Há algum tempo tive a oportunidade de ler um artigo na web em que era citado o fato da Fundação O Boticário possuir duas reservas naturais no país. Uma dessas áreas era a Reserva Salto Morato no Paraná. Desde então comecei a alimentar o desejo de conhecer esse local e estendi a proposta aos amigos do GRIFOO, como um possível destino para uma de nossas viagens.

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Bicudinho-do-Brejo (Stymphalornis acutirostris)
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Encontros noturnos...uma zelosa mãe aranha leva seus 263 filhotes para passear. Alguém duvida do numero, é só contar!
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Da esquerda para a direita: Pompeo, Luciano Breves, Gustavo Pinto, Dú Nyari, Vilela, Danilo, Ubaldo e Peterson.

 

Depois de algumas pesquisas no site da Fundação, descobri que nessa reserva existiam alojamentos destinados a pesquisadores, mas que outras categorias de usuários poderiam ser aceitos também. Elaborei um e-mail descrevendo o nosso grupo, suas intenções e também o nosso interesse em conhecer a reserva, solicitando inclusive que ficássemos hospedados nos alojamentos.

Para minha surpresa em pouco tempo recebi a resposta, enviada pela srta. Maricy Rizzato, uma das pessoas responsáveis pela Reserva, informando que poderíamos nos hospedar nos alojamentos e ainda com as datas disponíveis para nos receberem. Informou também todos os procedimentos necessários, as condições referentes a alimentação e indicou vários guias ornitológicos conhecedores do local.

Pronto! Nossa próxima viagem estava definida e com data marcada. Seria entre os dias 14 e 17 de novembro de 2013!

 

AMERICANA – MORRETES

Dentre as opções de guias indicados optamos pelo Luciano Breves, pois alguns de nossos membros já o conheciam “virtualmente” e fora muito bem recomendado. Durante os 2 meses que antecederam a viagem, foram vários e-mails trocados, divergências sobre a rota a seguirmos ( O Google queria nos mandar por uma trilha no meio da selva, onde nem jipeiros experientes obtiveram sucesso) e ajustes nos horários de chegada. Ficou definido que sairíamos de Americana por volta de meia-noite do dia 13 para 14, a previsão de chegada em Morretes era 6h da manhã, onde nosso guia estaria nos aguardando.

Que inocência a nossa! Logo depois de entrarmos na rodovia Regis Bitencourt ficamos quase duas horas parados na pista. O jeito foi aproveitar o tempinho para corujar um pouco… Sem sucesso algum.

Depois foram mais algumas horas de trânsito lento até a Serra do Café. Resultado… Chegamos em Morretes quase às 10h da manhã!

Faltou falar sobre a descida da Serra da Graciosa e devo dizer que fiquei um pouco desapontado. Eu explico… Estive ali a 10 anos atrás e fiquei maravilhado com a beleza deste local, não apenas da serra mas também da pequena estrada calçada com paralelepípedos, o jeito rústico que parecia ter parado no tempo, como se a cada curva fossemos dar de cara com alguma carruagem da época do império.

Desta vez encontramos a estrada quase toda asfaltada, ficando apenas pequenos trechos com o calçamento original. Mas o grande desapontamento veio com a quantidade de bares e lanchonetes espalhados pelo percurso, com muitas faixas e placas poluindo visualmente a paisagem.

 

MORRETES – GUARAQUEÇABA

Após nossa dramática chegada a Morretes (conseguimos nos perder no centrinho), as rápidas apresentações e de socarmos as coisas de nosso guia no carro levemente cheio, saímos em direção à Reserva Salto Morato, mas antes iriamos tentar fotografar um ilustre habitante dessa região… O bicudinho-do-brejo.

Nosso guia nos levou até um grande brejo, as margens de uma rodovia, onde deveríamos encontrar a espécie. E encontramos mesmo! Havia diversos indivíduos no local, mas isso não significa que foi fácil fotografá-los. Embora respondessem ao play-back não saíam para locais abertos onde pudéssemos fotografá-los sem muita interferência, resultado…Vai do jeito que der!

Nesse local tivemos também dois encontros marcantes. O primeiro com uma paisagem fantástica que nos acompanharia por toda a viagem. O segundo encontro que também nos acompanharia por TODA a viagem e deixaria em nós marcas profundas eram as MUTUCAS, seguidas pelos PERNILONGOS e BORRACHUDOS. Senhor da Glória!!! Pareciam nunca ter visto sangue! Não adiantava passar repelente, eles bebiam junto com nosso precioso sangue. Difícil é fotografar uma ave que não para e ficar pulando, agitando os braços, como em uma coreografia barata de Macarena!

Depois de várias paradas pelo caminho em busca de outras espécies, de comermos muito pó na estrada (não chovia no local há vários dias) e de ficarmos REALMENTE com fome, chegamos a sede da Salto Morato por volta das 14h, ou seja 14 horas de viagem!

