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Tuiuiú. 1,40m de comprimento, 3m de envergadura, nem sei como voa.
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Garças. Talvez as brancas-grandes, mas sem certeza. Em voo ainda, é fácil confundir com pardal.
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Socó-dorminhoco
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Um dos paraísos na Terra
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Tanta beleza que nem cabia nos olhos
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Garça-branca-pequena
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Será possível que o bicho homem vai destruir mais um paraíso?
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Garça-branca-grande
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Frango-d´água-comum
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Sanã-parda desfilando
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Cenários amplos
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Socó-dorminhoco jovem
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Acho que foi o único barco com quem cruzamos
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Garça-branca-grande, aparentemente levemente consternada
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Caraúna-de-cara-branca
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Garça-branca-pequena. As aves pescavam o tempo todo.
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Garça-moura, garça-branca-pequena, garça-branca-grande, garça-vaqueira
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Lavadeira-mascarada
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Lavadeira-de-cara-branca
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Tanta água, tanta beleza
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Gavião-caboclo jovem
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Gavião-caboclo jovem
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Caminheiro-zumbidor
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Ratão-do-banhado!
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Marrecão (F) e filhotes
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Marreca-caneleira. Parecida com a fêmea do marrecão, mas repare no desenho das asas e na ausência do anel branco em volta do olho
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Pernilongo-de-costas-brancas
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Maçarico-de-colete
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Martim-pescador-grande
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Frango-d´água-azul
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Pardal de tamanho normal
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A tal andorinha-do-rio

 

  • Texto e fotos: Claudia Komesu. Câmera: Nikon D800 e Sigma 50-500
  • Passeio no Tanquã, tendo como barqueiro o Alemão, na companhia da Juliana Diniz, Luccas Longo e Rodrigo Popiel

Poucas pessoas sabem que o interior de São Paulo abriga um minipantanal. É emocionante e quase inacreditável ver tantas garças, cabeças-secas, tuiuiús, colhereiros, marrecas (e saber que há jacarés-de-papo-amarelo) tudo isso numa região tão urbanizada. O Tanquã se formou devido à construção da barragem de Barra Bonita na década de 1960. Hoje, além de diversos animais, também é o lar de uma comunidade de pescadores. Apesar da sua riqueza e singularidade, esse local corre o risco de ser engolido pela construção de uma nova barragem. E, pior: os defensores do Tanquã dizem que o pequeno trecho de 45 km da hidrovia (que custará algo como R$ 600 milhões) poderia ser substituído por ferrovia, a um custo menor, com mais benefícios no transporte de cargas, e sem destruição ambiental. Não é só um problema para as pessoas que moram no Tanquã: a perspectiva é de assoreamento no rio, com aumento do risco de enchentes e tragédias para a população de Piracicaba.

Já tinha ouvido falar bastante do Tanquã, por meio dos colegas birdwatchers, mas só na semana passada tive a oportunidade de conhecê-lo de barco. Como o lugar é bonito. Cenários amplos, muito mais água do que se imagina olhando da margem, pequenas baías repletas de aves. Foram umas 4h de passeio em silêncio, algumas breves conversas com nosso barqueiro, o Alemão, mas na maior parte do tempo sentia que eu, a Juliana Diniz, o Luccas Longo e o Rodrigo Popiel estávamos absorvendo a paisagem, tentando gravar ao máximo as sensações daquele lugar que talvez deixe de existir em pouco tempo.

Antes de entrar no barco já dava para ver alguns tuiuiús. Ainda lembro da primeira vez que vi um, foi no Pantanal em 2008: eu não estava dando bola pra ideia de encontrar esse monstro até que vi com meus próprios olhos: o bicho mede 1,40m de altura (é a medida científica, ou seja, dele morto e esticado, da ponta do bico à ponta das garras), e as asas abertas podem medir 3m de uma ponta à outra.

Começamos o passeio com uma imagem do voo do tuiuiú. As horas seguintes foram um desfile ininterrupto de dezenas de garça-branca-grande (muitas, acho que era a espécie mais abundante), garça-branca-pequena, garça-vaqueira, garça-moura, savacu, frango-d´água-comum, biguá, biguatinga, garibaldi, irerê, pé-vermelho, marreca-cricri, marreca caneleira, frango-d´água-azul, caracará, gavião-caboclo adulto e jovem, com o jovem voando baixo, sanã-parda, lavadeira-de-cara-branca, lavadeira-mascarada, socozinho, marrecão – machos e também uma fêmea com 5 pimpolhos, pernilongo-de-costas-brancas, martim-pescador-grande, coró-coró, caraúna-de-cara-branca. E caminheiro-zumbidor, choca-barrada (paramos em terra firme também). De barco era possível uma aproximação bem razoável dos bichos, e tivemos ótimas oportunidades fotográficas, com muita luz e várias cenas de voo.

