• Data: 20 a 21 de setembro de 2014.
  • Tipo: Grupo de 15 associados do Clube de Observadores de Aves de Porto Alegre (www.coapoa.org).
  • Destaquese quantidade de espécies: Não observamos grandes quantidades de aves, mas várias espécies não muito comuns, entre elas a tesoura-cinzenta, o sabiá-cica, e o grande lifer, o limpa-folha-miúdo.
  • Nível de dificuldade: alto. Acesso fácil, 180km de asfalto e 25km de estrada de chão. Local com muitas escarpas montanhosas, além da mata, fazendo com que o ambiente fique bastante escuro. Muito sobe e desce, tendo em vista que a região é montanhosa. Altitude média de 400m.
  • Infraestrutura do local: A sede da RPPN tem um prédio de aproximadamente 100m2, com cozinha, refeitório e banheiros de ótima qualidade. Não há alojamento, mas é possível fazê-lo na área do refeitório.
  • Oportunidades fotográficas: São boas, nunca esquecendo da pouca iluminação no geral. Com a declividade, é comum o observador estar no nível da copa das árvores, o que facilita a observação das aves de copa.
  • Onde fotografamos: Principalmente na estrada de acesso ao alojamento, tendo em vista que é uma área mais preservada, até pela dificuldade de desmatamento em terrenos com muito declive.
  • Como chegar: fomos em veículos particulares até a sede da reserva, não necessitando de veículos com tração integral.
  • Contato: A administradora da RPPN, que é uma universidade comunitária de Santa Cruz do Sul, pode ser contatada através do site http://www.unisc.br/site/rppn/
  • Relato oficial do passeio em PDF, com lista das mais de 100 espécies observadas, e mais fotos feitas pelo grupo: http://www.coapoa.org/index.php/unisc-20-09-14

Um grupo de 15 associados do COA de Porto Alegre realizou uma visita de dois dias à RPPN da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, para realizar um levantamento das espécies de aves encontradas na sua área.

Saímos de Porto Alegre em automóveis, no sábado de madrugada, chegando na reserva às 10h da manhã. Na cidade de Sinimbu fomos recepcionados pela gestora da RPPN, Engenheira Ambiental Andréia Ulinoski Pereira e outros pesquisadores locais.

A região é de colonização alemã, sendo uma das regiões em que há mais plantação de fumo, além das indústrias deste setor. Isto nos lembra do uso intensivo de venenos nas lavouras, atingindo todo o meio-ambiente.

Uma das características topográficas da região, que é uma zona de transição entre o planalto e a depressão central, são as grandes escarpas por todos os lados. Na área da reserva, a estrada de acesso foi cortada no meio de uma destas escarpas, quando se olha tanto para cima como para baixo, pode se enxergar um precipício de 100m para cada lado. Não há guard-rails em nenhum ponto, e a estrada é estreita, sendo importante andar em baixa velocidade, pois um veículo em direção contrária em geral exige alguma manobra para permitir a ultrapassagem.

O bioma predominante é de Mata Atlântica, sendo que em parte é composto de essências nativas, inclusive araucárias, mas também tem trechos com espécies exóticas.

Chegamos às 10h de sábado e após um lanche, saímos para a observação. A mata é secundária, estando em regeneração, o que dificulta a presença de todas as espécies, mas mesmo assim, conseguimos registrar diversas espécies pouco comuns na região. Uma característica interessante é que apesar de já estarmos no início da primavera, na reserva ainda eram pouco visíveis as espécies migratórias, que já estão presentes em Porto Alegre, por exemplo. Provavelmente devido à altitude, que faz com que a temperatura caia acentuadamente durante à noite em Sinimbu. A quantidade de insetos não era muito grande, mas como não usei o repelente saí com duas mordidas de borrachudos. O final da tarde nos proporcionou a visualização do dia, uma tesoura-cinzenta num galho seco, iluminada pelo sol já quase na horizontal.

À noite um pequeno grupo tentou corujar, não logrando êxito. Não se escutava nenhuma vocalização de corujas e outras aves noturnas.

No domingo, saímos antes das 7h, com um pouco de neblina nos vales. Já na saída, nos deparamos com um par de sabiás-cica, que voaram em nossa frente, pousando bem próximo. Durante o percurso, tivemos oportunidade de enxergar bandos mistos de aves, com a presença do barulhento tié-do-mato-grosso. No meio deste bando, encontramos o lifer da viagem, o limpa-folha-miúdo, que já não era encontrado há muitos anos na região, fotografado pelo associado César Santos (http://www.wikiaves.com.br/1459624&p=1&t=c&c=4320677&s=11117).

O nosso diretor técnico e guia, ornitólogo Glayson A. Bencke exultou de alegria ao fazer este registro, que segundo ele é muito importante.

Ao meio-dia, já cansados de tanto subir e descer o relevo da região, após o almoço, rumamos para o Salto do Rio Pardinho, limítrofe da RPPN, mas acessível por outra estrada ainda mais perigosa e cheia de abismos assustadores.

Com a temperatura baixa, aproveitamos para observar e fotografar o local, de grande beleza, apesar de nesta ocasião estar com o volume d’ água baixo, não enchendo toda a cachoeira.

Deste ponto turístico, rumamos de volta à Porto Alegre, cansados mas com vários lifers na bagagem.