Passarinhando nas Terras Altas da Serra da Mantiqueira

No dia 20/02/15, uma sexta-feira, saímos do Rio eu e meu amigo Hilton Filho, junto com nossas respectivas esposas e companheiras, a fim de nos juntarmos a um grupo para uma passarinhada na região de Itamonte – MG, nas proximidades da fronteira com o Rio de Janeiro.

Pegamos a Dutra em direção a Engenheiro Passos, quase fronteira com SP, onde na saída 330A entramos à direita, na BR-354 (Rio-Caxambu), em direção à RPPN Alto Montana, próximo a Itamonte, nosso destino final. (OBS: RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural).

A beleza vislumbrada na subida da serra já era o prenúncio do que nos aguardava nessa aventura de final de semana!
Chegamos à RPPN por volta de 16h30 e fomos recebidos pelo Kassius Santos, nosso Guia e organizador do evento e pelo Paulo, gerente da RPPN Alto Montana. Sempre atenciosos, nos mostraram a Sede da RPPN e o local de nossas acomodações, nas instalações do antigo Hotel Casa Alpina, que funcionava no local antes da área ser adquirida e transformada, algum tempo depois, em unidade de conservação.

Malas acomodadas e um papo inicial para nos situarmos, fomos dar uma volta na área da sede, já devidamente acompanhados das nossas Nikons. Que bom, recebemos logo as boas vindas de vários pássaros que vocalizavam como a nos desejar uma boa estadia e uma ótima passarinhada!

Nessa pequena exploração pela RPPN observamos maria-cavaleira, caneleiro, saí-andorinha, saíra-de-chapeú-preto, saíra-douradinha, saíra-lagarta, pica-pau-anão-barrado, coleirinho, canário-da-terra, tico-tico, suiriri, carrapateiro, periquitão-maracanã, pintassilgo, caneleiro-de-chapéu-preto, pombão, rolinha-roxa, …, além de um ninho de tucano-de-bico-verde, que podia ser visto em uma frondosa árvore que se destacava na sede da propriedade.

Aliás, uma coisa que me deixou pasmo foi ver o tucano chegar voando, a toda velocidade, e entrar direto naquele pequeno buraco!!! Como ele faz para frear?? rsrs

No decorrer desse final de tarde tão agradável foram chegando os demais companheiros de aventuras: Ronaldo Garcia Lebowski, paulista de Penápolis, Craig Cudworth, um simpático britânico que mora em BH, Danilo de Paula Jr. e Alexandre de A. Nogueira, dois amigos de Guaratinguetá – SP. Foi muito bom e agradável passarinhar com um grupo tão disposto e colaborativo!

À noite, uma palestra preparada pelo Kassius Santos nos mostrou em detalhes o mundo das aves. Fiquei maravilhado ao descobrir que nossos pássaros tão belos são descendentes dos “dinossauros”!!!

Acordamos no sábado às 4h da manhã para o café e em seguida colocar o pé (ou melhor, a Kombi) na estrada rumo à parte alta do PARNA Itatiaia. Fomos subindo os 15 Km de estrada de terra com paradas e pequenos trechos de caminhadas para observação das aves no decorrer do gradiente altitudinal, saindo de algo em torno de 1.600m até alcançar a base do Pico das Agulhas Negras, a 2.350 m de altitude.

A parte inicial do percurso foi bem frustrante, um vento frio e cortante em pleno verão deixava nossas mãos congeladas e apesar de escutar nossos amigos na mata, eles estavam tímidos e só apareciam de forma furtiva, até que um lindo peito-pinhão apareceu e nos deu as boas-vindas.

A partir desse momento começamos a ter mais sorte na observação das aves e da bela natureza que nos cercava. Logo avistamos um surucuá-variado fêmea, que nos deixou a vontade para fazer belas fotos e uma centopéia quis dividir a cena.

Um pouco mais acima avistamos o pula-pula e o quete. Pegamos a Kombi para subir um pouco mais e paramos em uma parte da estrada onde existe uma grande área marginal na lateral da pista. Avistamos um caracará num daqueles galhos que sempre sonhamos, mas ele foi mais esperto e alçou voo. Na tentativa de ainda fazer a foto, acompanhei o seu voo com o câmera e disparei algumas vezes. Bingo! Consegui, meio que na sorte, um “panning” de gavião!!