Encerramos o passeio depois das 13h. Ficamos um tempo no bar do Carlinhos batendo papo com o Alemão, entre a cerveja e água ou suco (para os motoristas, no caso eu e o Rodrigo). Fomos almoçar em Piracicaba na rua do Porto, comer o tal filhote assado no tambor, uma delícia, acompanhado de pirão – e pedimos uma salada completa sem palmito, já que não tínhamos certeza de que vinha de uma plantação, e não de extração ilegal. Na rua do Porto ainda fotografamos o ferreirinho-relógio, que a Juliana viu e o Rodrigo conseguiu uma fotona, pardal, uma andorinha-do-rio que motivou um assunto bem importante: o risco de picada de carrapato que transmite febre maculosa.

Atenção com os carrapatos – febre maculosa – risco de morte

Piracicaba e várias cidades nos arredores são regiões onde é mais provável topar com o carrapato-estrela, que pode transmitir a bactéria da febre maculosa. “Os primeiros sintomas aparecem de dois a quatorze dias depois da picada. Na imensa maioria dos casos, sete dias depois. A doença começa abruptamente com um conjunto de sintomas semelhantes aos de outras infecções: febre alta, dor no corpo, dor da cabeça, inapetência, desânimo. Depois, aparecem pequenas manchas avermelhadas, as máculas, que crescem e tornam-se salientes, constituindo as maculopápulas.” http://drauziovarella.com.br/letras/f/febre-maculosa-2/

A bactéria só é transmitida depois de 4h. Então é importante procurar carrapatos e micuins logo depois do passeio. Se encontrar um, retire com cuidado (se o ferrão ficar, mesmo que não seja o carrapato da febre maculosa, pode infeccionar o local). O ideal é matar o bicho com algum produto como Escabin antes de retirar.

Para diminuir as chances de pegar carrapatos as recomendações são:

– colocar a barra da calça por dentro da meia. Sei que fica feio, mas a alternativa são carrapatos, formigas ou outros bichos subindo pela calça.

– quem é mais cuidadoso, além de colocar a meia por cima, também lacra com durex, inclusive dando uma volta com a face adesiva pra cima. Assim, se um micuim andar por lá, fica preso na cola.

– nas roupas claras é mais fácil detectar algum carrapato.

– cheque e se possível feche as frestas das roupas: zíper nas calças-bermudas, frestas de ventilação das camisas, punho abotoado, camiseta por dentro da calça.

– Exposis por cima da roupa também ajuda a evitar. Talco Granado tem um pouco de enxofre, e colocar nas meias também ajuda. E tem a dica de sprayar SPB de citrolena por cima da meia, dizem que funciona, mas você tem que ter certeza de que não é alérgico ou sensível.

Agradeço ao Eduardo Alexandrino, à Silvia Linhares e ao Alberto Rossettini pelo alerta e pelas recomendações. Em Piracicaba os locais com risco têm placas do tipo “Cuidado – zona de infestação de carrapatos que podem transmitir a febre maculosa”. Esse pedaço da rua do Porto onde fotografamos a andorinha-do-rio é um deles, eu vi a placa, mas como o Luccas também entrou na grama e deitou no chão, achei que nessa época não havia risco. Depois soube que ele não tinha reparado na placa. O papo sobre carrapato surgiu porque a Juliana postou uma foto no Facebook da gente fotografando a tal andorinha-do-rio, a gente no mato, e eu comentei sobre a placa que estava a alguns metros de lá.

Ou seja, evite entrar nos locais que têm as placas de aviso, e sempre que for pro mato, pelo menos vá de calça comprida com a meia por cima da barra, e se for uma trilha mais fechada, com manga longa também. Ao sair da trilha, procure nos braços, pulso, barriga, qualquer lugar de pele exposta.

