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  • Fotos: Claudia Komesu (Nikon D800, Olympus TG3 e Iphone) e Cristian Andrei (Fuji X-T1 e lente Fuji 18-55, Olympus TG3)
  • Texto de Claudia Komesu e informações de Andrea Ferrari
  • Fim de semana pra casal que gosta de fotografia de natureza, sossego, e de cozinhar. Passeios na Praia de Bora Bora, litoral Norte, depois de Bertioga. Tem no Google Maps.

Estamos na pior época do ano pra passarinhar na Mata Atlântica. Muito calor, aves ignoram playback, várias estão mudando de penas e aparecem com tufos faltando, tem o período das chuvas. Mas Mata Atlântica é sempre uma riqueza imensa, ainda mais se você aprecia flores, insetos, aranhas. Por isso decidimos ir pra São Sebastião, região da Praia da Juréia (entre Boracéia e Juqueí). De última hora pesquisei um pouco sobre snorkel, e li um post em que uma garota diz que dava pra ver peixes a tartarugas na Praia da Barra do Sahy, por isso levamos a máscara, o snorkel e as nadadeiras.

Saindo da zona oeste de São Paulo, sem trânsito você chega nessas praias em 2h40, 2h50. Saímos na sexta no fim do dia, pegamos trânsito e levamos 3h30. Chegamos depois das 21h e fomos jantar num restaurante na Barra do Una, o Giselle. Tinha boas avaliações em TripAdvisor e Foursquare, mas pra gente foi ruim. Anéis de lula carregados de óleo, nosso camarão rosa veio esturricado. A caipirinha de maracujá também era fraca. O pirão e a farofa de banana eram bons, mas não compensavam camarões ruins. Nosso jantar ficou em mais de R$ 200, isso porque pegamos o prato individual de camarão, que custava R$ 90. (Falei que no litoral tem comida boa, espere que eu já explico).

Terra e ar

Ficamos hospedados numa casa de Airbnb num condomínio fechado, com poucas casas, na Praia da Juréia. Há muitas opções de acomodação pelo Airbnb, muitas mesmo, várias casas bacanas com cozinha, churrasqueira, às vezes piscina, ar-condicionado. No sábado acordei cedo, sem precisar de despertador, o canto de um pica-pau-de-cabeça-amarela me tirou da cama umas 6h40. Saí pra passarinhar no condomínio, fiz isso no domingo também. Bandos de tiê-sangue, garrinchão-de-barriga-vermelha cantou várias vezes (mas não consegui foto), assim como a rendeira, que só cruzou a estrada e não se interessou pelo playback. Pica-pau-anão-de-coleira, canário-da-terra-verdadeiro, tiê-preto, tiê-galo, beija-flor-de-fronte-violeta, um rabo-branco-rubro, cambacica, sanhaçu-cinzento, pia-cobra, suiriri, socozinho, garça-moura, tucano-de-bico-preto, sabiá-laranjeira, andorinhas-pequenas-de-casa, um (parece ser) andorinhão-do-temporal. Algum surucuá também cantou, e alguma choca, mas não sei reconhecer. Preciso confirmar, mas acho que fotografei uma fêmea de azulão, seria o primeiro registro pra cidade.

Não houve moleza com as aves, mas sempre há boas oportunidades com insetos, aranhas e flores. Dessa vez minhas fotos favoritas foram de aranhas: uma aranha branca, que fica em flores, e uma aranha de jardim, dessas de olhos grandes. Era branca, vermelha e preta.

Água

Passarinhei até umas 9h30, voltei pra casa pra encontrar o Cris, tomamos café e fomos pra praia. Eu perguntei de snorkel e o pai do dono da nossa casa, que foi quem nos recebeu, indicou o Cantão do Bora Bora. No sábado o pico da maré baixa seria às 10h. Era perto da casa, deixamos o carro num estacionamento pago (R$ 15) e fomos pra praia, pro canto com morro verde e pedras. Lá perto havia uma barraquinha que vendia água-de-coco, milho, batidas. Falei com o dono e pedi para deixarmos nossa sacola numa das mesas.

