tovaca_Luiz-Ribenboim
Tovaca-de-rabo-vermelho
choquinha_Luiz-Ribenboim
Choquinha-de-dorso-vermelho
Choquinha-de-asa-ferrugem_Luiz-Ribenboim
Choquinha-de-asa-ferrugem
Mãe-da-lua_Luiz-Ribenboim
Urutau ou mãe-da-lua
Periquitão_Luiz-Ribenboim
Periquitão-maracanã
trogon-rufus_Luiz-Ribenboim
Surucuá-de-barriga-amarela (F)
Trogon-rufus-M_Luiz-Ribenboim
Surucuá-de-barriga-amarela (M)

 

  • Texto e fotos: Luiz Ribenboim.
  • Câmeras: Nikon D800 e Nikon D800E

Pessoal, queria chamar a tenção para a região de São José do Barreiro, sede do Parque Nacional da Serra da Bocaina. Fui pela primeira vez ao lugar em outubro de 2013, com o amigo e excelente guia ornitológico Adrian Eisen Rupp.

Fazia tempo que eu queria conhecer a região da Bocaina, e vinha adiando por conta do que pessoas me falavam sobre as péssimas condições da estrada de acesso ao Parque. Qual não foi a nossa surpresa ao ver que a estrada que vai de São José do Barreiro até o portão do parque está sendo reformada, numa obra bancada pelo governo do Estado se São Paulo, no valor de quase 17 milhões de reais! E a estrada está ficando boa. Quando chove ainda tem uns pontos difíceis, mas espero que ao fim da obra, previsto para fevereiro, tudo esteja resolvido.

Creio que cabem duas palavrinhas sobre a ‘cidade’ de São José do Barreiro. É mais uma vila, cujo centro circunda uma simpática praça, onde a rainha é uma bela Igreja de estilo colonial, data de 1881. Aliás, apesar de bem pequena ( o município parece que tem 4.500 habitantes ) a cidade tem um belo casario do seculo XIX. Em volta da praça não poderia deixar de citar o restaurante Rancho, que funciona de domingo a domingo, com um buffet a quilo na hora do almoço e a la carte no jantar. O proprietário, Rogerio, gosta muito de boa musica brasileira, e também de fotografia, inclusive tem umas fotos de pássaros na parede do restaurante que ele mesmo tirou.

Mas vamos às aves. Na minha primeira ida ao lugar, com o grande Adrian Rupp, fomos supreendidos com cantos de aves que não escutamos em Itatiaia, como o cabecinha-castanha, por exemplo. Não o vimos dessa vez, só o fotografei quando lá retornei com o amigo Helio Pereira, alguns dias depois. Nessa primeira ida com o Adrian foi legal pegar a choquinha-de-dorso-vermelho e a borralhara-assoviadora, ambas totalmente no limpo. Escutamos, embora só tenha conseguido foto algumas semanas depois, o uí-pí,um bichinho que tem em Itatiaia, mas não tantos como em São José. A estrada pela qual pesquisamos as aves tem 26 km, e sai do centro de São José, percorre uns 6 km de área aberta, onde habitam diversas espécies de aves, entre elas vários bandinhos de periquitões-maracanã, adentra numa boa Mata Atlântica, a cerca de 900 metros de altitude e vai subindo. A vegetação vai mudando aos poucos, indo de Mata Atlântica para alto-montana, e no fim vemos também campos de altitude, já a cerca de 1.700 metros. Essa estrada termina no portão principal do PNSB , que não é a sigla de um partido politico, e sim do Parque Nacional da Serra da Bocaina, rs..

Para transitar no Parque de carro é preciso autorização previa, e eu ainda não me preocupei em conseguir, já que a estrada dentro do Parque é bem acidentada, e me disseram que seria bom um carro 4×4, que não tenho.

Voltando a São José , existe uma boa estrutura de pousadas de diversos preços, tanto na área urbana como na serra. Os preços são a partir de R$ 50 por pessoa, e vão até mais de R$ 400. Mas dá para ficar bem alojado pagando bem pouco, como aliás nós preferimos.

Bem, retornei diversas vezes a São José do Barreiro. Numa delas, em fins de outubro deste ano, novamente guiado pelo Adrian Rupp, ele abriu uma pequena clareira na mata do terreno da pousada Conde d’Eu, onde nos hospedamos, e conseguimos fotografar bem a tovaca-de-rabo-vermelho, que o Adrian atraiu com muita competência pelo playback. Era um lifer muito esperado por mim, fiquei pra lá de contente. Bem pertinho dali, ainda no terreno da pousada, tiramos boas fotos do catraca, onde o Adrian também fez um belo trabalho com o playback. Quem já tentou fotografar esse danadinho sabe que não é fácil.

Já no mês de novembro lá estive com o amigo e também ótimo guia ornitológico, Maycon Resende, de Campo Belo – MG. O Maycon estava de passagem na minha região, e aproveitamos para passar um dia em São José do barreiro. Ao passarmos a área aberta e entrarmos na mata, logo de cara o Maycon escutou um chamadinho e afirmou: ‘é o vira-folha!’. Fiquei animado, pois nunca o tinha visto. Maycon tocou o playback e a ave apareceu, sentou num galhinho e se deixou fotografar. Muita alegria! Nesse mesmo dia ainda fiz outro lifer, que o Maycon escutou cantar e chamou, a trovoada-de-bertoni.

Algumas semanas depois eu estava caminhando pela área inicial da estrada, quando um rapaz chamado Pedro, funcionário da empresa que está reformando a estrada veio falar comigo. Todos ali já sabem que gosto de fotografar aves. O Pedro me disse “o senhor conhece uma ave que fica um tempão no mesmo lugar?” No momento não pensei em nada, mas mesmo assim arrisquei, “será uma Viuvinha?” e ele disse, “Não, acho que a chamam de urutau”. Pedi por favor que ele me levasse ao local, o que ele o fez, muito gentilmente. Em cima de um toco de embaúba lá estava, dormindo, a mãe-da-lua.. Mais uma bela descoberta para o município, graças ao Pedro.

Outras aves interessantes das quais consegui boas fotos foram a coruja-listada, cuiú-cuiú, trepador-quiete, choquinha-da-serra, surucuá-variado e surucuá-de-barriga-amarela.

Bem, gente, tem muita coisa legal pra se ver nessa cidadezinha, sem falar na tranquilidade inclusive na área urbana. Quando lá chego, vindo de Resende, tenho a sensação de que tiraram da tomada de força.. o relaxamento é imediato. Finalizando então recomendo a todos que conheçam o local. Vale a pena, tem muita coisa legal lá, em termos de aves, história, gentileza, hospitalidade. E pra quem vai por exemplo a Itatiaia, o local é bem perto, cerca de uma hora de carro pelo asfalto. Vale muito a pena!