Um dos melhores lugares no Estado de São Paulo para fotografar Mata Atlântica

  • Texto e fotos: Claudia Komesu com Nikon D800, Nikkor 300 f4 VR e tele 1.7, e Olympus TG3
  • Site: http://www.trilhadostucanos.com.br/
  • Passeio feito em novembro de 2016, publicado em março de 2017

A Trilha dos Tucanos, na cidade de Tapiraí, a menos de 3h de São Paulo é um lugar incrível. Propriedade particular gerenciada por uma família sangue-bom, que realmente gosta da natureza, o Marco e a Patrícia. O sítio não é grande, mas a mata está conectada a grandes extensões de floresta, o que garante uma profusão de bichos. Não só aves e insetos, uma anta frequenta um dos laguinhos, já encontraram pegadas de onça-parda e sabem que há até onças-pintadas na região (mas ainda não há registro dentro da Trilha).

Há dois chalés e uma construção com cinco quartos. São acomodações simples mas totalmente funcionais. A Pousada oferece pensão completa, então você tem a comodidade de acordar e já sair pra passarinhar, e à noite as pessoas podem ir procurar as aves noturnas ou, como eu, ficar do lado de fora da sede fotografando os insetos atraídos pela luz.

Foi minha terceira ida à Trilha e irei mais. Nesse passeio de novembro cheguei numa quarta à tarde e vim embora no sábado na hora do almoço. A mata estava quieta, os bichos não respondiam a playback. Mas sempre há movimentação nos comedouros: benedito-de-testa-amarela, periquito-rico, tietinga, tiê-preto, tiê-de-topete, beija-flor-preto, beija-flor-de-veste-preta, beija-flor-de-fronte-violeta, beija-flor-rubi, cambacica, sanhaçu-do-coqueiro, sanhaçu-de-encontro-amarelo, catirumbava, japu. Na trilha para a maria-leque-do-sudeste tinha um ninho de pavó, o que garantiu vários avistamentos do bicho. Não vi onde estava o ninho, mas na maioria das vezes em que passei pela trilha pude observá-lo voando de um lado pro outro e se alimentando. Rendeu minhas melhores fotos de pavó.

A Trilha tem um hide famoso, onde é possível ver bichos incomuns como o pinto-do-mato, a pariri, o inhambuguaçu. O pinto-do-mato e a pariri não estavam lá em novembro, mas pude tirar boas fotos do inhambuguaçu, da juriti-gemedeira, da juriti-pupu, do pimentão, da saracura-do-mato e um grupinho de tiribas-de-testa-vermelha. E uma foto não boa do tico-tico-do-mato. Num ponto da trilha perto do hide, ficava um rabo-branco-pequeno pousado num lugar bem aberto, e um chupa-dente também sempre estava por lá, além dos pula-pula-ribeirinhos.

Também fotografei trepador-sobrancelha, pica-pau-anão-de-coleira, picapauzinho-verde-carijó, pica-pau-rei, arapaçu-verde, arapaçu-escamado-do-sul, tucano-de-bico-verde , choca-da-mata, choquinha-lisa, pula-pula, filipe, barbudo-rajado, cabeçudo, algum hemitricus, coleirinho, suiriri, caneleiro, vira-folha. E um surucá-variado já na estrada fora da Trilha, na hora de ir embora. No sábado tive o prazer de encontrar o Douglas Bete, e de conhecer o Marcelo Aceto.

O tempo estava nublado a maior parte do tempo, com chuva em vários períodos. Para insetos também estava difícil, porque não havia sol ou calor, que são os fatores que aumentam a atividade dos insetos. Pode-se dizer que este post tem o resultado de três dias “ruins” — em condições climáticas adversas, com poucas aparições de aves na mata. Na parte da fotografia de não-aves, topei com as maiores lesmas que já vi, eram enormes, incríveis dava pra ouvir o som delas mastigando as folhas. Também vi um caracol lindo, pequeno e com a casca translúcida, que tive a sorte de encontrar num momento em que havia um raio de sol. Também adorei ver um tortoise beetle (digite no Google pra ver que fantásticos eles são), e algo que eu achava ser uma lesma rajada, mas no Inaturalist.org aprendi que existem as planárias terrestres.

Fiquei contente com o resultado do passeio. Mesmo em dias ruins, a Trilha dos Tucanos é um lugar muito bom.

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