Santa Catarina é um Estado maravilhoso, inclusive do ponto de vista de opções de birdwartching. Tem paisagens maravilhosas, um povo acolhedor e simpático e uma avifauna exuberante.

Participei, de 30 de abril a 1 de maio, do “I Festival do Papagaio-charão”, assim chamado pelo seu idealizador Dario Lins, birdwatcher e autor do livro “Olhai as aves do céu”. Ele aproveitou a migração do papagaio-charão– Amazona pretrei, ave endêmica do Sul do Brasil, que no inverno visita as matas de araucária do Sul de Santa Catarina para se alimentar do pinhão, fruto da Araucaria angustifolia. Dario promoveu o festival com palestras, concursos, passeios, observações, enfim, deu vida ao festival. Estima-se que cerca de 26 mil papagaios visitam a região nessa época.

Eu já tinha o Estado de Santa Catarina como um dos preferidos para passarinhar. Depois desse evento minha predileção só aumentou. E olha que pegamos temperaturas próximas de zero grau, chuvas intermitentes e céu encoberto. Mas, nos poucos minutos que o tempo abria, aproveitávamos para ir atrás do charão e das outras espécies endêmicas da Serra. No nosso grupo estavam Sergio Gregório, amigo de muitas passarinhadas, Octavio Salles, um dos melhores fotógrafos de vida selvagem do Brasil e Adrian Rupp, biólogo de formação e guia de birdwatching por vocação.

Adrian conhece muito bem o Estado de Santa Catarina. Pedi a ele que transcrevesse um texto curto, sobre o seu Estado:

“O estado de Santa Catarina está totalmente inserido no domínio da Mata Atlântica, mas apresenta particularidades quanto às formas de vegetação existentes, e também com relação as suas aves. Neste estado existem cerca de 680 espécies de aves, e destas 114 estão ameaçadas de extinção em escala regional, sendo que algumas são de fato muito raras ou de ocorrência restrita, como o bicudinho-do-brejo, a maria-catarinense, a saíra-sapucaia, e o patinho-gigante, que ocorrem na baixada litorânea.

Na região do Planalto Serrano, onde a altitude varia de 800 à cerca de 1800 metros são encontrados os campos de altitude e a Floresta com Araucárias, e é nesta região que estão os principais lifers para quem está habituado a passarinhar no sudeste do Brasil. Nos banhados desta região, diversas espécies raras se reproduzem durante o verão, como a noivinha-de-rabo-preto, o veste-amarela, o tio-tio, caboclinho-de-barriga-vermelha, caboclinho-de-barriga-preta, além de uma forma ainda não descrita de patativa. Não bastasse o espetáculo que estas aves propiciam nos meses quentes, no inverno o êxtase é garantindo com os milhares de papagaios-charão que visitam os municípios de Urupema, Painel e Bocaina do Sul, quando vêm se alimentar das sementes da Araucária, o pinhão.”

Adrian Rupp