O Tepequém é uma pequena vila no alto da serra do Município do Amajari – RR, que foi povoada por garimpeiros de diamante na época áurea do garimpo e tem se especializado na recepção de turistas que buscam um maior contato com a natureza. A região é muito rica em espécies, vale notar que nessa viagem passei pouquíssimo tempo buscando ativamente avistar as aves. O que registrei foi em pequenos períodos em que consegui me afastar da família ou nos caminhos da ida e da volta das cachoeiras e de Boa Vista.

Capitão-de-fronte-dourada (Capito auratus) Gilded Barbet

 

O Tepequém é uma pequena vila no alto da serra do Município do Amajari – RR, que foi povoada por garimpeiros de diamante na época áurea do garimpo e tem se especializado na recepção de turistas que buscam um maior contato com a natureza. Trata-se de uma região com várias cachoeiras e opções de trilhas além do aspecto histórico da evolução do garimpo no local (ruínas da vila original, pista de pouso de avião paralelamente à qual se desenvolveu a principal rua da vila atual além do contato com garimpeiros que ainda hoje buscam a sorte em garimpo de pequena escala e pouco impacto).

Diferente do que possa parecer, no garimpo de diamante não existe a competição selvagem característica do garimpo de ouro o que acabou por constituir uma comunidade pacata e muito hospitaleira onde a violência praticamente inexiste (a polícia de Amajari raramente sobe ao Tepequém por não haver demanda de crimes no local). As pousadas da Vila são simples mas aconchegantes, com ambientes que propiciam um conforto razoável e privacidade. Além dessas pousadas, um pouco afastada do povoado, existe a conhecida pousada do Sesc construída dentro da mata e que oferece opções de lazer como piscina de água natural, parquinho para as crianças, tirolesa, etc.

Tudo isso em meio à mata exuberante frequentada por um grande número de espécies de aves entre as quais se visualizam com relativa facilidade o japu-verde, a gralha-violácea, gaturamos, caneleiros, aracuãs e tantas outras.

Nessa viagem saí de Boa Vista às 19h do dia 4/10 e cheguei ao Tepequém às 21h30 percorrendo pouco menos de 200km de estrada asfaltada em bom estado. Viajei acompanhado da esposa, minha filha de 6 anos e minha enteada bióloga. No dia 5, por volta das 5h50 me levantei e fui dar uma volta no quarteirão da pousada e, em 1 hora e meia de passeio, avistei várias espécies como a guaracava-de-barriga-amarela, o sanhaçu-de-coleira, o rouxinol-do-rio-negro, periquito-de-bochecha-parda, papagaio-campeiro, ariramba-de-cauda-verde, japu, alguns beija-flores, etc. Foi nesse trecho que recentemente o Anselmo d´Affonseca fotografou o uirapuru-cigarra que fez tanto sucesso no wikiaves.

Às 7h30 saímos para uma pousada onde servem a tapioca que é típica aqui no Norte e um café da manhã sem muito luxo, mas bem gostosinho. De lá saímos em direção à Cachoeira do Barata (uns 3km) e no caminho fiz a foto da ariramba-preta. No local da parada dos carros são frequentes algumas espécies de beija-flor, o surucuá-grande-de-barriga-amarela, o tem-tem-de-dragona-vermelha, arirambas, sanhaçus, saíras e muitas outras. Às 10h30 resolvemos ir a outra cachoeira (do Paiva) que é uma grande queda d´água cercada por floresta que é visualizada de cima no local da parada dos carros. Antes passamos pela antiga Vila do Tepequém que foi quase totalmente destruída pelo tempo onde avistei a gralha-violácea e o gavião-pedrês e logo em seguida nos dirigimos à Cachoeira do Paiva onde registrei o gibão-de-couro e a saíra-amarela (ambas espécies bem diferentes das que ocorrem mais ao sul), o tem-tem-de-dragona-vermelha (macho e fêmea), bem-te-vis, sanhaçu-de-coleira, sanhaçu-da-amazônia. Não chegamos a descer a cachoeira em função de um problema no joelho de minha esposa.

Às 12h30 nos dirigimos à mesma pousada do café da manhã (Pousada da Iodete) para almoçar e em seguida fomos buscar as nossas malas na Pousada Tepequém. Na volta passamos pela Pousada do Sesc onde pedimos autorização para fazer uma visita.

Passamos umas duas horas ali e, numa das poucas oportunidades em que pude ficar dentro da mata nessa viagem, me vi rodeado de espécies com poucos registros fotográficos. Fiquei sentado em uma trilha com a ansiedade de quem acaba de chegar ao céu.

A dois metros de mim, um aracuã-pequeno (eu nunca tinha conseguido me aproximar dessa ave), nos galhos baixos ao lado um casal de caneleiro-preto, no chão da mata, muito próximo, o canto de um papa-formiga-de sobrancelha, um rouxinol-do-rio-negro que pensei ser um xexéu ficou muito tempo próximo… e entre outras que não registrei eis que surge um lindo casal de capitão-de-fronte-dourada.

Já no caminho de volta, na descida da serra, registrei o gavião-branco, o gavião-de-anta e um casal de arara-canindé (havia muitas espalhadas em um pasto com palmeiras) além de várias outras espécies que não consegui registrar por ser o único passarinheiro empolgado do carro rsrsrs. Às 19h30 estava em casa com os bolsos cheios de passarinhos!

Dica da vez: em geral há duas maneiras de se buscar avistar as aves na mata: ou você vai ao encontro do canto, sempre caminhando, usando playback e procurando não fazer movimentos bruscos ou ruído excessivo, ou você elege alguns pontos da trilha pra ficar parado esperando que os bichos se acostumem com a sua presença e se aproximem. O meu melhor momento nessa viagem foi quando me sentei na trilha num local onde avistei algumas espécies e permaneci lá por algo em torno de uma hora.