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  • Texto e fotos: Claudia Komesu
  • Câmera: Nikon D300 e lente Nikkor 300 f4 e tele 1.4

Se o Jonas fosse uma instituição, eu seria uma das primeiras a me filiar. Na prática, já usufruo. Aves tratadas com todo o carinho, bebedouros e comedouros sempre movimentados, estacionamento, varanda fresca e cheia de cadeiras. Só não pago mensalidade. A primeira vez que fomos lá, tentei deixar um dinheirinho, e o Jonas não deixou. O máximo que ele aceita é açúcar e banana. Um homem tão generoso, me sinto tão à vontade lá, que foi um grande ciúme, voltando da trilha, topar com uma van, um dobló, e 20 gringos lotando a varanda e o quintal. Achei que ia finalizar o dia fotografando beija-flores, mas estava impossível. Fazer o quê? O Jonas recebe bem todos os amigos das aves, e eu devia imaginar que mais dia, menos dia, toparíamos com uma excursão de birders.

Apesar de ser primavera, e só ter chovido um pouco no meio da tarde, o sábado não foi movimentado de avistamentos. Eu vi-ouvi 49 espécies, das quais 17 com fotos boas. Sair com o Rafa é sempre um prazer, e no fim do dia tirei a sorte grande: consegui uma foto do Meluraxis ater macho, no aberto. Graças ao playback do Rafa já tinha da fêmea, e agora tenho do macho. O playback fica no chão, o bichinho se aproxima, e após um segundo de hesitação cruza a estrada bem rápido.

No domingo, eu e o Cris passeamos na Folha Seca sem o Rafa. Chegamos eram mais de 10h, mas tive a sorte de pegar o gavião-pega-macaco na clareira do início da trilha do chuchu. Eram 10h35, eu pensando que ele poderia aparecer, olhei pra cima e lá vinha o bicho. Coração disparado, na primeira tentativa perdi o foco, mas depois consegui 5 fotos e paz de espírito. Agora, falta topar com ele pousado. E conseguir fotografar.