• Texto e fotos: Claudia Komesu, com Nikon D800 e Sigma 50-500 para aves, Nikon D300 e Nikkor 105 para macro, e algumas fotos de celular Sony Xperia U

Seguindo mais uma vez o circuito do poker brasileiro, fui pra Natal. Havia combinado passeios com o biólogo Jorge Irusta, mas ele teve um imprevisto e foi preciso desmarcar. O Hector Bottai já saiu com ele, disse que é um bom guia, e talvez o único na região. Para entrar em contato com o Jorge, você pode usar o Wikiaves: http://www.wikiaves.com.br/perfil_JorgeIrusta

O Jorge ia me levar numa área de Mata Atlântica mais preservada, a menos de 2h de Natal, e também numa área de Caatinga. O assistente do Jorge, o Nicolás Ruiz, foi muito gentil e me deu algumas dicas de locais em Natal onde eu poderia ir sozinha. O Hector e o Gilberto Müller também me ajudaram. As indicações são estas:

Onde passarinhar na cidade sem precisar de guia

– Parque das Dunas http://www.parquedasdunas.rn.gov.br/, um parque enorme (o segundo maior parque urbano do Brasil, só perde pra Tijuca), e quando vi pelo lado de fora fiquei animada com a ideia de caminhar pela paisagem das dunas, aquela vegetação típica, inclusive com alguns cactos. Mas não é assim :o( A parte aberta à visitação geral é um trecho minúsculo de Mata Atlântica, chamado Bosque dos Namorados. No Googlemaps digite Av. Almirante Alexandrino de Alencar – RN, ele vai te posicionar numa avenida, mova o mapa para direita, você vai chegar no começo do parque. A área que você pode visitar é a parte ovalada dentro da “pista de cooper do Parque das Dunas”. Há algumas trilhas, mas que exigem monitor e cada turma tem limite de 25 participantes (o que já tornaria inviável pro birdwatching), e têm lotado com 3 meses de antecedência. Atenção: o parque fecha às segundas-feiras.

O Gilberto Müller me passou a informação de que as dunas protegem um aquífero responsável pelo abastecimento da maior parte da água da cidade. Ainda bem que decidiram criar o parque. Enquanto que aqui no Sudeste, prosseguimos com o desmatamento de áreas ciliares e impermeabilização das nascentes…

Bosque dos Namorados

Bosque dos Namorados

O horário de funcionamento é das 8h às 18h. Como em outros parques, é possível fazer uma carteirinha anual de caminhante que dá direito de entrar às 4h30 (em setembro já estava amanhecendo às 5h20), mas pra fazer, precisa ser durante a semana em horário comercial. Se você só tem o fim de semana, dá para tentar chegar cedo e explicar a situação para os guardas da entrada. A funcionária com quem conversei no parque me disse que os guardas são muito legais, e provavelmente deixariam, pedindo com educação, explicando que você é visitante e não tem como fazer a carteirinha, que quando for 8h você volta para a entrada para comprar o ingresso (R$ 1). Eu não sabia dessa história da carteirinha de caminhante, quando soube, decidi comprar um outro ingresso e tentar entrar às 6h30 no dia seguinte.

Mesmo tendo chegado tarde, e com aquele sol típico de rachar, foi possível ver várias gralhas-cancãs, e também o balança-rabo-de-chapéu-preto, o picapauzinho-anão, pipira-preta, rolinha-picuí, gavião-de-cauda-curta, bentevezinho-de-penacho-vermelho no ninho, fêmea do saí-azul, beija-flor-de-garganta-verde, fim-fim. O parque é muito movimentado, e todos os trechos de mata mais interessante estão do outro lado da cerca de arame enfarpado. Nos arredores do Centro de Visitantes (veja no mapa abaixo, tirado do site oficial , fica logo na entrada, do lado esquerdo) foi onde apareceram a maioria das aves citadas, exceto as gralhas, que ficavam na região central do círculo. O Hector e o Gilberto também conseguiram registrar o chorozinho-de-papo-preto. Eu não consegui.

mapa-bosque-dos-namorados

– Praia do Forte – Fortaleza dos Reis Magos. Você consegue ver no Google maps digitando Fortaleza dos Reis Magos. É uma construção histórica, de 1599, mas também uma praia popular para as migratórias nesta época. Na área em frente e um pouco à direita do forte topei com um bando de trinta-réis-boreais e trinta-réis-miúdos. Havia também uns quatro vira-pedras já em plumagem nupcial, um maçarico-branco, um maçariquinho, e uma batuíra-de-coleira. Era domingo, havia muita gente jogando bola às 7h, e provavelmente chegariam mais. O taxista que me levou disse que o local era seguro devido ao movimento, mas pediu para eu não me afastar das pessoas, porque aquele era um ponto visado. Há uma região de mangue e mata perto do início da ponte estaiada, mas seguindo a recomendação do taxista, não fui :o(.  Pra ir embora consegui um táxi usando o aplicativo do celular, o 99. Fiquei pouco tempo na praia porque estava nublado, garoando, e começando a chover mais forte.