Como surgiu o passeio

O passeio foi agendado pelo grupo do Facebook “Quero Passarinhar”. O Rodrigo perguntou se alguém tinha interesse em ir lá, e logo formamos um grupo. Descobrimos que 4 é um bom número para o passeio. Dividimos as despesas, cabem todos no barco. Se houvesse mais gente, havia a possibilidade do nosso barqueiro chamar mais um barco, mas depois concluímos que mais de um barco diminui muito o prazer do passeio. As aves se afastam conforme o barco se aproxima, assim, o barco de trás sempre ficaria prejudicado. A área do Tanquã é grande, mas mesmo que os barcos fossem cada um para um lado, demora algum tempo para as aves voltarem.

Quando ir, como chegar, quanto custa, onde comer

A melhor época para visitar o Tanquã é de setembro a início de fevereiro. Depois de fevereiro a quantidade de aves diminui bastante. O Luciano Monferrari, que já foi várias vezes, considera setembro e outubro os melhores meses. Mas fomos agora em janeiro, e apesar de não termos visto o pato-de-crista ou a marreca de asa-azul, nos divertimos bastante e ficamos impressionados com a quantidade de aves.

Nos fins de semana o Tanquã é frequentado por barcos diversos e os terríveis jet skis. Se você puder ir durante a semana, mesmo que seja só na parte da manhã, vai aproveitar mais.

Saímos de São Paulo de madrugada por volta das 4h15, paramos no Frango Assado do km 34 para reunir os dois carros e tomar um café, e chegamos no Tanquã umas 7h.

É preciso reservar o barqueiro com antecedência. Fomos com o Alemão. O custo do passeio com o Alemão  (19) 3418-7115  é de R$ 150 (jan/14) a manhã toda, incluindo a gasolina, num barco em que cabem até 4 pessoas. Ele levará aos locais em que é mais provável ver as aves, em uma rota mais ou menos definida. Se você quiser ir para lugares mais distantes, precisa combinar outro valor. Geralmente você só consegue falar com ele à noite. Você pode perguntar como está de aves.

Os colegas também recomendam o barqueiro  Ivanildo (19 9 9880-5882). E o Gustavo Pinto faz um passeio guiado para ver as aves que vale a pena: http://virtude-ag.com/roteiro-tanqua-ou-corujada-com-gustavo-pinto-piracicaba-americana-sp-e-sobre-a-app-mocho-dos-banhados/

Num grupo de 4 pessoas, contando almoço no capricho na rua do Porto (que ficou R$ 38 / pessoa, com bebidas), mais gasolina, pedágio, a expectativa é de gastar menos de R$ 120 / pessoa. E fomos em dois carros, num carro só seria menos de R$ 100.

O Luccas voltou ao Tanquã alguns dias depois, e experimentou a isca de tilápia do Bar do Carlinhos, lá no Tanquã. Disse que é boa: porção grande, fritura sequinha, peixe bem fresco. Ele recomenda.

É fácil chegar no Tanquã. Vá para Piracicaba. De lá sai a estrada pra Anhembi, a SP 147 (o GPS te indica mais ou menos e há placas pela cidade. Mais ou menos porque o ponto de entrada da estrada mudou alguns metros pra frente, mas se errar, logo você vê). Você roda 30km nessa estrada pra Anhembi, começam a aparecer umas placas indicando Tanquã. Depois de rodar 50km de asfalto, mais 6km de terra e está lá.

Lindas imagens e bons amigos

Foi um passeio muito bom. Tanto pela beleza do local e oportunidades fotográficas, pela simpatia do Alemão, e pela sintonia passarinheira no grupo. Eu só conhecia o Luccas de vista, o Rodrigo e a Juliana de papear por e-mail ou pelo Facebook. Mas nos demos muito bem: olhando tudo e fotografando em silêncio, sem ansiedade ou pressa, interessados pelas aves inclusive as comuns, gostar de ficar observando o comportamento dos animais, a busca por fotos bonitas – não apenas lifers. Durante a passarinhada, companheirismo, generosidade, gentilezas. No fim do passeio, cerveja e conversas sobre assuntos diversos. Depois do Tanquã engatamos um passeio no Parque Ecológico do Tietê – logo faço o reporte, e já ficamos pensando nos próximos. O birdwatching tem dessas maravilhas de transformar conhecidos rapidamente em amigos, ao descobrir que compartilhamos a mesma sintonia com a natureza.

