Talvez seja como mudar a lente, trocar a panorâmica por uma macro, parar de olhar só o big picture e ser capaz de reparar nos detalhes, nos passarinhos minúsculos se alimentando em meio a pedregulhos atrás de um alambrado, ver um bando de aves comuns na grama recém cortada e saber que aquilo é uma festa, prestar mais atenção a tudo que faço (…)

Canário-da-terra-verdadeiro (Sicalis flaveola) Saffron Finch

 

  • Texto e fotos: Claudia Komesu
  • Passeio no Parque Villa-Lobos no dia 22/05/2012, das 11h30 às 14h30

Promessa é dívida. Em março eu disse que faria o tal try harder, mas até domingo passado, dia 20/05, estive mergulhada em trabalho com o site, a revista, a apresentação do Avistar. O Avistar passou, a primeira fase da Virtude-AG também pode ser considerada encerrada, a revista está impressa.

Não foi proposital, mas o fato é que um dia após o fim da fase 1, eu estava no Parque Villa-Lobos, com uma amiga, a querida Taty, mas sem a minha câmera. E admirei um bando de taperuçus-de-coleira-branca voando baixo, aquele design elegante das asas, o minimalismo das cores. Voltei no dia seguinte, com o pretexto de registrar os taperuçus. Eles não apareceram, mas topei com algo muito valioso e que sempre corre o risco de ficar esquecido: o puro prazer de observar e fotografar aves, não importa que sejam espécies comuns, mesmo com a luz dura do meio-dia.

Suiriris-cavaleiros não têm medo de nada, eu fiquei impressionada com a valentia (ou falta de noção)

Não sei quanto a vocês, mas eu já passei por várias fases. A fase de sair tarde sem guia e ver pouco, contratar um guia e pedir espécies coloridas sob luz bonita, a maior fase foi a de sair com vários guias e querer ver uma grande diversidade de espécies. E é claro, o eterno retorno: a fase de pode ver aves em qualquer horário, mesmo que não seja cedinho, e sem se importar se são espécies comuns.

Talvez seja fácil voltar ao início porque já fiz várias viagens, e quando vejo fotos de aves lindas retratadas em lugares longínquos, já não bate aquela ansiedade de “preciso ver essa ave”. Talvez eu apenas esteja cansada das várias semanas comendo mal e dormindo pouco.

Mas acho que não é isso. Esse amor pelas aves comuns, já senti em outros momentos, mas às vezes ele fica num cantinho, em vez de ser cultivado. E tenho certeza de que esse olhar carinhoso sobre o mundo, sobre as aves, é algo que merece destaque e zelo em minha vida. Talvez seja como mudar a lente, trocar a panorâmica por uma macro, parar de olhar só o big picture e ser capaz de reparar nos detalhes, nos passarinhos minúsculos se alimentando em meio a pedregulhos atrás de um alambrado, ver um bando de aves comuns na grama recém cortada e saber que aquilo é uma festa, prestar mais atenção a tudo que faço, a tudo que eu olho, porque a vida é breve demais para a gente viver distraído, dependendo só de grandes eventos, aves estonteantes para nos tirar da rotina.

Cambacicas dominantes tomam banho primeiro e expulsam atrevidos

Sou observadora de aves e me divirto muito com isso. Sou observadora de aves, e tenho orgulho do meu hobby, tento mostrar aos meus amigos, família. Sou observadora de aves e gosto de ver quase qualquer ave, inclusive as comuns, principalmente as comuns.

Quer compartilhar o hobby comigo? Vamos fazer posts sobre aves comuns, vamos esquecer dos critérios ornitológicos, de popularidade, proximidade e nitidez, raridade da espécie. Vamos apenas fotografar aves.