Praia bem limpa, tranquila, ambiente familiar, parecia não haver ambulantes nem moçada fazendo bagunça. Várias pessoas com máscara e snorkel. Ficamos das 10h30 às 12h30 na água. Eu sei que havia poucos peixes pra quem costuma mergulhar de cilindro, mas pra iniciantes no snorkel como eu estava ótimo. No domingo seguimos o mesmo esquema, mas apesar de não ter sol, pra mim o domingo foi melhor. No sábado eu estava bem atrapalhada. Cabelo perturbando, máscara embaçava e entrava água, na maior parte do tempo não conseguia enxergar o que aparecia no visor da câmera (talvez pela luz do sol), câimbras. E à noite descobri que estava com umas queimaduras de sol, pela besteira de entrar na água de biquíni sem camiseta. No domingo entrei de roupa, não tive mais problemas com a máscara, conseguia enxergar o visor da câmera e só tive câimbras perto da hora de ir embora.

Fishwatching é algo maravilhoso. Se você se dá bem na água e gosta observar ou fotografar natureza, deveria experimentar. O ideal é mergulho com cilindro, mas reconheço: é bem caro no Brasil. Eu fiz o curso de mergulho, passei com ressalvas (minha categoria é Scuba Junior, ou seja, posso mergulhar acompanhada de um supervisor, até que eu faça o check out de novo e faça o que eu não consegui fazer na primeira prova). A gente ia começar a experimentar o Caribe, que tem águas cristalinas, quentes, muitos peixes, e é bem barato pra alugar os equipamentos. Mas começou a aparecer a chikungunya, e eu falei pro Cris pra gente adiar.

Uns meses atrás passamos por uma escola em Ubatuba, entramos pra perguntar e descobrimos que fazer um mergulho nos custaria mais de mil reais, entre aluguel de roupas, equipamentos, o cilindro de oxigênio, barco pra levar pra ilha, acompanhamento do instrutor.  Não tenho coragem de gastar esse dinheiro num passeio.

Dá pra se divertir bastante gastando pouco

Eu achava que snorkeling era só no Nordeste, mas depois desse passeio descobri que no litoral paulista, mesmo que você não pague um barco para te levar em lugares mais especiais, dá pra fazer algo como um slowfishwatching em locais com pedras, na beira da praia.

Gostamos desse Cantão do Bora Bora. Pesquisando na internet outros locais indicados são: Praia da Barra do Sahy (também litoral Norte). Em Ilhabela recomendam a Praia do Jabaquara. No litoral Norte também dá pra pagar um barquinho pra te levar pra As Ilhas, dizem que é muito bom por lá, mas que é importante você não tentar dar a volta na ilha nadando, porque a parte mais desabitada tem ondas muito fortes.

Andrea Ferrari me forneceu estas dicas sobre onde ver fauna marinha em Ubatuba: “A Ilha das Couves é sensacional, fácil de chegar com barquinho simples, mas desta última vez que visitei (início de mar/17) percebi que está com super lotação, o que atrapalha um pouco. Parece que a prefeitura vai criar algumas regrinhas e limitar um pouco o número de visitantes por dia, espero que realmente aconteça, pelo bem da fauna. A praia da Fortaleza tem uma parte bem legal, no finalzinho dela, onde estão as pedras. A Domingas Dias também é boa, embora eu não vá faz um tempinho. O Lázaro eu não gosto, acho muito cheia. Praia do Cedro (cedrinho, perto do Tenório) também é bacana, além da praia do Lamberto.”

Parece que qualquer praia com pedras na maré baixa deve ter sua vida marinha. É preciso tomar cuidado: há riscos reais de acidentes como afogamentos, ser pego por uma corrente e ser arrastado pra longe da praia. Qualquer pessoa pouco experiente deveria ficar só na parte rasa. Na maré baixa haverá trechos grandes que dão pé e você pode ver muitos peixes. O Cris já fez dezenas de mergulhos, mas eu não gostei de vê-lo indo pra parte mais funda e afastada. Nadei atrás dele e pedi pra gente voltar, falei que estava com câimbra (menti, mas só não queria ter que convencê-lo a voltar).

