Breve passeio no arrozal de Tremembé. Garças, o socó-boi-baio, o caminheiro-zumbidor. A experiência de passarinhar com uma criança de 9 anos.

Socó-boi-baio (Botaurus pinnatus) Pinnated Bittern

 

  • Texto: Claudia Komesu
  • Fotos: Claudia Komesu (Canon 7D e 100-400), Cristian Andrei (Nikon D800 e 300 f2.8 com tele 2x) e Daniel Mendes Andrei (Nikon D300 e lente 300 f4 com tele 1.4)

Passeio familiar. O Daniel me ouve falar dos passeios e diz que quer fotografar comigo. Combinamos de passarinhar no arrozal, numa ida a Campos do Jordão. Saímos tarde de São Paulo, almoçamos no Fazendinha e fomos para a região do arrozal lá pelas 15h.

O Dani é muito bom! Fotografa gente desde uns 4 anos, hoje em dia às vezes é até o fotógrafo oficial das festinhas familiares.

Já fotografou na Guainumbi, num fim de semana em que o Edson Endrigo era o guia, e já fotografou na África do Sul no ano passado. Consegue fotos com foco perfeito e bom enquadramento (mas ele tem 9 anos, é claro que também perde e erras muitas fotos, e que é o Cris quem regula a câmera pra ele). Mesmo assim, a verdade é que as fotos de garça-vaqueira dele ficaram melhores do que as minhas e do Cris.

Logo que chegamos na região que o Marco Crozariol tinha passado a dica, vimos várias garças-vaqueiras, e de repente vi um lifer pra mim: o socó-boi-baio. “Ah, nem acredito! Com licença, vou lá fotografar o socó-boi-baio”. Eu era a “guia” e estava de motorista também, o Cris estava no banco de trás para ajudar o Dani, mas nessa hora desci do carro e fui tentando me aproximar do bicho. Ele manteve aquela pose engraçada de pescoço bem esticado, acho que é uma tentativa de se camuflar de tronco, e me aproximei o máximo que pude.

De dentro do carro, o Cris e o Daniel ficaram me olhando e “reclamando” do serviço “a gente contrata uma guia,e é só aparecer um lifer que ela abandona a gente e vai atrás da ave…”

Além das vaqueiras, também fotografamos garças-brancas-pequenas (outra fotona do Dani), garça-branca-grande, garça-moura comendo mussum (que o Dani pegou mais uma vez), tesourinha, anu-branco, urubu, meu melhor caminheiro-zumbidor, com aranha no bico, e um belo lagartinho, que o Daniel também adorou. Vimos 3 vezes o socó-boi-baio. Esse da foto de abertura estava bem perto, o Cris conseguiu ótimas fotos, só lamentos a zarolhice.

 

Sobre passeio com crianças

Já lemos alguns relatos de birdwatchers traumatizados pela paixão dos pais birdwatchers. De como é ser criança, ser arrastado para um passeio em que você tem que ficar calado e imóvel durante horas. Passar a odiar o birdwatching, e fazer as pazes com a atividade depois de anos. Ou não. Temos uma grande preocupação em não traumatizar o Daniel, geralmente os passeios com ele são focados nele.

Quando fomos pra Guainumbi em maio de 2011, o Cris disse que eu podia fotografar, e ele faria companhia pro Daniel. Quando o Daniel cansava, eles iam pra sede jogar Wii (que a gente levou). Mas o Daniel adorou os comedouros, e poder usar uma DSLR com tele. Ele começou fotografando com a compacta, mas a gente viu que ele foi ficando chateado porque não conseguia boas fotos e até parou de fotografar. Então colocamos uma DSLR reserva no meu tripé e o Cris carregava pra ele.

Em geral as crianças adoram as aves, adoram fotografar, mas têm uma paciência e foco bem mais restritos do que de um adulto. A conta é mais ou menos de 1/3. Num lugar sem muita coisa acontecendo, acho que um adulto comum teria aguentado ainda assim 3h de passeio. O Dani aguentou 1h e pouco, e então pediu para irmos embora.

 

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