Na chegada fomos recebidos pelos Colaboradores e Estagiários de plantão na reserva, e todos foram muito atenciosos conosco. Preenchemos alguns formulários, recolhemos os valores combinados e queríamos MUITO COMER. Havíamos contratado os serviços do Jurandir, a pessoa que administra a única lanchonete na reserva, para que nos fornecesse as refeições durante a nossa estadia no local e por algum erro de comunicação ele só nos esperava para o jantar do dia 14.

Novamente o pessoal da reserva foi muito competente e rapidamente conseguiram entrar em contato com o Jurandir. Enquanto nos mostravam nossos quartos e descarregamos nossas malas e equipamentos,o pessoal da lanchonete chegou e nos serviram deliciosos lanches (X- Salada… 2 cada um, na verdade).

Sobre a questão da alimentação preciso fazer um esclarecimento. No alojamento, além dos quartos com banheiros privativos, existe uma cozinha comunitária MUITO BEM equipada, contando com fogão tipo industrial, micro-ondas, geladeira, pratos, talheres e acessórios. É possível cozinhar no local tranquilamente, mas nós optamos pelo fornecimento das refeições para que ninguém se sobrecarregasse. A alimentação servida pelo Jurandir e sua família é simples, mas muito bem feita. Acreditamos que eles ainda não tenham muita experiência nesta questão e portanto acabaram por gerar alguns percalços, mas nada que possa desabonar o serviço oferecido por eles. De qualquer forma, se alguém quiser encarar a cozinha, pode ir sem medo porque o local é muito bem equipado nessa área.

Existe ainda uma área com churrasqueira ,atrás dos dormitórios, excelente para aquele churras de despedida!

 

AS TRILHAS DA SALTO MORATO

Existem duas trilhas principais na reserva, abertas ao público. E depois de fotografarmos várias espécies na área em volta da lanchonete, saímos caminhando em direção ao Centro de Visitantes. Pausa para a foto do grupo e seguimos em direção as trilhas.

Da esquerda para a direita: Pompeo, Luciano Breves, Gustavo Pinto, Dú Nyari, Vilela, Danilo, Ubaldo e Peterson.

Logo na saída do Centro de Visitantes existe uma ponte pênsil de madeira, daqueles estilo filme do Tarzan na Sessão da Tarde. Altamente recomendada para pessoas com Labirintite, estômago cheio ou (como é o meu caso) para aqueles que enjoam até em brinquedo de playground infantil. Fica pior ainda se na sua frente estiver uma pessoa tão comportada como o Gustavo. Quando saímos dela demorou uns 15 minutos para o cérebro parar de balangar!

Seguindo por esta trilha chegamos a uma bifurcação por onde podemos seguir em direção ao “Aquário” e a trilha do Salto Morato, ou ainda em direção a Trilha da Figueira. Como estávamos só um pouquinho cansados, resolvemos ficar ali pelos arredores do aquário (na verdade um pequeno bolsão formado pelo riacho que corta esta área), fazer algumas fotos e voltar ao alojamento, pois pretendíamos corujar ainda nesta noite.

Na volta pela trilha pude viver uma outra experiência interessante (não se trata das mutucas e borrachudos, que aliás não nos deixavam em paz), comecei a observar a luz do final do dia, que entrava pelas frestas entre as árvores e formavam verdadeiros caleidoscópios de formas e cores, nas folhas e flores pelo caminho. Um espetáculo para quem sabe VER.

Ainda pelo caminho, deslumbrado com as belezas do local, o cuidado deve ser redobrado pois a vida se apresenta em muitas formas e cores. Plantas, aves, insetos e pequenos animais circulam por todos os lados, alheios a nossa presença, afinal nós somos os estranhos neste local.

Após um banho frio revigorante (nesse dia o nosso chuveiro não funcionou), um jantar na lanchonete e devidamente equipados, estávamos nos preparando para a corujada quando ouvimos o som inconfundível de uma mãe-da-Lua, e bem em cima do nosso alojamento!

Não precisamos nem de play-back, foi só imitar o som dele que em seguida já estavam dando rasantes sobre nós. Peraí… Estavam? Sim, estavam! Pois dois indivíduos começaram a voar juntos. Foi aquela gritaria chamando todo mundo para fora.

Não conseguimos fotografar os dois juntos mas deram um mole legal e todos conseguiram ótimos registros. O Luciano até filmou a vocalização de um deles! Depois de muitas fotos dos dois amigos, saímos pela trilha em volta da administração e pelo Camping, agora em busca das corujas. Mas nenhuma resolveu dar as caras!

Outras surpresas surgiram pelo caminho, e para não perder a oportunidade, fotografamos também.

E dessa forma encerramos o nosso 1º dia na Reserva Salto Morato. E foi só um dia ainda… Muitas surpresas nos aguardavam. Mas ficam para o próximo post.  Até logo!

 

Mata Atlântica (+)