Primeira passarinhada em Campos do Jordão depois do Inaturalist.org

  • Texto e fotos: Claudia Komesu, com Nikon D800 e Nikkor 300 f4 e Olympus TG3.

Em outubro fui pra Califórnia. Vocês devem saber: os Estados Unidos têm parques nacionais incríveis e são muito organizados. Eu tinha certeza de que seria fácil encontrar algo como uma lista de espécies dos parques, o que facilitaria bastante a identificação dos bichos que fotografei. Comecei a pesquisar e achei muito mais do que listas: descobri o Inaturalist.org, um site incrível, que além das listas mostra as espécies de um local na forma de um painel de fotos. Assim, em vez de ter que copiar e colar cada nome de espécie e jogar no Google, ou ter que clicar em nome por nome, era só olhar o painel e comparar com as minhas fotos. Foi muito fácil identificar as espécies, e o que eu tinha dúvida, eu podia postar e pedir ajuda da comunidade. Queria que o Wikiaves usasse o recurso do painel de fotos.

O Inaturalist não tem fotos só de aves: ele abarca tudo quanto é ser vivo. De preferência os selvagens, mas você também pode postar fotos de espécies cativas ou cultivadas, com essa tag. Sempre gostei de insetos e flores, mas passear pelo site, ver as fotos, conversar com as pessoas do site me abriu outra dimensão. Alguma coisa mudou na minha cabeça, e eu passei a passarinhar de outra forma. Mais atenta, capaz de enxergar mais. Comecei a ver muito mais aranhas, besouros, inclusive os minúsculos, os bem camuflados. Nas semanas seguintes fui pra Tapiraí, Peruíbe, e vi algo que eu nunca tinha visto na vida: planárias terrestres. Eu achava que eram lesmas coloridas, mas uma colega do Inaturalist me explicou que se não parece ter cabeça, então é planária.

Este passeio em novembro em Campos do Jordão eram alguns dias com a família, no feriado de 15 de novembro, então não fiz nenhum passeio guiado, só dei umas voltas pelo condomínio, em duas manhãs peguei o carro e saí cedinho pra voltar antes das 11h. Nos arredores da hípica tive o prazer de topar com um pavó, tangará e um gavião-pega-macaco, mas bem alto. No quintal da casa dos meus sogros, o pica-pau-rei, que sempre aparece por lá, além de quetes, sanhaçus, marias-pretas, gavião-carijó, arapaçu-verde. Não fotografei muitas aves, mas graças a essa nova dimensão trazida pelo Inaturalist, a sensação era de estar estar aproveitando bastante cada saída.

Estou reunindo fotos pra escrever mais sobre a fotografia macro, mas se quiser algumas informações sobre câmeras compactas, tem este post: http://virtude-ag.com/fotografia-natureza-cameras-mais-baratas-do-que-celular-fev17-por-claudia-komesu/

O Inaturalist é incrível, mas tem alguns problemas. A plataforma é em inglês, e as pessoas conversam em inglês. Há problemas nos mapas do Brasil, de não existir Tapiraí, de Campos do Jordão estar mapeado errado, e os administradores me falaram que não vão consertar (que não é problema deles, que eles usam os mapas da fonte tal, pra eu reclamar pra eles. Eu mandei mensagem, mas com aquela sensação de que seria totalmente ignorada, que foi o que aconteceu mesmo). É muito cansativo postar todas as fotos, pesquisar, tentar descobrir pelo menos a família pra não abusar, responder comentários, agradecer as identificações. Passei outubro e novembro de 2016 postando muitas fotos lá, mas a história dos mapas foi um banho de água fria. Mandei mensagem pros colegas que mais me ajudaram com as identificações avisando que ia passar um tempo ausente, que nem tinha certeza de que iria voltar. Um deles me convenceu a voltar, explicou que ser ignorado pelos administradores não é motivo pra se chatear (ele é muito ativo e respeitado, e me falou que inúmeras vezes ele foi totalmente ignorado. Pra eu entender que o Inaturalist tem uma equipe muito pequena, não têm anúncios no site). Falei que voltaria em fevereiro, mas no começo do ano decidi retomar as atualizações do Virtude, e agora me faltam horas no dia pra conseguir dar conta do Virtude e do Inaturalist. Sem falar do Wikiaves e do Ebird. Mas preciso voltar lá, no mínimo pra agradecer por eles terem aberto uma nova dimensão, e mostrado como uma plataforma de base de dados pode ter uma estrutura para não incentivar a competitividade.