Observar a vida marinha é um mundo maravilhoso, uma outra dimensão. Mas mantenha sempre sua segurança em primeiro lugar. Se você não tem prática, saiba que será comum entrar água no snorkel, engolir água, entrar água na máscara, ter câimbra. É chato, mas é tudo tranquilo se você está em lugares que dão pé, perto da praia. Treine bastante antes de se aventurar mais, e se for se aventurar mais, de preferência esteja acompanhado de alguém experiente. Se você tiver o azar de ser pego por uma corrente que te leva pra longe da praia, o importante é manter a calma, não se apavorar, não nadar contra a corrente. Nade na diagonal, nunca na perpendicular, não importa que você vá parar bem longe do seu ponto em terra, o importante é não correr o risco de ficar extenuado.

Cuidado com o trânsito da volta

Foi o final de semana pré-carnaval, não tinha feriado. Mas está quente, então todo mundo teve a mesma ideia: ir pra praia. No domingo saímos da casa umas 17h e pouco e pegamos cinco horas de estrada pra chegar em São Paulo. Sem trânsito teriam sido 2h40. Fora do verão e de feriados é mais improvável ser muvucado assim, mas se estiver calor, fique atento com horários. Estamos achando que mesmo no inverno vai dar pra curtir o fishwatching, talvez a gente só precise de umas roupas de neoprene, e as praias estarão bem mais tranquilas.

Comida boa

Restaurantes no litoral paulista são caros de doer. É o preço de São Paulo, às vezes mais caro. Alguns até são bons, mas a gente é muquirana, sempre tentamos economizar o máximo possível nas viagens pra poder fazer várias. Já faz uns anos que a gente tem diminuído bastante nossas idas a restaurantes no Brasil. Nos Estados Unidos sempre haverá algum restaurante étnico muito bom e barato, na Europa a gente faz vários piqueniques.

Na nossa primeira noite estávamos muito cansados pra cozinhar, então fomos pro restaurante bem avaliado, mas nos arrependemos. No sábado saímos da praia 12h30, fomos pra peixaria, compramos um cambucu de mais de 4kg (não tinha mais os pequenos), e um pouco de camarão grande. O cambucu é um peixe caro, de R$ 45 o quilo, mas ele e os camarões renderam nosso almoço de ceviche acompanhado de guacamole, no jantar fizemos risoto de peixe e camarão, no almoço do domingo fizemos moqueca com farofa de banana e ainda trouxemos peixe congelado que dá pra mais duas refeições. Nossa conta na peixaria ficou em R$ 240 e vai render cinco refeições. No Giselle um prato de camarão pra duas pessoas sairia por R$ 180 :(

Gostamos muito de ir pra praia nesse esquema de alugar uma casa, comprar frutos do mar frescos na peixaria, cozinhar. O mercado de peixes de Ubatuba é muito bom, tem uma banquinha numa praça de Ilhabela que também é bom. Peruíbe também tem mercado de peixes. Mas tanto em Peruíbe quanto em Ubatuba tivemos o seguinte problema: comprar algo bom, como camarões grandes, ovas de tainha, na volta passar lá e levar pacotes congelados pra São Paulo, e nos darmos mal. Já nos deram camarão salgado (provavelmente estava correndo o risco de estragar, então salgaram, mas daí estragaram o bicho), e umas ovas de tainha que trouxemos não estavam gostosas como as que comemos na praia. Então não sei indicar fornecedores 100% confiáveis. O que você comprar fresco na hora provavelmente estará bom, e talvez o segredo seja comprar fresco, congelar em casa, levar pra casa numa embalagem térmica. Mas não comprar os pacotes já congelados.

Costumamos levar nossas facas, às vezes nossa frigideira grande anti-aderente e nossa panela de pressão. Levamos cerveja, vinho. As músicas baixadas do Spotify garantem a trilha sonora. E assim nos divertimos mais do que em restaurantes.

Conhecimento: Fishwatching na Praia do Forte – BA, out/2014, por Claudia Komesu

Fotografia de natureza com câmeras mais baratas do que celular, fev/17, por Claudia Komesu

Passeios