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Lagoa da Prata/MG
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Paulo Couto, Rodrigo Vieira e Thiago Mafra buscando o tricolino (Pseudocolopteryx sclateri)
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Paulo, Luís, Daniel, Gilberto e Wagner. Eu, Pedro, Rodrigo e Thiago
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Batuíra-de-coleira (Charadrius collaris)
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Coleiro-do-brejo (Sporophila collaris)
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Jacanã (Jacana jacana)
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Tuiuiú (Jabiru mycteria)
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Socó-boi (Tigrissoma lineatus)
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Tricolino (Pseudocolopteryx sclateri)
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Suiriri-cinzento (Suiriri suiriri)

 

Em busca do tricolino, ave que ainda não constava na lista de Minas Gerais no Wikiaves

Lagoa da Prata, antigo distrito subordinado a Santo Antônio do Monte/MG, foi elevado à categoria de município pela Lei Estadual 148/1938. Cortada pelo Rio São Francisco, a pequena cidade, ilhada por imensos canaviais, guarda tesouros incríveis da avifauna mineira. O conhecimento desses tesouros só passou a ser possível após à importante contribuição do simpático e competente colega Gilberto Alves, que já fotografou mais de 200 espécies.

No dia 14 de junho, um registro impressionante, inédito para o Estado de Minas Gerais, surgiu no Wiki Aves. Sendo avisado pelo amigo Paulo Couto, de Santo Antônio do Monte, ficamos sabendo de uma fotografia do tricolino (Pseudocolopteryx sclateri). Bichinho lindo, com pouquíssimos registros no mapa do site, de repente aqui, pertinho de nós.

Quem é passarinheiro sabe que nesse momento sua mente já começa a planejar quando você vai lá ver o bicho, se organizar com horários, mudar compromissos, adiar agendamentos…. Infelizmente eu não tive como ir imediatamente. Dois amigos, Thiago Mafra e Ricardo Fonseca conseguiram e, em plena segunda-feira, fizeram a viagem para ver o bicho. Não voltaram com boas notícias, viram apenas um indivíduo por alguns curtos segundos, impossibilitando qualquer registro. Essa notícia me desanimou. Entretanto, alguns dias depois, o Paulo novamente envia um alerta de que vários indivíduos foram avistados. Nesse momento não tive dúvida e já respondi: me aguardem, domingo estou aí! No mesmo momento um grupo foi se formando e o carro já estava cheio.

Chega o domingo e 3h da madrugada estava eu com os olhos esbugalhados na pilha pela viagem. Isso depois de um longo sábado de Copa do Mundo e jogo da seleção. Arrumei a tralha, coloquei no carro e fui para rua esperar os demais amigos. Chegaram Pedro Cavalcante, Rodrigo Vieira e Thiago Mafra. Partimos para 2h30 de estrada.

Chegamos em Lagoa da Prata por volta de 6h30, paramos em uma padaria para tomar café. Nesse meio tempo encontramos com a turma de Santo Antônio do Monte (Daniel Santos, Luís Henrique, Wagner Rodrigues e Paulo Couto). Seguimos por mais alguns quilômetros e no caminho apanhamos o Gilberto, responsável pelo registro do pequenino tricolino. Gilberto nos recebe com a alegre notícia de que tinha encontrado outro ponto de registro da ave.

Lá fomos nós, abandonando a zona urbana e entrando no meio dos canaviais infindáveis, em uma estradinha de terra e uma poeira que precisei de muita água para tirar do corpo. Chegando no local, um alagado imenso, com muita vegetação típica e uma paisagem bem legal. Precisamos de poucos metros e alguém grita: olha tricolino!!! Sabe aquela sensação de alívio e alegria?! Pois é…. Corri, peguei o binóculos, apontei para o bichinho e lá estava aquela coisa linda e amarela saltando entre o capim. Só me restava virar para o lado e agradecer ao Paulo e ao Gilberto. Apesar de não ser fissurado por isso, faltava a foto. Essa só fui conseguir no segundo ponto de registro, a poucas horas de termos que ir embora, ficaram horrorosas, mas está ai o prêmio pela aventura.

Entre o primeiro avistamento e a fotografia, percorremos vários quilômetros pelos alagados e lagoas registrando uma fauna impressionante. Acabei ganhando outros 5 lifers (termo utilizado para espécies avistadas pela primeira vez). Lugar incrível, ilhado por cana-de-açúcar, mas com a presença de animais fantásticos.

Na volta, apesar de toda alegria dos vários lifers e do tricolino, estávamos exauridos. A aventura não é para qualquer um. Não foi fácil andar um dia inteiro com a perna encharcada e pesada, atolando e se prendendo à vegetação…

Só me resta parabenizar e agradecer, em especial ao Gilberto e ao pessoal de SAMonte, pelo belo trabalho que desenvolvem na região. Agradeço também aos companheiros de aventura, que sempre animam mais nossas passarinhadas com nossas incansáveis Histórias de Observador.