 

Sobre a situação do Tanquã – informações do Luciano Monferrari, membro do Centro de Estudos Ornitológicos

Mensagem que o Luciano enviou para mim e o Paulo Guerra, porque havíamos perguntado se há como ajudarmos

Boa tarde Paulo e Claudia,vou tentar resumir o andamento do empreendimento: Aproveitamento Múltiplo da Barragem de Santa Maria da Serra, que irá inundar completamente o Tanquã caso seja aprovado. Tivemos 5 audiências públicas, sendo a última delas no dia 22/01/14 em Águas de São Pedro. Em todas elas a manifestação popular foi claramente contra o empreendimento, porém este tem uma conotação política muito forte. Através do CEO, entramos com um inquérito civil, instaurado pelo Ministério Público questionando a barragem. O MP está nos apoinado e tive varias reuniões no sentido de argumentar contra o empreendimento. Fazemos um censo no Tanquã desde 2011 e utilizamos estes dados para confrontar com o EIA / RIMA* apresentado. Conseguimos a prorrogação em 60 dias para aprovação da Licença Prévia. Agora vamos participar de algumas reuniões para discutir a aprovação da LP. Na verdade o momento de participar seria nas audiências públicas. Até quinta feira próxima pode ser protocolado na Cetesb qualquer documento / parecer / manifestações contrárias ao empreendimento. Nas mãos nos resta agora aguardar o desfecho deste processo. Participamos das audiências nos posicionando contrários ao empreendimento e solicitando novos estudos, colocando o Tanquã como importância internacional para o Estado de São Paulo em áreas úmidas, sendo um potencial candidato à Convenção de Ramsar (mas cabe ressaltar que ainda é algo preliminar, para fazer parte da Convenção é preciso muitos estudos e preencher diversos critérios). Se tiverem mais alguma dúvida e eu puder ajudar favor entrar em contato. Grande Abraço, Luciano Monferrari

* (obs de Claudia Komesu, editora do Virtude-AG: EIA / RIMA é o Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto no Meio Ambiente. Nesse tipo de relatório, é comum a importância ambiental do local que eles querem destruir estar bem subvalorizada. Felizmente, havia os dados dos levantamentos que o CEO executa desde 2011 para confrontar esses relatórios).

 

Ótima notícia! O Ministério Público não emitiu a Licença Prévia que significaria o início do fim do Tanquã! (Notícia compartilhada pelo Luciano Monferrari agora no dia 29/jan/14, às 13h30)

Para conhecimento de todos… O Ministério Público enviou este parecer recomendando a não expedição da Licença Prévia enquanto não forem sanadas as omissões, deficiências e incongruências do EIA / RIMA. Considero uma primeira vitória de todos os envolvidos neste processo e reitero que o CEO teve uma participação importantíssima com a representação através do Inquérito Civil e seus desdobramentos. Parabenizo e agradeço a todos os envolvidos nesta causa. Em especial ao Ministério Público / GAEMA que tem agido de forma firme e isenta neste processo.Ainda não é uma vitória definitiva, mas com certeza inibe qualquer autorização às escusas por parte das autoridades, quando se tem um parecer deste “calibre”. Abraços Luciano Vasconcelos Monferrari

Obs de Claudia Komesu: Estou lendo alguns dos links indicados nesta notícia. Veja trecho da tal Recomendação: “7) Em virtude dos princípios da economicidade e eficiência, vigentes no Direito Administrativo, a CETESB deverá exigir explicações e considerar a variação de custos previstos para o AM-SMS, pois ora se orçaram os custos em R$ 320.000.000,00 (agosto de 2.007), ora em R$ 352.000.000,00 (fevereiro de 2012), enquanto o ElA menciona R$ 900.000.000,99, o RIMA (R$ 996.000.000,00) e a audiência pública de Piracicaba menciona R$ 670.502.160,00. Nessa seara, considerando a insuficiência das medidas mitigadoras e compensatórias, bem como outras ações que serão necessários no transcorrer da construção e posterior operação do reservatório, a serem identificadas por meio do Plano de Monitoramento, provavelmente a OBRA PODERÁ TER CUSTO AINDA BEM MAIS ELEVADO DO QUE O ANUNCIADO, circunstâncias a serem levadas em consideração, com base no rincípio da economicidade;”

