Relato do passeio com o COA de Porto Alegre na Páscoa. Uma boa quantidade de aves observadas, apesar de os bandos que vimos não serem muito grandes em número de indivíduos, em comparação com outras épocas. O mais interessante são as aves do ártico, voltando gordinhas, e já com a plumagem nupcial bem colorida.

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) com anilhas de monitoramento

Maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) com anilhas de monitoramento

 

Um grupo de 18 associados do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre – COAPOA – passou o feriado de Páscoa na Lagoa do Peixe, realizando a seguinte programação:

Sexta-feira

Na sexta-feira, 29/03/2013, saímos de Porto Alegre às 7h da manhã, chegando em Mostardas aproximadamente às 10h (210km). Feito o check-in no Hotel Mostardense, partimos para o Balneário Mostardense. Na estrada, de aproximadamente 10km, foram avistados o tachã, a capororoca, gavião-caboclo, pica-pau-do-campo, o dragão, andorinhas, caraúna-de-cara-branca, viuvinha-de-óculos, maçarico-de-sobre-branco.

Do Balneário seguimos até a barra da Lagoa do Peixe (30km), que nesta época está fechada. No caminho, uma paradinha na beira-mar para o almoço, perto de um chalé desabitado. Nesse trajeto, foram encontrados vários albatrozes-de-nariz-amarelo-mortos, assim como várias tartarugas também mortas. Das aves registramos o maçarico-branco, o piru-piru, o talhamar, várias espécies de trinta-réis, pernilongo de costas brancas, batuíra-de-coleira, curriqueiro, vira-pedras, gaivotão, quero-queros, jaçanãs.

Na barra da Lagoa, flamingo-chileno, pernilongo, maçarico-de-sobre-branco, piru-pirus, maçarico-branco, batuíra-de-coleira, talhamar.

Voltando para Mostardas pela trilha do talhamar, avistamos gavião-cabloco jovem, sabiá-do-campo, flamingo-chileno, capororoca.

Janta no restaurante Ed Mundo.

Sábado

Sábado, 30/03/2013, saímos do hotel em Mostardas, rumo à trilha da Figueira, em Tavares (30km). Lá avistamos as seguintes aves: gavião-caboclo, andorinha-de-sobre-branco, canário-da-terra-verdadeiro, maçarico-acanelado, trinta-réis-anão, maçarico-de-sobre-branco, trinta-réis-grande, trinta-réis-miúdo, pernilongo-de-costas-brancas, caracará, noivinha, gavião-caboclo jovem, sabiá-do-campo, maçarico-grande-de-perna-amarela.

Perto do meio-dia, nos deslocamos até a trilha do Manduca. Lá, na porteira, o pedágio dos moradores é de 5 reais por carro. Chegamos na beira da mata, e paramos para almoçar. O vento Nordestão já soprava com uma força bem apreciável, tornando quase impraticável a fotografia e até mesmo a observação. As câmeras não paravam nos tripés, sendo logo derrubadas pelo vento. Após a pausa do almoço, caminhada até as lagoas da trilha. Nelas avistamos um bando de aproximadamente 300 biguás. No meio deles, talhamares, trinta-réis-de-coroa-branca, maçarico-grande-de-perna-amarela, trinta-réis-anão, martim-pescador-verde, mergulhão-caçador. Novo deslocamento pela trilha do talhamar, voltando para a beira-mar, onde avistamos vários bandos de maçarico-de-papo-vermelho. Estes já estão na viagem de volta para o ártico, partindo da Terra do Fogo. Muitos indivíduos têm anilhamento, para estudos de migração, que foram fotografados. Também avistados vários bandos de maçaricos-brancos. Entramos pela estrada do Balneário Mostardense, rumo ao hotel, já ao entardecer. Nesta estrada avistamos ainda irerês, tachãs, jaçanãs.

Janta no restaurante Ed Mundo.

Domingo

Domingo, 31/03/2013, saímos do hotel Mostardense, rumo ao Porto do Barquinho (12km) em Caieiras (saída de Mostardas rumo Norte) . No caminho, várias lavouras de arroz sendo colhidas, o que proporciona um bom espetáculo, e muita comida para as aves. Avistamos colhereiros, cabeça-secas, maguaris, gavião-caramujeiro, sararacuçu, polícia-inglesa-do sul, carão, joão-de-barro, bem-te-vis, caraúna-de-cara-branca, garça-moura, noivinha, caracará, irerê, marreca-pardinha, garibaldi, caminheiro-zumbidor, garça-branca-grande, garça-vaqueira, gavião-caboclo, bate-bico. Ao meio-dia, o grupo de dispersou, iniciando o retorno para Porto Alegre. Faltou nesta trilha o famoso papa-piri, que não marcou presença nessa visita.

Resultado: uma boa quantidade de aves observadas, apesar de os bandos que vimos não serem muito grandes em número de indivíduos, em comparação com outras épocas. O mais interessante são as aves do ártico, voltando gordinhas, e já com a plumagem nupcial bem colorida. Com o tempo favorável, e a leve chuva dos dias anteriores, o trajeto seria todo realizável em um carro normal, com um pouco de habilidade na areia. O nosso grupo estava armado com veículos 4×4, que não apresentaram problemas para as trilhas. Todos os dias foram ensolarados, com poucas nuvens no céu, e um vento nordeste do sábado em diante. A lagoa nesta época está bem baixa, concentrando os peixes, que estão saltando para fora da água, proporcionando farto alimento para as aves. Desta época até outubro, a lagoa aumenta o nível de água com as chuvas, até que seja novamente aberto o canal de desague no mar. As trilhas vão ficando cada vez mais intransitáveis, devido ao nível da água.