Texto e fotos: Gilberto Müller. Câmera: Canon Powershot SX50

Local: Flona – São Francisco de Paula, RS

Data: 17 (anoitecer) a 18 (meio-dia) de janeiro de 2014.

Tipo: Busca de uma espécie específica – o caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster). O grupo de observadores era composto de 5 associados do COA de Porto Alegre.

Destaques e quantidade de espécies: Dado o pouco tempo disponível no alvo, e com o objetivo alcançado, não foi possível buscar outras espécies. No entanto, fizemos um reconhecimento de algumas trilhas, e registramos várias vocalizações e avistagens, que serão motivo de uma nova investida nas próximas semanas. No início da noite procuramos corujas. Ouvimos diversas vocalizações da corujinha-do-sul, não sendo possível avistá-las infelizmente.

Nível de dificuldade: médio. A FLONA fica a 140 km de Porto Alegre, sendo destes 134km de asfalto em pista simples, mas de pouco movimento, e 6 km de estrada de chão de boa qualidade, sendo trafegável mesmo na época de chuvas com veículos comuns. Nas margens da estrada, a área de campo tem boa iluminação e poucos obstáculos. Já na área de floresta, a luz é mais precária e a visibilidade prejudicada pela vegetação.

Infraestrutura do local: A FLONA é uma Unidade de Conservação Federal de Uso Sustentável, cuja gestão é do ICMBio do Ministério do Meio Ambiente. Criada em 1945 por Getúlio Vargas como Instituto do Pinho, a área de floresta ombrófila mista, explorada e devastada até esta época, sofreu reflorestamentos com araucária angustifólia e aflorestamentos com exóticas. No seu interior, existem diversos chalés que acomodam os servidores da área, e alguns que são destinados a pesquisadores, estudantes e outros visitantes. A área é provida de diversas trilhas, que levam a cascatas e matas de araucárias de beleza ímpar. Não existe até esta data nenhuma operadora de celular com cobertura na área. No parque existe uma linha de telefone fixo, de funcionamento precário ( após chuvaradas e tempestades costuma ficar inoperante). No parque também tem um link de internet, já inativo desde novembro de 2013, por incompetência da operadora.

Ambientes para fotografia: Pudemos observar dois ambientes distintos: Nos 6km finais antes da porteira de entrada da FLONA, uma área de campo aberto, aqui no Rio Grande do Sul chamados de Campos de Cima da Serra, com algumas culturas de soja, hortaliças e verduras em geral. Nessa área, foi avistado o caboclinho-de-barriga-preta, até bastante comum nas inflorescências dos gravatás à beira da estrada. No dia anterior à nossa estada, um colega fez registros fotográficos de veste-amarela e arredio-do-gravatá, entre outros nesse local. Essa avistagem foi realizada no final de tarde. Nós avistamos perto da porteira, um perdigão (perdiz no resto do país) – Rhynchotus rufescens com dois filhotes, no meio da estrada.

Passado a porteira de acesso à área da unidade, um corredor de pinus elliottii de 4km leva aos alojamentos e administração da área. Dentro da floresta, onde predominam as araucárias já de reflorestamento, podem ser visitadas diversas trilhas, onde a observação de várias espécies pode ser realizada. A altitude da unidade é de 900m no pico, e de 600 m nos vales. Dentro do parque, conseguimos fotografar a tesourinha-da-mata, a tiriva-de-testa-vermelha, a peitica, o grimpeiro, entre outros.

Como chegar: Saindo de Porto Alegre, pela BR-290 até Cachoeirinha, aí pegando a RS-020, até o cruzamento com a RS-484, daí por mais 6km de chão, até a porteira.

Logística: Na FLONA, existem poucos alojamentos, todos com conforto básico: cama, fogão, geladeira, luz elétrica, utensílios de cozinha, em chalés de madeira. Também é possível pernoitar em São Francisco de Paula, distante a 30km, onde tem uma boa rede de hotelaria. O acesso ao parque deverá entretanto ser previamente acordado com a administração, para que o guarda permita a entrada.

Contato: As reservas podem ser feitas pelo site do parque: http://www.florestanacional.com.br/ . Como a área é distante 30km da cidade de São Francisco de Paula, é necessário levar em conta essa distância, pois na vizinhança não existe nenhum tipo de comércio ou postos de abastecimento. Como os meios de comunicação com o parque são precaríssimos, é necessário fazer os contatos com boa antecedência, pois frequentemente os emails só são acessíveis na cidade.

Custo da viagem: De Porto Alegre, rodamos 320km no total, e o custo do alojamento é de R$ 40 por pessoa/dia, mais a taxa de ingresso de R$ 6,50 por pessoa. Os alimentos foram levados de Porto Alegre, assim como roupas de cama etc.

Conclusão: Apesar de algumas dificuldades, a FLONA  é um ambiente maravilhoso, com uma lista de registro de mais de 230 espécies de aves, algumas endêmicas e em perigo de extinção. É um local que todos os observadores de aves merecem conhecer. Fácil de chegar desde Porto Alegre e um clima muito agradável nesta época do ano.

Breve esclarecimento sobre o que significa uma Flona – Floresta Nacional. Email da sra. Edenice Avila de Souza, chefe da Flona São Francisco de Paula

“Olá Gilberto

Bem legal o artigo, para a FLONA SFP sempre é muito bom a divulgação dirigida a públicos especiais, como os observadores. Pena que vocês pegaram uma quinzena problemática, normalmente não ficamos tanto tempo sem internet – então tanta dificuldade de comunicação não é rotineira (ainda bem).

E sobre a FLONA – sigla para floresta nacional – na realidade não somos um parque, somos uma unidade de conservação (UC) como os parques também são, mas de outra categoria – por isto também temos plantios e extração de madeira, pinhão, mel… já tivemos até extração de erva-mate, samambaia-preta, orquídeas.

Às vezes a gente parece chato explicando que “não somos parque” – mas é que existem objetivos diferentes entre as florestas e os parques, assim como as reservas extrativistas, as reservas biológicas (estas nem permitem visitação) e tantas outras categorias (objetivos todos estabelecidos em legislação própria, que é o SNUC = sistema nacional de unidades de conservação).

A sociedade em geral não tem obrigação de saber isto, mas gostamos de esclarecer aos nossos visitantes para que não estranhem e depois digam “fui em um parque e estavam cortando árvores!!! ” até araucárias!!! (obs.: só cortamos as araucárias que foram plantadas com esse objetivo).

abraços novamente e voltem sempre!

Edenice

Edenice Brandão Avila de Souza
Eng Agrônoma / Analista Ambiental
Chefe da FLONA São Francisco de Paula/RS

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