Então, aconteceu a grande surpresa desse segundo dia de observação de aves. Começamos a escutar a vocalização do “saudade”. Logo ele apareceu na copa de uma árvore distante e apenas a parte de cima estava visível. No que iniciamos a aproximação ele voou e imaginamos que seria mais uma frustação!

Para surpresa de todos, ele pousou em uma pequena árvore que se encontrava no limite do recuo da estrada, permitindo a nossa aproximação gradual, até que chegamos a cerca de 4 metros do bicho, que não parava de vocalizar entoando o seu canto melodioso.

Seguindo mais um pequeno trecho de estrada, ainda ouvindo o canto do “saudade”, que gostou do galho e ficou por lá até nossa saída, avistei uma borboleta diferente e muito vistosa nos seu tom de preto salpicado de amarelo e abóbora!

Nesses 15 Km de estrada observamos muitos pássaros, escutamos a vocalização de alguns que não nos deram o prazer de avistá-los e apreciamos uma linda paisagem de serra. Ao chegar no final da estrada, exatamente da fronteira de MG com o RJ, encontramos o posto de acesso ao PNI, onde tivemos que nos cadastrar e pagar a entrada (R$ 14,00) para poder seguir adiante.

Nesse ponto, estacionamos a Kombi e seguimos por uma pequena estrada de terra, com muitos pedregulhos e desníveis, até o ponto final, o Abrigo Rebouças, distante 2,6 Km de onde nos encontrávamos.
Mochilas nas costas e câmeras nas mãos, lá fomos nós debaixo de um sol que não dava trégua, já que naquela altitude praticamente só existem pequenos arbustos e muita pedra!

A natureza nesse ambiente de altitude (2.350 m) é bem diferente do que estamos acostumados ao nível do mar. A vegetação, algumas pequenas criaturas e o visual do ambiente nos remetem a imaginar algo meio extraterrestre!
Depois de observar um arbusto com um perigoso ninho de abelhas, nos deparamos com o sapo flamenguinho, um minúsculo anfíbio preto e vermelho símbolo do PARNA Itatiaia. Ao longo do caminho até o Abrigo Rebouças pudemos observar e fotografar aves endêmicas daquela região, como a garrincha-chorona e a maria-preta-de-garganta-vermelha.

Finalmente, chegamos ao Abrigo Rebouças e além do visual quase indescritível do Pico das Agulhas Negras imagina quem estava lá para nos dar as boas vindas? Um tico-tico!!! hahaha… acho que essa ave está em todo lugar na face da Terra!! Impressionante!!

Logo na saída, para a dura caminhada de volta, encontramos um lindo sabiá-do-banhado. Já de Kombi, na estrada rumo à RPPN, ainda paramos para observar e fotografar uma tesoura-cinzenta, que nos aguardava fazendo pose em um “galho nu” à beira do caminho.

Chegando na RPPN, tomamos um belo banho, pegamos a meninas e fomos jantar na pequena e acolhedora Itamonte, cerca de 15 Km serra abaixo. O frentista de um posto de gasolina BR logo na entrada da cidade nos deu a dica… Restaurante Seis e Meia, em uma rua bem próxima. Hum… ótima massa, excelente fim de noite!

Na manhã de domingo subimos na caminhonete da RPPN e fomos desbravar a estrada que fica dentro da Unidade de Conservação. Com cerca de 8 Km morro acima, chega no ponto culminante da área, onde estão instaladas as antenas de uma Cia Telefônica. Infelizmente, devido ao péssimo estado de conservação da estrada (que por contrato é da responsabilidade da Cia Telefônica), não foi possível ir até o topo, onde também fica uma rampa de salto.
Percorremos cerca de 3 Km nessa estrada, até a entrada de uma trilha rumo ao interior da floresta. Nossa tarefa agora seria mais complexa; enfrentar a dificuldade de locomoção no meio da mata, ignorar os insetos que adoram “carne nova no pedaço” e ainda ter que localizar os bichinhos embrenhados nos emaranhados de galhos, cipós e folhagens!

Em termos de observação e fotos de aves a produção não foi das melhores nessa manhã, mas ao retornar caminhando pela estrada até a RPPN, nos deliciamos com muitas borboletas que enfeitaram e alegraram o caminho, como a nos desejar uma boa viagem de volta às nossas cidades.

E foi isso, retornamos felizes por todos os momentos vividos naquele paraíso, em companhias tão agradáveis!!

 

 

Eventos

 

Mata Atlântica