Alegria de passarinhar no sossego, entre pessoas queridas e no maravilhoso cenário do arrozal de Tremembé.

 

  • Texto: Claudia Komesu
  • Fotos: Claudia Komesu e Cristian Andrei
  • Câmeras: Canon 7D com a 100-400, Panasonic Lumix LX3 e celular Galaxy Beam
  • Passarinhada com a Daiane Barros, Silvia Linhares, Cristian Andrei, Jarbas Mattos, Sérgio e Letícia Coutinho, Marco Crozariol, Lucas Valério, Tomaz Melo.

Temos um grupo da Virtude no Facebook. Vergonhosamente inativo, porque fui eu quem criei, e sou lastimável para redes sociais. Mas o grupo já me rendeu boas conversas e contatos sobre educação ambiental, preservação da natureza, me ajudou a conhecer mais sobre a Daiane Barros e a Silvia Linhares, e foram elas que podiam e toparam uma passarinhada. Não importava muito o local, queríamos nos encontrar.

(E é por isso que não foi um encontro amplamente divulgado, porque não era bem uma saída: era um encontro de gente que estava conversando sobre os assuntos de meio ambiente. O pessoal do Vale do Paraíba apareceu porque são do Vale, e são os mais chegados, com quem a gente conversa mais).

A descrição do dia e das aves vistas está perfeitamente relatada no post da Silvia Linhares, que sempre faz ótimos relatos.

O que posso contar: sobre como é passarinhar com um grupo grande. Qualquer um que me perguntasse, eu diria que sou contra passarinhar em grupo. Quanto mais gente, menos aves. Fora que as pessoas podem ter interesses diversos: um quer ficar fotografando e olhando, outro quer ir atrás de mais espécies, e aí encrespou.

Agora o que eu posso dizer é que sou contra grupos grandes, a não ser que seja uma situação como no domingo. O grupo todo na mesma sintonia: tranquilidade, sossego, sem urgências ou angústias, e muita generosidade “vou tentar chamar pra você ver”, “vem pra cá, que daqui é melhor”, “mais pra frente a gente tenta de novo”, “não, eu já tenho foto, quero que você consiga uma foto boa”.

Claro. Ajuda ser num lugar aberto e amplo, que a maioria das pessoas conhece bem. Poucas aves ainda – neste ano, a estiagem está judiando. Sem lifers ou bichos muito raros pra nos testar se o lado civilizado permanece, mas acho que sim. Pessoal gente fina, experiente em campo, cuidadoso em não atrapalhar os outros.

E muitas palhaçadas. Cumplicidade e piadinha entre amigos. O Marco, de chinelos, nem aí pra carrapatos do pasto, porque só tinha pensado no arrozal. Quando entrou no arrozal, para ver se localizava a narceja, na volta, no último passo, pisou numa poça e espirrou lama no moletom “ai, agora vai levar bronca da mãe porque sujou o pijama” – Lucas.

O Lucas explicando onde era um possível local para ver o pato-de-crista, mas falando rápido, um pouco cantado, e eu sou meio tapada pra sons, sotaques, apesar de ser do interior de São Paulo. “O paatu-d-crist …” e eu pensando “mas o que é esse padre-cristo que o Lucas está falando…”. O Tomaz morreu de rir quando contei. E perdi a chance de fotografá-lo segurando o Ipod da Silvia, que tem capa de pinguim fofo, mas no Facebook postei a foto da Silvia e da Daiane com o pinguim, dizendo que era do Tomaz.

Poucas aves. Mas ótimas companhias, e aquela paisagem zen maravilhosa.

Volta um pouco tensa. Sem postos na pista na região, gasolina pra acabar, mas achei que chegava no Frango Assado. Chuva torrencial, de ser difícil ver 10 m a frente, pista pesada da água, ir a 80km/h, eu sei que quando acende a luz de reserva ainda tem muita gasolina, mas medo mesmo assim. Meia hora de chuva brava, depois passou.

Deixamos a Silvia na casa dela, chegamos em casa, olhei pra Dai, ela olhou pra mim, falamos a mesma coisa “banho” (mas peraí, cada uma em seu banheiro). Infelizmente mais de 22h, não tinha restaurante legal aberto pra Dai conhecer, depois de umas três tentativas acabamos na Officina da Pizza da Ignacio, sempre um bom lugar.

Foi um dia muito divertido, uma ótima oportunidade para conhecer melhor a Daiane e a Silvia, papear um pouquinho com o Tomaz, o Jarbas, bem rapidamente com o Serginho, quase nada com o Lucas, o Marco e a Letícia. Mas é isso: nem sempre o objetivo do passeio é ver as aves. Às vezes é só uma desculpa pra reunir amigos.

Agradeço a companhia de todos, especialmente a generosidade do Marco, que deixa a gente aproveitar tanto esse cenário lindo do arrozal. Muito obrigada, Marco!

 

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