Estou passando um assunto na frente de outro, coisa que não gosto de fazer. A Floresta Encantada, no entanto, merece a quebra da regra.

O primeiro lifer foi o formigueiro-assobiador, de belo canto, mas difícil de conseguir fora da brenha

O primeiro lifer foi o formigueiro-assobiador, de belo canto, mas difícil de conseguir fora da brenha

 

Nosso amigo da Ecoavis, o João Sérgio, nos convidou para uma excursão a sua cidade, Rio Piracicaba, em Minas Gerais. Ele já explicou a estória no Virtude (Floresta Encantada), mas falta um agradecimento público, mais uma vez, pela incrível acolhida que tivemos na casa do Tio Maninho e pela atenção com que fomos tratados pelo João Sérgio e por toda sua família.

A descrição das nossas aventuras já está lá no Virtude e não há como melhorar o que o João contou. Aqui vou postar apenas algumas das fotos que fiz. Foram 6 lifers, alguns com fotos boas. Vamos lá.

Começamos com um gavião-carijó, na belíssima luz da manhã, que o pessoal deixou passar batido, mas a quem não pude resistir. Logo depois um cata-lenha apareceu na mesma luz e, novamente, parei para pegá-lo. Um tico-tico-do-mato, tímido, atrás dos galhinhos, também estava à beira da estrada.

O primeiro lifer foi o formigueiro-assobiador, de belo canto, mas difícil de conseguir fora da brenha. O arapaçu-verde foi o arauto de outro, mais impressivo que logo viria nos encantar. Um casal de arapaçus-de-bico-torto, com seu bico inacreditável, facilitou bastante nossa vida, demorando-se à caça de insetos nos troncos.

A belíssima saíra-ferrugem também estava presente, ajudando a encantar a floresta. Um tié-de-topete apareceu na copa de uma árvore para uma breve olhada em quem estava invadindo seus domínios.

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Isso aí parece, mas não é um passarinho.

É um ratinho da floresta, que se veste de penas achadas pelo chão, e corre para lá e para cá, enganando um fotógrafo bobo que só conseguiu borrõezinhos. Fiquei encantado com esse macuquinho. Acho que poderia passar horas só observando suas corridas entre os galhinhos e folhas do chão da Floresta Encantada.

Já fora da floresta, mas ainda sob seu encantamento, encontramos um ninho de maracanãs-verdadeiras, baixinho, a uns 4 m do chão, à beira da estrada. Esperamos que ninguém tenha a ideia de pegar os filhotes.

O João Sérgio nos avisou que encontraríamos de sentinela, pousado em seu posto habitual, um belíssimo gavião-de-rabo-branco cuidando de seus domínios. Notem que se trata de um morpho um tanto raro.

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À noite, após uma pizza excelente, fomos atrás da courja-orelhuda. Como não uso flash, só consegui fotos sofríveis, a melhorzinha foi essa aí. Mas… Lifer é lifer, vale assim mesmo.

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No dia seguinte começamos logo com um lifer, uma marianinha-amarela. Um surucuá-variado veio defender seu território quando fizemos o playback. Depois não parou mais com seu bonito, mas monótono canto. Custou a se desligar. Um trovoada ficou atrás dos galhinhos e me só permitiu essa foto sofrível. De novo aplica-se a máxima: lifer é lifer.

Alguns teque-teques apareceram durante todo o tempo em que estivemos na Floresta Encantada, mas custei a pegar um que valesse a pena mostrar aqui. O picapauzinho-de-testa-pintada nos deu muita colher-de-chá, embora não saísse do alto de uma embaúba seca.

Alguns beija-flores apareceram para se aproveitar de uma alta árvore florida. No contra-luz ficou difícil para identificá-los. Este aí me pareceu ser um “de-peito-azul”.

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Para me lembrar que estava na Floresta Encantada, um tico-tico me surpreendeu ao aparecer à margem da estrada que a corta. Normalmente só são encontrados em campo aberto.

O último lifer foi a choquinha-de-dorso-vermelho, que apareceu do nada quando eu estava descansando, fazendo um lache e começou a cantar em uma moita bem à minha frente, sem, no entanto, sair do meio da galharada.

Já na estrada, indo embora, encontramos uma andorinha-serradora, que nos deixou fazer várias fotos.

Parando para ver se pegávamos um papa-capim-de-costas-cinzas, que nos escapou, achamos essa dupla improvável se deliciando com uma chuveirada. Um fiozinho de gotas caía da pedra de cima proporcionando um banho refrescante e elas aproveitaram.

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É isso aí. No próximo post vou contar minha ida a Afonso Cláudio, Espírito Santo, onde encontrei passarinhos maravilhosos e uma turma muito legal de passarinheiros e iniciantes de vários lugares. Até lá.

 

Passeios com a Ecoavis

 

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