“Prezados, O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do XII Núcleo do Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (GAEMA), o qual tem atuação regionalizada, Núcleo PCJ-Piracicaba, pelo presente, informa, para fins de conhecimento e eventuais providências, que, encaminhou, no dia 24 de janeiro de 2013, RECOMENDAÇÃO para o Presidente da CETESB e para o Gerente do Departamento de Avaliação Ambiental de Empreendimentos, para que não seja expedida licença prévia enquanto não forem sanadas as omissões, deficiências e incongruências do EIA-RIMA do empreendimento “Aproveitamento Múltiplo da Barragem de Santa Maria da Serra”, bem como para que os órgãos ambientais, atentem, no mínimo e sem prejuízo de outras previsões legais, a todas críticas e sugestões efetuadas quando das audiências públicas e demais estudos técnicos apresentados, sem prejuízo das posteriores contribuições efetuadas nos termos do artigo 20 da Deliberação Consema Normativa 01/2011, sanando todas as deficiências e insuficiências dos estudos e propostas de medidas mitigadoras e compensatórias.

A íntegra da recomendação pode ser lida integralmente através do link bit.ly/1fhAlZQ. A RECOMENDAÇÃO, vale esclarecer, se trata de instrumento jurídico, que tem por escopo cientificar e advertir os seus destinatários a respeito das providências requisitadas, ensejando, em caso de não atendimento, a possível caracterização de responsabilidades (civis, penais e administrativas) dos agentes públicos e do Estado, sem prejuízo das medidas judiciais para a obtenção dos resultados pretendidos. Tal documento foi expedido nos autos do Inquérito Civil nº 14.1096.0000001/2012-8 (IC nº 01/12), instaurado pelo GAEMA PCJ-PIRACICABA, o qual apura detalhes técnicos e jurídicos relativos à construção da barragem de Santa Maria da Serra e seu aproveitamento múltiplo, no trecho de 45 km entre a atual barragem e o Distrito de Ártemis, cuja finalidade é a criação de um ramal da Hidrovia Tietê-Paraná.

Tal inquérito tem como principais objetivos: a) Acompanhar a elaboração e o desenvolvimento do projeto no tocante à previsão dos potenciais impactos ambientais das obras previstas; b) Acompanhar as atualizações dos estudos de viabilidade do projeto, em especial sobre a amplitude e divulgação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA); c) Verificar a suficiência ou não das medidas mitigadoras e compensatórias dos impactos ambientais. Segue o link para download do INQUÉRITO CIVIL com os últimos documentos juntados. bit.ly/1mBwmtl.

Instruí a referida RECOMENDAÇÃO, além de outros documentos, o PARECER TÉCNICO do Assistente Técnico de Promotoria, Michel Metran da Silva, por meio do qual é elaborada análise do teor do EIA-RIMA do empreendimento “Aproveitamento Múltiplo da Barragem de Santa Maria da Serra”. Neste documento, também são tratados assuntos que consolidam algumas das preocupações levantadas pela sociedade civil e entidades, em manifestações orais e representações, bem como pontos levantados pelos Promotores de Justiça.

O Parecer Técnico pode ser acessado em: bit.ly/1hRGbDk. Segue, ainda, o link para download do EIA em documento único, disponibilizado com índice de busca bit.ly/1etn9yO. No inquérito civil, também é possível ter acesso a outras manifestações técnicas e questões suscitadas nas Audiências Públicas pelas entidades ambientais e pela sociedade civil, pois várias foram remetidas também ao GAEMA. Todas as mídias digitais (CDs e DVDs) juntadas ao Inquérito Civil, devido ao tamanho de seus arquivos e armazenando diferentes tipos de registros, tais como áudio e vídeo das Audiências Públicas, não estão no link, visto não ser possível disponibilizar em formato pdf, ficando, todavia, disponibilizadas aos interessados para eventual consulta, na sede do GAEMA-Piracicaba, mediante aviso antecipado. Esperamos que esse material contribua para a continuidade das discussões e para esclarecimento dos pontos controvertidos, omissos e deficientes a serem sanados no decorrer do licenciamento ambiental, a fim de que seja possível a devida verificação da viabilidade ambiental, ou não, do empreendimento em questão.

Atenciosamente, ALEXANDRA FACCIOLLI MARTINS Promotora de Justiça do GAEMA – PCJ-Piracicaba – MPSP IVAN CARNEIRO CASTANHEIRO Promotor de Justiça do GAEMA – PCJ-Piracicaba – MPSP MICHEL METRAN DA SILVA Assistente Técnico de Promotoria do GAEMA – PCJ-Piracicaba – MPSP”

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