Praia do Forte

Praia do Forte

– Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Não consegui ir. Choveu na segunda e na terça, sem chances pra passarinhar. Mas a funcionária do Parque das Dunas (muito simpática. Perguntei se tinha ponto de táxi por perto, ela falou que ia pegar o telefone, e quando fui confirmar o DDD ela disse “ah, você não é daqui, deixa que eu ligo pelo meu celular, não pago a ligação”.) falou que a Universidade era um bom local para ver aves, que nos arredores do prédio da Biologia ela sempre via muitas. Foi a mesma moça que disse que eu poderia tentar entrar mais cedo no domingo, no parque. Os campos das universidades costumam ser bons lugares pra passarinhar, então se você tiver oportunidade, vale a pena dar um pulo. Fica a 6km do Bosque dos Namorados.

Hospedagem

– Ficamos no Serhs Natal Grand Hotel, porque era o local do torneio de poker. Reservando com antecedência, a diária para o casal saiu por R$ 450 com café da manhã. Um hotelzão, desses com piscinas, restaurantes, muitos salões, um monte de elevadores e escadas. De frente para o mar. Na região de Ponta Negra vi muitas pousadinhas pequenas. Mas também ficam mais longe ainda do Bosque dos Namorados, Praia do Forte, e da Universidade. Com certeza há pousadas mais próximas dos locais passarinheiros, mas é uma região menos cênica.

Restaurantes

– Camarões, unidade Potiguar. Maravilhoso. Também faria sucesso em São Paulo. Tudo muito bem feito, saboroso, temperado com personalidade. Há quatro Camarões em Natal. Esse Potiguar tem um ambiente mais bonito do que o Camarões Restaurante. Achamos o serviço do Potiguar melhor também, além do pecado de no Restaurante terem trazido o mousse de três chocolates sem gelo. O do Potiguar veio geladinho e achei delicioso. Em compensação, o Potiguar costuma lotar mais.

Fomos duas vezes. Na primeira comemos o camarão com creme de caranguejo, e como entradas pastel de camarão com catupiry e também um vatapá. De sobremesa, esse tal mousse incrível. Na segunda vez, o Potiguar estava com 1h30 de espera, então andamos duzentos metros e fomos para o Camarões Restaurante, que tinha lugar. Eles não têm o vatapá nas entradas, então comemos dois pastéis de camarão (massa diferente do Potiguar, menos crocante), o prato foi um camarão no jerimum – delicioso, e de sobremesa pedi de novo o mousse, mas infelizmente veio em temperatura ambiente.

Chegue cedo ou perto do horário de fechar. Ou então conforme-se com a espera. Os taxistas nos falaram que lota todos os dias. Veja no site que os horários de fim de semana e durante a semana são diferentes.

http://www.camaroes.com.br/

– Experimentamos também a Barraca do Caranguejo, mas essa não teve grandes méritos. No domingo à noite tinha acabado o caranguejo, tinham só patolas (a com vinagrete era boa) – o garçom nos explicou que eles só trabalham com caranguejos frescos, e que tradicionalmente acabam no domingo no início da tarde, porque tem muita procura. Na segunda eu queria voltar no Camarões, mas bobeamos no horário, então fomos pra Barraca, que falou que na segunda teria caranguejo. Pedimos um caranguejo no leito de coco. O tempero era bom, mas os caranguejos tinham patas finas, quase sem carne, era frustrante fazer toda aquela meleca pra quebrar as patinhas e conseguir só fragmentos da carne.

Outras informações

Sobre os passeios de bugue nas dunas: se você pensa em fazer, vá com óculos especiais, de preferência algo no estilo aviador retrô, porque senão entra muita areia nos olhos. Não fizemos o passeio, ouvimos de quem fez (e o Cris também já sabia como era o esquema).

Aeroporto: é mais longe do que Cumbica. O Serhs ficava a 40km de lá, uma corrida de uns R$ 115. Alguns taxistas colocam bandeira 2 quando muda o município para São Gonçalo do Amarante.

Distâncias, locomoção. O Serhs fica num local que eles chamam de Via Costeira, uma avenidona com vários hoteis. É muito bonito, mas fora de mão para a maioria das coisas. Vários restaurantes contratam vans que vão buscar e depois levar os clientes, de graça.

O Bosque dos Namorados e a Praia do Forte ficavam a uns 12km do hotel, uma corrida de uns R$ 40.

Clima: venta muito. Na praia, às vezes ventava de ficar difícil firmar a câmera. Me falaram que essa chuva que pegamos era atípica, mas nos dias de hoje é difícil prever o que será típico no clima.

Segurança: vi policiais e carros de polícia em vários lugares. Um taxista me disse que a região de Ponta Negra é uma orla considerava segura, e que há dois anos a cidade toda era tranquila. A chegada do tráfico de drogas mudou o cenário, e hoje a polícia e a comunidade enfrentam situações que eles não estão preparados para resolver. Me senti segura no Parque das Dunas e também na Praia do Forte. Como em qualquer lugar que agrupe pessoas, basta você não ir para lugares isolados.

Natal pode não ser um hot point passarinheiro, mas com certeza é um destino turístico que vale a pena. Se for pra lá com a família, dá para aliar com o birdwatching. Aproveite que amanhece cedo, vá passarinhar e volte antes da família acordar pro café da manhã :o)

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