechos da estrada original, mantidos pelo IPHAN.

Em um desses trechos da antiga estrada podemos observar a Cachoeira dos Escravos, uma pequena queda de água bem junto à estrada, onde os escravos se banhavam e matavam a sede. Logo adiante, existe um pequeno recuo com um mirante, onde se pode observar todo o vale e a Baía de Mangaratiba.

Fora os trechos preservados da antiga estrada imperial, encontramos uma estrada em excelente estado de conservação. Cerca de 1,5 Km após a comunidade da Serra do Piloto chegamos a uma entrada à direita, início da estrada de terra onde fica o ponto de partida para a travessia Serra do Piloto – Mazomba. Essa travessia, claro, não era nosso objetivo e apenas o trecho inicial se dá por estrada de terra (cerca de 7 Km), passando depois a ser realizada por trilhas dentro da Mata Atlântica até chegar ao litoral.

Chegamos ao local por volta de 7h50 e o tempo nublado não ajudava muito em termos de iluminação. Essa também não é a melhor situação para a observação de aves. Deixamos o carro no início da estrada de terra e fomos caminhando. A ideia inicial seria ir até um trecho da estrada que tem uma pequena queda d’água, distante cerca de 5 Km de onde paramos o carro.

Logo no início da estrada, em uma área com pequenos arbustos e cercas de arame, começamos a observar coleirinhos, canários-da-terra-verdadeiros, tiziu e um vistoso canário-do-campo que estava em uma pequena árvore no alto de um barranco. Uma pena ele não ter se aproximado mais!

A estradinha é tranquila, sem grandes subidas ou descidas, percorrendo trechos em campos abertos e trechos dentro da mata fechada.

Caminhando um pouco mais observamos um gavião-carijó bem distante, junto à borda da mata (impossível fotografar). Em seguida um casal de Periquitão Maracanã, também um pouco distante e na contraluz. Aliás, sem sol e com a claridade homogênea do tempo nublado, a contraluz foi um grande problema nessa parte da nossa passarinhada!

Um Bem-te-vi-rajado surgiu em uma árvore mais baixa e próxima de onde estávamos permitindo algumas poucas fotos antes que ele fosse embora. Logo depois, quase fomos atropelados por um bando de pica-paus-de-banda-branca, com alguns pousando em uma árvore bem ao alcance das nossas lentes. Foi uma festa (não foi melhor por causa da contraluz)!

Após mais alguns trechos de estrada sinuosa, encontramos no alto de uma embaúba um araçari-banana e logo outro em uma árvore próxima. Mais uma vez a já citada contraluz atrapalhou bastante uma boa definição de imagem para as fotos, sem contar que eles estavam bem no alto das árvores.

Um pouco mais a frente, encontramos pequenas árvores com galhos bem cerrados onde transitavam algumas aves como pica-pau-anão-barrado, piolhinho, bico-chato-de-orelha-preta e mais alguns que não conseguimos identificar.

Na pequena estrada também aproveitamos para curtir as belas paisagens rurais, respirar o ar puro do campo e ainda fotografar uma linda borboleta que pousou no chão de terra.

O trânsito de carros na estradinha de terra começou a incomodar bastante a partir das 9h. Avançamos um pouco mais sem ter sucesso na observação e resolvemos retornar para que houvesse tempo de ir ao Parque São João Marcos. Já estávamos por volta de 10h30 e havíamos percorrido a metade do caminho pretendido, cerca de 2,5 Km. Na volta até o carro ainda conseguimos observar e fotografar o gavião-bombachinha (também no alto de uma embaúba), a maria-preta-de-penacho, canários-da-terra e um tico-tico com a plumagem na muda. Nesse momento, o sol começava a dar o ar da graça!

Trecho pretendido inicialmente para percorrer, totalizando 10 Km ida e volta. A bolinha vermelha marca até onde fomos.Mapa01-Ivan-Cesar_resize

Pegamos o carro e subimos a RJ-149 mais uns 5 Km, até a entrada do Parque Arqueológico e Ambiental São João Marcos, já na área do município de Rio Claro, bem próximo de uma das bordas da represa de Ribeirão das Lajes. Da entrada do parque, na RJ-149, até a sede você anda cerca de 1.900m por uma estradinha de terra, percurso que fizemos de carro. Em uma próxima oportunidade penso em chegar mais cedo e deixar o carro na entrada, fazendo a pé o percurso dessa estrada de terra, cercada de muita mata.

Mapa02-Ivan-Cesar_resize

Chegando na entrada da Sede do Parque, logo visualizamos as ruínas da antiga cidade de São João Marcos. Antes mesmo de adentrar na área das ruínas, observamos um movimento de pássaros em pequeno trecho de mata de capoeira, à esquerda do portão de entrada. Lá pudemos observar saíra-Militar, arredio-pálido, tiê-sangue e arapaçu-verde.

Antes de entrar na área do parque, resolvemos caminhar por uma pequena trilha que seria a continuação da estradinha que leva ao local. Andamos uns 20 metros e aparece bem na minha frente, a cerca de 2 metros, a linda fêmea do topetinho-vermelho em voo pairado extraindo calmamente o néctar de uma pequena e bela flor. Ela ficou por ali um bom tempo, pousava e voltava até a flor, o que nos permitiu “lavar a alma”, dessa vez sem contraluz!!

Continuamos na pequena trilha e observamos o bigodinho, saí-azul, urubu-de-cabeça-vermelha, pica-pau-anão-barrado, sanhaçu-cinzento e alguns mais que não conseguimos identificar. Isso tudo por volta de 12h30!

Entrando no parque para ver as ruínas ainda observei o lindo beija-flor-tesoura, mas não consegui obter uma foto nítida. Fomos, então, curtir o cenário arqueológico da cidade em ruínas e a nossa frente, no fundo de um corredor de árvores que dava acesso ao parque, dois cavalos nos proporcionavam a visão de um lindo quadro. Foi impossível não fotografar essa bela cena!!

Após observar o belo sítio arqueológico, fomos até a cantina do parque para saciar a sede e comer um salgado, colocando o pé na estrada logo em seguida, chegando no Rio por volta de 15h, com a certeza de que esse é um local que merece novas explorações.

 

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